quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A decisão corajosa do PT. Por Carlos Fernandes




Postado em 02 dez 2015
Congresso do PT na Bahia, em junho de 2015
Congresso do PT na Bahia, em junho de 2015
Napoleão Bonaparte uma vez disse que nada é mais difícil, e portanto, tão precioso, do que ser capaz de decidir. O Partido dos Trabalhadores tomou nesta quarta uma decisão de extrema coragem e importância cujas consequências, fosse qual fosse a opção, trariam sérios riscos ao futuro de um partido que possui raízes profundas fincadas na democracia brasileira.
Com a instalação do inquérito no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados que irá definir o destino político do presidente da casa, Eduardo Cunha, um caminho que sempre se mostrou tortuoso chegou ao instante que inapelavelmente se bifurca e onde apenas uma única vereda pode ser trilhada.
Dono de três votos vitais no conselho, que são determinantes para a permanência ou a extirpação da vida pública de um político que conseguiu a façanha mitológica de esfacelar de vez a autoridade moral e ética de um congresso já marcado historicamente pela sua completa falta de respeito e decoro com a república, o PT decidiu por honrar o seu legado, a sua militância e a vontade popular representada por 81% da população que deseja a cassação de Cunha.
Após uma longa reunião, a bancada do partido, que não escondia o receio das retaliações que se seguiriam, decidiu que os seus três votos serão unânimes pela cassação do parlamentar. Com isso, Cunha, que contabilizava cerca de 8 a 9 votos a seu favor, agora já dá como certa a sua derrota no processo que fatalmente o levará à perda do mandato.
Ninguém sai ileso ao ir de encontro à psicopatia de um sujeito covarde, dissimulado e chantagista como Eduardo Cunha. O que era previsível tornou-se fato consumado. Horas depois da decisão do PT, o país se viu diante da aceitação de um dos pedidos de impeachment que ainda aguardavam apreciação e que eram mantidos como uma vergonhosa moeda de troca.
Lançados os dados, o intrincado jogo político que se formou agora é irreversível. Eduardo Cunha martelou o último prego de seu caixão. Como a única coisa que ainda lhe dava sobrevida, tanto no governo quanto na oposição, era justamente o impeachment, com o processo instaurado nem mesmo os seus mais fiéis lacaios terão a coragem de arcar com o custo político de protegerem alguém tão rejeitado e agora sem serventia alguma.
Resta saber, mais do que o destino da própria presidenta Dilma, o destino que a nossa ainda jovem democracia irá tomar. Uma vez que não existe um único fato jurídico ou criminal que justifique a abertura de um processo de tamanha importância para a afirmação deste pais como nação, o que estamos todos presenciando é a instalação de um golpe histórico movido por puro ódio, rancor e vingança.
Existem várias evidências de que o governo possui os votos necessários para barrar o que seria a maior intervenção no processo democrático brasileiro desde o fatídico março de 1964. Os vetos da presidenta Dilma que foram mantidos desarmando as famosas “pautas bombas” já indicam um fortalecimento da base governista. Hoje mesmo uma importante vitória do governo foi concretizada com a aprovação da alteração da meta fiscal da União de 2015.
Seja como for, Eduardo Cunha e todos aqueles que durante mais de um ano, movidos pelos sentimentos mais inescrupulosos e antidemocráticos, não fizeram outra coisa a não ser conspirar contra a normalidade jurídica e democrática do Brasil, provavelmente não percebem a dimensão da convulsão popular que acabaram de conclamar.
Com a auto-afirmação do Partido dos Trabalhadores aos valores históricos que o fizeram possuir um patrimônio intrínseco inestimável na forma de uma militância fiel e combativa, é mais do que certo que todos os setores e movimentos democráticos e progressistas desse país não medirão esforços para defender o resultado impresso nas urnas em outubro de 2014.
Independente do que venha a acontecer a partir daqui, uma lição importantíssima foi dada hoje pelo PT. A de que é preferível morrer de pé do que viver de joelhos.
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Carlos Fernandes
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