sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

A Disney quer mudar a forma como as pessoas vivem, The News

 

MUNDO

(Imagem: Disney | Reprodução)

Storyliving. A empresa onde os sonhos se tornam realidade pretende ir um pouco além dos parques temáticos e anunciou que irá criar bairros residenciais, para que as pessoas possam ter a experiência Disney nesse novo formato.

Como vai funcionar? A ideia inicial é criar um resort de luxo disfarçado de bairro de uma cidade pequena — já vamos explicar. O primeiro projeto será feito na Califórnia, na cidade de Rancho Mirage, que possui cerca de 20 mil habitantes.

  • Serão 2,5 milhões de metros quadrados e 1.900 unidades habitacionais — leia-se casas, para simplificar;

  • Um grande lago com aproximadamente 9 hectares — 90 mil metros quadrados ou 10 campos de futebol;

  • Espaços comuns para interação, tais como restaurantes, bares, praças e um clube.

  • Tudo isso com a experiência, algumas atrações e o jeito Disney de encantar.

Just like the parks… O público poderá visitar o complexo chamado “Cotino”, desde que compre passes diários — como já acontece nos parques. Uma parte do local, no entanto, será reservada para moradores, incluindo uma área exclusiva para quem tem 55 anos ou mais.

PS: A construção e a venda dos imóveis serão realizadas por uma empresa terceirizada, que já está desenvolvendo o projeto junto com a Disney. A data de construção e preço ainda foram anunciados, mas o anúncio e site oficial estão aqui.

Já que falamos no setor imobiliário norte-americano… 🇺🇸

A cidade de Miami, na Flórida, acaba superar Nova York e se tornou o lugar com o imobiliário mais caro dos Estados Unidos.

Só para se ter uma ideia, imagine que uma família com renda mensal média em MIA tem que desembolsar quase 70% de sua renda para conseguir morar na cidade.

Por que olfato é o sentido mais importante para nossas emoções, FSP- BBCNews

 


Rafael Tonon
SÃO PAULO | BBC NEWS BRASIL

Quando começou a pesquisar sobre o impacto do olfato na nossa vida, o cientista Harold McGee não tinha nem ideia de que a maior pandemia pela qual a humanidade passaria em séculos poderia colocar em risco justamente nossa capacidade de sentir cheiros —e, consequentemente, sabores.

Ele, que passou as últimas décadas aprofundando os conhecimentos da relação da comida com a ciência, tornando-se um dos maiores especialistas na química dos alimentos (com pesquisas e livros publicados em diversos países), começou a se questionar como as moléculas que entram pelo nosso nariz poderiam ser tão importantes para entender o mundo à nossa volta.

Imagem em primeiro plano mostra duas mulheres com os olhos fechados próximo a uma árvore
Cheiros são compostos voláteis que se desprendem das coisas - Getty Images

O cheiro de mar, aquele prazer do café coado pela manhã que domina a casa, o delicioso odor que sai do forno avisando que tem bolo na casa da vó. "Comecei a pensar nisso em 2007, sobre como nos aprofundamos tão pouco sobre um sentido que é capaz de nos transportar para tão boas memórias e sensações", conta.

Algo que a Covid só tornou ainda mais relevante, com muitas pessoas a desenvolverem sintomas de anosmia quando acometidas pela doença. "Não poder sentir aromas deixou muita gente abalada. Até porque não sabíamos —e ainda não sabemos, na verdade— os efeitos dessas perdas a médio e longo prazo", afirma.

Ele começou a escrever o livro "Nose Dive - A Field Guide to the World's Smells" (ainda sem edição em português) após três anos, mas que só veio a ser publicado uma década depois. "Há poucas referências bibliográficas sobre o tema. Para ir mais profundamente, precisei pesquisar muito", explica.

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Para McGee, é até surpreendente que nossa sociedade moderna (principalmente a ocidental) tenha negligenciado tanto a importância do olfato. "Quando respiramos —algo que temos que fazer muitas vezes por minuto— estamos absorvendo as moléculas do mundo ao nosso redor. Poucos sentidos são mais íntimos que esse", afirma.

INSPIRAR EMOÇÕES

Um estudo da Universidade de Utrecht, na Holanda, concluiu que o olfato também é o sentido que desperta mais memórias emocionais —segundo os especialistas, a proximidade entre o centro de processamento de cheiros e regiões que controlam emoções e memórias no cérebro seria a principal razão para essa relação.

"Não a toa, durante a nossa infância, quando experimentamos, por exemplo, o cheiro de comida sendo preparada pela nossa mãe, que é uma pessoa determinante para nossa existência, nosso cérebro registra este momento e esse cheiro vai estar sempre associado com conforto e cuidado, com amor e segurança", explica McGee.

