terça-feira, 14 de abril de 2026

Escritórios de alto padrão de São Paulo atingem maior ocupação em 14 anos, FSP

 Luana Franzão

Maria Veloso
São Paulo

A taxa de vacância —isto é, o percentual de espaços vazios— dos escritórios de alto padrão em São Paulo registrou o menor patamar em 14 anos no primeiro trimestre de 2026, aos 13,4%.

No período, foram seis transações acima dos 5.000 metros quadrados.

Levantamento da JLL (Jones Lang LaSalle Incorporated), americana de serviços imobiliários, aponta que três regiões da cidade registraram absorção líquida acima de 15 mil metros quadrados: Barra Funda e os arredores das avenidas Juscelino Kubitschek e Chucri Zaidan.

Prédio alto de vidro com formato triangular reflete o céu azul em área urbana. Palmeira e outras árvores estão na calçada, e semáforo vermelho com placa de sentido único aparece em primeiro plano.
B32, empreendimento de alto padrão da avenida Faria Lima - Danilo Verpa - 25.mai.2021/Folhapress

A região da avenida Rebouças é um dos destaques, com zero vacância nos escritórios já construídos. Outras regiões com ocupação quase total são Centro, Paulista e Moema.

Contudo, na localização denominada "Marginal Sul", que compreende bairros como Santo Amaro e Socorro, mais da metade dos espaços corporativos estão desocupados (68,2%). Na Chácara Santo Antônio, segunda região mais desocupada dentre as pesquisadas, a vacância é de 32,3%.

A absorção líquida é um indicador do mercado imobiliário que mede a variação real na ocupação de espaços de escritório em um determinado período. Ela é calculada a partir da diferença entre a quantidade novas locações e de saídas e desocupações.

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Segundo a companhia autora da pesquisa, o volume de oferta de estoque no mercado cresceu 36% desde 2019. Nesse mesmo período, a vacância caiu de 15,1% para os atuais 13,4%.

Retorno aos escritórios

Yara Matsuyama, diretora de locações da JLL, afirma que havia expectativa de crescimento para o segmento antes da pandemia, mas a necessidade de isolamento social e a adoção do home office atrasaram os resultados. Hoje, no entanto, os números são maiores do que os projetados no primeiro momento.

A exigência do retorno ao regime presencial por parte das empresas aparece como tendência no mercado de trabalho. Alguns casos, como Nubank e Itaú, servem de "case" para o padrão. O aumento da ocupação de espaços corporativos é um colateral esperado pelo segmento.

Dentre os principais negócios do segmento no primeiro trimestre está a devolução de um espaço de 8,1 mil metros quadrados pelo Banco Master no edifício Birmann 32, conjunto corporativo na Faria Lima famoso pela escultura de baleia na fachada espelhada. No mesmo edifício, a Shopee passou a ocupar 9,1 metros quadrados.

Márcio Elias substitui Alckmin na Indústria e promete ser "portador" de demandas do setor privado, FSP

 Marcos Hermanson

Brasília

O procurador Márcio Elias Rosa tomou posse simbolicamente como chefe do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria Comércio e Serviços) nesta terça-feira (14) e prometeu representar as demandas da indústria e do comércio dentro do governo.

Ele substitui o vice-presidente e ex-ministro Geraldo Alckmin (PSB), que deixou o cargo no início de abril para disputar as eleições.

Antes de assumir a pasta, Márcio Elias foi secretário-executivo do ministério. Antigo aliado de Alckmin. Foi procurador-geral do estado de São Paulo por três anos antes de ser nomeado secretário de Justiça do estado em 2015, durante o último mandato do então tucano à frente do estado.

Ao falar no evento desta terça-feira, Márcio Elias se comprometeu a "manter fielmente o dever de dialogar com o setor privado" e ser um portador das demandas da indústria e do comércio junto ao governo. "Me comprometo a domesticar minha vaidade pessoal todo dia", disse também o ministro.

A nomeação dele para chefiar o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) foi adiantada pela Folha.

Homem idoso com cabelo grisalho e barba curta usa óculos, terno azul escuro, camisa azul clara e gravata azul. Fundo de painéis de madeira escura.
O então secretário-executivo e hoje titular do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, no coquetel de premiação do "Melhor Dentista do Mundo" no Theatro São Pedro - Ronny Santos - 9.dez.2025/Folhapress

O novo ministro toma posse num ano sem grandes desafios legislativos para o Mdic, após a aprovação do Acordo UE-Mercosul, mas com a tarefa de botar de pé o Redata, programa do governo que queria usar incentivos fiscais para trazer data centers ao Brasil.

