sexta-feira, 14 de julho de 2023

Barroso assumirá órgão que endureceu punição a juízes por manifestações políticas, FSP

 

BRASÍLIA

O ministro Luís Roberto Barroso assumirá em outubro a presidência do STF (Supremo Tribunal Federal) e também do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), órgão com a atribuição de julgar a conduta de todos os juízes do país e que, recentemente, endureceu a pena a magistrados por manifestações políticas.

Barroso se envolveu em polêmica na noite de quarta-feira (13) ao fazer uma manifestação política e se incluir entre os responsáveis por derrotar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A imagem mostra três homens brancos sorrindo
Os ministros Luís Roberto Barroso (STF) e Flávio Dino (Justiça) na abertura de congresso da UNE - Yuri Salvador/UNE

"Nós derrotamos a censura, nós derrotamos a tortura, nós derrotamos o bolsonarismo para permitir a democracia e a manifestação livre de todas as pessoas", afirmou em evento da UNE (União Nacional dos Estudantes).

O conselho que será presidido pelo ministro tem aumentado a atenção a declarações políticas de juízes nos últimos anos.

Diversas normas existem há décadas para limitar a participação de magistrados em atividades políticas. Em 2019, diante do acirramento da polarização no país, o CNJ aprovou impor um veto expresso ao apoio ou crítica de juízes a políticos nas redes sociais.

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Desde então, o conselho aplicou sanções a diversos magistrados que criticaram tanto Bolsonaro quanto o atual presidente Lula (PT).

conselho já puniu, por exemplo, Regiane Santos, juíza eleitoral do Paraná, por afirmar que o petista é corrupto, e Luiz Vargas, desembargador trabalhista, por chamar o ex-mandatário de genocida.

Na época da aprovação, a resolução dividiu opiniões. As entidades de classe da magistratura se opuseram e afirmaram que não seria necessário porque outras leis já limitam os pronunciamentos políticos de juízes.

O ministro Dias Toffoli, que era presidente do CNJ na época, disse que o detalhamento das regras para manifestações de juízes era importante para dar segurança. "Ao fim e ao cabo, veremos que esse normativo –que evidentemente poderá ser atualizado e aperfeiçoado– dará balizas e tranquilidade para a livre manifestação de pensamento e para a livre expressão dos magistrados", disse.

O conselheiro Luciano Frota, porém, adotou um tom duro ao votar contra a resolução. "Estabelecer, a priori, a proibição de manifestação de opinião ou de crítica pública, partido político a candidato, a liderança política, sem considerar o contexto, é impor censura prévia, frustrar o exercício da cidadania, cercear a livre manifestação de pensamento", afirmou.

A Lei Orgânica da Magistratura de 1979 já vedava a participação de juízes em atividade político-partidária. A Constituição de 1988 seguiu a mesma linha e também estabeleceu o veto.

Em 2008, o CNJ instituiu o Código de Ética da Magistratura Nacional e novamente fixou que a "independência judicial implica que ao magistrado é vedado participar de atividade político-partidária".

A partir de 2019, com a resolução que regulamentou o uso de redes sociais por juízes e reafirmou os limites para declarações de juízes, o CNJ aumentou o ritmo de decisões sobre o tema.

O conselho, inclusive, suspendeu contas nas redes sociais de juízes de primeira e segunda instâncias.

corregedor-geral da Justiça, ministro Luís Felipe Salomão, por exemplo, tirou do ar os perfis do desembargador do Rio Marcelo Buhatem por publicar que "Lula é convidado de honra do Comando Vermelho".

Segundo o CNJ, tratou-se de uma "fake news". O colegiado, depois, referendou a decisão, assim como aconteceu com a juíza do Amazonas Rosália Sarmento por pedir voto para Lula e atacar Bolsonaro.

Após a declaração sobre o bolsonarismo, o Supremo emitiu nesta quinta (14) duas notas para explicar o pronunciamento. Na segunda delas, o ministro afirmou que usou a expressão quando, na verdade, se referia "ao extremismo golpista e violento que se manifestou no 8 de janeiro e que corresponde a uma minoria".

"Jamais pretendi ofender os 58 milhões de eleitores do ex-presidente nem criticar uma visão de mundo conservadora e democrática, que é perfeitamente legítima. Tenho o maior respeito por todos os eleitores e por todos os políticos democratas, sejam eles conservadores, liberais ou progressistas", disse.

