domingo, 20 de agosto de 2023

Sistema de cobrança de novos tributos será o mais moderno do mundo, diz Appy, FSP

 O sistema de cobrança dos novos tributos sobre o consumo criados pela Reforma Tributária será o mais moderno do mundo e deverá reduzir a sonegação e a inadimplência, segundo o secretário do Ministério da Fazenda Bernard Appy.

Um grupo de trabalho coordenado pelo governo federal, com participação também do Banco Central e de auditores dos estados e municípios, já trabalha no sistema que busca integrar documentos fiscais e instrumentos de pagamento, para que seja possível fazer a retenção imediata do tributo no momento da venda de bens e serviços.

"A gente não vai ter o melhor IVA [Imposto sobre Valor Agregado] do mundo, porque vai ter algumas exceções, mas vamos ter provavelmente o IVA com melhor sistema de cobrança do mundo com o modelo que está sendo pensado agora", afirmou o secretário durante evento do Insper.

"O que estamos fazendo é uma revolução não só no desenho dos tributos, mas na forma de operacionalizar a cobrança no Brasil."

O secretário extraordinário da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, posa para fotos no Ministério da Fazenda. - Pedro Ladeira - 01.mar.2023/Folhapress

Segundo Appy, o instrumento de pagamento estará ligado ao documento fiscal eletrônico por uma chave, formando o que ele chamou de fatura. Na hora em que for fazer o crédito na conta do vendedor, o sistema checa se a empresa que está recebendo tem crédito de tributo a receber e já abate.

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Na presença do presidente do SenadoRodrigo Pacheco (MG), Appy afirmou que é importante manter no texto da proposta o Conselho Federativo que vai administrar os tributos de estados e municípios. "É impossível ter IVA municipal sem arrecadação centralizada." O conselho também torna mais fácil a vida dos contribuintes, permite fazer a transição da arrecadação entre todos esses entes.

Pacheco afirmou que a reforma deve ser aprovada no Senado no início de outubro, após a realização de uma série de audiências públicas e da votação do texto na Comissão de Constituição e Justiça da Casa.

Disse que depois o texto deve voltar à Câmara, uma vez que seria muito difícil manter integralmente a versão aprovada pelos deputados em julho.

Ele destacou como pontos de atenção a questão da garantia de manutenção da carga tributária e do respeito ao pacto federativo. Segundo Pacheco, a proposta de tributação de dividendos do governo anterior não teve aceitação do Senado por conta do risco de aumento de carga tributária.

"A reforma tributária precisa ser feita dentro de critérios que consideram o desejo da população e o não aumento da carga tributária", afirmou.

Destacou ainda as dificuldades de chegar a um consenso diante das demandas de vários setores econômicos, governadores e prefeitos, mas disse que o cenário para a aprovação do texto é otimista.

Também nesta sexta (18), em entrevista à Exame, Appy reafirmou que o governo avalia discutir a questão da desoneração da folha de pagamento junto com a reforma do Imposto de Renda, que deve ser enviada ao Congresso após a promulgação da Reforma Tributária em discussão atualmente no Senado.

Segundo Appy, o modelo atual de tributação sobre a folha gera distorções, por exemplo, estimulando a pejotização ou a informalidade. Ele afirmou que o governo pode reduzir os tributos sobre os salários se houver mudanças no Imposto de Renda como compensação.

"Não é certo, mas é bem provável que as propostas de mudança no Imposto de Renda venham com proposta de mudança na tributação da folha de pagamentos também. Como não está fechado como vai ser, não tenho muito como antecipar", afirmou.

Leviandade e mentira revelaram-se suprapartidárias, Elio Gaspari FSP

 

Durante quatro anos Pindorama ralou com um governo que negava o risco da pandemia e a eficácia da vacina, exaltava a cloroquina e duvidava da neutralidade das urnas eletrônicas. Parecia ser coisa do Bolsonaro.

Na quarta-feira, um apagão de energia afetou 25 Estados e Brasília. Em pouco tempo, entrou em operação uma usina de fantasias. Culpava a privatização da Eletrobras, da energia eólica, ou, talvez, de sabotadores.

