quarta-feira, 15 de julho de 2026

Brasil pode ter este ano segundo maior superávit na balança comercial, mesmo com tarifaço de Trump, OESP

 Mesmo com o tarifaço promovido pelos Estados Unidos, o Brasil segue colhendo números positivos na balança comercial. No primeiro semestre deste ano, as exportações alcançaram um patamar recorde. Entre janeiro e junho, as vendas totais brasileiras somaram US$ 184,8 bilhões, a maior cifra para o período, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

O grande motor da balança comercial tem sido a China, cuja demanda é bastante grande pelas commodities brasileiras, o que tem ajudado a mitigar o impacto das incertezas provocadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nos negócios entre os dois países.

“Mesmo com as exportações caindo para os Estados Unidos, o aumento das vendas para outros países mais do que ajudou a compensar”, diz Júlia Marasca, economista do banco Itaú. “As exportações estão rodando em nível recorde, e quem mais aumentou a participação nesse movimento foi a Ásia, com destaque para a China, que se consolidou, de fato, como nosso principal parceiro.”

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No primeiro semestre, os chineses responderam por 31,6% das vendas brasileiras para o exterior
No primeiro semestre, os chineses responderam por 31,6% das vendas brasileiras para o exterior Foto: AFP

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No primeiro semestre, as exportações para a China cresceram 22% em relação ao mesmo período do ano passado e somaram US$ 58,3 bilhões. Por outro lado, os norte-americanos compraram US$ 17,4 bilhões do Brasil, um recuo de 13%.

Com o conflito no Oriente Médio, por exemplo, as vendas de óleos brutos de petróleo brasileiro para os chineses somaram US$ 15,2 bilhões, um aumento na comparação com os primeiros seis meses de 2025 (US$ 9,3 bilhões). Os embarques de soja também avançaram nesse período. Passaram de US$ 18,9 bilhões para US$ 20,2 bilhões.

“Basicamente, há uma conjugação de aumento de preço e aumento de quantidade. Toda vez que há um fato externo marcante, como é o caso do conflito no Oriente Médio, automaticamente as commodities sobem de preço”, diz José Augusto de Castro, presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

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Com o desempenho das exportações do primeiro semestre, os chineses responderam por 31,6% das vendas brasileiras para o exterior; e os norte-americanos, por apenas 9,4%, o nível mais baixo já registrado na série histórica do Mdic.

Pesquisador associado do FGV Ibre e sócio da BRCG Consultoria, Livio Ribeiro destaca que, com base na média móvel dos últimos três meses até maio, a exportação em volume cresceu 9% para a China. “E estava crescendo muito mais, estava crescendo a dois dígitos”, diz.

Para os Estados Unidos, houve queda de 16%; na União Europeia, o recuo foi de 4,5%; a exportação para a Argentina caiu 17%, segundo o cálculo de Livio. As altas foram registradas nos embarques para o México (7%), para a América Latina (15%) – excluindo a economia mexicana – e para a Ásia (14%) – sem levar em conta os dados da China.

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“Tem uma importância grande da China, se olhar para essa métrica. É o país para o qual as exportações mais crescem e é o nosso principal parceiro comercial”, afirma o pesquisador associado do FGV/Ibre. “Mas tem outras histórias acontecendo também.”

Bons números na balança comercial ajudam a tornar as contas externas mais saudáveis de um país. Isso é especialmente importante no caso da economia brasileira, que tem um déficit estrutural nas contas de serviços e de renda.

Ou seja, o País envia dólares ao exterior para pagar serviços importados e para enviar lucros e dividendos de companhias. Um saldo positivo na balança comercial ajuda a compensar essas saídas de recursos e deixa as contas externas do Brasil mais equilibradas.

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Saldo da balança comercial revisado para cima

O bom desempenho da balança comercial da primeira metade do ano tem desencadeado revisões para cima na projeção para o saldo comercial do País. Na primeira metade do ano, o superávit foi de US$ 42,3 bilhões — o segundo melhor resultado para o período.

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Em sua mais recente revisão, o Mdic passou a prever um resultado positivo de US$ 90 bilhões para este ano – a projeção anterior era de superávit de US$ 72,1 bilhões. Se esse número se concretizar, o Brasil deve ter o segundo maior saldo comercial já registrado. Ficará atrás apenas do desempenho de 2023, quando o superávit comercial foi de quase US$ 99 bilhões.