O ministro deve assumir a presidência do Supremo em outubro devido à aposentadoria da ministra Rosa Weber, que completará 75 anos. O chefe do STF sempre acumula o comando do CNJ.

declaração dele causou uma reação dura no mundo político, e não apenas de aliados de Bolsonaro.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), classificou de infeliz, inadequada e inoportuna a fala do ministro. Bolsonaristas, por sua vez, pediram o impeachment do magistrado.

O discurso de Barroso se soma a outras polêmicas dos últimos anos entre o ministro do STF e aliados de Bolsonaro.

Ele foi presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) quando o então chefe do Executivo defendia a instituição do voto impresso. Bolsonaro chegou a xingar o ministro do Supremo.

Em viagem a Nova York em novembro passado, Barroso foi hostilizado por bolsonaristas que pediam golpe militar após o resultado das eleições de 2022. Em resposta a um manifestante, disse: "Perdeu, mané. Não amola".

Motoristas da Uber aplicam golpe e cobram altos valores por viagens sem passageiro, FSP

 Vinícius Barboza

SÃO PAULO

Motoristas da Uber têm usado uma funcionalidade do aplicativo para aplicar um golpe nos passageiros. Trata-se do "golpe do código de segurança".

Funciona assim: antes de chegar ao local de embarque, golpistas usam o chat do app para perguntar ao usuário o código de segurança da corrida. Se o passageiro informar o número, os motoristas conseguem acionar viagens longas por preços altos.

O U-Código, conhecido como código de segurança ou de verificação, é uma das ferramentas da Uber para tornar as viagens mais seguras. A ferramenta pode ser ativada pelo próprio usuário nas configurações do aplicativo. Ao ativá-la, toda vez que o passageiro solicitar uma corrida, aparecerá em sua tela o código, com quatro dígitos, que deverá ser fornecido ao motorista para que a viagem seja iniciada. A ideia é que o código seja um meio de verificação para o passageiro e para o motorista de que estão na viagem certa.

À Folha, a Uber confirmou que há casos de fraude envolvendo o código de segurança. Em nota, disse que "está comprometida em atualizar e fortalecer os seus processos internos para proteger a plataforma e os seus usuários".

A companhia afirmou que possui a ferramenta chamada U-Código, "que consiste em uma senha de quatro dígitos, criada pelo app para cada viagem e que deverá ser fornecida verbalmente pelo usuário ao motorista ao entrar no veículo, para que então ele consiga iniciar a viagem".

Imagem mostra uma placa com o logo da Uber. A placa estava em uma sala de exposições do Fórum Econômico Mundial 2023
Logo da Uber em uma sala de exposições do Fórum Econômico Mundial 2023, realizado em Davos (Suíça) - Arnd Wiegmann - 20.jan.2023/Reuters

"Reforçamos em comunicações que, para que o código de verificação cumpra seu papel, é importante que a pessoa não compartilhe os quatro dígitos com o motorista antes que ele chegue ao ponto de embarque. Isto é, o código não deve ser compartilhado pelo chat ou pelo telefone em nenhuma hipótese, apenas pessoalmente, no momento em que há o encontro com o motorista", disse em nota.

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No último mês, usuários relataram nas redes sociais terem passado pelo golpe ou escapado dele. As situações variam, mas a dinâmica é a mesma: antes de chegar ao local onde os passageiros estão, motoristas solicitam o código de segurança.

Uma das pessoas lesadas é a coordenadora de eventos Fernanda Gasparino, 30. Em entrevista à Folha, ela afirmou que, em 18 de junho, voltava do trabalho para casa às 23h30. Ela mora próximo de onde trabalha, em Santana, zona norte de São Paulo. Após pedir a corrida pela Uber, ela afirma que o golpe aconteceu.

"Assim que a motorista aceitou [a corrida], mandou uma mensagem no chat pedindo o código. Não sabia como funcionava e passei. O aplicativo ficou instável, a corrida começou sem mim e foi redirecionada para outros lugares. Veio a notificação de que a viagem havia terminado, com uma cobrança de R$ 50", disse.

