segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

1971: A Apollo 14 retorna à Terra - Por KnowledgeSpectraTV

 A Apollo 14, a terceira missão tripulada de pouso lunar, retornou com sucesso à Terra em 9 de fevereiro de 1971. Essa missão marcou mais um triunfo na era da exploração espacial, pois os astronautas Alan Shepard, Stuart Roosa e Edgar Mitchell completaram sua jornada até a Lua e retornaram em segurança para casa.

A missão Apollo 14 foi um marco significativo na história da exploração espacial. Ela sucedeu a inovadora missão Apollo 11, que viu Neil Armstrong e Buzz Aldrin se tornarem os primeiros humanos a pisar na superfície lunar. A Apollo 14 teve como objetivo expandir ainda mais nosso conhecimento sobre a Lua e coletar dados científicos valiosos.

Em 31 de janeiro de 1971, a espaçonave Apollo 14 foi lançada do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. A tripulação era composta pelo comandante Alan Shepard, pelo piloto do módulo de comando Stuart Roosa e pelo piloto do módulo lunar Edgar Mitchell. Sua missão era pousar nas terras altas de Fra Mauro, uma área de grande importância geológica.

Após uma jornada de aproximadamente 386.000 quilômetros (240.000 milhas), a espaçonave Apollo 14 entrou em órbita lunar em 4 de fevereiro de 1971. Shepard e Mitchell então se transferiram para o Módulo Lunar, chamado Antares, enquanto Roosa permaneceu no Módulo de Comando, Kitty Hawk, orbitando a Lua.

Em 5 de fevereiro, Shepard e Mitchell desceram à superfície lunar no Módulo Lunar. Eles se tornaram o quinto e o sexto humanos a caminhar na Lua. Durante sua estadia, que durou mais de 33 horas, realizaram diversos experimentos e coletaram amostras de rochas e solo lunar.

Um dos momentos mais memoráveis ​​da missão Apollo 14 foi a tacada de golfe de Alan Shepard na Lua. Shepard, que não conseguira usar um taco de golfe em sua missão anterior devido ao volumoso traje espacial, aproveitou a menor gravidade da Lua e acertou duas bolas de golfe com um taco improvisado. Esse momento descontraído cativou a imaginação de pessoas ao redor do mundo e adicionou um toque de humanidade à missão.

Além da tacada de golfe, os astronautas realizaram diversos experimentos científicos na superfície lunar. Eles instalaram sismógrafos para estudar tremores lunares, montaram um experimento de composição do vento solar e coletaram amostras da formação Fra Mauro, que forneceram informações valiosas sobre a história geológica da Lua.

Após concluírem suas atividades lunares, Shepard e Mitchell se reuniram a Roosa no Módulo de Comando. Em 9 de fevereiro de 1971, a Apollo 14 iniciou sua jornada de volta à Terra. O Módulo de Comando reentrou com sucesso na atmosfera terrestre e amerissou no Oceano Pacífico, onde a tripulação foi resgatada em segurança pelo USS New Orleans.

O retorno da Apollo 14 marcou a conclusão de mais uma missão lunar bem-sucedida e aprofundou nossa compreensão da geologia da Lua e seu potencial para futuras explorações. As amostras coletadas durante a missão forneceram aos cientistas dados inestimáveis, ajudando a desvendar os mistérios de nosso vizinho celestial.

Hoje, o legado da Apollo 14 permanece vivo. A missão abriu caminho para a futura exploração lunar e contribuiu para o conhecimento e a compreensão do nosso universo. As descobertas científicas feitas durante o programa Apollo continuam a moldar nossa compreensão do espaço e a inspirar futuras gerações de exploradores.

Em conclusão, o retorno da Apollo 14 à Terra em 9 de fevereiro de 1971 foi um evento significativo na história da exploração espacial. O sucesso da missão, marcado pela tacada de golfe de Alan Shepard na Lua e pela coleta de valiosas amostras lunares, aprofundou nossa compreensão da Lua e abriu caminho para futuras missões. A Apollo 14 permanece como um testemunho da engenhosidade humana, da curiosidade e da busca incessante pelo conhecimento além do nosso planeta.

Trecho para SEO:
A missão Apollo 14, que retornou com sucesso à Terra em 9 de fevereiro de 1971, marcou mais um triunfo na era da exploração espacial. Este artigo fornece um relato detalhado da missão, incluindo as atividades dos astronautas na superfície lunar e os dados científicos coletados. Saiba mais sobre este evento histórico e sua importância para ampliar nossa compreensão da Lua.

Marcos de Vasconcellos- Master, BRB, suas auditorias e agências de risco, FSP

 Em outubro de 2024, 9 a cada 10 pessoas envolvidas no mercado financeiro (estatística meramente ilustrativa, mas próxima da realidade que vivenciei) receberam um link ou um PDF em seu WhatsApp com a reportagem da revista piauí que traçou um longo perfil de Daniel Vorcaro e expôs os negócios de alto risco do Banco Master.

