terça-feira, 23 de abril de 2024

Conheça hotéis que operam com energia limpa no Brasil, FSP

 

SÃO PAULO

Faz algum tempo que os hotéis brasileiros apostam na energia solar. No entanto, os pioneiros precisaram construir usinas próprias, já que somente grandes indústrias se enquadravam no chamado mercado livre de energia.

Hoje, o cenário é outro. Em setembro de 2022, outros consumidores de alta tensão foram autorizados a cancelar seus contratos com as distribuidoras convencionais e escolher seus fornecedores. Em janeiro de 2024, a regalia foi ampliada às pequenas e médias empresas.

Hotel Toriba, em Campos do Jordão (SP), que usa energia limpa em suas instalações
Hotel Toriba, em Campos do Jordão (SP), que usa energia limpa em suas instalações - Divulgação

Com a mudança mais recente, até pousadas vão poder optar pela migração, desde que elas não fiquem em áreas rurais e façam parte do grupo A (negócios que precisam de voltagem acima de 2,3 quilovolts).

Segundo Claudio Ribeiro, presidente da 2W Ecobank, uma das 400 empresas comercializadoras de energia em operação no país, a economia na conta de luz pode chegar a 40%. Mas esta não tem sido a única motivação dos hoteleiros.

"É possível escolher fontes de energia limpas e renováveis, como a eólica e a solar, uma decisão que as empresas podem usar em suas estratégias de marketing. No passado, esses recursos eram caros, mas a tecnologia evoluiu muito e o custo já se equipara ao da energia convencional."

Em junho de 2023, a rede Iberostar Hotels & Resorts anunciou que 100% de energia consumida pelo Complexo Praia do Forte, na Bahia, já vinha de fontes eólica e solar, com origem comprovada pelo i-REC (Certificado de Energia Renovável). A iniciativa faz parte do compromisso global de tornar o grupo neutro em carbono até 2030.

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No dia a dia, os hóspedes não sentem qualquer diferença, por isso são informados da novidade através do site de reservas, de material informativo interno e de atividades recreativas dirigidas a crianças e adultos.

Segundo Camila Paulini, gerente de sustentabilidade da Iberostar, saber que o hotel colabora para a preservação do planeta contribui positivamente para a imagem da marca.

Hotel Bourbon Cataratas do Iguaçu Thermas Eco Resort, que usa energia limpa em suas atividades
Hotel Bourbon Cataratas do Iguaçu Thermas Eco Resort, que usa energia limpa em suas atividades - Divulgação

Ísis Batista, gerente de ESG do Grupo Tauá, faz coro. Desde 2022, 100% da energia consumida pelos hotéis do grupo são provenientes de fontes limpas e renováveis. Além de fazer questão de que os hóspedes saibam disso, a equipe de Batista chama atenção para tecnologias que evitam desperdício de energia. Os estrangeiros, diz a executiva, são os mais exigentes.

"Para aqueles que são conscientes, essas mudanças fazem diferença e influenciam sua experiência de hospedagem", afirma.

Também fazem parte do cardápio de fontes limpas e renováveis o biogás e a biomassa, que geram energia a partir de matéria orgânica.

Inaugurado em 1943, o Hotel Toriba, em Campos do Jordão (SP), passou por reforma em 2015 e trocou a antiga caldeira a gás por um sistema de aquecimento por biomassa.

Hotel Toriba, em Campos do Jordão (SP), que usa energia limpa em suas instalações
Hotel Toriba, em Campos do Jordão (SP), que usa energia limpa em suas instalações - Divulgação

Além de briquetes (blocos de madeira compactada), são usados galhos de limpeza do jardim e sobras de madeiras das obras do hotel. As cinzas resultantes da queima da biomassa ajudam a corrigir o solo dos canteiros e o excedente é doado a agricultores da região.

Segundo Aref Farkouh, sócio-diretor do hotel, o investimento de R$ 373 mil se pagou em dois anos, pois gera economia média anual de R$ 185 mil.

Veja, a seguir, hotéis de diferentes categorias que se destacam pelo uso de energia limpa e renovável.