A corrida deveria ter sido curta e entre dois pontos do bairro de Santana. Foi redirecionada para uma rua em Arujá (cidade da região metropolitana de SP a 40 km de onde estava), em uma corrida que durou três minutos. Por meio do Google Maps, a reportagem calculou que são necessários 40 minutos, em média, para ir do bairro de Santana até Arujá.

"Na tarde do dia seguinte, sem ter uma resposta da Uber, resolvi postar nas redes sociais, porque vi que outras pessoas postaram e foram respondidas."

A empresa respondeu o post nas redes sociais, solicitou a confirmação de dados pessoais e efetuou o reembolso do valor. A vítima não fez boletim de ocorrência.

As justificativas dos motoristas para pedirem o código de segurança variam, segundo Gasparino. "No meu caso, a motorista disse que 'não conhecia a região e queria ter acesso ao trajeto'. Já vi relatos de vítimas sobre o golpista alegar que o aplicativo não estava funcionando", afirmou.

Gasparino disse que não havia acionado a funcionalidade do código de segurança, e que testou algumas corridas após sofrer o golpe. Nelas, o código não apareceu. Em resposta ao relato da usuária, a Uber afirmou que "não foi possível verificar o caso relatado, pois as informações necessárias para checagem não foram fornecidas à empresa".

A Uber disparou um email para toda sua base de clientes na última terça (11). Nele, explicou como funciona o U-Código e pediu para que o usuário não forneça o número antes de embarcar no veículo.

Imagem mostra um texto enviado pela Uber para todos os usuários
E-mail da Uber explica como funciona o código de segurança do aplicativo; empresa pede para que usuários não enviem o número ao motorista antes de embarcar no carro - Reprodução/Uber

Procurada, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) disse que não tem dados sobre esse tipo de golpe e que pode responder apenas por casos formalizados. O órgão pediu que as vítimas façam boletim de ocorrência para que haja apuração dos fatos.

O QUE FAZER AO CAIR NO GOLPE DO CÓDIGO DE SEGURANÇA DA UBER

Lucas Marcon, advogado do programa de Telecomunicações e Direitos Digitais do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), orienta que os usuários tirem print (captura da tela do celular), caso o motorista peça o código antes de chegar ao local de embarque.

"O usuário deve cancelar a corrida, entrar em contato com a empresa informando o ocorrido e exigindo que não seja cobrada taxa de cancelamento", afirmou o especialista.

"Se o consumidor sofreu um golpe como esse ou teve alguma cobrança indevida, é importante que saiba que a empresa pode ser responsabilizada, já que foi por meio do seu aplicativo e serviço que ocorreu o dano ao consumidor. A empresa deve tomar todas as medidas necessárias para que esse tipo de fraude não ocorra", disse.

"Em um primeiro momento, a sugestão é entrar em contato com a empresa e pedir o reembolso. Esse contato pode ser feito pelo SAC da empresa ou pelo site consumidor.gov.br, da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon). Outro caminho é acionar o Procon de seu estado."

Para denunciar o motorista, o Idec recomenda que o consumidor tenha um comprovante de que o motorista pediu o código antes de chegar ao local de embarque. Dessa forma, poderá abrir um boletim de ocorrência na Polícia Civil por tentativa de fraude.

O QUE DIZ A UBER

Leia a seguir a íntegra da nota enviada pela Uber:

Os esquemas de fraude estão em constante evolução e é por isso que a Uber está comprometida em atualizar e fortalecer os seus processos internos para proteger a plataforma e os seus usuários. Nossas equipes de detecção de fraudes usam análises manuais e sistemas automatizados de aprendizado que analisam mais de 600 tipos de sinais diferentes à procura de comportamentos fraudulentos. Estamos permanentemente implementando novos processos e tecnologias para evitar fraudes e aprimoramos o treinamento dos nossos agentes, enquanto seguimos trabalhando para ficar à frente dos golpes mais recentes.

A empresa esclarece ainda que possui uma ferramenta chamada U-Código, que consiste em uma senha de quatro dígitos, criada pelo app para cada viagem, que deverá ser fornecida verbalmente pelo usuário ao motorista ao entrar no veículo, para que então ele consiga iniciar a viagem.

