Venha me beijar de uma vez
Você pensa demais
Pra decidir
Venha a mim de corpo e alma
Libera e deixa o que for
Nos unir
Não vá fugir mais uma vez
Vença a falta de ar
Que a flor do medo traz
Tente pensar
Pode até ser mau e tal
Mas pode até ser
Que seja demais
Tudo vai mudar
Posso pressentir
Você vai lembrar e rir
Alguma dor
Que não vai matar ninguém
Pode ser vista e nos rondar
Não precisa se assustar
Isso é clamor
De amor
Venha me beijar de uma vez
Feito nuvem no ar
Sem aflição
Venha a mim de corpo e alma
Libera a paz do meu coração
Não vá se perder outra vez
Nesse mesmo lugar
Por onde já passou
Tente pensar
Pode até ser sonho e tal
Mas pode até ser
Que seja o amor
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domingo, 23 de dezembro de 2018
Otimismo com economia dispara, diz Datafolha, FSP
Movimento é usual antes de posse de presidentes, mas índices batem recorde com Bolsonaro
Igor Gielow
SÃO PAULO
O otimismo do brasileiro com a economia disparou e está em níveis recordes às vésperas da posse de Jair Bolsonaro (PSL) como novo presidente do país, aponta pesquisa do Datafolha.
Segundo o instituto, 65% dos entrevistados acham que a situação econômica do Brasil vai melhorar nos próximos meses, ante apenas 23% que diziam isso no levantamento anterior, de agosto deste ano.
É o mais alto índice de uma série histórica que começa em 1997, no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Já 67% dizem acreditar que estarão em melhor situação econômica pessoal à frente. Em agosto, eram 38%.
Esse índice de dezembro empata na margem de erro de dois pontos percentuais da pesquisa com os 68% que disseram a mesma coisa em março de 2013, antes de a popularidade de Dilma Rousseff (PT) ser corroída pelos protestos de junho daquele ano.
O Datafolha ouviu 2.077 pessoas em 130 municípios nos dias 18 e 19 deste mês.
Neste levantamento, acham que a economia brasileira vai piorar 9% —eram 31% em agosto. Já os que acreditam em estabilidade caíram de 41% para 24%. Na avaliação das finanças pessoais, os pessimistas passaram de 14% para 6%.
Os entrevistados que veem a situação igual à frente passaram de 44% para 25%.
A expectativa pré-Bolsonaro também é recorde, do lado positivo, quando o assunto é melhoria no mercado de trabalho. Em agosto, 19% diziam que o desemprego iria cair. Agora são 47%, o maior índice dessa série, que começa em 1995 —os pontos altos anteriores eram de 41%, em junho de 2003, março de 2013 e novembro de 2010.
Predizem o aumento da taxa 29%, ante 48% em agosto. Neste levantamento, 21% dizem acreditar que a taxa de desemprego seguirá a mesma, na casa dos 12%, segundo o IBGE, sete pontos percentuais a menos do que no anterior.
Em relação à inflação, pouco abaixo de 4% em 2018 (indicador IPCA), a toada é a mesma. De agosto para cá, aqueles que creem no aumento do custo de vida passaram de 54% dos ouvidos para 27%.
Já os que dizem acreditar na queda dos preços subiram de 11% para 35%, número que iguala o recorde histórico de junho de 2003, no começo do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O movimento de expectativa otimista é usual no mês anterior da posse de novos governos, analisando as séries históricas do Datafolha. Bolsonaro tem, contudo, melhores indicadores do que aqueles de seus antecessores.

Há pontos fora da curva na análise, como o pessimismo com o desemprego antes das posses em segundo mandato de FHC (1999) e Dilma (2015).
Se o presidente eleito examinar as evoluções, também verá que ao longo do mandato os índices oscilam —geralmente para baixo. Também há calmarias, como nos meses que antecederam os protestos de junho de 2013.
