sexta-feira, 19 de novembro de 2021

A batalha perdida pelo general Mourão e o precipício econômico, Carlos Bocuhy - OESP


19 de novembro de 2021 | 08h40

Carlos Bocuhy. FOTO: DIVULGAÇÃO

O governo de Jair Bolsonaro perdeu o controle sobre o desmatamento da Amazônia e está colocando em risco as divisas brasileiras. As principais manchetes internacionais, do Washington Times ao Japan Times, noticiam que em 2020 a Amazônia teve seu pior índice de desmatamento em 15 anos, com uma área de 13.235 km², equivalente a 17 vezes a cidade de New York.

Os números assustam até mesmo a nós, brasileiros, que acompanhamos de perto este inacreditável sacrifício ecossistêmico. Abandonada à criminalidade, a Amazônia demonstra um histórico que retrata um misto de incompetência, omissão e favorecimento a setores degradadores.

O governo de Bolsonaro nunca demonstrou real intenção de controlar o desmatamento. Desmantelou o Fundo Amazônia e foi artífice da desregulamentação normativa no âmbito do Ministério do Meio Ambiente, além de apoiar a flexibilização de leis ambientais no Congresso Nacional. No âmbito ministerial, promoveu a fragilização da fiscalização e dos meios operacionais de controle do desmatamento, além de desmantelar os mecanismos de participação e controle social. De outro lado, incumbiu seu vice-presidente, general Hamilton Mourão, de usar as Forças Armadas para combater o desmatamento, uma função para a qual o Exército, bom guardião de fronteiras, não detém expertise.

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Há episódios estranhíssimos à boa gestão da coisa pública e que deixaram a criminalidade bem à vontade, como a retirada de condições basilares de fiscalização para transporte e controle para exportação de madeira — e até mesmo a tentativa de liberação de cargas apreendida em portos norte-americanos, fato que levou o governo dos EUA a pedir às autoridades brasileiras que investigassem a atuação do ex-ministro de Meio Ambiente, Ricardo Salles.

A lista de desatinos e abominações normativas é imensa e culminou agora, na Cúpula do Clima em Glasgow, em promessas de redução do desmatamento sem revelar os alarmantes dados atualizados. O governo federal, mesmo sabendo do elevadíssimo grau de devastação da Amazônia e sendo artífice do desmonte operacional e normativo interno, prometeu à comunidade internacional, sem nenhuma sustentação técnica, acabar com o desmatamento ilegal até 2028, dois anos antes da meta anteriormente anunciada.

A falácia é evidente. Na data de 27 de outubro, véspera da conferência COP26, o sistema de monitoramento PRODES já apontava o desmatamento recorde anual de 13.235 km², um aumento de 21,97% sobre os dados de 2020. O mapeamento do desmatamento pelo PRODES tem por base imagens do satélite Landsat e similares, que registraram e quantificaram regiões desmatadas maiores que 6,25 hectares em 106 áreas onde houve 90% dos alertas de desmatamento pelo sistema preventivo Deter.

O episódio demonstra vários aspectos. Primeiro, que o governo brasileiro sabia, antes do início da COP26, que o Brasil estava registrando o pior índice de desmatamento dos últimos 15 anos, desde 2006 — e que, durante a conferência mentiu que o desmatamento estava sob controle. Ao contrário do que ocorreu em anos anteriores e em COPs anteriores, o governo descaradamente escondeu os dados até que a COP encerrasse seus trabalhos. Diante da evidente manipulação das informações, a imagem do Brasil no exterior ficará ainda mais desmoralizada do que já está.

Segundo, demonstra que todo o aparato que vinha sendo anunciado no combate ao desmatamento falhou, principalmente o envio de um contingente de militares a um custo elevadíssimo para a região da Amazônia, uma batalha ruidosa que o general Mourão perdeu. Com ele perderam também o Brasil, a floresta, a biodiversidade, o clima, os povos tradicionais e o futuro.