Reforçamos em comunicações que, para que o código de verificação cumpra seu papel, é importante que a pessoa não compartilhe os 4 dígitos com o motorista antes que ele chegue ao ponto de embarque. Isto é, o código não deve ser compartilhado pelo chat ou pelo telefone em nenhuma hipótese, apenas pessoalmente, no momento em que há o encontro com o motorista. O código serve para confirmar que tanto usuário quanto o parceiro estão na viagem correta e para que o motorista possa começar a viagem.

Caso a pessoa acredite ter sido vítima de crime cometido pela outra parte, a empresa encoraja que sejam acionadas as autoridades competentes. A Uber possui uma equipe formada por ex-policiais e um time de resposta a autoridades prontos a colaborar com as investigações, na forma da lei.

Desenrola: 1,5 milhão de brasileiros ficarão com nome limpo na segunda, FSP

 


BRASÍLIA

Desenrola Brasil entrará em operação na próxima segunda-feira (17), quando 1,5 milhão de brasileiros que devem até R$ 100 vão sair da lista de negativados e cidadãos com renda de até R$ 20 mil poderão renegociar suas dívidas diretamente com instituições financeiras.

O pontapé inicial do programa será dado com a publicação de uma portaria no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (14).

O secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, Marcos Barbosa Pinto - Pedro Ladeira - 20.mar.2023/Folhapress

Os cinco maiores bancos do país –Bradesco, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Caixa Econômica e Santander– já anunciaram que vão aderir ao Desenrola.

Poderão ser renegociadas dívidas inscritas até 31 de dezembro de 2022, e o devedor terá o prazo mínimo de 12 meses para quitar os débitos. Para não incentivar a inadimplência, o Ministério da Fazenda escolheu uma data de corte anterior ao anúncio do plano.

Segundo o secretário de Reformas Econômicas da pasta, Marcos Barbosa Pinto, a etapa inicial do programa tem dois efeitos diretos na economia.

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"Primeiro, todas as pessoas, ao renegociar suas dívidas, saem dos cadastros de inadimplência e podem voltar a ter crédito. Do outro lado, os bancos, independentemente da primeira medida, têm R$ 50 bilhões a mais para emprestar para a população", afirma.

Isaac Sidney, presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), diz acreditar que, por meio do Desenrola, o crédito possa "ser concedido com responsabilidade e dentro das necessidades dos tomadores."

"Tanto para a faixa 1 quanto para a faixa 2, ao entrarem em operação, os bancos darão sua contribuição para que o Desenrola reduza o número de consumidores negativados e ajude milhões de cidadãos a diminuírem seu endividamento", afirma.

Nessa etapa do plano, os bancos não contarão com a garantia do FGO (Fundo Garantidor de Operações) para renegociar as dívidas dos inadimplentes, mas terão um incentivo regulatório já usado em outras ocasiões, como na pandemia de Covid-19.

As instituições financeiras que negociarem dívidas bancárias no Desenrola terão direito a um crédito presumido que, na prática, melhora a posição de capital do banco e abre espaço para impulsionar novos financiamentos. O governo estima que cerca de R$ 50 bilhões poderão ser negociados nesse contexto, beneficiando em torno de 30 milhões de pessoas.

"O próprio Banco Central estimou como irrelevante o risco fiscal, o impacto fiscal dessa medida, porque o crédito está no balanço dos bancos e ele só não poderia ser utilizado se o banco quebrasse", diz o secretário.

"Por outro lado, ao abrir espaço no balanço, aumenta a tributação do banco também. Ele paga imposto sobre esse valor. Então, as duas coisas líquidas nos dizem que o impacto fiscal é irrelevante", complementa.

No caso dos brasileiros com nome sujo por dívidas de até R$ 100, a equipe econômica vê potencial para atingir até 1,7 milhão de pessoas se outras instituições financeiras aderirem ao programa.

Embora os bancos não possam "perdoar" a dívida, eles se comprometem a não fazer mais a cobrança ativa dela. Remover a negativação desses devedores é uma contrapartida exigida pelo governo para as instituições financeiras participarem do leilão de créditos (por exemplo, dívidas bancárias, dívidas de serviços básicos e dívidas de companhia), previsto para agosto.

