domingo, 5 de julho de 2026

Magistratura deve passar por grande reforma em 2029, Elio Gaspari, FSP

 Quem conhece o Judiciário garante: a magistratura passará por uma grande reforma em 2029.

Por muitos motivos, inclusive porque, do jeito que as coisas estão, não podem continuar.

Noves fora os penduricalhos e as farofas com que grandes litigantes mimam magistrados, a judicialização perdeu a racionalidade.

A imagem mostra uma escultura representando a Justiça, com uma figura feminina de olhos vendados, segurando uma balança. A escultura está posicionada em primeiro plano, enquanto ao fundo há uma estrutura arquitetônica moderna com colunas e uma parede de vidro. O céu está claro e azul, e há uma parede verde visível ao fundo.
Estátua da Justiça em frente ao Supremo Tribunal Federal, em Brasília - Evaristo Sá - 19.mai.25/AFP

Boa notícia

As coisas boas também acontecem. Em três anos, 47 cartórios habilitados pela Polícia Civil de Minas Gerais emitiram 102.208 carteiras de identidade. Como? Valendo-se da capilaridade dos cartórios, dos serviços da Corregedoria-Geral de Minas e da ajuda do Sindicato dos Oficiais de Registro Civil e da Polícia Civil do estado.

Em alguns casos os cartórios atendem aos sábados. Em outros, 102 ofereceram cursos para qualificar servidores e 47 já emitem as carteiras. O cartório de Congonhas já passou dos 10 mil documentos emitidos. (Quando é o caso, ele atende a domicílio.)

As Carteiras de Identidade Nacional (CIN) têm validade federal e estão interligadas aos bancos de dados da Justiça Eleitoral e da Receita Federal.

A primeira CIN é gratuita e a segunda via custa R$ 115,80.

Esse tipo de operação nasceu na Corregedoria Nacional de Justiça, entregando escrituras para moradores de comunidades, inclusive do Morro do Alemão, no Rio, onde o poder público aparece em muitos casos para matar gente.

O segredo de iniciativas desse tipo está na valorização do ensinamento da canção Maria Moita: "Botar pra trabalhar quem nunca trabalhou".

EUA vão ao PCC

O governo dos Estados Unidos impôs sanções a dois finórios e a suas empresas, suspeitos de manter conexões com o PCC num esquema de lavagem de dinheiro, inclusive valendo-se do guarda-chuva da jogatina. Os americanos estão entrando na questão pelas bordas, ou, como dizia Leonel Brizola, "costeando o alambrado".

Todos os sancionados eram fregueses da polícia paulista e do Ministério Público. Mas, na terra das palmeiras, onde canta o sabiá, as coisas iam devagar.

Foram congelados todos os bens da turma nos Estados Unidos.

Vem mais chumbo por aí.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Lula enfileira inaugurações no limite do prazo eleitoral, promove aliados e prioriza SP, FSP

 Caio Spechoto

Brasília

O presidente Lula (PT) mobilizou sete integrantes do primeiro escalão de seu governo nesta sexta-feira (3) para, no limite do prazo eleitoral, fazer atos de inauguração e entrega para 12 cidades diferentes e promover aliados.

Foram elas Altos (PI), Barra de São Miguel (AL), Bauru (SP), Campinas (SP), Cotia (SP), Garanhuns (PE), Itabaiana (SE), Mauá (SP), Nova Iguaçu (RJ), Osasco (SP), Tefé (AM) e Vassouras (RJ).

Houve uma cerimônia central, no Palácio do Planalto, de onde Lula discursou três vezes. As falas eram transmitidas para os atos nas cidades —e as cerimônias nos municípios, com discursos de autoridades do governo federal e outras pessoas, também tinham transmissão.

Homem idoso com barba branca veste terno escuro, camisa branca e gravata listrada, usa chapéu preto e segura microfone enquanto gesticula com a mão direita. Fundo colorido em azul e laranja.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a cerimônia de entregas simultâneas no Palácio do Planalto - Gabriela Biló/Folhapress

Os eventos também promoveram aliados de Lula. Em alguns desses lugares, deputados e senadores aliados apenas apareciam no palco no momento dos discursos. Em outros, eles puderam falar.

As cerimônias tiveram clima de comício em diversos momentos, com o público gritando "Olê, olê, olá/ Lula Lula". Cinco das 12 cidades eram em São Paulo, estado com maior eleitorado do país e considerado chave para a reeleição do presidente da República.

A entrega de obras deverá ser mencionada com frequência na campanha eleitoral do petista. Lula quer fazer comparações constantes de seu governo com o de Jair Bolsonaro (PL), a quem acusa de ter abandonado obras federais.

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A partir de sábado (4), as regras eleitorais impedem o presidente de participar de atos de inauguração. A norma tenta limitar o uso da máquina pública em campanhas políticas.

Os atos desta sexta foram nas áreas de educação, saúde e habitação. Nos discursos, Lula e seus auxiliares mencionavam que haveria outras entregas até o fim do dia não incluídas no ato principal.

"A gente está fazendo isso [atos simultâneos] porque a partir de hoje a gente não pode inaugurar mais nada", disse o presidente, que, na quinta, ironizou as restrições, chamando-as de papagaiada.