À época, a distribuição dos CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) do Master com prêmios irreais para investidores e comissões exageradas para vendedores já cheirava azedo nas mesas de distribuição de produtos da Faria Lima. A garantia pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos) estava no discurso de vendas de alguns, mas já se via que o negócio não parava de pé.

Logotipo do Banco Master fixado em parede com textura quadriculada marrom. À esquerda, símbolo branco estilizado em fundo azul; à direita, nome 'BANCO MASTER' em letras brancas.
Logo do Banco Master na sede da instituição em São Paulo - Amanda Perobelli/REUTERS

Banco Central também já emitira, então, alertas e ofícios sobre a incapacidade do Master e seus coligados, como Will Bank, de arcar com os custos do que estavam armando.

Apesar disso tudo, foi naquele mesmo mês, outubro de 2024, que a agência de risco Fitch Ratings elevou a nota de classificação do Master de BBB para A-, ou seja, deu ao banco o sonhado grau de investimento.

Enquanto isso, o BRB (Banco de Brasília) recheava, a generosas colheradas, a carteira de seus fundos com títulos suspeitos do Master. Suas contas no período, entretanto, foram aprovadas "sem ressalvas" pela auditoria externa, EY (Ernst & Young).

Passei um bom tempo da semana passada analisando documentos que o BRB entregou à CVM, chamados Formulários de Referência. São documentos pelos quais as empresas detalham riscos, contratos e fatores que podem atrapalhar o desempenho de suas ações.

Nessa papelada, me deparei com uma informação chamativa: em 2024, a EY recebeu R$ 4,5 milhões do BRB pelos serviços de auditoria. A reportagem sobre os valores e dados foi publicada no site Monitor do Mercado, na sexta-feira (6).

O valor chama mais a atenção quando vemos que, no exercício anterior, o pagamento fora de menos da metade desse valor: R$ 1,7 milhão. Ficando ainda mais interessante quando comparado com outros bancos públicos regionais, de maior porte, que costumam gastar algo na casa dos R$ 2 milhões.

Tudo isso me leva a questionar, novamente, como investidores se acostumaram a terceirizar o pensamento crítico, aceitando sem questionamento as notas de "rating" e balanços com o selo "ressalvas".

Auditorias e agências de risco operam praticamente em oligopólios, sendo a esmagadora maioria das empresas na Bolsa auditadas por apenas quatro companhias, as chamadas Big Four. Além da EY, temos a PwC (PricewaterhouseCoopers), a Deloitte e a KPMG. Quanto às avaliações de risco de crédito, quando não são da Fitch, vêm da Moody’s ou da Standard & Poor’s (S&P).

Não digo que sejam irrelevantes. Certamente permitem evitar outros tantos problemas, que nem sequer vêm à tona, por serem corrigidos no percurso. Mas cabe questionar se estão cumprindo seu papel na sociedade. Agora que as investigações estão a todo vapor, o BRB anunciou que auditorias encontraram "achados relevantes" sobre o caso Master. E as notas de crédito do Master, aliás, foram rebaixadas. Tudo depois do leite derramado.

O caso entra para o hall da desconfiança do investidor, junto com a fraude da Americanas, os desvios da Petrobras e o colapso da chinesa Evergrande, todas com contas auditadas e aprovadas.

Na renda fixa ou na renda variável, confiar cegamente em números e carimbos é confortável até o dia em que o dinheiro evapora.

Como moradores tentam resistir à verticalização em São Paulo, FSP

 São Paulo já é conhecida por ter muitos prédios, mas agora quem circula pelo centro expandido da cidade tem a sensação de estar dentro de um canteiro de obras. Faz dois anos que os bairros ali estão passando por um novo processo de verticalização. Somente em 2024, foram autorizados quase 3,5 mil alvarás de demolição na cidade, segundo dados da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL).

Símbolo desse boom imobiliário, a Vila Mariana tem visto casas serem demolidas e pequenos comércios sumirem para dar lugar a grandes torres. Contra essa transformação acelerada do bairro, um grupo de moradores se uniu para preservar as características da vizinhança – que é bem tranquila, com ruas de paralelepípedo e bastante arborizada. Cerca de 30 plaquinhas avisam a incorporadoras e construtoras: "Esta casa não está à venda".

"Por si só já é um absurdo. O normal seria colocar uma placa de ‘vende-se' se eu quisesse vender", diz Patrícia Machado, que mora na Vila Mariana há 25 anos. Desde 2014, Patrícia administra a página "Chega de Prédios" nas redes sociais, onde fala sobre os impactos negativos da intensa verticalização e denuncia práticas de assédio imobiliário.

Vila Mariana é símbolo de boom imobiliário que tomou o centro expandido de São Paulo; investidores visam áreas bem conectadas à rede de transporte público
Vila Mariana é símbolo de boom imobiliário que tomou o centro expandido de São Paulo; investidores visam áreas bem conectadas à rede de transporte público - Gustavo Basso/DW

Segundo ela, muitos moradores assinam contratos pressionados, acreditando que não têm escolha. E os valores oferecidos costumam ser abaixo do que valem as casas. "Seu vizinho já vendeu, olha a placa na porta da casa dele, futuro empreendimento."

