terça-feira, 8 de junho de 2021

Nubank recebe US$ 500 milhões de fundo de Warren Buffett, FSP

 O banco digital Nubank anunciou nesta terça-feira (8) a extensão de uma rodada de investimentos da ordem de US$ 750 milhões (R$ 3,787 bilhões). O principal aporte, de US$ 500 milhões (R$ 2,525 bilhões), vem da Berkshire Hathaway, fundo do megainvestidor americano Warren Buffett.

A injeção de capital leva o Nubank a um total de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10,1 bilhões) levantados com investidores para acelerar sua expansão. O valor de mercado da fintech é estimado em US$ 30 bilhões (R$ 151 bilhões).

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Neste novo cenário, a avaliação do valor de mercado da fintech superou o da corretora XP, com US$ 22,9 bilhões (R$ 115,5 bilhões) na manhã desta terça (8) e do banco BTG (R$ 112,7 bilhões). Também é maior que o do Banco do Brasil, de R$ 103 bilhões.

O banco Itaú tem valor de mercado de R$ 298,2 bilhões e o Bradesco R$ 254,2 bilhões, enquanto o Santander Brasil é avaliado em R$ 170 bilhões.

“Novos investidores, como a Berkshire Hathaway, nos ajudam a acelerar a nossa missão de desburocratizar a vida das pessoas na América Latina”, afirmou o Nubank em comunicado. De acordo com a instituição, os novos investimentos colocam a fintech como “o banco digital mais valioso do mundo e uma das maiores instituições financeiras da América Latina”.

Fachada do Nubank, em São Paulo (SP) - Reuters

No mercado de startups, como as companhias fazem várias captações com investidores ao longo dos anos, com valores e objetivos diferentes dependendo de seu estágio de maturação, cada rodada de investimentos que a empresa recebe fica conhecida a partir de uma letra do alfabeto.

Os investimentos anunciados pelo Nubank agora integram a Série G da companhia, uma rodada iniciada em janeiro, com a captação de US$ 400 milhões (R$ 2,020 bilhões). Outros fundos que já investiam na companhia participaram do aporte anunciado nesta terça (8) junto à gestora de Buffett.

Com os novos recursos, a rodada soma agora US$ 1,15 bilhão (R$ 5,806 bilhões) em investimentos. É a maior captação já feita por uma startup na América Latina, superando os US$ 1 bilhão injetados na Rappi em 2019 pelo Softbank, segundo a consultoria em inovação Distrito.

FOLHAMERCADO

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Neste ano, em que o mercado de investimentos em startups no Brasil está aquecido, Loft e QuintoAndar, ambas do mercado imobiliário, fizeram a segunda e a terceira maior rodada deste mercado. Levantaram US$ 525 milhões (R$ 2,8 bilhões) e US$ 300 milhões (R$ 1,15 bilhão), respectivamente.

O Nubank afirma que, desde a sua fundação, há oito anos, se tornou o maior banco digital do mundo em número de clientes, que somam 40 milhões. Nos cinco primeiros meses do ano, recebeu mais de 45 mil novos clientes por dia.

“Estamos muito animados em anunciar estas novidades pois, com elas, a gente vai poder acelerar ainda mais nossa expansão internacional”, diz a fintech em comunicado.

Agora, diz a fintech, a operação entra em um novo momento de desenvolvimento, mais amadurecido. Houve a expansão da oferta de cartão de crédito para uma plataforma bancária digital completa, com um portfólio que inclui empréstimo pessoal, produtos de investimentos (fundos da própria plataforma ou da corretora digital Easynvest, adquirida em 2020), seguro de vida, produtos para microempreendedores, além de serviços de pagamentos instantâneos.

“O Nubank concentra cerca de um quarto de todas as transferências Pix do país”, afirma.

Entre os grupos que já investiram no Nubank estão o chinês Tencent, conhecido pelo superapp WeChat (aplicativo com grande número de funções) e fundos americanos como Sequoia Capital Founders Fund e Tiger Global Management. O Kaszek Ventures, de criadores da empresa de origem argentina Mercado Livre também acompanha a fintech desde seus primeiros anos.

