sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Startup brasileira usa AI para salvar vidas em hospitais, The News

 

Quando se fala em inteligência artificial, talvez a primeira coisa que venha à sua mente seja BIG TECHs e Vale do Silício. Mas tem empresa brasileira que também tem crescido neste mercado.

Uma delas é a NoHarmstartup de AI criada por dois irmãos brasileiros para reduzir erros médicos. Atualmente, está presente em cerca de 200 hospitais e analisa milhões de prescrições por mês — além de funcionar gratuitamente no SUS.

Como funciona: A tecnologia cruza dados clínicos e identifica riscos em receitas médicas antes do medicamento chegar ao paciente. A AI não decide sozinha: alerta, e o farmacêutico avalia.

Em um hospital público de Minas Gerais, por exemplo, a taxa de prescrições analisadas saltou de 0,6% para 49%, enquanto os erros caíram de 13% para apenas 0,3%.

Por que isso importa? Erros de prescrição estão entre as principais causas de falhas evitáveis no cuidado médico no Brasil. Estimativas apontam que 829 pessoas morrem todos os dias por falhas desse tipo — cerca de 3 óbitos a cada 5 minutos.

Curiosidade: Mesmo reconhecida globalmente — a cofundadora Ana Helena Ulbrich entrou para a lista da TIME das 100 pessoas mais influentes do mundo em AI — a NoHarm recusou até R$ 10 milhões em investimentos para manter o acesso gratuito no sistema público.

O projeto é todo financiado por investimentos sociais e por contratos com hospitais privados.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Mariliz Pereira Jorge - O Brasil tem molho ,FSP

 A cantora espanhola Rosalía, que esteve há poucas semanas no país, foi vista na noite desta segunda (29) no samba da Pedra do Sal, no Rio: saia, camiseta, cara lavada, cabelo preso num rabo de cavalo. Nada de fantasia de diva em turnê. Ela não é exceção. Nos últimos anos, uma fila de famosos tem batido ponto por aqui não apenas a trabalho, mas para cumprir um roteiro afetivo do que a gente tem de melhor: praia, rua, boteco, comida, samba e simpatia. O Brasil é um parque temático de estilo de vida —e sem catraca.

Duas mulheres conversam em poltronas na plataforma do Cristo Redentor iluminado à noite no Rio de Janeiro. Luzes de estúdio cercam o cenário aberto.
A cantora espanhola Rosalía, em pé, durante gravação para o Fantástico, da Globo, no Cristo Redentor - Reprodução

Nos 48 do segundo tempo, você já deve ter ouvido sobre o tal do Brazilcore. É a brasilidade embalada como estética: colorida, quente, musical, saborosa, alegre. A gente oferece informalidade como idioma, um lugar com um filtro de férias constante. A gringaiada ama porque, apesar de todos os pesares, aqui tudo é espontâneo, sexy, acessível e vem com gingado de fábrica.

O problema é quando a vitrine engole o produto. O Brasil que seduz gringo não é o Brasil "ultraprocessado" que invade alguns destinos de verão: maquiagem, salto alto, cabelo modelado, look pensado para a foto. Pior, todo mundo com visual "pasteurizado". Outro dia topei com um tutorial de "make para a praia", como se a única exigência do sol não fosse um bom protetor solar.

A informalidade que vem de graça no pacote brasileiro não entra na mala do próprio brasileiro. O "acordei assim" pede duas horas de espelho e um ring light. Justo quando a estação exige menos, vejo —sobretudo mulheres— a oferecer mais: mais produção, mais pose, mais teatro social. Pode até vir na embalagem do autocuidado, mas é só cobrança estética.

A moda do nosso verão sempre foi outra: banho tomado, cheiro de frescor, cara de saúde, sorriso fácil, pele livre para respirar. O que faz sucesso lá fora é justamente um estilo que parece improvisado, mas é nossa marca registrada. O Brasil tem molho, mas tem gente que acredita que precisa de Tabasco quando já nasceu com tempero de pimenta caseira.

Obrigada aos leitores por mais um ano de companhia. Que 2026 seja leve. Não será, mas é o que desejo.