Accor Ibis Sinop (MT)
Inaugurado em dezembro de 2015, com 114 quartos, o hotel de categoria econômica usa energia solar desde 2022. Painéis fotovoltaicos na propriedade garantem 48% da energia consumida, enquanto o restante é gerado por placas instaladas a 520 km do empreendimento.
Tarifa – diárias para quarto duplo a partir de R$ 329,90 (sem café da manhã)
Reservas – all.accor.com/hotel/8644/index.pt-br.shtml


Bourbon Cataratas do Iguaçu Thermas Eco Resort (PR)
Com 311 acomodações, em uma área de 245 mil m², a unidade paranaense, inaugurada em 1973, segue o programa da rede Bourbon Hospitalidade e, até 2026, terá metade de toda a energia consumida proveniente de fontes limpas e renováveis.
Tarifa – diárias a partir de R$ 535,50 por pessoa, com café da manhã
Reservas –bourbon.com.br


Complexo Iberostar Praia do Forte (BA)
Desde 2023, 100% da energia consumida pelos dois hotéis do complexo, Iberostar Selection Praia do Forte e Iberostar Bahia, é proveniente de energia limpa certificada. Os 181 mil hóspedes anuais, distribuídos em mais de 1.000 quartos, consumiram 21.628.195 KWh no primeiro ano do sistema.
Tarifa – diárias a partir de R$ 695 por pessoa no sistema all inclusive
Reservas – iberostar.com/br/hoteis/praia-do-forte/iberostar-praia-do-forte


Hotel Fazenda Morros Verdes Ecolodge (SP)
Localizado em Ibiúna e cercado pela mata atlântica, o hotel tem 36 bangalôs em uma área de 300 hectares. A usina fotovoltaica própria, com 160 placas, foi inaugurada em 2014.
Tarifa – diárias para casal a partir de R$ 1.606, com pensão completa
Reservas – fazendamorrosverdes.com.br


Hotel Vinícola Davo (SP)
Inaugurado em fevereiro de 2020, em Ribeirão Branco, o complexo de enoturismo tem 780 hectares e ganhou a própria usina fotovoltaica em agosto de 2023. Ela já é responsável por 100% da energia consumida pelas 19 suítes e três chalés.
Tarifa – diárias de casal a partir de R$ 1.950, com café da manhã, almoço, chá da tarde e degustação de três vinhos
Reservas – hotelevinicoladavo.com.br

Hotel e Vinícola Família Davo, em Ribeirão Branco, a 290 km de São Paulo
Hotel e Vinícola Família Davo, em Ribeirão Branco, a 290 km de São Paulo - Divulgação

Le Canton (RJ)
Em 2022, o complexo localizado em Teresópolis, na região serrana fluminense, migrou para o mercado livre e já adquire 100% da energia consumida de fontes eólica e solar. A propriedade de 2 milhões de m² abriga três hotéis (Village, Magique e Fazenda Suíça), que somam 261 quartos e hospedam mais de 200 mil pessoas por ano, além do parque de diversões coberto Parc Magique e da área de lazer Canton Ville.
Tarifa – diárias para casal, com uma criança até 12 anos, a partir de R$ 750, com pensão completa
Reservas – lecanton.com.br


Rio Quente Resorts (GO)
O grupo Aviva, dono do resort, dispõe de uma usina de energia fotovoltaica. Desde 2021, ela supre 25% do consumo do complexo, que inclui seis hotéis, com 1.100 apartamentos ao todo, e o parque aquático Hot Park. São 3.600 placas, em uma área de 18 mil m².
Tarifa – diárias para casal a partir de R$ 2.867,10 (com café da manhã e jantar)
Reservas – rioquente.com.br


Rosewood São Paulo (SP)
O hotel, inaugurado em 2022, tem 100% da energia oriunda de fontes renováveis e limpas. Painéis solares instalados na propriedade recebem o reforço da energia contratada no mercado livre para alimentar as 160 acomodações de alto luxo, além das cem suítes privativas disponíveis para compra.
Tarifa – diárias para casal a partir de R$ 3.450, com café da manhã
Reservas – rosewoodhotels.com/pt/sao-paulo


Tauá Atibaia (SP)
Com 550 quartos, cercados por uma área de 280 mil m², o resort consome 100% da energia oriunda de fontes limpas e renováveis. Ainda este ano, será implantado um projeto de automação para garantir eficiência energética, com medição de consumo em tempo real.
Tarifa – diárias para casal a partir de R$ 1.737, com pensão completa
Reservas – tauaresorts.com.br/atibaia


Toriba (SP)
Fundado em Campos do Jordão, em 1943, o hotel dispõe de 61 apartamentos e chalés, em uma área de 255 hectares. Em 2015, o antigo sistema de calefação e aquecimento de água, a gás, foi trocado pela biomassa.
Tarifa – diárias de casal a partir de R$ 1.380, com café da manhã
Reservas – toribacamposdojordao.com.br

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Nunes ganha na tarifa zero, mas perde nas ciclovias, Vicente Vilardaga, FSP

 

SÃO PAULO

Menos bicicletas e mais poluição. O plano de transporte do prefeito Ricardo Nunes (MDB) é simples. Enquanto apaga as marcas de governantes do passado, especificamente de Fernando Haddad (PT), que construiu 394 quilômetros de ciclovias, o atual mandatário paulistano aposta suas fichas nos ônibus de graça aos domingos e nas faixas exclusivas para motos.

