sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Risco climático acelera aposta de investidores em edifícios cada vez mais ‘verdes’, OESP

 The New York Times, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2021 | 05h00

Quando a incorporadora Lendlease inaugurar seu complexo residencial e de escritórios de US$ 600 milhões em Los Angeles, previsto para 2025, o local terá as características típicas do desenvolvimento sustentável: proximidade a uma parada de metrô, uma torre residencial totalmente elétrica, painéis solares e uma praça para pedestres.

Mas esses recursos são considerados comuns hoje em dia. O que torna este projeto mais impressionante é como a sustentabilidade não é simplesmente um item de bem-estar ou uma lembrança da responsabilidade corporativa, mas uma característica fundamental de seu plano de financiamento. 

“Já estávamos fazendo desenvolvimento sustentável antes que houvesse pressão dos investidores, mas agora essa pressão é real”, disse Sara Neff, chefe de sustentabilidade para a região das Américas na Lendlease.

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O parceiro investidor da empresa para este projeto, a Aware Super, acompanhará o desempenho ambiental e as métricas, incluindo eliminação das emissões dos moradores através da aquisição de energia 100% renovável.

O projeto faz parte de um maior movimento de investidores direcionando dinheiro para imóveis sustentáveis, graças a novas tecnologias e padrões mais rígidos que permitem um melhor rastreamento da capacidade de um empreendimento de reduzir sua pegada de carbono.

Outros participantes do setor incluem Hudson Pacific Properties, dona da Epic, uma torre de escritórios com painéis solares em Hollywood, ocupada pela Netflix. E a Prologis, gigante industrial internacional, vende títulos verdes que financiam a construção de armazéns mais sustentáveis. 

Sustentável
Erguida em Hollywood, nos EUA, a torre de escritórios Epic usa painéis para captar a energia solar Foto: Hunter Kerhart/The New York Times

Mudanças climáticas

Imóveis sustentáveis não são uma ideia nova. O Green Building Council tem promovido um desenvolvimento mais eficiente por quase três décadas através da certificação LEED, seu padrão para a sustentabilidade da construção.

O que mudou nos últimos anos é a percepção do risco associado às mudanças climáticas, levando investidores a direcionar o dinheiro para ativos verdes mais seguros e de alto desempenho. Novas ferramentas e padrões de medição os capacitam a elevar o padrão de desempenho ambiental e econômico.

“A contagem de carbono e o foco no carbono definirão a próxima década, sem dúvida”, disse Dan Winters, chefe para a região das Américas da GRESB, uma referência de sustentabilidade imobiliária usada para analisar US$ 5.3 trilhões em ativos em nível global.

Relatórios cada vez mais terríveis sobre desastres naturais mais frequentes – como enchentes e ventos fortes do furacão Ida, que causou cerca de US$ 27 bilhões a US$ 40 bilhões em prejuízos materiais no final de agosto e início de setembro, de acordo com a empresa de dados CoreLogic – vem insistindo para o entendimento de que a mudança climática está afetando o setor imobiliário muito mais cedo do que o esperado. Oitenta e oito por cento das grandes empresas já tiveram um ativo material, como um escritório ou depósito, afetado por condições meteorológicas extremas, de acordo com a Cervest, uma plataforma de IA que monitora o risco climático corporativo.

Bolsa

As incorporadoras estão vendo uma fome crescente por investimentos que se concentram em três áreas – ambiental, social e governança –, uma tendência que está canalizando capital muito importante.

Os fundos mútuos e os fundos negociados em Bolsa investiram quase US$ 300 bilhões em ativos sustentáveis globalmente em 2020, quase o dobro do ano anterior, de acordo com a BlackRock, a maior administradora de ativos do mundo. Em abril, a Invesco iniciou um fundo negociado em Bolsa para edifícios verdes, e um fundo imobiliário verde semelhante iniciado pela Foresight no ano passado mostrou retornos de dois dígitos.

“Cinco ou dez anos atrás, houve muito debate sobre sustentabilidade, de que ‘É bom, mas eu não quero pagar por isso’”, disse Stephen Tross, diretor de investimentos internacionais da Bouwinvest, empresa holandesa de investimentos que administra cerca de US$ 17 bilhões em ações com participações significativas na América do Norte. “Hoje, não se sacrifica retorno pela sustentabilidade, cria-se retornos com sustentabilidade.”

O surgimento de novas regulamentações – Nova York aprovou uma lei em 2019 exigindo que proprietários de edifícios reduzam suas pegadas de carbono e o estado de Massachusetts, recentemente, aprovou uma lei semelhante – aumenta o risco do não investimento em novos empreendimentos sustentáveis. / TRADUÇÃO DE ANNA MARIA DALLE LUCHE

Árvores solares brotam por SP e cidades vizinhas, Um só Planeta

 

Fonte: Um só Planeta - 17.11.2021
Divulgação
São Paulo - Já viu uma árvore toda tecnológica que gera energia elétrica? No lugar das copas e galhos, "folhas" com placas fotovoltaicas. Os postes com formas orgânicas servem como pontos para recarga de aparelhos eletrônicos, como celulares e tablets.

Medindo cerca de três metros de altura e pouco mais de quatro de largura cada, as estruturas possuem cinco saídas USB para uso público. Ao todo, oito exemplares estão sendo instalados em São Paulo e outras cidades paulistas.