Terceiro, surge a sinalização de uma seriíssima ameaça para a economia brasileira. A produção de commodities em terras desmatadas a partir de janeiro de 2021 pode ser barrada por iniciativa da Comissão Européia (CE), que estabelece regras para a União Européia.

O Brasil é responsável pelo abastecimento do consumo da União Européia em 21% da carne bovina, 30% do café, 39% da soja, 9% da madeira, além de produtos derivados como couro e móveis.

Segundo Frans Timmermans, vice-presidente da CE, a regulamentação antidesmatamento responde aos apelos do mercado, dos consumidores exigentes. Além disso, há argumentos robustos que estão sendo levados em conta, como impedir as práticas de ignorar externalidades e de produzir às custas da devastação ambiental, o que representa, para o mercado, concorrência desleal.

As salvaguardas exigidas aos produtos importados previstas pela CE vão desde a comprovação da regularidade à checagem por imagens satélite, além de considerar prioritária a aferição de origem dos produtos oriundos dos países com alto risco de desmatamento, quesito no qual o Brasil ocupa, graças à criminalidade à solta e à incompetência governamental, o desonroso 1º lugar.

Pelo que se desenha na normativa europeia, um país com perfil de alto risco em desmatamento obrigará seus produtos à uma criteriosa “due diligence’’, auditoria onde poderão ser exigidas medidas como verificação por terceiros e comprovações mais especificas, até que se clarifique a ausência de risco. Países de baixo risco contarão com menos exigências e custos de comprovação, com o benefício de uma diligência simplificada.

A proposta da CE tem previsão de implementação a partir de 2025, mas seus efeitos serão retroativos a 2021. A proposta segue agora para o aval do Conselho Europeu, onde estão representados os 27 países-membros, e posteriormente para o Parlamento.

O governo de Bolsonaro, seu descaso e falta de controle estão criando passivos ambientais e econômicos insuportáveis para o Brasil. Além das perdas florestais, ecossistêmicas, em biodiversidade e impactos aos povos tradicionais, há uma abertura de mais e mais brechas na floresta, que funcionam como fontes de indução para maior destruição. É preciso lembrar que a floresta amazônica, em seu lado oriental, já perde capacidade de absorver carbono, especialmente nos trechos conhecidos como arco do desmatamento.

Os impulsos de devastação se aceleram debaixo da omissão e incapacidade do governo Bolsonaro.

Prometem gerar barreiras comerciais e custos adicionais aos produtos brasileiros, e os que trabalham de forma regrada e limpa pagarão pelos desonestos. De outro lado, o povo brasileiro pagará pela perda de divisas que afetará seus meios de desenvolvimento saudável.

A batalha que Mourão perdeu para a criminalidade na Amazônia deve ser revertida. Não bastasse a ameaça das mudanças climáticas, é preciso evitar o cenário de falência ecossistêmica e efeitos nocivos que já se desenham no horizonte acobertadas por encenações e mentiras governamentais que seguem potencializando as profundas raízes do descontrole territorial.

É preciso fazer cessar este caminho que vem sendo trilhado pelo governo federal, que ruma para consolidar, de forma permanente, uma imagem e condição de pária ambiental para o Brasil, com todas as consequências ambientais, sociais e econômicas que isso poderá representar.

*Carlos Bocuhy é presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam)

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Programa Alesp Preserva vai neutralizar emissão de carbono e investir em energia solar, Portal Alesp

 


A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo lançou, nesta quinta-feira (18/11), o programa Alesp Preserva, que prevê ações para neutralizar a emissão de carbono, reduzir o consumo de água e papel, e investir em produção de energia solar, favorecendo economia dos recursos públicos.

O lançamento foi feito pelo presidente do Parlamento paulista, deputado Carlão Pignatari; junto ao primeiro secretário da Casa, deputado Luiz Fernando; e demais parlamentares.

