segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Janja ignora tradição do vestido na posse e se aproxima mais de Lula, FSP

 

SÃO PAULO

Saindo do seus habituais tênis, calça jeans e camiseta com estampa militante, Rosângela da Silva, a Janja, nova primeira-dama, foi à cerimônia de posse do presidente eleito Lula, do PT, vestindo peças, digamos, mais elegantes. O evento acontece neste domingo, 1º, em Brasília.

De cor champanhe, o conjunto usado pela socióloga é assinado pela estilista gaúcha Helô Rocha, a mesma que desenhou seu vestido de noiva. O bordado também repete as mãos do look do casório, das rendeiras de Timbaúba do Batista, no Rio Grande do Norte.

pessoas em carro de desfile
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado da primeira dama Janja da Silva, do vice presidente Geraldo Alckmin e de sua esposa Lu Alckmin, acenam para o público durante o desfile em carro aberto da posse, que se inicia na Catedral Metropolitana de Brasília e vai até o Congresso Nacional - Pedro Ladeira/Folhapress

Marcando a oficialização do título de primeira-dama —termo que faz Janja torcer o nariz—, a roupa traz uma silhueta demarcada, com blazer e colete que exibem delicados desenhos de plantas e flores bordadas. A calça, de estilo pantalona, é lisa e de cintura alta. Os tecidos foram tingidos naturalmente, com cajú e ruibarbo.

O visual escolhido pela primeira-dama vai na direção de suas afirmações recentes sobre a moda, o setor têxtil brasileiro e o papel da esposa do presidente.

Como exigência para o look da posse, a socióloga estabeleceu como objetivo enaltecer a moda nacional, o que já vem fazendo há algum tempo. Do seu guarda-roupa já brotaram, por exemplo, roupas das paulistanas Neriage e Misci.

Em entrevista à revista Vogue, Janja disse que não é por ser casada com o chefe de Estado que precisa usar um "vestido abaixo do joelho, careta" e fez piadas com o que chamou de "democracia do tênis", item que, embora esteja com frequência em seus pés, ficou de fora desta vez —provavelmente, em razão do tom refinado do evento.

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Os sapatos escolhidos pela socióloga foram saltos brancos, com leves aberturas e detalhes. Lembram bastante os que calçou no seu casamento.

Janja ignorou a tradição cultural do vestido, ou saia, como forma de rebater estereótipos sobre feminilidade, trazendo originalidade no uso da calça.

A escolha pelo blazer, por sua vez, não é pioneira na história das primeiras-damas. Ainda assim, soa estratégica no corpo de Janja, já que é de seu desejo se mostrar ativa na política do país —e a peça lhe aproxima do visual de Lula.

O presidente eleito vestiu uma roupa que chama a atenção por um pequeno detalhe, carregado de simbolismo partidário. A gravata usada pelo petista é da cor azul, enquanto a de seu vice, Geraldo Alckmin, do PSB, é vermelha.

As cores se destacam pelo histórico dos políticos. Isso porque enquanto o PT é representado pela cor vermelha, o azul é associado ao PSDB, partido no qual Alckmin esteve na maior parte de sua carreira.

O simbolismo cromático aponta para a promessa de união que Lula fez ao Brasil, país que nos últimos anos se afundou em polarização política.

Ao contrário de Janja, a esposa de Alckmin, Lu, optou por um vestido de caráter mais tradicional. Todo branco e de recorte abaixo dos joelhos, a roupa traz elegância principalmente nas mangas, longas, soltas e de pele sutilmente à mostra.

domingo, 1 de janeiro de 2023

Secretaria vai propor políticas para financiamento de jornalismo e exigências de conteúdo nacional em streaming, FSP

 Patrícia Campos Mello

SÃO PAULO

Decreto presidencial publicado no Diário Oficial deste domingo (1º) cria a Secretaria de Políticas Digitais, encarregada de políticas para enfrentamento à desinformação e ao discurso de ódio na internet, em articulação com o Ministério da Justiça.

Chefiada por João Brant, que foi secretário executivo do Ministério da Cultura no governo Dilma Rousseff (PT), a secretaria vai propor políticas relativas aos serviços digitais de informação e medidas de proteção a vítimas de violações de direitos no ambiente online.

Entre as atribuições da secretaria, que é subordinada à Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social), está também a formulação de políticas para a promoção do pluralismo da mídia e para o desenvolvimento do jornalismo profissional.

O chefe da Secretaria de Políticas Digitais do governo Lula, João Brant - Câmara dos Deputados

Uma das linhas avaliadas é o Código Australiano de Barganha, que prevê arbitragem para as plataformas de internet negociarem pagamento de conteúdo noticioso produzido por veículos de imprensa.

"Tem havido várias experiências para o fortalecimento da jornalismo profissional, tem a Austrália, mas tem também Canadá, com outra linha, tem a União Europeia, e a gente pretende olhar para esse tema avaliando as experiências internacionais para fazer algo que fortaleça a diversidade e o pluralismo", diz Brant.

Brant é doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, com mestrado em Regulação e Políticas de Comunicação pela London School of Economics.

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À frente da secretaria, também estará encarregado de propor e implementar políticas para a promoção de conteúdo brasileiro no ambiente digital e desenhar programas públicos de educação midiática. A ideia é algo semelhante às exigências de conteúdo nacional existentes para TV por assinatura para vídeo sob demanda e streaming.

Segundo Brant, a secretaria não irá propor diretamente políticas de moderação para as plataformas. "O mundo está discutindo critérios de moderação e mecanismos para proteger interesse público, mas não cabe à secretaria propor diretamente as políticas, caberá discussão ", disse.

PF usa arma especial para derrubar drone no dia da posse de Lula, OESP

 


BRASÍLIA - O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, confirmou que um drone que sobrevoava a Esplanada dos Ministérios foi abatido pela segurança da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por precaução. O ministro disse que, de modo geral, a segurança institucional funciona na posse e tudo ocorre de modo tranquilo.

A PF usou um equipamento especial que embaralha a conexão entre o drone e o controle remoto de quem o opera. Antes da posse, a Secretaria de Segurança do Distrito Federal anunciou que o uso desse tipo de equipamento para registro de imagens durante a posse estava proibido. A vedação foi uma das medidas de segurança diante das ameaças de atentado.

O ministro da Justiça, Flavio Dino, confirmou uso de equipamento da PF para derrubar drone no dia da posse
O ministro da Justiça, Flavio Dino, confirmou uso de equipamento da PF para derrubar drone no dia da posse Foto: Wilton Junior / Estadão

“Não há ainda certeza de que o drone era um ato hostil, mas foi atitude de precaução. Temos visto aqui e acolá algumas intervenções policiais”, afirmou Dino.

O ministro contou ainda que o presidente Lula não deve se mudar imediatamente para a residência oficial, o Palácio da Alvorada, mas somente depois de alguns dias. Dino afirmou que é normal ter um cuidado adicional e preocupações com privacidade e segurança de Lula na mudança.

Segundo ele, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Gonçalves Dias, e o delegado geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, vão cuidar da mudança. “Medidas vão ser tomadas e isso vai ser resolvido. Logo o presidente Lula vai estar apto a ocupar o Alvorada e o palácio presidencial”, disse Dino.