Instituido por medida provisória no ano passado, o Redata ficou travado no Senado e caducou. Agora o governo tenta uma solução legislativa que possa ressuscitar o programa sem ferir a legislação, que proíbe a criação de benefícios fiscais em ano eleitoral.

Em conversa com jornalistas após a cerimônia desta terça-feira, Elias prometeu buscar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para uma conversa sobre o Redata.

Também ficará a cargo do ministro a coordenação da Camex (Câmara de Comércio Exterior), que decide sobre elevação e redução de alíquotas de importação no Brasil. Em fevereiro, uma medida elevando impostos sobre importação de celulares pegou mal e obrigou o governo recuar.

Por último, Márcio Elias deve continuar a costurar acordos de livre comércio com países e blocos estrangeiros. É o caso do tratado Brasil-Canadá, que o ministro disse esperar ver assinado até o fim do ano.

No evento desta terça-feira (14), um vídeo institucional exaltou algumas das políticas implementadas durante o mandato de Alckmin à frente do Mdic. O material citou a política industrial Nova Indústria Brasil e os acordos comerciais firmados com blocos estrangeiros, como a União Europeia e o Efta –Suíça, NoruegaIslândia e Liechtenstein.

Em sua fala, o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou a aprovação da Lei do Combustível do Futuro, a criação das LCDs (letras de crédito do desenvolvimento) –títulos públicos para financiar a indústria–, e os programas Move e Mover, voltados para o setor de automóveis pessoais e caminhões.

Os ministros Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e Herman Benjamin, presidente do Superior Tribunal de Justiça, estavam presentes no evento. Ambos fizeram carreira no MP-SP (Ministério Público de São Paulo), assim como o agora ministro Márcio Elias.

O vice-presidente Geraldo Alckmin esteve presente ao lado da esposa, Lu Alckmin.

Fundações privadas pedem veto de Tarcísio a projeto que cobra taxa das entidades, FSP

 Gabriela Echenique

Brasília

A Associação Paulista de Fundações fez um apelo para que o governador de São PauloTarcísio de Freitas, vete o projeto que estabelece a cobrança de uma taxa pelo trabalho de fiscalização feito pelo Ministério Público do estado.

Homens em pé dentro de vagão de metrô, alguns tirando fotos com celulares. Dois homens ao centro, um de camisa branca e outro de camisa azul clara, estão em destaque. Placa indicando estação 'Brasília Paulista' visível no fundo.
O governador Tarcísio de Freitas ao lado do prefeito Ricardo Nunes e do presidente da Alesp, André do Prado, durante inauguração da linha 17-ouro. - Zanone Fraissat - 31.mar.26/Folhapress

O chamado "velamento" das fundações é uma atribuição do órgão, que agora quer ressarcimento pelos custos administrativos decorrentes da função. O MP alega que a taxa vai custear a análise, instrução e condução dos procedimentos internos, além de diligências, notificações e análises técnicas.

A nova taxa foi aprovada pela Assembleia Legislativa de São Paulo. O projeto prevê o pagamento de R$ 1.500 por qualquer ato da fundação que precise de registro junto ao MP, além de R$ 3.500 quando a entidade for prestar contas, o que é feito anualmente.

A gestora executiva da APF, Nicole Hoedemaker, diz que a medida é um disparate e um contrassenso, ainda mais em ano de eleição.

"O dinheiro é para autosustentabilidade da fundação e também para a finalidade social para a qual ela foi constituída. E não para um fundo do MP", disse.

A APF, no entanto, questiona a cobrança e diz que o velamento é dever institucional do MP, portanto uma atribuição estatal obrigatória.

"Cobrar taxa por atos de velamento do MP, utilizando esse patrimônio para financiar atividade obrigatória e ordinária do próprio Estado, contraria a lógica de proteção jurídica patrimonial que o velamento busca assegurar, além de comprometer a capacidade operacional das fundações de cumprir suas missões", afirma.

A associação reclama que o projeto foi aprovado a toque de caixa e não houve tempo sequer para uma audiência com o presidente da Alesp.

Agora, diz que pediu audiências com o governador ou com o secretário da Casa Civil, Nerylson Lima da Silva, mas ainda não teve retorno.