terça-feira, 14 de abril de 2026

Motoristas e entregadores de aplicativos fazem protestos em vários estados, FSP

 Gabriel Serpa

São Paulo

Entregadores e motoristas de aplicativos participam de protestos em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Recife (PE) e Natal (RN) nesta terça-feira (14) em protesto contra o projeto de lei que busca regulamentar o trabalho por apps, PLP 152/2025. Os trabalhadores fazem carreatas e fizeram ato em frente ao Congresso Nacional.

A paralisação na capital paulista começou na praça Charles Miller, em frente ao estádio do Pacaembu, a partir das 10h. Segundo organizadores do evento e funcionários da GCM (Guarda Civil Metropolitana) que estavam no local, havia cerca de 1.500 manifestantes. De lá, os trabalhadores seguiram em direção à avenida Paulista.

Um dos pontos de embate é a definição da taxa mínima de entrega de R$ 8,50 estabelecida no projeto de lei, inferior à reivindicada pela categoria, de R$ 10. A votação estava prevista em comissão especial para esta terça, mas foi adiada a pedido do governo.

Grupo de manifestantes bloqueia rua com pneus em chamas durante protesto noturno. Pessoas vestem coletes refletores e seguram faixas ao fundo.
Protesto de motoboys para bloquear a avenida Indianópolis, na zona sul de São Paulo, na manhã desta terça-feira (14) - Danilo Verpa/Folhapress

Procurada, a Amobitec (Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia) —que representa as plataformas responsáveis por serviços de transporte e entrega, como Uber e iFood— afirmou que identifica pontos no PL 152 que precisam de aprimoramento, como a taxa mínima de serviço, que "podem afetar o equilíbrio entre oferta e demanda, a renda dos trabalhadores e o acesso da população aos serviços".

Apesar disso, diz que reconhece avanços no relatório e se coloca à disposição para contribuir na regulamentação. "A Associação reitera seu compromisso de participar ativamente do debate e de colaborar para soluções que sejam positivas para todos os brasileiros", diz.

Pessoas relataram dificuldades em acessar transportes por aplicativo nesta manhã, com relatos nas redes sociais. A consultora Cristiane Raso, 55, moradora da zona sul de São Paulo, diz que hoje era seu dia de rodízio, o que a impediu de usar seu carro. "Fiquei meia hora esperando o Uber, mas desisti. Nenhum apareceu", afirma.

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O motoboy Altemirson do Nascimento, 60, participou da manifestação mesmo sem fazer parte de algum sindicato. "Esse PL é maldoso. Não fala das mulheres, não fala das bikes, quem tem de 18 a 21 anos não pode ingressar na plataforma para trabalhar", diz.

O motorista Bruno de Azevedo, 42, diz que a situação da categoria piorou nos últimos seis anos. "Bloqueio de motoristas, taxas maiores. E o PLP traz um monte de coisas que já existem, não resolvem nada."

Elton Benedito, 54, é motorista em Mogi das Cruzes (SP) há três anos. "Eu já cheguei a sair meio-dia de um domingo e voltar para casa só 7h da manhã da segunda. O Uber já me tirou metade do valor da corrida".

Mais cedo, dez motoboys fecharam uma parte da avenida Indianápolis, na zona sul, em frente à sede do Republicanos, partido de Augusto Coutinho, relator do PLP e atearam fogo a pneus, bloqueando as faixas em dos sentidos da avenida 23 de Maio.

O protesto, promovido pelo Movimento dos Trabalhadores sem Direitos, começou às 6h da manhã e durou 15 minutos. Integrantes do movimento dizem que uma manifestação semelhante também foi realizada no Recife (PE), nesta manhã.

No Rio de Janeiro, uma manifestação foi marcada com concentração a partir das 7h desta terça nas proximidades do aeroporto Santos Dumont, na região central. Motoristas faziam uma fila de carros no começo da manhã, antes de saírem em carreata.

