segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Alckmin come churrasco, dá aula e é recebido com bateria de alunos de medicina, FSP

Após derrota na eleição, tucano vai retomar estudos sobre o uso de acupuntura na medicina

Bruno Mestrinelli
BAURU (SP)
O ex-presidenciável pelo PSDB, Geraldo Alckmin, ministrou nesta segunda-feira (10), em Bauru, no interior de São Paulo, sua primeira palestra a alunos de medicina da Uninove. Ele foi contratado como professor pela instituição e vai percorrer as unidades da universidade no estado.
No dia da diplomação do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), pelo TSE, o tucano comeu churrasco, foi recebido por uma bateria formada por alunos e falou sobre demografia, estresse, ansiedade e depressão, durante duas horas.
O ex-presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) dá aula de medicina na Uninove, em Bauru (SP), onde foi recebido com bateria dos alunos e vestiu camisa do curso
O ex-presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) dá aula de medicina na Uninove, em Bauru (SP), onde foi recebido com bateria dos alunos e vestiu camisa do curso - Bruno Mestrinelli/Folhapress
​Cerca de 200 estudantes de medicina assistiram à palestra de Alckmin, que disse estar feliz por voltar às salas de aula. "É uma paixão. Sempre fui professor, dei aula no cursinho, dava aula na faculdade".
Médico anestesista, ele vai retomar estudos sobre o uso de acupuntura na medicina. "Agora estou unindo anestesia e acupuntura, vou fazer um trabalho, um estudo sobre tirar a dor de pacientes com câncer [com auxílio de acupuntura]", explica. 
No fim da aula, os mais desavisados poderiam achar que se tratava de um evento de campanha eleitoral. Sorridente, Alckmin posou para fotos com todos que pediram, brincou com os alunos e se disse feliz pela recepção: "Guardem um lugar para mim na Furiosa [bateria dos alunos]". 
O tucano comentou a diplomação de Bolsonaro, dizendo esperar que o governo dele "dê certo". "O Brasil tem pressa, você tem 12 milhões de pessoas desempregadas. Precisamos aproveitar o bom momento da economia mundial". 
Questionado se o PSDB vai fazer parte do governo, Alckmin disse que ninguém vai representar o partido na gestão que começa no dia 1º de janeiro. "O PSDB vai ser independente. Não vai indicar ninguém". 

Ele citou o exemplo do ex-deputado Júlio Semeghini (SP), cotado para a secretaria-executiva do Ministério da Ciência e Tecnologia. "Ele já indicou que vai se desfiliar", afirmou. Alckmin, porém, disse que os tucanos podem apoiar eventuais reformas que possam ter afinidade com o programa do partido.
O ex-governador de São Paulo disse ainda que os pedidos de expulsãoendereçados ao diretório nacional do PSDB vão ser analisados caso a caso e que não vai interferir na decisão. As primeiras solicitações já estão com o jurídico. 

"Vão decidir se vai arquivar ou abrir o processo", afirmou. Estão na mira do conselho de ética da legenda nomes como o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, e o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman. Eles são acusados de não terem seguido orientações partidárias e apoiado concorrentes de seus correligionários em outubro.
Alckmin comentou também a mudança de diretriz do programa Mais Médicos, depois da saída dos profissionais cubanos. Para ele, se os médicos forem brasileiros é melhor, mas que o problema do país não é a falta de mão de obra na área.
"Precisamos ter médicos dispostos a ir aos locais mais longínquos. O problema nosso não é falta de médico, é da distribuição deles. É preciso criar mais estímulo para você conseguir fixar médicos nas regiões mais difíceis."

Não tememos retaliação do crime, diz coronel da PM que chefiará presídios sob Doria, FSP

Nivaldo Restivo assumirá cargo em meio a tensão por pedido da transferência de líderes do PCC

