sexta-feira, 15 de maio de 2026

Construtoras querem barrar voos por instrumentos no Aeroporto Campo de Marte, OESP

 

Prejuízo

Pelas contas de Abrainc/Secovi, cerca de 90% dos projetos em desenvolvimento estão no raio de 20 quilômetros, o que corresponde a R$ 80 bilhões em vendas futuras de imóveis. Esses lançamentos não serão automaticamente vetados, mas agora deverão passar por análise prévia, podendo ser aprovados ou barrados.

Na prática, isso implicará em três a seis meses adicionais no já demorado processo de licenciamento, que gira em torno de 18 a 24 meses. Considerando o custo de capital de 14,75% ao ano, isso implicaria em um custo de carregamento adicional da ordem de R$ 2,3 bilhões a R$ 2,7 bilhões ao ano para o setor, estimam Abrainc/Secovi.

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Além disso, uma área de 17,4 milhões de metros quadrados (2,2 mil campos de futebol) terão o potencial de construção reduzido por conta dos limites de altura impostos para os prédios nos arredores do Campo de Marte, o que abrange Tucuruvi, Água Branca, Barra Funda e parte do Centro, entre outros bairros.

A perda média de altura na construção de prédios nesses bairros será de 40,5 metros, segundo Abrainc/Secovi. Nos Campos Elísios, por exemplo, a área destinada ao governo paulista terá que reduzir o gabarito em 21,8 metros. O pior caso é o da Avenida Guapira, no Tucuruvi, com perda de 90 metros - ou seja, inviabilizando novos prédios.

O que dizem as construtoras

“Estamos procurando dialogar com a concessionária para que eles entendam isso: se excluírem o voo por instrumento, fica resolvido o problema. Aí terá harmonia entre Campo de Marte e o restante cidade”, afirma o presidente da Abrainc, Luiz França. “Vão impactar 90% dos projetos e restringir o desenvolvimento imobiliário da cidade para atender poucas pessoas que usam aviação executiva”, critica.

As construtoras também questionam a aprovação do edital de concessão sem um debate público sobre os impactos urbanísticos, uma vez que a navegação por instrumentos vai interferir no aproveitamento dos terrenos, que é regido pelo Plano Diretor e pela Lei de Zoneamento - competência da Prefeitura de São Paulo.

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“O que nos assusta é que isso seja implantado sem um estudo mais aprofundado. Para nós causa um tremendo impacto”, ressalta o Vice-Presidente de Urbanismo Metropolitano do Secovi, Cláudio Bernardes. “Agora temos que ver como se mitiga isso. Embora exista a narrativa de que o fato está dado, temos que procurar uma alternativa republicana. Não implementar a navegação por instrumentos seria a opção mais straightforward (descomplicada)”, diz Bernardes.

Questionado se prevê levar o caso para Justiça, ele respondeu: “Não é decisão tomada. Agora, estamos estudando as alternativas”.

O que diz a concessionária

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Rever a navegação por instrumento não é algo aberto à rediscussão, enfatiza o presidente da PAX, Rogério Prado. “Isso é uma obrigação da concessão, não uma decisão nossa. Todos os investimentos para adequar a infraestrutura já foram feitos. A obra está encerrada. Estamos trabalhando para a homologação do aeroporto”.

Prado diz ainda que o aeroporto cumpre uma função importante e rebate a visão elitista de que a aviação executiva atende poucas pessoas. “O Campo de Marte é o décimo segundo aeroporto mais movimentado do País. Ele evita a sobrecarga de Congonhas e atende cidades que não são atendidas pela aviação comercial”, argumenta, citando que o aeroporto serviu como ponto de partida ou chegada de voos envolvendo 700 cidades no último ano. “Ele é um polo gerador de negócios”.

O que diz o Poder Público

A Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento de São Paulo afirmou que mantém diálogo técnico com os órgãos aeronáuticos competentes para ampliar a compreensão sobre os novos parâmetros operacionais e avaliar alternativas que permitam compatibilizar as restrições aeronáuticas com o desenvolvimento urbano previsto na legislação municipal. A pasta admite que a ampliação das áreas sujeitas às restrições deve provocar um aumento no número de processos submetidos à análise das autoridades aeronáuticas, com possíveis impactos nos fluxos e prazos de licenciamento na cidade.

O Ministério de Portos e Aeroportos esclareceu que a implementação do regime de navegação por instrumentos no Campo de Marte passou por consultas públicas e estudo de impactos, ao contrário das críticas feitas pelas associações de construtoras.