Na ocasião, a Assembleia Legislativa também assinou a adesão ao Acordo Ambiental de São Paulo, firmado na COP 21 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), de Paris. Com isso, o Parlamento paulista passará a integrar a comunidade de lideranças a favor da preservação ambiental e combate às mudanças climáticas. Participaram da cerimônia de assinatura o secretário de Estado de Infraestrutura e Meio Ambiente, Marcos Penido, e a presidente da Cetesb, Patrícia Faga Iglecias Lemos.

O presidente do parlamento, deputado Carlão Pignatari, classificou o programa como emblemático e destacou a importância da participação da Assembleia Legislativa em ações voltadas ao desenvolvimento sustentável. "Hoje é um dia muito especial para essa Casa Legislativa. Estamos tomando atitudes efetivas para neutralizar a emissão de gás carbônico e reduzir o consumo de água e papel aqui no Legislativo. São medidas que vão favorecer os recursos naturais e além de ajudar o meio ambiente e defender a vida da população, essas medidas ainda vão possibilitar a economia de dinheiro público", disse.

O deputado Luiz Fernando, primeiro secretário da Casa, destacou a série de ações do Legislativo em prol do meio ambiente e da população, em especial no momento de pandemia. "Essa Casa produziu muitas leis, realizou ações importantes e necessárias. Num momento de muita tristeza, esse Parlamento resolveu cortar na carne. Todos os deputados abriram mão de 30% do salário e 40% da verba de gabinete. A Casa tem feito a diferença num momento importante. O presidente Carlão vem trazendo junto à Mesa Diretora importantes ações de desenvolvimento sustentável", falou.

Ações

Com o projeto Carbono Zero, a Alesp vai plantar 20 mil árvores e neutralizar a emissão total de carbono de três anos -2020, 2021 e 2022. Um levantamento feito com parlamentares, servidores e visitantes apontou a emissão de 1,7 mil toneladas de gás poluente na atmosfera no deslocamento das pessoas e o tipo de transporte utilizado até a Alesp.

Na parte da água, a Assembleia de São Paulo contratou um serviço para avaliar toda a estrutura hidráulica do Palácio 9 de Julho, sede do Legislativo paulista, para propor mudanças visando a redução do consumo. O trabalho prevê ainda um projeto para implantação de sistema de utilização de água da chuva, com captação, armazenamento e distribuição.

Para a energia solar, um projeto vai indicar as possibilidades de instalação de painéis fotovoltaicos para geração de eletricidade. Somente a laje do prédio do Legislativo paulista conta com uma área de 3 mil metros quadrados. A Alesp usaria a energia solar para consumo próprio, por meio da fonte alternativa eficiente, renovável e não poluente.

Todas essas ações gerarão economia de recursos públicos, podendo reverter os valores em mais ações diretas para a sociedade. Só para se ter uma ideia, atualmente a Alesp gasta mais de R$ 1,5 milhão por ano com energia elétrica. Com a energia solar, a expectativa é reduzir esse custo em até 90%.

Outra meta da Alesp é eliminar, até o final de 2022, o uso do papel. Para isso, foram feitos parcerias e investimentos em softwares de gestão para eliminação do papel na atividade legislativa. Além disso, o Parlamento paulista trocou sua frota antiga de veículos por locação de carros novos que emitem menos poluente. Diversas campanhas internas, de redução de consumo de água e energia, e impressão, também estão em prática.

Para o secretário de Estado de Infraestrutura e Meio Ambiente, Marcos Penido, a Alesp, junto aos poderes públicos municipais, tem extrema importância na difusão de ações sustentáveis. Ele enalteceu ainda a série de medidas realizadas pelos deputados estaduais.

"Cabe aos gestores públicos darem o exemplo. A presença dos Estados é fundamental para mostrar esse compromisso. Aqui nessa Assembleia Legislativa, que é a Casa do Povo, esse projeto é perfeito, é o exemplo do que é possível ser feito. O Legislativo cumpre seu papel de trabalhar em prol da população. Esse exemplo da Alesp tem de passar para as câmaras municipais e prefeituras. Se todas essas partes cooperarem na neutralização dos carbonos, esse exemplo começa a permear e ser seguido", falou.