Em Brasília (DF), onde estava prevista uma carreata até o Congresso Nacional, o movimento foi baixo e não teve participação de autoridades, mas chegou a causar engarrafamento.

Carro branco Volkswagen com a mensagem 'NÃO À 2152' escrita no para-brisa. Pessoa estende o braço pela janela direita fazendo gesto de dedo indicador para cima. Outros veículos e motocicletas aparecem ao fundo em via urbana.
Motoristas de aplicativo protestam em Brasília contra o PLP 152, projeto de lei que regulamenta a profissão de motorista e entregador de aplicativos - Pedro Ladeira/Folhapress

A versão mais recente do projeto considera motoristas e entregadores "trabalhadores autônomos plataformizados", sem vínculo empregatício com as empresas. Além disso, as plataformas seriam consideradas "intermediárias" entre autônomos e usuários. Na versão anterior do projeto, elas eram classificadas como "empresas de transporte", o que poderia aumentar a incidência de impostos sobre as operações.

As entidades representantes dos motoristas dizem que o novo relatório beneficia as plataformas e precariza o trabalho, e defendem a classificação da categoria como "motorista por aplcativo de transporte".

Leandro Cruz, presidente do Stattesp (Sindicato dos Trabalhadores com Aplicativos de Transportes Terrestres Intermunicipal do Estado de São Paulo), afirma que os termos negociados com o deputado Augusto Coutinho foram ignorados no texto mais recente: "O que já tínhamos avançado em dezembro, ele jogou fora".

Gilberto Almeida dos Santos, presidente do Sindimoto-SP, considera a regulamentação importante, mas diz que o projeto precisa de alterações. "Se passar da forma que está, vai ser um retrocesso para os trabalhadores".

Coordenadora do Movimento dos Trabalhadores sem Direitos, Luciana Mendonça afirma que os motoristas e entregadores são trabalhadores invisíveis. "O aplicativo é uma forma moderna de escravidão. Ele manipula, o algoritmo é quem comanda esse trabalhador, e a empresa fala que eles não são empregados, mas eles são monitorados 24 horas por essas plataformas".

Entre os itens questionados pelos trabalhadores está a cota máxima de 30% de ganhos para as plataformas, considerada muito alta por entidades como o Stattesp. "Se o CEO da Uber diz que cobra 20%, por que o PLP quer oficializar 30%?", diz a entidade em nota.

Outro ponto criticado são os recolhimentos para a cobertura previdenciária. As empresas estarão sujeitas a uma alíquota de 20%, enquanto os trabalhadores poderão sofrer desconto de 5% sobre um quarto da remuneração obtida.

"A gente não é contra a Previdência, todo mundo que se acidenta teria que ter direito, mas que seja paga pelos aplicativos. Pelo contrário, as plataformas querem que desconte dos motoristas", diz o presidente da AmaBR (Associação de Motofretistas de Aplicativos e Autônomos do Brasil), em vídeo publicado em suas redes sociais.

O PLP prevê seguro mínimo de R$ 120 mil para acidentes pessoais, o recebimento integral das gorjetas, o direito de recusar tarefas sem penalidades e a necessidade de pontos de apoio com banheiros, refeitórios e áreas de descanso.

Em artigo publicado na Folha no domingo (12), o CEO do iFood, Diego Barreto defendeu o projeto de lei como a maior possibilidade de inclusão previdenciária no Brasil desde a criação do MEI, mesmo dizendo que ele representaria uma despesa em torno de R$ 500 milhões apenas no ano que vem.

"O PLP 152 está muito longe do texto ideal, mas precisamos ser pragmáticos para passar a régua nessa discussão e darmos um passo à frente. A hora é agora", afirmou.