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“Todo o processo licitatório foi precedido de consulta pública e audiência pública conduzidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), garantindo transparência e participação social durante a elaboração do edital”, informou a pasta, a pedido da reportagem.

O ministério acrescentou que a implementação da navegação por instrumentos não representa proibição automática para construções no entorno do aeroporto. “As eventuais análises relacionadas às construções nas rotas de aproximação e aos impactos sobre os empreendimentos deverão observar os critérios técnicos e normativos aplicáveis à operação no terminal, sendo avaliadas pelos órgãos competentes”, explicou, acrescentando que os procedimentos de navegação por instrumento podem ser ajustados, conforme o grau de interferência de edificações ou estruturas.

A pasta afirmou ainda que está em diálogo permanente com a concessionária PAX Aeroportos, com o Decea, com a Anac, e vem acompanhando as interações com a Prefeitura de São Paulo, a Abrainc, o Secovi e outros interessados.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Espuma cobre o Tietê em Salto, e Cetesb diz monitorar o problema, FSP

 

São Paulo

O trecho do Tietê que cruza o município de Salto, no interior de São Paulo, está desde quarta-feira (13) coberto por uma espuma causada pelo lançamento de produtos tóxicos no leito do rio sem que passem por tratamento prévio.

Em nota, a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) disse monitorar a situação e afirmou que promove fiscalização contínua na região. Segundo o órgão, "o período de estiagem registrado nos últimos dias, seguido pelas chuvas ocorridas no domingo (10), contribuiu para o aumento da vazão da água no Tietê".

Rio com grande quantidade de espuma branca acumulada na superfície, concentrada principalmente na margem esquerda. Vegetação densa nas margens e algumas construções ao fundo sob céu nublado.
Uma extensa camada de espuma branca encobre o trecho do rio Tietê que passa por Salto, no interior de São Paulo; fenômeno é provocado pelo acúmulo de detergentes, matéria orgânica e produtos químicos despejados no rio sem tratamento adequado - Walmir Gerena/Droneterapia

No caso de Salto, declarou, pontos do rio com grande movimentação de água "pode favorecer a formação de espuma em alguns trechos".

O problema ocorre todo ano, afirmou a administração do município, e só deixaria de acontecer "se as cidades da Grande São Paulo cessassem o lançamento de poluição no rio".

"A espuma é resultado da carga de poluição lançada no rio na região metropolitana da capital. O despejo de resíduos de detergentes e matéria orgânica sem tratamento produz essa espuma ao chegar nas quedas d'água em Salto", declarou.

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O município disse monitorar a situação e afirmou que "vem participando de reuniões nos Comitês da Bacia e demais grupos organizados que estão discutindo soluções para a melhoria da qualidade das águas do rio, tão importante para o estado de São Paulo".

Com 1.100 km de extensão, o Tietê é o maior rio de todo o território paulista e sofre com o despejo de matéria orgânica e produtos químicos sem tratamento há décadas. Ele nasce em Salesópolis e vai até Itapura, onde deságua no rio Paraná.

A falta de oxigênio da água dificulta a degradação do detergente doméstico. O problema poderia ser solucionado com a implantação de sistemas adequados de esgotamento sanitário, incluindo a coleta, afastamento, tratamento e disposição final dos esgotos domésticos.

A ONG (Organização Não Governamental) SOS Mata Atlântica monitora a situação do rio. No ano passado, relatório divulgado pela entidade mostrou que a mancha de poluição no Tietê caiu 16% na comparação com o ano anterior, mas segue em patamar alto.

Foram 207 quilômetros de poluição registrados em 2024 e 174 quilômetros no ano seguinte, 2025. A queda veio após dois anos seguidos de aumento na mancha de poluição.

Estados Unidos, rendam-se, Marcelo Rubens Paiva- FSP

 Trump, em maus lençóis, com a popularidade em baixa, apontou sua ira contra o Irã. Resultado: os EUA já torraram US$ 29 bilhões (sem contar a reforma das instalações destruídas) e sua inflação é a maior desde a pandemia.

Propaganda, deturpação e mentira exaltam o patriotismo. A massa vê seus rostos nos grandes desfiles, comícios, espetáculos esportivos e nas guerras, escreveu Walter Benjamin. Ela se junta como um cardume ou um coreografado voo de pássaros para iludir o predador.

No nazismo, grandes comícios em linhas retas, suásticas, estandartes, gestos, arquitetura e os uniformes produzidos pela empresa Hugo Boss eram parte do projeto de unir o dividido.

"Fiat ars, pereat mundus" era o lema dos fascistas (faça-se arte, ainda que o mundo pereça). Para isso, inventa-se um inimigo, o satã, o pagão, o Império do Mal, o "bad guy".