Patrícia Faga Iglecias Lemos, presidente da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), também destacou a importância da adesão em acordos por desenvolvimento sustentável por parte dos poderes públicos Estaduais e Municipais, e enfatizou o pioneirismo de São Paulo nessas ações.

"Não avançaremos na questão climática sem apoio dos Estados, e essa é a visão que o Estado de São Paulo tem, mantendo o protagonismo, sendo um Estado pioneiro. Temos a alegria de celebrar o início do programa aqui na Alesp e assinatura do acordo ambiental. Coloco a Cetesb sempre à disposição dessa Casa. É um trabalho conjunto que deve acontecer nas diversas esferas do poder, e é o nosso principal programa para avançar em prol da sustentabilidade", afirmou.

Alesp Preserva mostra aos paulistas a atuação do Legislativo no meio ambiente, afirmam parlamentares, Portal Alesp

 Deputados e deputadas da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo repercutiram o programa Alesp Preserva, lançado nesta quinta-feira (18/11). Os parlamentares elogiaram a iniciativa, que prevê ações para neutralizar a emissão de carbono, reduzir o consumo de água e papel, e investir na produção de energia solar, favorecendo a economia dos recursos públicos.


Para cumprir as metas estabelecidas, o programa Alesp Preserva pretende plantar 20 mil árvores para neutralizar a emissão de carbono dos anos de 2020, 2021 e 2022; implantar um sistema de utilização de água da chuva; instalar painéis fotovoltaicos para a geração de energia solar no Palácio 9 de Julho; e eliminar o uso do papel em sua sede até 2022.

Na opinião da deputada Dra. Damaris Moura (PSDB), a qual esteve presente na cerimônia de lançamento do programa, as ações adotadas pela Alesp são didáticas, além de incentivar e mostrar ao povo de São Paulo que a sua Casa de Leis está engajada nas questões ambientais.

"Agora, a Assembleia está participando dos esforços que estão sendo feitos mundialmente a respeito da preservação do meio ambiente. A COP-26 foi um chamamento e uma provocação a todos. Foi um prazer estar presente no lançamento do programa hoje", disse a parlamentar.

No mesmo sentido, a deputada Marina Helou (Rede), vice-presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e coordenadora da Frente Parlamentar Ambientalista pela Defesa das Águas e do Saneamento, disse estar muito feliz com a adoção do novo programa ambiental da Casa. Mas, pondera que esse deve ser apenas o primeiro passo a ser dado.

"É muito importante termos dado esse passo como instituição, mas tem que ser o primeiro passo. Agora, precisamos garantir que todos os deputados sigam com essa conscientização da importância e urgência do tema, para voltarmos nossa produção legislativa às necessidades ambientais e climáticas", afirmou.

Já o deputado Teonilio Barba (PT), celebrou o novo programa da Assembleia e destacou que preservar o meio ambiente é necessário para garantir o bem-estar das próximas gerações. "O fim do uso do papel, o reaproveitamento do uso da água da chuva, o plantio de árvores. Tudo isso é muito importante e é necessário que a Alesp pense assim porque o meio ambiente é uma questão de futuro para a humanidade", disse.

Por fim, o deputado Conte Lopes (PP) destacou que preservar a natureza também é função do Legislativo Paulista. "Temos que cuidar do meio ambiente. O nosso Poder Legislativo também tem que estar trabalhando contra os problemas que já estão aí, como o aquecimento global, então é uma iniciativa muito importante", falou.

Todas essas ações serão responsáveis por uma economia de recursos públicos. Atualmente, a Alesp gasta mais de R$ 1,5 milhão por ano com energia elétrica. Com a energia solar, a expectativa é reduzir esse custo em até 90%.