É um lance político que pode dar certo, já que as duas medidas têm dado resultados satisfatórios, mas vai na contramão de outras partes do mundo onde se incentiva o uso de meios de transporte não poluentes e que contam com a preferência de uma parte expressiva da população, principalmente dos mais jovens. Nunes poderia compatibilizar as três iniciativas, que não são excludentes. Mas as bicicletas não são sua marca registrada e, por pura mesquinharia eleitoral, estão longe de ser priorizadas.

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Movimentação de passageiros no terminal Tatuapé no primeiro dia de tarifa zero em ônibus - Zanone Fraissat/Folhapress

Mais importante é promover a Tarifa Zero, que vem atraindo uma população que não usava ônibus em trajetos curtos e longos aos domingos. Muita gente agora pega o ônibus de graça para descer dois ou três pontos depois fazendo um percurso que percorria a pé. Nos primeiros três meses do programa, lançado em 17 de dezembro de 2023, houve um crescimento de 31% no número de usuários de ônibus. Em janeiro de 2024, a média de passageiros aos domingos foi de 2,8 milhões, enquanto no mesmo mês do ano passado, essa média era de 2,1 milhões. Até 17 de março deste ano foram transportados 42 milhões de passageiros gratuitamente.

O custo do programa divulgado por Nunes é de R$ 283 milhões por ano, mas a Prefeitura não está fazendo nenhum aporte de recursos e sim renunciando à receita. Resta saber se os usuários de automóveis estão aproveitando o programa e deixando seus carros em casa ou se ele está beneficiando somente os usuários tradicionais de ônibus. Segundo a Agência Brasil, há atualmente 106 municípios que somam mais de 5 milhões de habitantes adotando medida semelhante.

Faixa azul exclusiva para motos na Avenida 23 de Maio, instalada em janeiro de 2022 como teste - Bruno Santos/Folhapress

O outro projeto de transporte que Nunes tirou da cartola foi o das faixas azuis exclusivas para motocicletas. Num projeto-piloto em janeiro de 2022, a primeira avenida que ganhou as tais faixas foi a 23 de Maio, no trecho entre Praça da Bandeira e o Complexo Viário João Jorge Saad, sentido Santana-Aeroporto, com 6 km. Em seguida veio a avenida dos Bandeirantes, em ambos os sentidos, entre a marginal do rio Pinheiros e o viaduto Ministro Aliomar Baleeiro, com 8,5 quilômetros.

Em fevereiro deste ano, a cidade ganhou mais 28,4 quilômetros de Faixa Azul, na avenida Jacu Pêssego, com um trecho de 20,2 quilômetros, e na avenida do Estado, com mais 8,2 quilômetros. Até o mês passado havia 89,1 quilômetros da nova sinalização em São Paulo. No último dia 15, a Faixa Azul começou a ser implementada em mais quatro vias da capital, incluindo as avenidas Santos Dumont e Washington Luís. A meta de Nunes é chegar a 200 quilômetros até dezembro. Em dois anos, a Prefeitura informa que não houve acidentes com óbitos nos locais onde a nova sinalização funciona. Mesmo assim, as mortes de motociclistas cresceram em janeiro deste ano.

Ciclovia em mau estado de conservação próxima à estacao de Metrô Pedro II - Eduardo Knapp/Folhapress

Enquanto isso, o desleixo com as bicicletas é notável. Além de problemas de manutenção na infraestrutura já existente, a Prefeitura não demonstra o mínimo empenho em cumprir suas metas de construir 300 quilômetros de novas ciclovias até o fim do ano. Faltando oito meses para terminar o mandato, Nunes só entregou 30 quilômetros ou 10% do prometido. Neste momento, a cidade conta com 699,1 quilômetros de ciclovias (muitas em petição de miséria) e ciclofaixas e o Plano Plurianual da Prefeitura estabelece que o total chegue a 1.400 quilômetros até o final de 2028.