Um dos moradores que aderiram ao movimento "Chega de Prédios" é a artista plástica Sakuko Miyashita, que vive na região desde 1985. Para expressar sua resistência às ofertas de compra — e preservar a memória afetiva da rua —, ela passou a pintar os muros da própria casa com homenagens aos animais da vizinhança.

Sakuko é imigrante japonesa e não pretende deixar o local onde estão enterrados seus cachorros e gatos. "Aqui é um lugar sagrado. Eles me deram força para continuar vivendo no Brasil. Quero reagir do meu jeito."

Vizinhos se unem contra intensa verticalização de bairro em São Paulo
Vizinhos se unem contra intensa verticalização de bairro em São Paulo - Gustavo Basso/DW

Patrícia, Sakuko e os outros moradores estão lutando para que não aconteça com eles o que aconteceu com a família de Adriana Casale, também na Vila Mariana. Depois que 10 casas foram demolidas, Adriana e o vizinho adjacente ficaram completamente cercados por três novos prédios.

"Nossa, olha o prédio, olha, tem outro prédio, olha, sobrou essa casinha", costuma ouvir Adriana. A casa em questão tem mais de 100 anos e pertence à família dela desde os avós. Mas o entorno da rua já não se parece em nada com o bairro de antigamente.

"Antes parecia uma rua do interior. Os portões eram baixos, até a porta ficava aberta, porque todo mundo se conhecia, todo mundo se ajudava. Tinha um vínculo de afetividade, de respeito. E hoje não tem mais isso. Não tenho contato com os vizinhos, porque os apartamentos são feitos para estudantes ou para aluguel temporário. O fluxo é muito grande de entra e sai."

Além de não conhecer os novos vizinhos, Adriana conta que perdeu privacidade com as torres ao redor. E diz que costuma encontrar lixo no quintal, principalmente bitucas de cigarro e embalagens. A casa dela também recebe menos sol do que antigamente, e ela considera que o trânsito na rua piorou.

Sakuko Miyashita vive na mesma casa desde 1985
Sakuko Miyashita vive na mesma casa desde 1985 - Gustavo Basso/DW

Boom de novos prédios

Essa verticalização acelerada que os moradores da Vila Mariana estão vivenciando está ligada ao Plano Diretor Estratégico de São Paulo – uma lei aprovada em 2014 para orientar o crescimento da cidade. A ideia era promover uma maior concentração de pessoas perto de estações de metrô e trem e corredores de ônibus.

Para isso, foi permitida uma maior verticalização dessas áreas, com mudanças no zoneamento da cidade. Basicamente, prédios mais altos passaram a ser permitidos em um raio de até 600 metros das estações de trem e metrô, e 300 metros de corredores de ônibus.

Mais recentemente, em 2023, o Plano Diretor de São Paulo passou por uma revisão. E uma das principais alterações foi aumentar a distância em relação ao transporte público: 700 metros de estações de trem e metrô, e 400 metros de corredores de ônibus.

Essa diferença de 100 metros pode até parecer pouca coisa, mas fez com que novos quarteirões passassem a ser interessantes para o mercado imobiliário, como a região das placas "Esta casa não está à venda".

Quarteirão de casas desperta cobiça do mercado imobiliário
Quarteirão de casas desperta cobiça do mercado imobiliário - Gustavo Basso/DW

O Plano Diretor também passou a dar incentivos econômicos e construtivos para prédios que contassem com apartamentos mais acessíveis para populações de baixa renda. Só que parte dessas unidades acabaram sendo compradas por investidores — o que está sendo investigado como fraude por vereadores de São Paulo na CPI da Habitação de Interesse Social.

Além disso, nos últimos 10 anos o transporte público pouco se expandiu em direção às periferias da cidade. O metrô não avançou como previsto, e corredores de ônibus não foram construídos na escala planejada. Com isso, as regiões mais propensas a uma transformação acelerada ficaram concentradas sobretudo no centro expandido de São Paulo.

"Há uma pressão para poder ter uma verticalização indiscriminada em busca das melhores e mais lucrativas localidades, e não necessariamente é o que é melhor para a cidade", afirma o urbanista Fernando Túlio Franco. "O mercado imobiliário tem o desejo de produzir edifícios maiores, mais altos, com microapartamentos — esse produto imobiliário que eles conseguiram criar com uma alta rentabilidade e capacidade especulativa."

Relator do Plano Diretor de 2014, o vereador e urbanista Nabil Bonduki reconhece que houve distorções na implantação da lei. Também faltaram estudos complementares para identificar vilas, áreas históricas, patrimônios culturais e zonas ambientais que deveriam ser preservados.

Para o advogado Heitor Marzagão, especializado em direito urbanístico, a situação exige uma resposta urgente: "Esse processo de transformação é irreversível. Depois que demoliu, não volta mais. Nós já estamos em um prejuízo enorme desse processo de verticalização desenfreada."

Esse texto foi originalmente publicado aqui.