Apenas os vencedores do leilão, ou seja, os credores que ofertarem os maiores descontos poderão participar da última etapa do Desenrola, que terá como público-alvo pessoas que recebam até dois salários mínimos (R$ 2.640 mensais) e tenham dívidas de até R$ 5.000 ou estejam inscritos no Cadastro Único de programas sociais.

Esse grupo, que compreende cerca de 40 milhões de pessoas com dívida média de R$ 1.200, deverá fazer todas as negociações por meio de uma plataforma a ser disponibilizada em setembro no âmbito do programa. Para evitar fraudes, o acesso será feito por meio da conta no gov.br.

Caso o devedor tenha propostas para sua dívida, ele terá duas opções: pagar à vista ou financiar o valor já reduzido em até 60 meses, com juros de até 1,99% ao mês. Ao escolher a opção do financiamento, o cidadão poderá eleger a oferta mais atrativa entre os bancos. Ele não é obrigado a renegociar todas as suas dívidas elegíveis, mas só tem direito a escolher uma instituição nesse processo.

A Fazenda acredita que dar ao devedor a possibilidade de escolher o banco por meio do qual quer pagar sua dívida vai gerar uma competição entre as instituições financeiras pelos pagamentos.

Nessa etapa, o FGO terá R$ 8 bilhões para avalizar financiamentos contratados por pessoas da chamada "faixa 1". Nela, não é permitido financiamento de dívidas de crédito rural, financiamento imobiliário, créditos com garantia real e operações com funding ou risco de terceiros, entre outras.

Pinto destaca que, embora a próxima etapa tenha maior abrangência e a possibilidade de melhores descontos, não há 100% de garantia de oferta para o consumidor.

"A plataforma abrange outras dívidas que não bancárias, é muito mais ampla. Muito do que dói no bolso do consumidor e grande parte das negativações estão fora do sistema bancário", diz.

"Vai haver muita oferta de desconto, mas a garantia do refinanciamento vai depender do leilão. O credor pode não ganhar o leilão e a pessoa ficar de fora", alerta. "Se a renegociação que o banco está oferecendo é boa, sugeriria que seja feita agora. É trocar o certo pelo duvidoso um pouco mais à frente."


COMO FUNCIONA O DESENROLA

Quem poderá ser beneficiado a partir de segunda?
Nesta etapa, 1,5 milhão de brasileiros com dívidas até R$ 100 vão sair da lista de negativados e poderão voltar a ter acesso a linhas de crédito. A renegociação dos débitos é destinada para pessoas com renda mensal de até R$ 20 mil e será feita de forma voluntária diretamente com as instituições financeiras. Nessa faixa, o devedor terá prazo mínimo de 12 meses para pagamento de dívidas inscritas até 31 de dezembro de 2022.

Quais são os próximos passos?
Em agosto, será feito um leilão por categoria de crédito (por exemplo: dívidas bancárias, dívidas de serviços básicos e dívidas de companhia). O vencedor será o credor que oferecer o maior desconto para a dívida a ser renegociada. A partir de setembro, será feita a renegociação da dívida entre o devedor e o banco escolhido pela pessoa inadimplente.

Quem será contemplado na próxima etapa do programa?
A partir de setembro, pessoas que recebam até dois salários mínimos (R$ 2.640 mensais) e tenham dívidas de até R$ 5.000 ou estejam inscritos no Cadastro Único de programas sociais podem renegociar suas dívidas por meio de uma plataforma digital. Nessa fase, os devedores poderão repactuar dívidas com bancos, varejistas, companhias de água, luz e telefone. O cidadão terá duas opções: pagar o valor reduzido à vista ou financiar em até 60 meses, com taxa de juros de até 1,99% ao mês.

Quais dívidas não podem ser negociadas?
Não é permitido financiamento de dívidas de crédito rural, financiamento imobiliário, créditos com garantia real e operações com funding ou risco de terceiros.

Quantas pessoas e qual valor total o governo calcula em renegociações?
O governo estima que cerca de R$ 50 bilhões poderão ser negociados livremente entre devedores e instituições financeiras, beneficiando cerca de 30 milhões de pessoas a partir desta segunda. Já a repactuação feita exclusivamente na plataforma digital deve beneficiar cerca de 40 milhões de pessoas. O valor total de impacto nessa faixa dependerá dos descontos que serão oferecidos pelos bancos aos inadimplentes.