Figura mitológica com corpo de leão, asas coloridas e cabeça humana com touca, segurando uma bandeira dos EUA rasgada diante de um porta-aviões em fundo amarelo.
Carolina Daffara/Folhapress

Adiantou matar a cúpula do governo iraniano, incluindo o aiatolá Khamenei? Trump falou coisas como "farei voltarem à Idade da Pedra". Até seu partido se pergunta como sair desse atoleiro.

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O governo iraniano é uma ditadura impiedosa que interfere na geopolítica, financiando grupos terroristas, e nos costumes individuais. Além da Guarda Revolucionária, a polícia moral Gasht-e Ershad fiscaliza, pune com chibatas e prende quem não está de acordo com o padrão.

Em 1953, o país vivia sob uma experiência democrática até o primeiro-ministro, Mohammad Mossadegh, nacionalizar a indústria do petróleo, controlada pelos ingleses. O golpe de Estado tramado pela CIA e pelo MI-6 destronou Mossadegh e empoderou o xá Reza Pahlavi, que vivia num confortável exílio na Suíça.

Pahlavi foi derrubado por uma revolução que juntava esquerda, movimento estudantil, liberais e o clero xiita. No vácuo do poder, assumiu o aiatolá Khomeini, que articulava a oposição no exílio em Paris.

As mulheres e a cultura ocidental foram as principais vítimas. E o que desencadeou a ascensão desse regime foram as trapalhadas dos próprios Estados Unidos, numa aliança no passado com o Reino Unido e no presente com Israel.

A Casa Branca elegeu primeiro os iraquianos e agora os iranianos como inimigos. Para isso, induzem a uma xenofobia banhada na ignorância. Não, eles não são um agrupamento de beduínos e nômades que circulam por desertos em camelos e dormem em tendas.

Na Mesopotâmia, tudo começou. São de lá as primeiras cidades. Na Babilônia editou-se a Bíblia, pois religiosos não eram perseguidos —Nabucodonosor 2° levou o povo do Reino de Judá para colocar em papiros textos do Antigo Testamento, a começar pelo "Gênesis".

A sabedoria iraniana é milenar. O matemático Al-Khwarizmi (780-850) sistematizou a álgebra e equações de primeiro e segundo grau e popularizou os números que usamos até hoje, "aposentando" os números romanos.

O filósofo Al-Farabi (872-950) difundiu e integrou ao islã o pensamento grego, de Aristóteles, Sócrates a Platão, filósofos proibidos na Alta Idade Média. Graças aos persas, a filosofia grega foi preservada.

O iraniano Ibn Sina (980-1037) escreveu o livro de medicina referência por séculos, "O Cânone", e fez a distinção entre essência (o que algo é) e existência (o fato de algo existir), enquanto a Igreja Católica limitava a dissecação de cadáveres.

Al-Zahrawi (936-1013), islâmico, inventou instrumentos cirúrgicos e descreveu técnicas detalhadas. Escreveu uma enciclopédia médica de 30 volumes, "Kitab al-Tasrif". Antes da Renascença, operar era profanar os mortos.

Ibn al-Haytham (965–1040) foi um dos maiores cientistas da Idade Média e um pioneiro da ótica. Pesquisou a luz e a câmera escura. Defendia que ciência deve ser baseada em observação e experimento, não em livros sagrados.

Al-Biruni (973–1050) calculou o raio da Terra precisamente, enquanto o papado defendia o geocentrismo. Al-Razi (854–925) diferenciou a varíola do sarampo. Omar Khayyam (1048–1131) desvendou equações cúbicas, levando a matemática para outra dimensão.

O drone iraniano Shahed-136, com alcance de 2.400 quilômetros, destrói radares de US$ 1 bilhão e pode afundar navios. Custa US$ 35 mil. Coreografa como pássaros, engana a defesa inimiga. Contra ele, Israel e EUA usam os Patriots, US$ 4 milhões cada um.

Lanchas com mísseis são capazes de fechar o estreito de Hormuz e afetar a economia mundial. Como cardumes, iludem. O maior porta-aviões do mundo, USS Gerald S. Ford, que custou US$ 13 bilhões, acaba de se retirar de fininho do teatro da guerra, com danos estruturais.

Os persas estão em guerra desde antes de Alexandre, o Grande. O mundo islâmico medieval foi responsável pelo avanço da ciência e pela preservação da herança grega. Agora, a sabedoria iraniana e os embargos econômicos (e de armas) revolucionam o "fazer guerra".