A leviandade e a mentira revelaram-se suprapartidárias.

 Um apagão na manhã desta terça-feira (15), deixou por mais de uma hora toda a cidade de Campo Mourão, na Região Centro-Oeste do Paraná, sem energia. A falta luz começou às 08h30 e retornou somente às 09h32. Na foto, funcionários de empresas e repartições públicas andam no escuro durante apagão
Funcionário espera retorno da luz durante apagão na quarta-feira (16), em Campo Mourão (PR); falta de luz atingiu 25 estados e Distrito Federal - Dirceu Portugal/Fotoarena/Agência O Globo

EREMILDO, O IDIOTA

Eremildo é um idiota, mas sabe fazer as quatro operações.

A Polícia Militar de São Paulo barbarizou durante uma operação em Guarujá e morreram 16 pessoas. Em tese, numa operação desse tipo, os policiais deveriam ter câmeras nos uniformes.

Dos 16 episódios que acabaram em mortes, a PM disse inicialmente que só tinha vídeos de 9 confrontos. Depois, esclareceu que eles seriam 7 e, por fim, enviou 6 ao Ministério Público.

Delas, só 3 tinham relação com as ocorrências. Duas não captaram o momento dos disparos e a outra não tinha informações relevantes.

Como dizia Danuza Leão, fica combinado assim.

Assombrado por 'rachadinhas' acabou metido em grampos e falsificação de urnas, Elio Gaspari, FSP

 Quando os governos se metem com resolvedores de problemas, as tramas ganham muitos detalhes, mas na essência, saem da mesma raiz e acabam criando encrencas muito maiores.

No filme "Oppenheimer", apareceu brevemente a figura do coronel americano Boris Pash.

Ouvindo grampos do FBI, ele tentou afastar Robert Oppenheimer do projeto da bomba atômica.

Filho de um padre russo, Pash havia combatido na guerra civil contra os bolcheviques. De volta aos Estados Unidos, casou-se com uma aristocrata e, durante a Segunda Guerra Mundial, entrou para o Exército. Em 1945, numa operação brilhante, ele participou da captura de toneladas de urânio bruto e material radioativo na Alemanha.

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Jair Bolsonaro e o advogado da familia, Frederick Wassef - Gabriela Biló - 6.jun2022 /Folhapress

Com a Guerra Fria, Pash entrou nas operações paramilitares do governo americano e acabou na Central Intelligence Agency.

Nos anos 60, ele estava no planejamento de uma operação para envenenar os charutos do cubano Fidel Castro. Nessa armação, Pash tratou com outro funcionário da CIA. Chamava-se Everette Howard Hunt.

No dia 22 de novembro de 1963, noutro braço dessa trama, em Paris, a CIA entregaria a um cubano uma seringa para injetar veneno em Fidel Castro. Quando chegou a notícia de que o presidente Kennedy havia sido assassinado em Dallas, o esquema foi desativado.

Hunt, contudo, continuaria em ação. Em 1972, ele dirigiu a operação que colocaria um grampo na sede do partido Democrata, no edifício Watergate, em Washington. Deu tudo errado, Hunt foi para a cadeia e o presidente Richard Nixon acabou perdendo o mandato.

Neste ano completam-se 60 anos do assassinato de John Kennedy e, mais uma vez, o crime será revisitado. Por mais que se duvide, merece crédito a conclusão da comissão do presidente da Corte Suprema, Earl Warren: aquilo foi coisa de Lee Oswald, e só dele.

Para quem gosta da dúvida, fica uma frase de Lyndon Johnson, o vice que assumiu a presidência: "Kennedy estava tentando pegar Castro, mas Castro pegou-o primeiro".

Johnson disse isso a um jornalista anos depois. Ele mentia muito, mas era o presidente dos Estados Unidos.

No Brasil, um governo que começou assombrado pelas "rachadinhas" de Fabrício Queiroz, acabou metido num esquema de grampos e falsificação de urnas eletrônicas com Walter Delgatti.