Nas redes, usuários comentam dificuldades de conseguir corridas e aumento de preços:

Porto investe R$ 7 milhões para ampliar negócio de reciclagem de carros, OESP

 Por Alexandre Rocha (Broadcast)

O plano da empresa é chegar a um crescimento anual de 20% na receita
O plano da empresa é chegar a um crescimento anual de 20% na receita Foto: Gladstone Campos /Renova Ecopeç

A Porto investiu R$ 7 milhões na ampliação de sua empresa de reciclagem de veículos, a Renova Ecopeças, que espera aumentar o faturamento de R$ 70 milhões, em 2025, para R$ 80 milhões em 2026. A ideia, contudo, é chegar a um crescimento anual de 20% na receita. A companhia dobrou a área destinada à operação, na Vila Jaguara, zona oeste de São Paulo, para 9,5 mil m², e o espaço para armazenagem de peças, que agora comporta 40 mil itens. As novas instalações serão inauguradas oficialmente nesta terça-feira, 14.

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O local passa a ter capacidade para desmontar 10 mil carros por ano, mas isso não vai ocorrer imediatamente. Em 2025, foram processadas 3,4 mil unidades, e a expectativa este ano é chegar a 4 mil veículos, segundo o diretor da Porto Serviço, responsável pela Renova Ecopeças, Daniel Morroni. O plano é aumentar conforme a demanda.

“De 2023 a 2025, nosso faturamento cresceu 70%. Nós conseguimos crescer de maneira orgânica, mas precisamos de demanda”, disse ele à Coluna. O executivo avalia que o maior volume e diversidade do estoque vão contribuir para o aumento da procura. Morroni acrescenta que a capacidade de vendas da empresa dobrou, por isso a expansão se tornou necessária. A comercialização das peças é feita por canais digitais e por uma loja física no local.

Peças são até 70% mais baratas

“O objetivo da Renova é tornar as peças originais mais acessíveis, reduzir o impacto ambiental, e também roubos e furtos”, afirmou. De acordo com ele, as peças usadas são de 60% a 70% mais baratas que as novas. A matéria-prima são carros batidos de “grande monta” que vêm majoritariamente da seguradora da Porto, mas também de compras, leilões e doações de empresas que querem fazer o descarte correto de seus veículos.

O carro é descontaminado, ou seja, são retirados todos os gases, óleos e combustível, depois é desmontado e as peças reutilizáveis são lavadas, fotografadas e colocadas à venda. Segundo Morroni, os itens são rastreáveis e têm garantia de 90 dias. Ele diz que geralmente 85% das peças são recuperáveis, e os 15% restantes, majoritariamente metais, são vendidos como sucata.

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“O mercado de peças usadas ainda é pouco desenvolvido no Brasil”, declarou. Ele diz que o segmento responde por 1,5% a 2% do mercado, sendo que em países como Estados Unidos e Japão, chega a 95%. Para complementar a oferta, a Renova pretende abrir uma loja de produtos novos ao lado de suas instalações, para vender itens que não são reutilizáveis, como filtros e lubrificantes.

Morroni conta que 50% da clientela é composta por oficinas mecânicas e 50% por consumidores finais, que compram principalmente por meios eletrônicos, como no próprio site da empresa, em marketplaces e via WhatsApp. Ele informa ainda que 40% das vendas são feitas pelos canais digitais e 60% pessoalmente. A Renova foi fundada há 13 anos e conta com 110 colaboradores.

Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 14/04/2026, às 08:00

Articulação do governo Lula com STF para derrubar relatório troca 2 integrantes de CPI, FSP

 Catia Seabra

Brasília

Uma articulação feita em conjunto pelo governo Lula (PT) e por ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), com a participação do presidente do SenadoDavi Alcolumbre (União Brasil-AP), pode derrotar o relatório da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado que propõe o indiciamento dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de MoraesDias Toffoli e Gilmar Mendes.

Como mostrou a Folha, a conta do governo era de que o relatório poderia ser aprovado por 6 votos a 5.

