quarta-feira, 10 de junho de 2026

Mão parada no ar, Ruy Castro- FSP

 Num evento de fim de ano aqui no Rio, alguém me alertou para uma pessoa que acabara de adentrar o recinto: o então governador Cláudio Castro, institucionalmente convidado. Vi quando ele cruzou o salão, parando de mesa em mesa e oferecendo sua mão aos participantes de cada grupo. Todos lhe retribuíram, não sei se por educação ou reflexo. De repente, Castro —sem parentesco com o colunista— estava diante de minha mesa.

Éramos cinco, eu na quinta cadeira. Castro estendeu a mão a cada um de meus colegas, que a apertaram com ou sem gosto. Dali a pouco, ela estava apontada na minha direção, à espera do correspondente gesto. Mas, com ar casual, não me mexi, apenas olhei para cima e para os lados, e, como se ela fosse invisível, deixei sua mão suspensa no vazio. Castro, político malandro, não passou recibo —recolheu-a e se dirigiu à mesa seguinte. Com certeza, não era a primeira vez que lhe acontecia. Mas era a minha primeira, e com que prazer.

Já apertei mãos ilustres —Guimarães Rosa, Pixinguinha, Donga, João da Baiana, Pelé, Carlos Drummond, Nelson Rodrigues, Kim Novak, James Stewart, Tony Bennett, Tom Jobim, Juscelino, Tônia Carrero, Di Cavalcanti— e, com a maioria deles, troquei mais de duas palavras. Apertei mãos menos dignas também, ou pelo dito reflexo ou por não poder fugir. Desta vez, tive tempo para premeditar a ofensa. Não foi preciso encarar Castro ou desacatá-lo. A indiferença já era suficiente.

Cláudio Castro, oriundo de Santos (SP) e sem vida política no Rio, é um dos nossos ex-governadores que, com justiça, se viram às voltas com a lei. Seu antecessor foi o também repelente Wilson Witzel, oriundo de Jundiaí (SP) e também desconhecido do eleitor fluminense. Antes deles, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão igualmente nos envergonharam.

Sim, é um recorde vergonhoso para um estado. Não sei como são as coisas nos demais. Mas, no Rio de Janeiro, é bom saber que nossos corruptos são investigados, julgados, condenados e, às vezes, presos.

Morre Clodoaldo Pelizzoni, secretário de Planejamento da Prefeitura de SP, aos 57 anos, OESP

 Morreu na noite desta terça-feira aos 57 anos, o secretário municipal de Planejamento e Eficiência de São Paulo, Clodoaldo Pelizzoni. Integrante da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), ele comandava desde 2025 a pasta responsável pelo planejamento estratégico e pela elaboração do orçamento da capital. A Prefeitura de São Paulo não informou a causa do falecimento.

A informação foi divulgada pela administração municipal na manhã desta quarta-feira, 10. Em nota, Nunes lamentou a perda e destacou a trajetória de Pelizzoni no serviço público. Segundo o prefeito, o secretário teve participação relevante na estruturação do orçamento climático da capital e se destacava pelo conhecimento técnico na área de transportes. “Além de um colega gentil com todos à sua volta”, relembrou.

Secretário municipal de Planejamento e Eficiência morreu aos 57 anos
Secretário municipal de Planejamento e Eficiência morreu aos 57 anos Foto: Divulgação/Prefeitura de São Paulo

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Formado em Administração Pública pela Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), Pelizzoni construiu uma carreira de mais de três décadas na administração pública. Ao longo da trajetória, ocupou cargos de direção e chefia nos governos estadual e municipal, com atuação nas áreas de habitação, assistência social, infraestrutura e mobilidade.

No governo paulista, foi diretor da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), diretor administrativo-financeiro da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (Imesp), chefe de gabinete da Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social e superintendente do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SP). Também comandou as secretarias estaduais de Logística e Transportes e de Transportes Metropolitanos.

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Na Prefeitura, ingressou na gestão Ricardo Nunes como secretário-adjunto de Governo, em 2023. Dois anos depois, assumiu a Secretaria Municipal de Planejamento e Eficiência, onde coordenou iniciativas voltadas ao planejamento estratégico da cidade e à gestão orçamentária. Entre os projetos mais recentes esteve a elaboração do orçamento climático da capital, apontado pela administração municipal como referência nacional na incorporação de critérios ambientais às contas públicas.

O agro da China não quer mais falar português, The News

 

Os chineses são um dos principais compradores do agronegócio brasileiro, ficando com 71% das exportações de soja e 54% da carne bovina. Apesar dessa parceria, o seu plano de desenvolvimento recém-divulgado indicou que os rumos podem mudar de direção.

  • Na prática, o país elevou o nível de importância da segurança alimentar e quer reverter um déficit comercial agrícola de US$ 124 bilhões.

Mas como ela vai fazer isso? A gigante asiática está aplicando no campo a mesma estratégia que usou em outros setores, como o de carros elétricos: liberando grandes incentivos fiscais tanto para empresas como para consumidores.

O Brasil que se cuide… Nesse cenário, a economia brasileira perderia demanda de um dos seus maiores compradores e teria um dos motores da sua economia fortemente prejudicados. Para se ter ideia:

A projeção é que a demanda chinesa por importação de soja caia 25% até 2030, representando um corte de 23,5 milhões de toneladas.

Proteínas alternativas estão projetadas para atender de 35% a 55% da demanda doméstica chinesa por carne até 2050.

Por outro lado, a China reconhece que a autossuficiência completa é impossível pela escassez de terra e água, buscando com essa iniciativa uma dependência segura com maior diversificação e inovação.

(Imagem: Folha de S. Paulo)

Nesse novo cenário de crescimento e limitação, o agronegócio brasileiro ainda é considerado uma garantia de curto prazo, enquanto o agronegócio dos EUA — outro importante parceiro comercial da China — é visto como uma moeda de troca política.