BC diz ao TCU que acionou MPF por indícios de fraudes do Master com Reag, investigada por elo com PCC, FSP

 

Brasília

O Banco Central enviou ao TCU (Tribunal de Contas da União) um relatório sobre operações suspeitas atribuídas ao Banco Master. Segundo informações do documento obtidas pela Folha, o regulador acionou o Ministério Público Federal após identificar indícios de fraude em negócios do banco de Daniel Vorcaro com fundos administrados pela Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.

O relatório do BC em poder do TCU aponta que, entre julho de 2023 e julho de 2024, Master e Reag estruturaram operações com falhas graves, em desacordo com normas do Sistema Financeiro Nacional.

Essas transações fazem parte de um conjunto de operações estruturadas do Master com fundos no montante de R$ 11,5 bilhões, sendo dois ligados à Reag. É a segunda denúncia feita pelo BC ao MPF apontando indícios de irregularidades na atuação do Master - a primeira foi a revenda de R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes ao BRB.

O BC indicou ao TCU inadequado gerenciamento de capital e risco, negócios sem garantia, liquidez, e diversificação, agravando a crise e justificando processos administrativos sancionadores, em fase de instrução.

Fachada de vidro de agência do Banco Master com logo azul e branco e nome em letras metálicas fixadas na parede externa.
Fachada da sede do Banco Master, localizada na Rua Elvira Ferraz, na Vila Olímpia, em São Paulo - Rafaela Araújo - 29.dez.2025/Folhapress

A Reag foi um dos alvos da Carbono Oculto —operação realizada em agosto, que mira a relação entre setor de combustíveis, PCC e empresas financeiras. Procurada pela reportagem na tarde desta terça-feira (30), a empresa não se manifestou.

Uma das suspeitas, segundo pessoas a par das informações do Banco Central, é que os fundos teriam sido usados para pulverizar recursos em nome de terceiros, "laranjas". Entre os fundos citados, estariam o Bravo 95 Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado e o D Mais Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, administrados pela Reag. Em outra frente, esses recursos teriam sido realocados na tentativa de venda do Master para o BRB (Banco de Brasília).

"Em 17 de novembro de 2025, houve nova comunicação ao MPF por indícios de crimes de desvio de recursos e gestão fraudulenta. Tratava-se de operações estruturadas no montante de R$ 11,5 bilhões, que revelaram inadequado gerenciamento de capital e risco, com negócios sem garantia, liquidez, e diversfiicação, agravando a crise e justificando processos administrativos sancionadores, que se encontram em fase de instrução", diz o documento enviado pelo BC ao TCU, reportando os achados contra o Master.

O processo em andamento no TCU apura falhas e omissões do Banco Central no caso Master e, como mostrou a Folha, pode se transformar em trunfo para Vorcaro escapar de uma eventual condenação criminal e evitar ser forçado a fechar uma delação premiada no futuro. A apuração é mantida em sigilo pelo ministro relator Jhonatan de Jesus.

Ministros e técnicos do tribunal de contas, ouvidos pela reportagem na condição de anonimato, avaliam que a corte tem poder legal para investigar a atuação do BC, mas há uma divisão entre eles sobre a força do TCU para anular a liquidação do Master, decretada pelo órgão regulador do sistema bancário brasileiro em novembro passado.

Nesta terça, Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, foram ouvidos pela Polícia Federal. Vorcaro e Costa foram depois submetidos a uma acareação por causa de versões conflitantes.

Os depoimentos ocorreram presencialmente na sede do STF (Supremo Tribunal Federal) e foram acompanhados por um membro do Ministério Público e por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, relator das apurações sobre o Master na corte.

O processo no qual ocorreram os depoimentos é sigiloso. Desde o começo de dezembro, diligências e medidas ligadas à investigação sobre o Master e Vorcaro têm que passar pelo crivo de Toffoli, por decisão do próprio magistrado.

A investigação sobre a tentativa de venda do Master apontou que, antes mesmo da formalização do negócio, o banco teria forjado e vendido cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado para o BRB —R$ 6,7 bilhões em contratos falsos e R$ 5,5 bilhões em prêmios, o valor que supostamente a carteira valeria, mais um bônus.