quarta-feira, 15 de julho de 2026

Alcolumbre, Motta e TCU articulam manobra para permitir supersalários e desafiar o STF- Roseann Kennedy - OESP

 Notícia de presente

Em uma ofensiva articulada nos bastidores, os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, da Câmara, Hugo Motta, e do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rego, uniram forças em uma tentativa de driblar o Supremo Tribunal Federal (STF) e viabilizar o pagamento de supersalários para servidores do Legislativo. O movimento culmina nesta quarta-feira, 15, quando o TCU julga um recurso do Sindilegis — sindicato que representa o funcionalismo do Legislativo — que propõe a criação de uma espécie de “teto duplex”.

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O recurso, revelado pela Coluna do Estadão, corre sob sigilo. Na prática, a manobra permite que o servidor receba, simultaneamente, o limite constitucional pelo cargo efetivo e outro pelo cargo em comissão, acumulando valores. Essa interpretação ignora a regra de que o teto deve incidir sobre a remuneração total, resultando em ganhos que extrapolam o estabelecido pela Constituição.

Nos bastidores, o roteiro para a sessão no TCU já está traçado. Embora o relator, ministro Walton Alencar, prepare um parecer contrário — sob o argumento de que não cabe à Corte de Contas decidir o tema —, o presidente do TCU, Vital do Rego, abrirá divergência para favorecer a categoria.

Integrantes do tribunal relataram à Coluna que foram contatados por Vital, Alcolumbre e Hugo pedindo votos favoráveis, o que gerou constrangimento entre os ministros da Corte, que é um órgão auxiliar do próprio Legislativo.

Procurados pela Coluna, os presidentes da Câmara e do Senado não se manifestaram. O chefe do TCU informou que apreciará a matéria no momento de sua deliberação, por meio de seu voto, e que não interfere na formação do convencimento ou no voto dos demais ministros.

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A investida da cúpula do Legislativo é mais um capítulo da tentativa do Congresso de desafiar o STF. O histórico recente expõe esse embate. No início de 2026, após decisão do ministro Flávio Dino restringindo penduricalhos, o Legislativo aprovou uma medida, apelidada de “trem da alegria”, que permitia a conversão de folgas – geradas por dias de trabalho – em dinheiro, o que estourava o teto constitucional. O dispositivo, contudo, foi vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que manteve o reajuste dos servidores, mas barrou o benefício extra.

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Política
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O movimento ilustra que o alto escalão do Congresso não hesita em promover autobenefícios ou favorecer seu entorno sempre que a vigilância da sociedade diminui, tratando o erário como um patrimônio de privilégios e não como recurso comum.

Para essas excelências, benesses são tratadas como um dever do Estado, em detrimento de qualquer igualdade entre os cidadãos determinada pela Constituição ou respeito ao dinheiro público.

Brasil pode ter este ano segundo maior superávit na balança comercial, mesmo com tarifaço de Trump, OESP

 Mesmo com o tarifaço promovido pelos Estados Unidos, o Brasil segue colhendo números positivos na balança comercial. No primeiro semestre deste ano, as exportações alcançaram um patamar recorde. Entre janeiro e junho, as vendas totais brasileiras somaram US$ 184,8 bilhões, a maior cifra para o período, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

O grande motor da balança comercial tem sido a China, cuja demanda é bastante grande pelas commodities brasileiras, o que tem ajudado a mitigar o impacto das incertezas provocadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nos negócios entre os dois países.

“Mesmo com as exportações caindo para os Estados Unidos, o aumento das vendas para outros países mais do que ajudou a compensar”, diz Júlia Marasca, economista do banco Itaú. “As exportações estão rodando em nível recorde, e quem mais aumentou a participação nesse movimento foi a Ásia, com destaque para a China, que se consolidou, de fato, como nosso principal parceiro.”