VALOR DE MERCADO DE BANCOS QUE OPERAM NO BRASIL NESTA TERÇA (8), SEGUNDO DADOS DA BLOOMBERG:

  • Itaú: R$ 298 bilhões​
  • Bradesco: R$ 254 bilhões
  • Santander Brasil: R$ 170 bilhões
  • Nubank: R$ 151 bilhões (US$ 30 bilhões)
  • XP: R$ 115,5 bilhões ( US$ 22,9 bilhões)
  • BTG: R$ 113 bilhões
  • Banco do Brasil: R$ 103 bilhões
  • Banco Inter: R$ 49 bilhões

MAIORES RODADAS DE INVESTIMENTO EM STARTUPS BRASILEIRAS, SEGUNDO O DISTRITO

  • Nubank - US$ 1.15 bilhões
  • Loft - US$ 525 milhões
  • Quinto Andar - US$ 300 milhões
  • Loggi - US$ 212 milhões
  • MadeiraMadeira - US$ 190 milhões
  • Cloudwalk - US$ 180 milhões
  • Hotmart - US$ 126 milhões

Líder do governo diz que ‘vai chegar a hora’ em que decisões do Judiciário não serão mais cumpridas, OESP

 Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2021 | 14h43

BRASÍLIA – O líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (Progressistas-PR), criticou nesta terça-feira, 8, o poder Judiciário e disse que chegará um momento em que as decisões judiciais “simplesmente” não serão mais cumpridas.

A ameaça de desrespeito às decisões judiciais foi feita ao comentar a determinação do Supremo Federal Tribunal (STF) para que o governo realize o censo demográfico em 2022. Barros criticou a decisão dizendo que “ninguém vai abrir a porta para o recenseador no meio da pandemia”.

“O Judiciário vai ter que se acomodar nesse avançar nas prerrogativas do Executivo e Legislativo. Vai chegar uma hora em que vamos dizer (para o Judiciário) que simplesmente não vamos cumprir mais. Vocês cuidam dos seus que eu cuido do nosso, não dá mais simplesmente para cumprir as decisões porque elas não têm nenhum fundamento, nenhum sentido, nenhum senso prático”, afirmou em evento organizado pelo jornal Correio Braziliense e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Ricardo Barros
O líder do governo na Câmara, deputado federal Ricardo Barros (Progressistas-PR) Foto: Gabriela Biló/Estadão

O deputado disse ainda ser preciso enfrentar o que chamou de “classe de inimputáveis”, composta, segundo ele, por promotores, juízes e auditores fiscais que “fazem o que querem". “Se um promotor te ofender, não acontece nada. O Brasil tem que enfrentar isso”, completou.

Não é a primeira vez que Barros faz declarações críticas a decisões do Judiciário. Em entrevista ao Estadão em fevereiro, o parlamentar defendeu a contratação de parentes de políticos para cargos públicos, o nepotismo. A prática foi proibida pelo STF em 2008 por violar o princípio constitucional da impessoalidade na administração. 

“O poder público poderia estar mais bem servido, eventualmente, com um parente qualificado do que com um não parente desqualificado”, afirmou Barros na época. Na ocasião, ele defendeu a derrubada de artigo da Lei de Improbidade Administrativa que prevê punição ao nepotismo, em discussão na Câmara.

Em maio deste ano, o presidente Jair Bolsonaro nomeou a ex-governadora do Paraná Maria Aparecida Borghetti, mulher do deputado, para compor o conselho da Itaipu Binacional. No caso dela, a nomeação não configura nepotismo porque, embora Barros exerça a função de líder do governo na Câmara, o deputado não tem vínculos formais com o Executivo. O conselho da Itaipu se reúne a cada dois meses e seus integrantes recebem salários de cerca de R$ 25 mil.

Comissão da Câmara aprova projeto que autoriza cultivo de maconha para fins medicinais, OESP

Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2021 | 12h53

Por apenas um voto de diferença, foi aprovado nesta terça-feira, 8, na Comissão Especial da Câmara o texto base do projeto que autoriza o cultivo de maconha no Brasil para fins medicinais, veterinários, científicos e industriais. Com a bancada bolsonarista se opondo à proposta, a votação terminou empatada em 17 a 17. O desempate acabou sendo feito pelo relator do texto, o deputado Luciano Ducci (PSB-PR). 

Ainda estão sendo discutidos os destaques dentro da Comissão. Quando esse processo for concluído, o texto seguirá para apreciação do plenário da Câmara.

Canabidiol
No Brasil, remédios à base de canabidiol podem ser adquiridos por meio de importação mediante receita médica e aprovação da Anvisa. Foto: Anthony Bolante/Reuters

A bancada governista planeja pressionar politicamente o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para que a proposta demore a ser colocada em pauta.

Durante a sessão, deputados alinhados com o presidente Jair Bolsonaro, como Osmar Terra (MDB-RS), afirmaram que a votação do texto representa mais um passo para a liberação do uso da maconha no Brasil e chamaram a proposta de “marco legal da maconha”.

Os defensores da projeto rebateram as críticas e lembraram que o projeto vai facilitar a produção de remédios de difícil acesso e de alto custo.

“Esses negacionistas que defendem a cloroquina vão continuar com seu discurso falacioso, enquanto nós vamos continuar defendendo a ciência”, afirmou o deputado Rafael Motta (PSB-RN).