A percepção da situação econômica atual do país também parece afetada pela onda otimista. Em pesquisa em junho, 72% achavam que o Brasil estava pior nos últimos meses, algo que se refletia na altíssima impopularidade do governo Michel Temer (MDB).
Nesta pesquisa, esse índice cai para 37%. Saltou de 6% para 20% o número dos que acham que o país está melhor, enquanto os que veem tudo igual pularam de 20% para 42%.
No campo pessoal, algo semelhante é observado. Acham que sua vida econômica piorou nos últimos meses 30%, ante 49% em junho. Os que acham que ela melhorou são o dobro: de 10% para 20%, enquanto os de opinião neutra passaram de 40% para 49%.
Houve também uma inversão na percepção da crise econômica, após recessão e a lenta recuperação depois do impeachment de Dilma em 2016.
Em junho, só 27% achavam que ela iria acabar logo e o país voltaria a crescer. Agora, são 50%. Na mão inversa, acham que ela vai se estender 42%, 15 pontos a menos do que na pesquisa anterior. Os que enxergam a crise já encerrada pularam de 2% para 5%.
Há bastante homogeneidade desse otimismo na sociedade ao observar a estratificação dos dados. Ainda assim, há alguns pontos dissonantes.
Pessoas com curso superior são as menos otimistas (62%) com a melhoria de suas contas pessoais do que as que chegaram ao ensino médio (72%).
Nada menos que o dobro (10%) dos mais escolarizados preveem piora no quesito do que os com ensino fundamental e médio.
Em relação ao país, o mesmo: 58% dos que têm diploma universitário acham que a economia brasileira irá melhorar, ante 69% com ensino médio com essa opinião. Aqui há a única discrepância maior de gênero na pesquisa: homens (68%) são mais otimistas que as mulheres (62%).
Quando o assunto é desemprego, os mais pobres (até dois salários mínimos mensais) têm uma percepção mais pessimista do que os mais ricos (renda acima de dez salários mínimos). No primeiro grupo, 35% acham que a taxa vai aumentar; no segundo, 16%.
O mesmo se dá na opinião sobre a inflação: 33% dos mais pobres acham que ela vai subir, ante 11% dos mais ricos. E quem ganha menos acha que a situação econômica piorou recentemente mais (40%) do que os mais abastados (16%).
As expectativas gerais, por outro lado, são otimistas de forma homogênea.
Esmiuçando grupos mais ou menos associados ao bolsonarismo, é possível associar o otimismo à identificação com o presidente eleito.
São menos otimistas em relação à melhoria econômica homossexuais, bissexuais e indígenas, grupos que foram alvo de manifestações preconceituosas do presidente eleito no passado.
Já evangélicos, base de apoio de Bolsonaro, são mais otimistas (74%) do que os católicos (65%) quando questionados sobre sua expectativa econômica pessoal. A maior taxa de otimismo é entre fiéis de igrejas pentecostais, 78% de expectativa positiva.
O Nordeste, única região que deu mais votos a Fernando Haddad (PT) do que ao eleito no segundo turno, é consequentemente aquela com a pior expectativa.
Acham que o país vai melhorar nos próximos meses 60% dos nordestinos, enquanto os mais otimistas são os moradores do Centro-Oeste, com 71%. No sentido contrário, é no Nordeste que há mais pessoas achando que a situação irá piorar (12%), o dobro do registrado no Centro-Oeste.
Previsivelmente, os petistas são os menos otimistas: apenas 42% dizem acreditar que a situação do país irá melhorar. O índice chega a 91% entre quem diz preferir o PSL, partido de Bolsonaro.
ÍNDICE DE CONFIANÇA
A melhora do otimismo dos brasileiros com a economia do país fez crescer o Índice Datafolha de Confiança.
O indicador usa cinco parâmetros de expectativas econômicas (desemprego, inflação, contas pessoais, situação do país e poder de compra), a avaliação do orgulho de ser brasileiro e do Brasil enquanto país para morar.
Cada índice é calculado subtraindo-se menções negativas das positivas.
