quinta-feira, 16 de abril de 2026

Credores da Raízen pedem injeção de R$ 8 bilhões e saída de Ometto, diz agência, FSP

 Rachel Gamarski

Giovanna Bellotti Azevedo
Bloomberg

Detentores de títulos da Raízen apresentaram à empresa uma nova proposta de reestruturação, que inclui uma injeção de capital de cerca de R$ 8 bilhões, segundo pessoas com conhecimento do assunto ouvidas pela agência de notícias Bloomberg.

Os credores também pedem que Rubens Ometto, fundador da controladora Cosan, seja substituído como presidente do conselho da Raízen como parte do acordo de reestruturação, disseram as fontes, que pediram anonimato por se tratar de assunto privado.

Procurados, Raízen, Cosan e Ometto e Shell não comentaram sobre o assunto.

Vista aérea de vários tanques cilíndricos brancos de armazenamento em terminal industrial da Raízen, com tubulações e passarelas amarelas conectando-os. Área cercada por vegetação ao fundo e caminhões estacionados à direita.
Tanques de combustível na planta da Raízen em São Paulo - Amanda Perobelli - 20.ago.25/Reuters

Os credores querem ter maior influência na gestão do gigante de biocombustíveis, já que podem se tornar acionistas relevantes por meio de uma eventual conversão de dívida em ações. Segundo pessoas a par do tema, eles pedem uma participação de até 90% da empresa em troca de 45% da dívida na reestruturação.

A nova proposta deve enfrentar resistência. Em reuniões de alto nível em Nova York na semana passada, os controladores Shell e Cosan resistiram a pedidos por mais aportes, disseram fontes.

Raízen entrou com pedido de reestruturação extrajudicial em março, com uma dívida de R$ 65 bilhões. Desde então, a empresa negocia com credores um acordo mais amplo para evitar recorrer à recuperação judicial. As partes enfrentam o prazo legal de 6 de junho para alcançar um acordo extrajudicial com apoio suficiente de detentores de títulos e bancos.

A Shell concordou em março em injetar R$ 3,5 bilhões como parte da reestruturação, enquanto Ometto se comprometeu com mais R$ 500 milhões. No início deste mês, a empresa apresentou aos credores uma proposta que lhes daria até 70% das ações ordinárias da Raízen.

A empresa tem sido pressionada por juros elevados, grandes investimentos que ainda não geraram retorno e desafios operacionais nas divisões de açúcar e etanol, resultando em uma sequência de resultados abaixo do esperado.

Suas dificuldades ocorrem em meio a uma série de casos de estresse que têm afastado investidores da dívida corporativa brasileira. Nas últimas semanas, o grupo Pão de Açúcar também entrou com pedido de reestruturação extrajudicial, enquanto as empresas de saúde Alliança Saúde e Participações e Oncoclínicas recorreram a medidas cautelares.

Outras empresas, como a Braskem e a Kora Saúde, controlada pela HIG Capital, também avaliam medidas de reestruturação, segundo fontes.

Vorcaro e Costa, ex-BRB, devem fazer concurso de quem dá mais na delação de outros bandidos, VTF FSP

 A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP) ainda quer que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva arrume dinheiro para tapar o rombo da roubança do BRB, o banco estatal de Brasília. Como o banco não tem publicado balanços, não se sabe o tamanho do buraco —o Banco Central sabe. Se não interveio na coisa ou não liquidou o banco, deve imaginar que o buraco ainda possa ser coberto.

Leão diz que arrumou dinheiro de uma gestora de fundos, uma solução que parece espantosamente criativa, ao menos pelo pouco que se sabe dela, mas não o quanto realista ou suficiente, para dizer o menos. Não deve bastar, pois o banco adia sine die o balanço e pede dinheiro a Lula. Seria um escândalo que recebesse, ainda mais agora que se sabe mais sobre o propinaço do BRB. O governo Lula tem dito nas internas e em público que não vai fazer parte da operação tapa-buraco, nem por meio de bancos federais.

Homem de terno escuro e camisa branca segura microfone com a mão direita enquanto gesticula com a esquerda. Fundo com estrutura metálica e iluminação em tons de azul e roxo.
Paulo Henrique Costa, enquanto era presidente do BRB, em evento de tecnologia no Rio de Janeiro - Ricardo Moraes - 29.abr.25/Reuters

O BRB era dirigido por pelo menos um corrupto. Fazia um negócio temerário, mesmo para quem não entendesse nada de banco, como pode alegar o governo do Distrito Federal, na época do rolo comandado por Ibaneis Rocha (MDB).

Não entendendo, que perguntasse na praça a quem entendesse. Que contratasse consultoria externa, como se fez, depois do leite podre derramado, depois que o Banco Central, a Polícia Federal e o público souberam da nojeira. Logo, o problema é do governo do Distrito Federal. Se quer ter um banco estatal, sempre uma temeridade, que saiba cuidar dele, que saiba manter o balanço em ordem ou pague a conta de erros ou imundícies. De outro modo, fim. Se por mais não fosse, cobrir perdas, ainda mais de bandidagem, é um incentivo para pilhagem futura, estatal ou privada. Chega.

Importante agora é pegar a bandidagem toda. A PF diz que Paulo Henrique Costa, o presidente do BRB no rolo, levou ou levaria umas dezenas de MILHÕES de reais. Daniel Vorcaro alugou oficialmente, com declaração, um lobby de alta gente da República, por algumas centenas de milhões de reais. Mas o mestre do Master sumiu com dezenas de BILHÕES de reais. Quem mais levou?

A PF mostrou que Costa negociava propina com Vorcaro, chefe da máfia que tinha um banco, o Master. Parte da mumunha estava nas mensagens de celular trocadas pelos amigões, que se falavam como quem trata da conta da linguiça do churrascão.

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Segundo a PF, Vorcaro daria a Costa cerca de R$ 146 milhões em imóveis. O pagamento era pelo serviço de esconder a carcaça cadavérica do Master. Engolindo a massa podre, o BRB em tese pagaria os empréstimos que Vorcaro tomou na praça (como CDBs) e nos quais daria (deu) calote, dando sumiço em dezenas de bilhões. Sabe-se que os dinheiros transitaram pelos fundos Reag, a administradora e gestora de fundos de vários tipos de criminosos. Além do mais, o BRB comprava terrenos na Lua, empréstimos que não existiam. O banco era um pretexto para um esquema de pirataria e gangsterismo.

A coisa era tão explícita que é razoável esperar, até no Brasil, um tempo longo de cadeia para Costa. Em decorrência, é também razoável especular que Costa vá delatar. Vorcaro e Costa podem cair em um jogo de quem dá mais na delação, quem entrega mais cabeças. Pelas regras oficiais, é difícil fazer "acareação" de delações premiadas. Mas Vorcaro e Costa vão ter de correr e tomar mais cuidado com o que dizem.