SÃO PAULO e BRASÍLIA
O novo secretário da Administração Penitenciária paulista, ​​​o coronel da Polícia Militar Nivaldo Restivo, afirmou que a prioridade da sua gestão será a ampliação e melhora do sistema prisional e que não deixará de tomar medidas com medo de retaliação dos presos. ​
Restivo, cuja escolha foi adiantada pela Folha, foi anunciado nesta nesta segunda (10) pelo governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB). Além dele, o tucano anunciou também Aildo Ferreira, do PRB, para chefiar a pasta de Esportes. 
Nivaldo Restivo, 53, é ex-comandante da Rota, a tropa de elite da PM paulista. Ele assume o cargo em um momento tenso, no qual o Ministério Público pediu a transferência de chefes do PCC (Primeiro Comando da Capital), incluindo o principal deles, Marcola, para presídios federais após ser descoberto um plano de resgate dos criminosos. 
Nivaldo Restivo
Nivaldo Restivo será o secretário da Administração Penitenciária no governo Doria - Divulgação/PM-SP
O secretário afirmou que precisa se inteirar da situação para se manifestar se é contra ou a favor da transferência. "A movimentação se justifica quando você tem um fator determinante para disso." ​
Disse, porém, que a possibilidade de eventuais reações do crime organizado não vai pesar na decisão. “A relação infrator e estado sempre é tensa. O estado não pode deixar de adotar providências necessárias ao bem-estar da população por temor a retaliação do crime organizado. Isso não vai acontecer”, disse.
Na tarde de sábado (8), duas mulheres foram presas após serem flagradas deixando a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (interior de São Paulo), onde está a cúpula do PCC, com cartas nas quais chefões da facção criminosa ordenam o assassinato de duas pessoas —incluindo um promotor de Justiça.
Segundo as mensagens, essas mortes devem ocorrer caso a transferência dos chefes da facção se concretize.
O alvo principal do ataque seria o promotor Lincoln Gakiya, responsável pelo pedido de transferência. O outro alvo seria um dos coordenadores da Secretaria da Administração Penitenciária na região de Presidente Venceslau.
O Ministério Público de São Paulo anunciou na tarde desta segunda-feira a criação de uma força-tarefa para investigar as circunstâncias das ameaças.
O anúncio foi feito pelo procurador-geral de Justiça, Gianpaolo Poggio Smanio, que manifestou apoio ao trabalho do promotor Lincoln Gakiya e disse que ameaças do tipo não intimidarão o trabalho do Ministério Público. "Ele [Gakia] continuará trabalhando normalmente."
O presidente Michel Temer (MDB) afirmou que está disposto a colaborar com a transferência de chefes do PCC para presídios federais, mas disse não saber a dimensão ou as consequências de ameaças feitas nas cartas apreendidas.
"Essas ameaças não sei nem qual a dimensão delas e não saberia responder agora qual a consequência", disse.
Se for concedida a autorização para as transferências, o governo federal deve providenciar vagas em uma das cinco penitenciárias sob sua gestão, em Roraima, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul, Paraná ou Distrito Federal.
"A União está disposta a colaborar com isso. Nós colocamos aviões da FAB (Força Aérea Brasileira), se for necessário, para a transferência. Está havendo negociação entre a União e os estados", disse.
Em relação à situação do sistema prisional de São Paulo, o futuro secretário Restivo, anunciado por Doria, reconheceu o déficit de vagas e disse que o aumento da capacidade, por meio de parcerias público-privadas, será prioridade na gestão Doria.
Ele também afirmou que outra prioridade será desafogar o sistema prisional, por meio do oferecimento de benefícios aos quais os presos têm direito e audiências de custódia.
Já Aildo Ferreira é membro do PRB e chegou a comandar a campanha de Celso Russomanno (PRB) à Prefeitura de São Paulo, que acabou sendo derrotado por Doria. Aildo foi chefe de gabinete na pasta de Esportes na gestão de Geraldo Alckmin (PSDB). Em 2016, foi demitido devido a denúncias de que estava pedindo contribuições para o partido a funcionários comissionados.
"Não houve demissão do Aildo vinculado a nenhum ato de corrupção. Ele pediu exoneração. O Aildo atuou e atuou bem durante dois anos desenvolvendo política de esportes", disse Doria.
O tucano afirmou que seu governo terá 20 secretarias (hoje são 25). Pelo menos 1/4 dos secretários vem da equipe de Temer —Gilberto Kassab (Casa Civil), Rossieli Soares (Educação), Sérgio Sá Leitão (Cultura), Alexandre Baldy (Transportes Metropolitanos) e Vinicius Lummertz (Turismo). Doria ainda anunciará o secretário da Fazenda. ​
Artur Rodrigues , Gustavo Uribe e Rogério Pagnan
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