sábado, 15 de maio de 2021

Vacina pra quê? Alvaro Costa e Silva, FSP

 O ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten chegou todo pimpão para depor na CPI da Covid. Embaixo do braço trazia um discurso —redigido em péssimo português, para manter a tradição bolsonarista— em que evocou palavras e conceitos que, explorados tão somente da boca para fora, soam vazios e falsos aos ouvidos da população: Deus, pátria, família. Usou até o termo "resiliente", que ninguém aguenta mais.

Quando o jogo começou a valer, fugiu das perguntas, tentou enganar os senadores e escapou de ser preso. "Vossa Excelência exagerou na mentira", disse-lhe Renan Calheiros, o relator da comissão. Ao longo do interrogatório, Wajngarten foi perdendo a pose de esperto. Nem de longe exibia a gabolice do início.

Respondia com a voz chorosa de um menino pego em flagrante. Ao sair da sessão, parecia sem pai nem mãe, pátria ou Deus. Como o Brasil sob Bolsonaro.

Wajngarten acabou admitindo que uma carta enviada ao presidente e aos generais do regime (inclusive o trânsfuga Pazuello), na qual a Pfizer oferecia doses de vacina, não teve resposta. Na sabatina de quinta-feira (13), revelou-se que a negligência foi mais grave. Carlos Murillo, gerente-geral da farmacêutica, declarou que o governo, em 2020, ignorou pelo menos cinco ofertas, significando 4,5 milhões de doses.
Por alguma razão que precisa ser explicada, Bolsonaro, o mito, resolveu não imunizar os brasileiros.

Apostou na estratégia de priorizar, em detrimento da vacinação e de medidas restritivas, a imunização por contágio. Insistiu na cloroquina. Duplamente equivocado, seu plano hoje é xingar adversários de vagabundo e ladrão, a fim de agitar as redes sociais, enquanto distribui dinheiro aos deputados do centrão para evitar o impeachment.

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Por falar nas redes, o vereador carioca Carlos Bolsonaro está na mira da CPI. Mostrará Zero Dois a valentia de Fabio Wajngarten?


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