Para evitar dados negativos, é adicionado no resultado o número cem. Dessa forma, dado acima de cem indica otimismo, e abaixo, pessimismo.
O Datafolha entrevistou 2.077 pessoas em 130 municípios, em 18 e 19 de dezembro, neste levantamento.
O índice geral está em 148 pontos, o mesmo de sua estreia há quase seis anos. Em junho ele estava em 101 —apenas um ponto acima da neutralidade.
O nível mais baixo do indicador foi registrado em março de 2015, momento agudo da crise política e econômica que acabou por derrubar Dilma no ano seguinte: 76 pontos.
No atual levantamento do Datafolha, todos os indicadores econômicos tiveram alta em relação a agosto.
A maior foi na avaliação sobre a redução da inflação, que passou de pessimistas 42 pontos em junho para otimistas 113 agora.
O 'Posto Ipiranga' de Bolsonaro piscou, Elio Gaspari, FSP
Os procuradores da Fazenda não gostaram da escolha de um chefe de fora da carreira, ameaçaram, e Guedes cedeu

Faltando menos de um mês para a abertura da quitanda de Jair Bolsonaro, o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes ainda não equilibrou o estoque de berinjelas e a caixa para o troco. No dia 2 de janeiro terminará o mundo das promessas eleitorais e dos sonhos da formação da equipe. Quem lembra, sabe que Bolsonaro prometeu enxugar o número de ministérios e Guedes falava em "dez ou doze". Foram 34, são 29 e serão 22.
Na segunda-feira o doutor disse que "o Brasil virou o paraíso dos burocratas". Àquela altura ele pretendia indicar Marcelo de Siqueira, diretor do BNDES, para o comando da Procuradoria da Fazenda. Funcionários da repartição ameaçaram deixar centenas de cargos em comissão caso não fosse escolhido um servidor da carreira.
Na quarta, Guedes mudou de ideia e indicou um procurador com 18 anos na carreira e currículo robusto na administração federal.
Noutro lance, o doutor informou que criará um conselho para discutir o projeto de reforma da Previdência. Entre os futuros conselheiros estaria os economistas Paulo Tafner e Armínio Fraga. Mesmo assim, ganha um fim de semana em Caracas quem souber qualquer coisa que foi resolvida num conselho.
Quando não tinham o que fazer, Lula, Dilma e Michel Temer reuniam o Conselho de Desenvolvimento, conhecido como "Conselhão" e formado por ministros, empresários e celebridades.
SPEKTOR PROCURA E ACHA
Um dia depois de sua divulgação pelo Departamento de Estado do governo americano de 1085 páginas de documentos diplomáticos, o professor Matias Spektor já estava debruçado o volume. Nele estão centenas de papéis relacionados com a América do Sul entre 1977 e 1980. Mostram as pressões americanas em defesa dos direitos humanos na Argentina, Chile, Uruguai, Brasil e Paraguai. Alguns documentos expõem parte do que os Estados Unidos sabiam sobre a Operação Condor.
Os textos relacionados com o Brasil são 28. Entre eles estão as notas das conversas dos presidentes Ernesto Geisel e Jimmy Carter e com sua mulher, Rosalynn.
Um memorando de março de 1979 mostra que no coração da Casa Branca havia um combativo defensor das liberdades públicas. Era o jovem professor Robert Pastor, amigo de Carter, instalado na assessoria de segurança nacional. Em 1979, quando estourou uma das grandes greves do ABC paulista e o governo interveio no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, presidido por Lula, o embaixador americano Robert Sayre justificou publicamente a ação e Pastor foi-lhe na jugular:
"Relatos da imprensa sugerem que o senhor conversou com o presidente Figueiredo sobre essa greve, apoiando a decisão. Se a embaixada for perguntada, deve deixar publicamente claro que o assunto não foi discutido com o senhor e que nós não apoiamos tais ações.
Nosso cônsul-geral em São Paulo deve acompanhar esses acontecimentos, usando as oportunidades apropriadas para mostrar o apoio dos Estados Unidos aos direitos trabalhistas".