Imagem em primeiro plano mostra homem grisalho e de óculos posando para foto
Harold McGee pesquisa a relação da comida com a ciência - Elli Sekine

De forma inversa, segundo ele, se temos experiências assustadoras ou em que estamos momentaneamente em perigo e há um cheiro predominante no ambiente, esse aroma vai ser um gatilho negativo e senti-lo vai nos causar sempre grande desconforto. "Para mim, que moro na Califórnia, o cheiro de madeira queimando sempre foi muito reconfortante, pois me remetia o calor da lareira nos dias mais frios", conta.

Mas desde que os incêndios passaram a tomar o estado nos últimos anos, esse cheiro ganhou um significado totalmente diferente para o cientista. "Mal posso senti-lo, fico paralisado", desabafa. "Nosso cérebro está constantemente percebendo o que se passa no mundo ao nosso redor, interpretando e fazendo associações com base nas experiências que acumulamos. O olfato é um importante aliado para nossa mente organizá-las", detalha.

Na nossa história evolutiva, os cheiros nos ajudaram a preservar nossa existência ao nos permitir perceber os perigos que podíamos encontrar —fosse em um alimento estragado ou até na presença de um predador e no vazamento de um botijão de gás. Mas com as tecnologias, fomos deixando de lado esse instinto (que por vezes passamos a disfarçar com fragrâncias e perfumes para cobrir os cheiros naturais) e dando mais atenção a outros.

O desenvolvimento da música, das artes, da literatura e até da gastronomia são provas de como outros dos nossos sentidos (como visão, audição e paladar) conquistaram maior importância entre nós. "O olfato ficou como um sentido secundário", afirma.

Imagem em primeiro plano mostra três pessoas com a cabeça inlcinada e o nariz próximo a potes que estão sobre uma mesa
A perda do olfato pode levar a mudanças significativas na estrutura do cérebro - Gabrielle Lurie/ Getty Images

CHEIRO QUE NOS INVADE

De forma bem resumida, os cheiros, ele explica, são compostos voláteis que se desprendem das coisas e entram no nosso corpo, acessando nosso cérebro. Quando folheamos um livro, por exemplo, uma variedade de polpa de madeira e fibras de papel se desprendem das páginas para entrar pelas nossas narinas.

Como respirar é um ato fisiológico e, portanto, obrigatório, não podemos evitar sentir o cheiro das coisas —bons e ruins, claro. Mas como também é um ato automático, nem sempre prestamos tanta atenção a esses odores que nos invadem. "Nos atraímos por perfumes e fragrâncias apenas, quando o cheiro, na verdade, é uma chave para entendermos o que está à nossa volta, das relações afetivas aos prazeres da mesa", explica.

Nesse sentido, aliás, o próprio sabor tem nos aromas um componente fundamental para sua percepção. O paladar propriamente dito, é o que que acontece na nossa língua e envolve poucas sensações: doce, azedo, amargo, umami, salgado e assim por diante. Mas não há "gosto" sem levarmos em conta o que se passa no nosso nariz.

"E aí, o número de sensações possíveis é tremendo. São dezenas de milhares de combinações que o cheiro agrega ao gosto, porque ele representa muitas mais possibilidades", ele explica. O café, por exemplo, pode ter 800 moléculas voláteis de aromas diferentes depois de torrado.

"A razão pela qual o cheiro é tão poderoso é que ele é a nossa ponte entre o que está acontecendo em nossas línguas enquanto comemos e o que está no mundo. Nosso cérebro está constantemente comparando o que temos na boca com o que ele sabe sobre o que está lá fora, criando um riquíssimo banco de dados", detalha.

Por isso é que sommeliers, chefs e outros profissionais da alimentação insistem sobre a importância dos aromas. Senti-los mesmo antes de comer pode abrir novas percepções sobre o prato de comida ou o vinho que estamos dispostos a provar.

AROMAS "CONTROLADOS"

Segundo McGee, a recente valorização do olfato começou, entretanto, antes da pandemia. Ele acredita isso é consequência direta dos processos de industrialização e urbanização, que padronizaram cheiros sob o argumento de eles seriam melhores para nós, representando uma melhor higiene e conforto —do odor do desinfetante (sempre entre o pinho e o cítrico) até os cheiros reconfortantes, como o tutti-fruti que nos remete a infância ou a erva doce dos sabonetes com os quais usualmente lavamos as mãos. "Os cheiros 'controlados' nos ofereceram uma sensação de segurança", ele diz.

Mas o resgate de alimentos fermentados (de molhos como o garum a picles) e uma recente apreciação de queijos artesanais e vinhos sem intervenções e com todos os seus aromas naturais são exemplos de como as pessoas estão mais abertas e curiosas sobre os cheiros de verdade —especialmente se forem fortes e pungentes, algo que historicamente aprendemos a cindir.

Para o processo do livro, McGee conta que desenvolveu o seu olfato com a ajuda do tabaco (que não fuma, mas que sempre o intrigou). "Da fumaça às folhas fermentadas, as nuances de aromas são muitas e muito ricas. Quando uma pessoa fuma, existem muitas moléculas compartilhadas, não apenas da fumaça, mas da própria folha usada", analisa.

