quinta-feira, 11 de junho de 2026

Os primeiros humanos estão recebendo injeção contra o envelhecimento, The NEWS

 

(Imagem: The Curious Case of Benjamin Button | HBO Max)

Os imortais vêm aí? A startup Life Biosciences foi pioneira aplicando a primeira dose da sua terapia de rejuvenescimento (ER-100) em um paciente humano. O método é baseado na chamada “reprogramação genética”.

  • Uma dose de contexto: Há cerca de quatro meses após o FDA — a Anvisa dos EUA — aprovar os testes da vacina anti-envelhecimento. Até então, a técnica existia apenas em experimentos com camundongos e macacos.

A estratégia envolve injetar um vírus para reprogramar as células e reverter mudanças ligadas ao envelhecimento. Para evitar que o processo vá longe demais, a terapia só é ativada quando os pacientes tomam doses de um antibiótico específico.

O que está por trás disso? O investimento privado em ciência da longevidade mais que dobrou em 2025. Apenas no 1tri deste ano, a área já teve um crescimento de 56% comparado com o mesmo período do ano passado.

Pense que a população global está envelhecendo. Em 2020, pela primeira vez na história, o número de pessoas com +60 anos superou o de crianças abaixo de 5 anos. A população mundial com essa idade deve chegar a 1,4 bilhão até 2030.

Zoom out: Na lista de investidores do setor, estão farmacêuticas e bilionários do Vale do Silício. A Altos Labs foi lançada em 2022 com US$ 3 bilhões ligados a Jeff Bezos, enquanto a Retro Biosciences recebeu US$ 180M pessoalmente de Sam Altman.


quarta-feira, 10 de junho de 2026

Esquerda está presa na armadilha da judicialização, Maria Hermínia Tavares, FSP

 A Parada LGBT+ é hoje o único movimento progressista que mobiliza e leva multidões de brasileiros às ruas. Talvez por ser singular mistura de alegria de festa com afirmação bem-humorada de identidade e combativo engajamento por direitos.

Outros movimentos mais tradicionais do campo da esquerda —por melhorias urbanas; pelo acesso a moradia e à saúde; contra a discriminação racial ou de gênero; ou por direitos trabalhistas, campo de atuação sindical— certamente continuam aí. Há mais de uma década, porém, disputam as ruas e praças com a extrema direita —quase sempre em desvantagem. O mesmo se pode dizer do PT, cuja militância se confundia em boa medida com ativistas sindicais e de organizações populares. E mais ainda das agremiações partidárias que orbitam em torno da legenda de Lula.

Dançarino com corpo coberto por flores e máscara facial levanta uma perna e os braços sob uma grande bandeira arco-íris durante desfile na rua. Pessoas observam ao fundo.
Participante da 30ª edição da Parada do Orgulho LGBTQIA+, na avenida Paulista, em São Paulo - Bruno Santos - 7.jun.26/Folhapress

Haverá boas explicações para a dificuldade que o partido e seus movimentos encontram para mobilizar multidões em torno de agendas menos ou mais ambiciosas. Entre elas, a proximidade com o governo federal ocupado pela coalizão encabeçada pelo PT, ensejando que lideranças sociais e ativistas partidários fossem sugados pela máquina pública.

A verdade é que desde a vitória de Bolsonaro, em 2018, a reação extraparlamentar progressista às ameaças à democracia e aos direitos fundamentais não se deu prioritariamente nas ruas. As esquerdas assumiram a judicialização como estratégia principal.

Entre 2019 e 2022, usando instrumentos previstos na Constituição —em especial a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) e a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF)—, buscaram barrar no Supremo Tribunal Federal as iniciativas mais reacionárias do Executivo ou do Legislativo.

Naquele período, foram protocoladas cerca de 2.000 ADIs e 600 ADPFs, que trataram de providências relativas à epidemia de Covid 19; meio ambiente e fiscalização ambiental; proteção de povos indígenas durante o surto; operações policiais nas favelas; cerceamento à liberdade de expressão; decretos sobre uso de armas de fogo.

Embora não tendo sido os únicos, os partidos de esquerda foram os principais motores da judicialização. Provocados por movimentos sociais e organizações não governamentais, tornaram-se os maiores litigantes, destacando-se pela frequência de seus recursos à Suprema Corte: pela ordem, PSOL, Rede, PDT, PT, PSB e PCdoB. Não estando habilitadas por lei a usar aqueles instrumentos, as ONGs frequentemente participaram das ações, contribuindo com pareceres técnicos.