Pastor era demonizado pelos olheiros da ditadura em Washington e morreu em 2014, aos 66 anos. Não se sabe se a sugestão foi mandada a Sayre.
(O volume 24 da coleção "Foreign Relations of the United States - 1977-1980" estána rede.)
CARNAVAL
Um sueco veio ao Brasil para as festas de fim de ano e leu as notícias do dia:
- Num início da tarde o ministro Marco Aurélio de Mello mandou soltar os presos condenados na segunda instância. No início da noite o presidente do Supremo mandou que eles continuassem presos.
- O deputado Rodrigo Maia, no exercício da presidência da República, autorizou o esburacamento da Lei de Responsabilidade Fiscal.
- O ministro Ricardo Lewandowski determinou que a União pague o aumento dos servidores já em 2019.
O sueco telefonou para seu agente de viagens reclamando porque ele o trouxe ao Brasil no Carnaval.
LULA PRESO
Quando o ministro Dias Toffoli marcou para 20 de abril a discussão do encarceramento dos réus condenados na segunda instância, sinalizou uma mánotícia para Lula.
Antes de 20 de abril Lula poderá ter sua condenação confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça. Nesse caso, mesmo que a segunda instância caia, ele continuará em Curitiba.
A menos que peça para cumprir a pena em regime domiciliar.
FALTA A SAFRA
Com algum barulho, Gilberto Kassab, futuro chefe da Casa Civil do governador paulista João Dória, viu-se acusado de ter embolsado R$ 30 milhões de propinas da JBS. No mesmo lance, o grão tucano Aécio Neves foi acusado de ter recebido quatro capilés da mesma fonte, um deles em caixas de sabão em pó.
Tudo bem. Essas acusações estão desde 2017 nos 118 anexos da colaboração da JBS. Deles, só 46 tiveram desdobramentos.
A turma das investigações deveria seguir o padrão dos fabricantes de vinho, rotulando cada denúncia com o ano da safra. Assim o público saberia a idade da acusação.
BANCOS E MAGANOS
Primeiro alguns bancos estrangeiros pediram a clientes do andar de cima brasileiro que fechassem suas contas. Depois, pediram a empresas que suspendessem suas operações com a Venezuela. Agora, quando um cliente tem notável militância na política e no mundo dos negócios, sugerem que fechem os escritórios eleitorais.
Casas tradicionais voltam a operar com a lei segundo a qual não se deve operar com gente dos três Ps," press, politicians e priests" (imprensa, políticos e padres).
INFRAESTRUTURA
A escolha do consultor legislativo Tarcísio Freitas para o ministério da Infraestrutura sugere a possibilidade de fechamento da fábrica jabutis das empreiteiras que funciona no Congresso,
Freitas é o primeiro consultor legislativo a chegar a um ministério e conhece a máquina do Parlamento. Depois de Bolsonaro, ele é o segundo capitão do governo. Serviu na tropa depois de cursar o Instituto Militar de Engenharia, onde diplomou-se com inédito louvor.
Mesmo antes de assumir, Freitas desmanchou uma bombinha que estava prestes a ser aprovada.
POUPATEMPO
Um curioso tem uma sugestão para os sábios da equipe de Jair Bolsonaro.
Ele deveria mandar uma força-tarefa de Brasília ao serviço de Poupatempo do governo de São Paulo. Trata-se de uma repartição pública onde conseguem-se, entre outros documentos, carteiras de motorista, de identidade e de trabalho. O posto mais movimentado fica no coração da cidade.
Dezenas de funcionários atendem os contribuintes com solicitude e resolvem qualquer problema. É um serviço público que funciona. A força-tarefa não precisa falar com os chefes. Basta entrevistar o pessoal da infantaria, que fica nos balcões. Se for o caso, poderiam levar equipes do Poupatempo a Brasília, para ensinar como se pode trabalhar.
Elio Gaspari
Jornalista, autor de cinco volumes sobre a história do regime militar, entre eles "A Ditadura Encurralada".
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