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No primeiro semestre, os chineses responderam por 31,6% das vendas brasileiras para o exterior
No primeiro semestre, os chineses responderam por 31,6% das vendas brasileiras para o exterior Foto: AFP

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No primeiro semestre, as exportações para a China cresceram 22% em relação ao mesmo período do ano passado e somaram US$ 58,3 bilhões. Por outro lado, os norte-americanos compraram US$ 17,4 bilhões do Brasil, um recuo de 13%.

Com o conflito no Oriente Médio, por exemplo, as vendas de óleos brutos de petróleo brasileiro para os chineses somaram US$ 15,2 bilhões, um aumento na comparação com os primeiros seis meses de 2025 (US$ 9,3 bilhões). Os embarques de soja também avançaram nesse período. Passaram de US$ 18,9 bilhões para US$ 20,2 bilhões.

“Basicamente, há uma conjugação de aumento de preço e aumento de quantidade. Toda vez que há um fato externo marcante, como é o caso do conflito no Oriente Médio, automaticamente as commodities sobem de preço”, diz José Augusto de Castro, presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

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Com o desempenho das exportações do primeiro semestre, os chineses responderam por 31,6% das vendas brasileiras para o exterior; e os norte-americanos, por apenas 9,4%, o nível mais baixo já registrado na série histórica do Mdic.

Pesquisador associado do FGV Ibre e sócio da BRCG Consultoria, Livio Ribeiro destaca que, com base na média móvel dos últimos três meses até maio, a exportação em volume cresceu 9% para a China. “E estava crescendo muito mais, estava crescendo a dois dígitos”, diz.

Para os Estados Unidos, houve queda de 16%; na União Europeia, o recuo foi de 4,5%; a exportação para a Argentina caiu 17%, segundo o cálculo de Livio. As altas foram registradas nos embarques para o México (7%), para a América Latina (15%) – excluindo a economia mexicana – e para a Ásia (14%) – sem levar em conta os dados da China.

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“Tem uma importância grande da China, se olhar para essa métrica. É o país para o qual as exportações mais crescem e é o nosso principal parceiro comercial”, afirma o pesquisador associado do FGV/Ibre. “Mas tem outras histórias acontecendo também.”

Bons números na balança comercial ajudam a tornar as contas externas mais saudáveis de um país. Isso é especialmente importante no caso da economia brasileira, que tem um déficit estrutural nas contas de serviços e de renda.

Ou seja, o País envia dólares ao exterior para pagar serviços importados e para enviar lucros e dividendos de companhias. Um saldo positivo na balança comercial ajuda a compensar essas saídas de recursos e deixa as contas externas do Brasil mais equilibradas.

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Saldo da balança comercial revisado para cima

O bom desempenho da balança comercial da primeira metade do ano tem desencadeado revisões para cima na projeção para o saldo comercial do País. Na primeira metade do ano, o superávit foi de US$ 42,3 bilhões — o segundo melhor resultado para o período.

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Em sua mais recente revisão, o Mdic passou a prever um resultado positivo de US$ 90 bilhões para este ano – a projeção anterior era de superávit de US$ 72,1 bilhões. Se esse número se concretizar, o Brasil deve ter o segundo maior saldo comercial já registrado. Ficará atrás apenas do desempenho de 2023, quando o superávit comercial foi de quase US$ 99 bilhões.

“A nossa projeção é de que as exportações sigam rodando em patamar recorde ao longo deste ano”, diz Júlia, do Itaú. O banco aumentou a projeção de superávit da balança comercial de US$ 75 bilhões para US$ 80 bilhões. Um dos fatores que motivou essa revisão foi a expectativa de preços maiores para o petróleo.

“No início do ano, a nossa projeção era de um preço do petróleo de US$ 65 por barril ao fim de 2026. Agora, vemos um preço mais alto do que antes do conflito. Hoje, a nossa projeção é de um petróleo a US$ 80. Isso explica esse saldo comercial mais alto do que o projetado antes”, afirma a economista do Itaú.

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Expectativa de baixo impacto com novo tarifaço

Nesta quarta-feira, 15, termina o prazo para a decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros, apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), como forma de compensar os “atos, políticas e práticas incoerentes” do País que “oneram ou restringem o comércio” americano.