Para o cientista, tendemos a criar uma melhor relação com o nosso entorno se pudermos interpretá-lo a partir de seus muitos cheiros. A sua dica é prestar atenção nos aromas que nos surpreendem durante o dia todo. "Não tenho dúvida de que, especialmente depois da Covid-19, estamos voltando a descobrir a ampla gama de possibilidades aromáticas que podemos desfrutar e o valor que elas têm para nossas emoções", conclui. Prazeres que estão literalmente diante dos nossos narizes.

Polícia investiga relação de deputado petista com empresário da saúde, OESP

 Luiz Vassallo, Marcelo Godoy e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2022 | 05h00

Polícia Civil de São Paulo investiga as relações do deputado estadual José Américo (PT) com o empresário Paulo Cesar de Souza Brittes, que trabalhou como assessor parlamentar do petista. Brittes é dono de empresa citada no inquérito sobre fraudes de Organizações Sociais de Saúde do médico Cleudson Garcia Montali. Além de Américo, a polícia apura as ligações dos deputado estadual Rodrigo Gambale (PSL) e do deputado federal licenciado Sival Malheiros (Podemos-SP) com Cleudson.

O médico foi condenado em dois processos a penas que, somadas, chegam a 200 anos de prisão. Ele foi o principal alvo da Operação Raio X, que investigou fraudes em hospitais de 27 cidades em quatro Estados. No caso de José Américo, chamou a atenção dos policiais o fato de o petista ter integrado a CPI das Organizações Sociais da Assembleia, assim como o deputado Carlão Pignatari (PSDB) – que foi flagrado em conversas com Cleudson sugerindo ao médico que assumisse a administração de hospitais em Santa Fé do Sul e de Ferraz de Vasconcelos.

A foto de José Américo – ex-presidente do diretório municipal do PT e ex-presidente da Câmara Municipal – foi incluída no Evento 242, seção do inquérito que apura as empresas que, contratadas pelo grupo, devolviam parte dos recursos recebidos para os integrantes da organização. Lá também está a informação de que a CPI ouviu o depoimento de Cleudson em 1.º de agosto de 2018, quando o médico negou as suspeitas de irregularidades

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Etapa da Operação Raio X no interior paulista, em setembro de 2020. Foto: Wagner Souza/Futura Press - 29/9/2020

“Ele (Brittes) foi meu assessor na zona norte de São Paulo, até 2017. Ele saiu do gabinete para trabalhar como executivo de uma OS de Barueri, antes da CPI. Depois nunca mais tive notícias dele”, afirmou o deputado. O caminho feito pela polícia até o nome de José Américo começou pelos fornecedores do chamado projeto Birigui.

Foi ali que verificaram que a empresa de Brittes recebia R$ 167 mil por mês e devolvia, segundo anotações apreendidas pelos investigadores, de R$ 6 mil a R$ 120 mil à organização criminosa. Tudo registrado em anotações feitas por Márcio Takashi Alexandre, apontado como responsável pelos pagamentos da quadrilha.

Os policiais escreveram: “Sabendo do modus operandi da Orcrim que se vale de supostos fornecedores de serviços para obterem retorno do dinheiro público, procuramos na lista de prestadores de serviço da filial da Orcrim em Barueri algum nome semelhante ao que consta da anotação e achamos a empresa Brittes Odonto Medics Prestação de Serviços Médicos e Odontológicos Ltda”.

O empresa informa como atividade o atendimento em pronto-socorro e hospitais de urgência. Sua sede seria no bairro de Santa Teresinha, na zona norte de São Paulo. Os investigadores verificaram que o endereço era o mesmo da residência do empresário, que é dentista. O imóvel, segundo a polícia, é “uma casa simples, sem qualquer indicação de que ali funcione uma empresa”.

Brittes viajou em agosto de 2019 para o Pará, onde Cleudson administrava hospitais. O médico pretendia ampliar a participação do empresário no grupo. Brittes esteve em reuniões na Secretaria da Saúde do Pará para a assinatura de contratos, que foram alvo da Operação SOS, da Polícia Federal.

Gambale

No caso do deputado do PSL, os investigadores suspeitam de sua ligação com tratativas para que o grupo de Cleudson assumisse o Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos. Além disso, a polícia interceptou conversas de Ricardo Bracale, assessor de Malheiros. Segundo a polícia, tanto Bracale quanto Malheiros mantinham relação próxima com Cleudson e, conforme mostram diálogos telefônicos, “Bracale participa de vários encontros com membros da Orcrim”. Bracale teria passado a Márcio a conta do filho para receber depósitos da organização.

Ele enviou ainda a Márcio a notícia da liberação de recursos de emendas parlamentares para Birigui e Pacaembu. Imediatamente, Márcio repassou a informação para Jackson Carlos dos Santos, assessor de Gambale. O material foi incluído no inquérito na seção que apura o repasse de emendas parlamentares à organização criminosa. O Estadão procurou Gambele e Malheiros e seus assessores, mas não obteve resposta até a conclusão desta edição.