“A nossa projeção é de que as exportações sigam rodando em patamar recorde ao longo deste ano”, diz Júlia, do Itaú. O banco aumentou a projeção de superávit da balança comercial de US$ 75 bilhões para US$ 80 bilhões. Um dos fatores que motivou essa revisão foi a expectativa de preços maiores para o petróleo.

“No início do ano, a nossa projeção era de um preço do petróleo de US$ 65 por barril ao fim de 2026. Agora, vemos um preço mais alto do que antes do conflito. Hoje, a nossa projeção é de um petróleo a US$ 80. Isso explica esse saldo comercial mais alto do que o projetado antes”, afirma a economista do Itaú.

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Expectativa de baixo impacto com novo tarifaço

Nesta quarta-feira, 15, termina o prazo para a decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros, apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), como forma de compensar os “atos, políticas e práticas incoerentes” do País que “oneram ou restringem o comércio” americano.

Um show coletivo da Espanha - Tostão ,FSP

 A Espanha está na final. A equipe anulou o poderoso time francês por meio da posse de bola e da troca de passes, como costuma fazer. Mais que isso. Quando não tinha a bola, se posicionava muito bem, alternando a pressão para recuperá-la rapidamente, com a marcação mais recuada para fechar os espaços.

A França não teve uma única clara chance de gol. A Espanha fez dois gols: um de pênalti, outro após uma bela troca de passes. E teve oportunidades para fazer o terceiro gol. Foi uma aula, um show coletivo, com ótimas atuações individuais, especialmente do meio-campista Rodri. A França decepcionou mais pela atuação coletiva da Espanha do que pela falta de inspiração de seus craques.

Rodri é o pêndulo, elo entre o meio-campo e o ataque. Ele se movimenta de um lado a outro da própria intermediária e inicia as jogadas com um ou dois toques na bola e passes precisos. Raramente erra um passe, pois não tenta o passe impossível. Quando é necessário, dá excelentes passes longos, de um lado para o outro ou para a frente. Craque não é só quem faz muitos gols.

Além de Rodri, a Espanha tem dois excepcionais meio-campistas: Fabián Ruiz, que iniciou o jogo, e Pedri, que entrou no segundo tempo. Isso é uma das principais deficiências da seleção brasileira, não ter um grande craque no meio-campo.

A derrota da França não diminui a qualidade de seus jogadores ou da equipe. A multicultural França passou a ter grandes jogadores por causa das escolinhas nas periferias, com a presença de um grande número de imigrantes e pela eficiência do projeto esportivo do Centro Nacional de Futebol, em Clairefontaine. O excepcional futebol francês não existe por acaso.

A Espanha vai enfrentar na final o vencedor entre Inglaterra e Argentina. As duas seleções não tiveram grandes atuações, mas, graças aos craques, à força coletiva, à capacidade de superar as dificuldades e ao acaso, são candidatas ao título. Não há favorito. São equipes diferentes no desenho tático e na estratégia.

A Inglaterra joga com quatro defensores, dois meio-campistas, um meia-atacante centralizado (Bellingham), dois pontas rápidos e dribladores e um centroavante (Kane), que se movimenta por todo o ataque. Já a Argentina atua com quatro defensores, quatro no meio-campo e dois atacantes pelo centro (Messi e Álvarez), sem pontas.

Enquanto a Argentina preenche mais o meio-campo para trocar passes e ficar com a bola, uma estratégia parecida com a da Espanha, até Messi recebê-la para acelerar em direção ao gol, a Inglaterra prioriza as transições rápidas e os lançamentos longos.

Por causa da enorme rivalidade, da Guerra das Malvinas e de jogos históricos —como no Mundial de 1986, quando Maradona fez dois gols inesquecíveis, um driblando vários adversários, até o goleiro, e outro com a malandragem de usar a mão—, os argentinos esperam uma grande vitória e uma excepcional atuação de Messi para homenagear Maradona. As comparações entre os dois fenômenos serão ainda mais frequentes.

Messi, por ter uma longa, espetacular e regular carreira, é mais craque. Mas os momentos deslumbrantes de Maradona são mais empolgantes e artísticos que os maiores de Messi. O craque atual representa a realidade, a razão, o máximo possível de ser feito, enquanto o grande Maradona simboliza a paixão, o tango, o trágico e o sonho impossível.

Muitos argentinos gostam mais de Maradona porque ele representaria a ambição, a inconsistência, a esperteza e a loucura humana.