Em uma operação contrária ao relatório apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), dois membros da CPI foram trocados às vésperas da votação na tarde desta terça-feira (14). Nomes de oposição e adversários do STF foram substituídos por nomes governistas, que tendem a blindar os ministros.

Quatro homens sentados em mesa de reunião com microfones e placas de identificação. Fundo com padrão geométrico em tons neutros. Dois homens de costas observam a mesa.
Os senadores Hamilton Mourão, Alessandro Vieira e Fabiano Contarato durante a sessão da CPI para ouvir o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues - Gabriela Biló - 18.nov.25/Folhapress

Saíram os senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES). Eles foram substituídos por Teresa Leitão (PT-PE) e Beto Faro (PT-PA).

As vagas das CPIs no Senado são divididas entre os blocos parlamentares, que são blocos formados por partidos, seguindo um critério de proporção de vagas segundo o número de senadores de cada bloco. Quem determina quais senadores vão compor as vagas de um determinado bloco é o líder desse bloco.

No caso da CPI do Crime Organizado, o bloco formado por MDB, PSDB, Podemos e União Brasil é que promoveu as trocas entre seus membros, indicando dois nomes do PT —partido que sequer compõe o bloco. A escolha dos nomes, porém, é uma deliberação livre do líder, e mesmo senadores de outros partidos podem ser indicados.

O líder do bloco era o senador Efraim Filho (PB), mas ele trocou, recentemente, o União Brasil pelo PL e consequentemente deixou a liderança. Diante disso, o MDB passou a ser o maior partido do bloco e as trocas, então, foram solicitadas pelo líder do partido e vice-líder do bloco, Eduardo Braga (AM), que é próximo de Alcolumbre e governista.

De acordo com relatos feitos à reportagem, Alcolumbre atuou diretamente para que o relatório seja rejeitado e teve o apoio de alguns líderes partidários.

No governo Lula, a avaliação foi de que Vieira agiu com motivação eleitoral —o senador deve disputar a reeleição em outubro. Integrantes do governo também criticaram o fato de o relator não ter incluído em seu relatório o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, políticos ligados a ele e criminosos comuns.

Como mostrou a FolhaVieira deixou de fora o indiciamento de facções, congressistas, empresários e crimes comuns no relatório. Ele afirmou se tratar de uma escolha técnica. Além de Vorcaro, não há, por exemplo, imputações de crimes a políticos como Antônio Rueda, do União Brasil, e Ciro Nogueira, do PPque confirmaram ter relações pessoais com o ex-banqueiro.

Até agora, os governistas formaram maioria na CPI, que tem como presidente o senador Fabiano Contarato (PT-ES). Esse grupo aprovou na CPI quebras de sigilo e convocações de testemunhas que implicaram ministros do STF no Master.

Por isso, para integrantes da oposição na CPI, os governistas terão que escolher entre manter o apoio que deram à investigação e a Vieira —e, portanto, aprovar o relatório— ou blindar o STF e colher o desgaste com a opinião pública.

aprovação do relatório não significa, porém, que os ministros do STF vão sofrer um processo de impeachment no Senado, como propõe Vieira. Isso depende de uma decisão da presidência da Casa, que pode determinar ou não a abertura de um processo de afastamento por crime de responsabilidade. Alcolumbre sempre deu sinais de que é contra a abertura de impeachment.

No relatório, Vieira afirma que Moraes e Toffoli agiram "de modo incompatível" com a honra, a dignidade e o decoro de suas funções devido à relação mantida com o Banco Master. No caso de Gilmar, ele aponta que o ministro teria suspendido quebras de sigilo da CPI para proteger os colegas.

A CPI foi criada originalmente para investigar o crime organizado e a atuação de facções no país, especialmente ligadas ao narcotráfico. No entanto, os senadores passaram a usar a comissão para driblar as resistências à criação de uma CPI para investigar o Banco Master e suas relações com autoridades, em especial ministros do STF.