"Essas entregas que estamos fazendo na educação… tem mais entrega, tem outras cidades que não puderam entrar conosco por causa do tempo", declarou Lula.

Em dois momentos, houve dificuldades de comunicação com os atos nas cidades.

O petista também fez referência à eleição, ainda que sem mencionar a disputa diretamente. Disse que os agentes públicos vão ser avaliados pelo que fizeram ou deixaram de fazer, não pelo que falam. "A gente não vai permitir que a mentira prevaleça nesse país. Esse ano é o ano da verdade. E a verdade, outra vez, vai prevalecer", declarou.

Em outro momento, o petista mostrou o dedo médio ao defender melhores condições materiais para a população de baixa renda. "Precisamos acabar com essa história, que eles pensam que o pobre não gosta de coisa boa. Aqui para eles", declarou o chefe de governo.

Uma das obras inauguradas foi um hospital em Garanhuns (PE), terra natal de Lula, que ganhou o nome de Dona Lindu, a mãe do presidente.

Além de Lula, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, e a primeira-dama Janja Lula da Silva falaram no Palácio do Planalto. Janja discursou sobre o combate à violência contra a mulher.

Os demais integrantes do primeiro escalão do governo que participaram do ato foram o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e os ministros Alexandre Padilha (Saúde), Guilherme Boulos (Secretaria Geral), Leonardo Barchini (Educação), Wellington Dias (Desenvolvimento Social) e Vladimir Lima (Cidades).


CIDADES COM INAUGURAÇÕES NO ATO DO PALÁCIO DO PLANALTO

  • Bauru (SP) – Geraldo Alckmin e o reitor do IFSP (Instituto Federal de São Paulo), Silmário dos Santos, discursaram em inauguração de novo prédio do instituto;

  • Campinas (SP) – Alexandre Padilha e o vice-prefeito Wandão (PSB) discursaram na entrega de equipamentos de saúde;

  • Cotia (SP) – Guilherme Boulos discursou em inauguração de campus do IFSP;

  • Mauá (SP) – Leonardo Barchini, o prefeito Marcelo Oliveira (PT) e os deputados Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Marina Silva (Rede-SP) discursaram em inauguração de campus do IFSP;

  • Osasco (SP) – o secretário de Articulação Intersetorial do MEC, Gregório Grisa, e o deputado estadual Emídio de Souza (PT-SP), discursaram em inauguração de campus do IFSP;

  • Altos (PI) – Wellington Dias e o governador Rafael Fonteles (PT-PI) discursaram em inauguração de campus do IFPI (Instituto Federal do Piauí);

  • Barra de São Miguel (AL) – o secretário de Habitação do Ministério das Cidades, Augusto Henrique Alves Rabelo, e o deputado Arthur Lira (PP-AL) discursou na entrega de 200 unidades habitacionais;

  • Garanhuns (PE) – o secretário de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Mozart Salles, o senador Humberto Costa (PT-PE) e o prefeito Sivaldo Albino (PSB) discursaram na inauguração do Hospital do Amor Dona Lindu, cujo nome homenageia a mãe de Lula. O ex-prefeito de Recife e pré-candidato a governador João Campos (PSB) fez uma rápida intervenção sobre o andamento da solenidade;

  • Itabaiana (SE) – o secretário de Desenvolvimento Urbano Ministério das Cidades, Carlos Tomé, e o ex-ministro Márcio Macêdo discursaram na entrega de 214 unidades habitacionais;

  • Nova Iguaçu (RJ) – Vladimir Lima discursou na entrega de 900 unidades habitacionais;

  • Tefé (AM) – o secretário de Educação Profissional do MEC, Marcelo Bregagnholi, e o reitor do IFAM (Instituto Federal do Amazonas) discursaram em inauguração de campus da instituição de ensino, e mencionaram políticos presentes.

  • Vassouras (RJ) – o diretor de Estratégias para a Expansão e Qualificação da Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Rodrigo Oliveira, e a prefeita Rosi (PP) discursaram na inauguração de um hospital.

Os brasileiros estão conciliando trabalho e estudos?, The News

 

Você provavelmente já deve ter ouvido falar sobre os “nem-nem”, que são as pessoas que nem estudam, nem trabalham. Acontece que a tendência oposta começou a surgir no Brasil.

Isso porque a fatia de trabalhadores brasileiros que também estudam subiu de 13% para 15% entre 2019 e 2025. O crescimento representa um avanço de 27% nesse grupo, mais que o dobro do ritmo de quem só trabalha. Já os “nem-nem” encolheram 25% no mesmo período.

Hoje são 15,5 milhões de brasileiros ocupados e estudando simultaneamente.

O movimento aparece mesmo entre quem já tem diploma. Entre os +25 mi de trabalhadores com ensino superior completo, a quantidade dos que seguem estudando subiu de 13,3% para 16,3%.

(Imagem: Valor Econômico)

Parte da explicação está na mudança do ensino superior brasileiro. Em 2024, pela primeira vez, as matrículas a distância (EaD) ultrapassaram as presenciais no país, o que ajuda a explicar como mais gente concilia diploma com carteira assinada.

A rotina dupla compensa? Na maioria dos casos, sim. Entre os maiores de 50 anos, quem segue fazendo os dois ganha em média 40% a mais que os que só trabalham. A exceção é a faixa de 18 a 24 anos, que rende 3,1% a menos.

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