Os últimos dados sobre mortes de usuários de bicicletas, referentes a 2023, indicam que o trânsito da capital matou 26 ciclistas entre janeiro e setembro do ano passado. Foi um aumento de 8,33% em relação ao mesmo período de 2022. Isto está ligado diretamente à falta de condições seguras para os ciclistas trafegarem. E se depender desse governo a situação não irá mudar.


Fusca elétrico chinês é problema que a GWM não quer no Brasil; veja vídeo, FSP

 

BAODING (CHINA) e SÃO PAULO

A direção da GWM no Brasil tinha uma preocupação. Se o Ora Ballet Cat, mais conhecido como Fusca elétrico, estivess e entre os carros exibidos no campo de provas da marca, na cidade chinesa de Baoding, todos os outros ficariam em segundo plano.

Mas não teve jeito. O fuscão quatro portas foi o primeiro carro avistado ao se chegar à pista. Os jornalistas brasileiros convidados pela marca —incluindo a Folha— correram em sua direção.

O veículo virou notícia novamente na semana passada, quando o jornal O Globo revelou que a GWM obteve uma decisão favorável na disputa jurídica que trava com a Volkswagen no Brasil. No cenário atual, o Ballet Cat pode ser homologado e comercializado no mercado nacional.

Interior do Ora Ballet Cat, o fusca elétrico chinês, tem painel digital e botões cromados
Interior do Ora Ballet Cat, o fusca elétrico chinês, tem painel digital e botões cromados (Foto: Eduardo Sodré/Folhapress ) - Eduardo Sodré/Folhapress

Mas a briga continua, já que a VW entrou com um recurso. Independentemente do resultado, a GWM do Brasil garante que não tem nenhum plano de trazer o carro. Questões como a estratégia sexista que envolve o Ballet Cat são levadas em consideração.

Na visão dos chineses, o fusca elétrico foi desenvolvido para o público feminino. Há itens como porta-maquiagem e um sistema chamado "Lady’s Drive". Quando acionado, o piloto automático mantém uma distância maior do carro que vai adiante.

O item mais polêmico é o sistema de aquecimento dos bancos dianteiros—que, segundo a GWM, serve para aliviar os incômodos gerados por cólicas menstruais. Chama-se "Warm Man Mode", que significa "função calor do homem".

Exceções feitas às questões de gênero, o carro é bem construído. o interior mistura elementos retrô que remetem a diferentes gerações do fusca original, com muitos cromados e forrações claras que imitam couro.

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As quatro portas são uma das diferenças em relação ao modelo clássico da Volks. Já os faróis, redondos no projeto alemão, tem um formato próprio no Ora Ballet Cat, com base reta e topo curvilíneo

A posição de dirigir é cômoda, com regulagens de altura e de profundidade da coluna de direção. Há teto solar com abertura eletrônica, além de ar-condicionado e airbags frontais, laterais e do tipo cortina.

O painel de instrumentos forma uma tela única com a central multimídia, sendo um item hi-tech em meio a elementos que remetem ao passado. Tudo parece ser forçosamente uma cópia kitsch, e esse é o espírito do carro.

Com 4,40 m de comprimento e 2,75 m de distância entre os eixos, o fusca chinês oferece bom espaço no banco traseiro —que tem cinto de segurança para três ocupantes.

A curvatura do teto, contudo, vai dificultar a vida de pessoas com mais de 1,80 m de altura que precisarem viajar nesta segunda fila.

O porta-malas é pequeno, mas tem acionamento elétrico tanto para abrir como para fechar. Trata-se d um veículo com apelo urbano, principalmente na versão mais simples, que tem aproximadamente 170 cv de potência.

O porte é muito semelhante ao do Ora 03, que é vendido no Brasil por a partir de R$ 149,8 mil. Caso fosse importado para o mercado nacional, o Ballet Cat deveria custar entre R$ 150 mil e R$ 200 mil, a depender da versão.

A direção do fusca elétrico é leve, mas não dá para dizer que o carro foi testado. Foi possível apenas andar um metro para frente e mais um para trás.

Embora possa vender o carro no Brasil, o fusca elétrico é visto como um problema desnecessário pela administração nacional da GWM.

A montadora ainda está em processo de construção de marca no país, e o Ballet Cat traz exatamente o que é desejável evitar: a fama de os carros chineses são cópias de automóveis ocidentais.

O jornalista viajou a convite da GWM do Brasil