Para as forças progressistas, a judicialização é estratégia defensiva com vantagens e limitações: podem deixar em segundo plano a organização e a mobilização social em defesa de suas causas. E se beneficiam da diminuição da assimetria de poder quando a disputa se instala no terreno da interpretação legal.

Por outro lado, o recurso à Suprema Corte, além de aumentar perigosamente o poder de seus 11 magistrados, acaba delimitando a agenda das esquerdas. Esta fica reduzida à batalha pelo programa inscrito na Carta —dispensado o debate de ideias. Especialmente de ideias novas para problemas ausentes do horizonte dos constituintes de 1988. E se algo não falta neste país são problemas.

Não existe solução ‘fácil, fácil’, editorial OESP

 Em entrevista ao Estadão, o presidente do Tribunal de Justiça e governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, trouxe uma notícia animadora aos fluminenses: o Estado tem solução. Mais do que isso, a solução é “fácil, fácil”, disse Couto – empossado por um processo nebuloso no Supremo Tribunal Federal (STF). Depois de décadas de desperdício, desequilíbrios fiscais, crises políticas e grossos escândalos de corrupção, quem não gostaria de acreditar nisso?

A boa notícia é que Couto não ficou apenas no discurso. Em poucas semanas, promoveu milhares de exonerações, iniciou revisões de contratos e eliminou estruturas administrativas cuja utilidade era, no mínimo, discutível. Num Estado que se acostumou a conviver com cabides de emprego e feudos burocráticos, medidas dessa natureza merecem reconhecimento.

O problema começa quando essas iniciativas são apresentadas como evidência de que os grandes impasses do Rio decorrem da mera má gestão. Em colunas, manchetes e na repercussão política local, o governador interino começa a ser tratado como grande estadista. Segundo um colega seu no tribunal, Henrique Figueira, Couto está fazendo uma “limpeza espetacular”.

Sem dúvida há desperdícios a cortar e estruturas inchadas a enxugar. Ainda assim, o Rio não está na situação em que está porque ninguém havia percebido a existência de uma ou outra subsecretaria dispensável. O quadro periclitante de déficits bilionários, passivos previdenciários gigantescos, baixa capacidade de investimento e renegociações frequentes com a União não surgiu por falta de auditorias nem desaparecerá pela simples eliminação de cargos comissionados.

A entrevista de Couto a este jornal é particularmente reveladora. Ao comentar a remuneração da magistratura, o governador interino informou ter recebido R$ 84 mil líquidos em abril e afirmou considerar R$ 60 mil uma remuneração adequada para juízes, ante um teto constitucional de R$ 46.366,19 brutos mensais. Na mesma conversa, mencionou professores da rede pública que recebem cerca de R$ 2,5 mil e se perguntou por que o Executivo não consegue pagar melhor seus servidores, já que teria margem orçamentária maior que a do Judiciário.

Um tribunal administra um orçamento importante, mas não sustenta uma rede estadual de ensino, hospitais, polícia, sistema prisional, infraestrutura e aposentadorias de centenas de milhares de pessoas. Não negocia dívidas bilionárias nem precisa acomodar, no mesmo orçamento, prioridades que competem entre si diariamente.

A distância entre essas experiências explica por que certas afirmações soam tão naturais dentro de alguns setores do poder público. Quem vive num ambiente institucional protegido enxerga o orçamento de forma diferente. A escassez continua existindo, mas aparece menos. O conflito entre prioridades permanece, porém se torna menos visível. Aos poucos, remunerações extraordinárias são normalizadas. Gastos adicionais – como os “penduricalhos” que adornam o holerite dos juízes – encontram justificativas “plausíveis”. Rombos – como os R$ 3 bilhões do Rioprevidência queimados em títulos do Master – mais cedo ou mais tarde encontram um contribuinte para financiá-los compulsoriamente.

As declarações de Couto oferecem o retrato de uma mentalidade difundida em parte das elites estatais brasileiras. “Boa gestão” aparece como solução “fácil, fácil” para desafios que se acumularam ao longo de décadas.

Nenhum Estado prospera sem administração competente. O Rio certamente precisa de mais eficiência, mais controle e menos desperdício. Mas há uma diferença importante entre organizar a máquina e reorganizar as finanças de um ente federativo profundamente endividado. A primeira tarefa é indispensável. A segunda exige enfrentar limites que não desaparecem por decreto nem por entusiasmo.

Talvez o aspecto mais preocupante das soluções fáceis seja justamente sua capacidade de parecer convincentes. Afinal, cortar excessos é visível. Rever contratos rende manchetes. Extinguir repartições inúteis produz resultados imediatos. O difícil é explicar que o essencial costuma estar em outro lugar: nas escolhas que distribuem recursos escassos entre necessidades igualmente legítimas.