Queiroz, como se sabe, escondia-se na casa do advogado Frederick Wassef que, por sua vez, resgatou um Rolex saudita vendido a uma joalheria americana.

Mundo pequeno. No ano passado, Delgatti tramava com a deputada Carla Zambelli, depois de ter ganho notoriedade capturando comunicações dos procuradores de Curitiba durante a Operação Lava Jato, do juiz Sergio Moro.

Em fevereiro de 2020, no apogeu do bolsonarismo, o então ministro e hoje senador Sergio Moro dançou uma valsa com a noiva no casamento da deputada Zambelli.

A turma brasileira é polivalente.

O TAMANHO DE BOLSONARO

Quando o presidente Jair Bolsonaro reuniu-se com Walter Delgatti no Palácio da Alvorada, mostrou o respeito que tinha pelo cargo que ocupava.

Bolsonaro contribuiria para os costumes reconhecendo que a operação de resgate das joias sauditas foi desencadeada por seus subordinados com seu conhecimento. Chefe não joga subordinados às feras.

O SILÊNCIO DE BARROSO

Como presidente do Tribunal Superior Eleitoral até fevereiro de 2022, o ministro Luís Roberto Barroso comeu o pão que Asmodeu amassou lidando com oficiais encarregados de verificar a neutralidade das urnas eletrônicas. Conviveu com astúcias, negaças e mentiras.

A cada conversa, com a tarimba de advogado e a cautela de magistrado, mostrou aos militares com quem conversava (de todas as patentes) os riscos que as Forças Armadas corriam, como instituição, metendo-se no negativismo bolsonarista. Ouvia, advertia e calava.

Haddad se meteu numa encrenca com Lira

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, meteu-se numa encrenca com o presidente da Câmara, Arthur Lira.

Numa entrevista ao jornalista Reinaldo Azevedo, Haddad disse o seguinte: "A gente saiu do presidencialismo de coalizão e hoje vive uma coisa estranhíssima, que é um parlamentarismo sem primeiro-ministro. (...) [A Câmara] está com um poder que eu nunca vi na minha vida. Penso que tem que haver uma moderação."

O presidencialismo brasileiro nunca mudou. Não há parlamentarismo algum, e a Câmara continua no exercício das atribuições que a Constituição lhe deu.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente da Câmara, Arthur Lira, em coletiva de imprensa após governo entregar arcabouço fiscal para o Congresso - Gabriela Biló - 18.abr.2023/Folhapress

É comum que o governo se queixe dos poderes do Legislativo e do Judiciário, mas assim é a vida.

Erro mesmo é acreditar que o governo e a sociedade sejam encarnados por quem ganhou a eleição, quem teve voto.

O TREM-BALA É IMORTAL

Em março passado reapareceu o projeto do trem-bala capaz de ligar o Rio a São Paulo em apenas quatro horas.

O projeto estava sepultado havia uma década, depois de passar de boa ideia a maluquice e de maluquice a escândalo, o trem-bala gerou uma estatal, que acabou sobrevivendo. Ele renasceu em março, sob a forma de uma autorização para que a empresa TAV Brasil toque o projeto, com uma ressalva: a Viúva não entrará nesse negócio. Tudo privado.

Passaram-se cinco meses. Não se sabe quem está interessado no investimento e não se conhece o projeto. Mesmo assim, o ministro dos Transportes, Renan Filho, já disse o seguinte:

"Se houver investidor privado (...) Nós entendemos que é uma obra muito estruturante para o país e a gente pode eventualmente apoiar. Vamos dizer que a obra custe R$ 50 bilhões. Não dê para o empresário fazer R$ 50 bilhões, mas ele consegue fazer com R$ 40 bilhões. Precisaria de R$ 10 bilhões do governo federal. Se chegar nesse momento, acho que a gente pode discutir".

Em cinco meses, sem que exista coisa alguma, Renan Filho já aceita discutir um aporte de R$ 10 bilhões da bolsa da Boa Senhora.