"The American School of Spies", de Stephan Talty, tem algo de Indiana Jones. Não costumamos pensar a Grécia como um dos principais teatros de operações da Segunda Guerra Mundial, mas a ocupação nazista ali foi brutal. Estima-se que 5% da população grega tenha perecido direta ou indiretamente no conflito.
Os americanos despacharam dois grupos de agentes para terras helênicas. O primeiro era composto por voluntários greco-americanos, que dominavam o idioma e se passavam por locais. Seu objetivo era reunir informações sobre tropas alemãs e juntar-se à Resistência Grega em missões de sabotagem, coordenando tudo com as forças regulares dos aliados.
O segundo grupo, apelidado de Divisão Grega, era formado por arqueólogos, classicistas e epigrafistas. Eles eram liderados por Rodney Young, sob comando do general William J. Donovan, o primeiro chefe do OSS, a agência precursora da CIA. Young era um arqueólogo de família riquíssima e cultivada, terceira geração de Princeton. O grupo que ele reuniu tinha perfil semelhante. Eram em sua maioria homens, Wasps, ricos e eruditos. Um deles está entre os últimos pós-graduandos de Harvard a ter entregado sua dissertação em latim.
A missão do grupo era ajudar os gregos a salvar seu patrimônio arqueológico das garras dos nazistas. Os próprios argivos iniciaram esse processo antes da invasão, enterrando os tesouros em locais secretos. Mas era preciso mantê-los escondidos e tentar preservar o que não fora enterrado. Os nazistas saquearam a Europa inteira, mas as peças gregas corriam risco especial, já que pelas ideias delirantes de Himmler, os aqueus eram originalmente arianos, de modo que seus sucessores legítimos seriam os alemães.
Talty se concentra em contar as histórias desses dois grupos, mas deixa escapar algumas reflexões mais gerais. É lícito disfarçar agentes secretos de acadêmicos? O antropólogo americano Franz Boas, comentando um caso da Primeira Guerra Mundial, sustentava que não e acusou seu próprio país de "prostituir a ciência" ao fazê-lo.