Elas podem ser encontradas na Santa Casa de São Paulo (Higienópolis); no Parque do Povo (Itapecerica da Serra), duas no município de Rio Grande da Serra, sendo uma na unidade de pronto atendimento (UPA) e outra na prefeitura, além da Universidade Federal do ABC (UFABC), em Santo André. Outras duas serão instaladas no Hospital das Clínicas de São Paulo.

A instalação das árvores solares está sendo feita pela concessionária de energia elétrica Enel e é financiada com recursos do Programa de Eficiência Energética (PEE), regulado da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Como a Trisul está adotando um jeito mais verde de construir, Canal executivo

 São Paulo - Com um conjunto de políticas e ações econômicas e sociais responsáveis, a sustentabilidade no meio imobiliário busca minimizar os impactos negativos ao meio-ambiente e à sociedade. Gerenciar os recursos de toda a sua cadeia produtiva, além de atuar de maneira transparente e responsável, é o desafio das construtoras. “Para nós, já é realidade adotar práticas, criar programas e ações que estabeleçam um padrão sustentável em nossos canteiros de obras e nas comunidades do entorno – tudo isso sem deixar de nos comprometermos com a melhoria do produto final”, afirma o diretor de engenharia da construtora e incorporadora paulista Trisul, Roberto Júnior.


A companhia adotou como política a preferência por canteiros sustentáveis e socialmente responsáveis. Para tanto, criou o Programa de Sustentabilidade das Obras (PSO), que, entre algumas das ações, estão compra de materiais sustentáveis, controle do ruído, uso racional da água e energia e gestão de resíduos em seus canteiros. A construtora reaproveita a massa respingada, faz destinação correta de latas de tintas, utiliza agregado reciclado e usa água de reúso para limpeza das obras. “Nossa meta é reciclar 100% dos resíduos de obra. Também promovemos a destinação correta de lâmpadas queimadas, fazemos a proteção de árvores da calçada, utilizamos redutores de vazão, realizamos a coleta seletiva com a comunidade e temos parcerias com cooperativas”, diz Roberto.

Parceria pioneira

Este ano, a Trisul iniciou, junto com a Placo e a Saint-Gobbain, um programa inédito para reduzir o descarte de gesso na construção. Também conhecida como construção a seco, a técnica utiliza placas em vez de alvenaria ou gesso em pó tradicional, trazendo versatilidade, além das vantagens de não utilizar água, acelerar as obras e de produzir menos resíduos. “O Drywall gera apenas 5% de resíduo, o que é 15% a menos do que na alvenaria, que no caso não será desperdiçado. A Trisul reaproveita tudo e agora, em parceria com a Saint-Gobain, somos pioneiros em reúso do gesso, ampliando a economia circular”, conta Roberto.

Neste processo, todos os resíduos de Drywall são coletados e armazenados em local específico nos canteiros, separados de outros materiais, como madeira, metais, papéis e plástico, e levados pela fabricante Placo para reaproveitamento em sua linha de produção. Os resíduos são levados para a reciclagem e então passam por um processo de trituração e remoção do papel. A técnica de reúso está sendo utilizada no empreendimento Sonare Pinheiros da Trisul. “Estimamos retornar à cadeira produtiva cerca de 80m³ do material residual de placas de gesso. Isso sem contar na antecipação de entrega ao cliente, que também é reduzida, já que a construção a seco demanda menos tempo”, afirma Roberto Júnior.

Certificações

A Trisul obtém certificação AQUA, que tem como principal objetivo promover edificações que, durante sua construção, vida útil e desconstrução, gerem baixos impactos ambientais, garantindo sempre o bem-estar, a saúde de seus usuários e a viabilidade econômica dos empreendimentos. E também é a primeira no Brasil a contar com o Selo Procel [Edificações] de eficiência energética em seus empreendimentos.

Na prática os benefícios e vantagens são diversos. “Para nossos clientes é a garantia de mais conforto e saúde com economia de água e energia, economia nas despesas de condomínio como água, energia, limpeza, conservação e manutenção. A conscientização e o menor impacto na vizinhança e na sociedade, com redução das emissões de gases de efeito estufa e da poluição, é também uma vantagem”, reconhece Roberto.

A valorização do empreendimento é outra vantagem. “Com as certificações e nossas políticas sustentáveis, obtemos um portfólio diferenciado no mercado, fazemos economia de recursos no canteiro de obra, construímos empreendimentos com alta qualidade ambiental, além do reconhecimento nacional e internacional”, conclui.

Crédito imobiliário verde

Também por conta das ações focadas na economia ambiental, a construtora obteve financiamento pelo Plano Empresário Verde do Itaú BBA, produto que é resultado de uma parceria do banco com a International Finance Corporation (IFC) e consiste em oferecer condições especiais de financiamento aos empreendimentos que atingirem economias de pelo menos 20% em água, energia e energia embutida em materiais.

O plano envolve também a capacitação técnica para incorporadoras imobiliárias clientes do banco e serviços de consultoria para identificação de oportunidades no mercado de edifícios sustentáveis. Inclui, ainda, a certificação EDGE, uma inovação da IFC que tem como base um software que fornece soluções técnicas para adaptar o projeto do empreendimento a uma construção verde, com resultados ambientais e financeiros. Com a certificação EDGE, os imóveis poderão utilizar uma placa de obra diferenciada, indicando que se trata de um empreendimento greenbuilding. “Há pelo menos 10 anos a Trisul vem investindo em novas tecnologias e em processos sustentáveis. As parcerias e certificações que recebemos até aqui mostram que estamos no caminho certo – o futuro da construção civil é verde”, finaliza Roberto.