terça-feira, 17 de julho de 2018

Ônibus e caminhões são 5% da frota, mas respondem por metade da poluição, Abifer

SÃO PAULO – Ônibus e caminhões são responsáveis por cerca de metade da poluição atmosférica da região metropolitana de São Paulo, apesar de representarem apenas 5% da frota veicular, segundo um estudo publicado ontem. O trabalho faz uma dissecação inédita dos poluentes que contaminam o ar da metrópole paulistana, permitindo separar o que foi emitido por veículos pesados, com motores a diesel, daquilo que foi gerado por veículos leves, como carros e motos.
Os resultados apontam para a instalação de filtros no escapamento dos ônibus como uma opção simples, rápida e barata de redução da poluição atmosférica na cidade. “As soluções existem, e não custam caro; mas são necessárias políticas públicas coerentes de longo prazo para serem implementadas”, diz o pesquisador Paulo Artaxo, do Instituto de Física da Universidade São Paulo (USP), que assina o estudo com outros seis cientistas brasileiros, na revista Scientific Reports.
Segundo ele, há filtros no mercado que reduzem a emissão de poluentes dos ônibus em até 95%, a um custo de R$ 10 mil a R$ 20 mil por veículo. Só a cidade de São Paulo tem 14,5 mil ônibus, o que implicaria custo de até R$ 300 milhões. “Mas quanto vale a vida das milhares de pessoas que morrem ou ficam doentes todos os anos por causa da poluição?”, indaga Artaxo. Essa poluição pesada causa e agrava sobretudo problemas vasculares e respiratórios.
A aposentada Aparecida Pechini, de 69 anos, conhece bem o problema. Na casa dela, na Vila Leopoldina, zona oeste, “todo mundo” tem algum problema respiratório, como rinite ou tosse. “Está sempre muito poluído”, diz. Enquanto falava à reportagem, ela lavava o piso da garagem de casa, no qual se acumulava a fuligem preta. “Está vendo? De vez em quando tem que jogar água, senão não resolve. Chega a ficar oleoso”, relata. “Moro aqui há mais de 40 anos, e não era assim tão poluído o ar. Agora está pior.”
O assessor jurídico Roberto Marques, de 66 anos, também aponta a fuligem como um problema e descreve a situação como “péssima”. A garagem da sua casa, separada da rua apenas por um portão de ferro, é lavada todos os dias e, mesmo assim, as patas da cachorrinha da família ficam pretas. Com pelagem branca, a cadela costumava tomar banho a cada 15 dias, no máximo uma vez por semana. Ultimamente precisa ser ao menos limpa todos os dias. “É muita poluição, ao extremo.”
Essa fuligem é o que os pesquisadores chamam de “black carbon”, que é a “fumaça preta” expelida pelos escapamentos dos ônibus. Segundo o estudo, 47% dessa fuligem presente no ar paulistano é produzida pela combustão ineficiente de diesel nos motores de ônibus e caminhões que circulam pela Grande São Paulo.
“Foi surpreendente ver o papel dos veículos pesados”, diz o pesquisador Joel Brito, que fez o estudo na USP e hoje está na Universidade Clermont Auvergne, na França. “Eles têm um papel relevante em todos os poluentes que a gente analisou.” As emissões mais expressivas foram de material particulado, benzeno e tolueno – todos altamente tóxicos.
A pesquisa tem por base três meses de amostragem contínua do ar de São Paulo no topo de um prédio da Faculdade de Saúde Pública da USP, na Avenida Dr. Arnaldo, que faz parte do chamado “espigão da Paulista”, região mais alta do centro de São Paulo. Nesse ponto, apesar do maior tráfego de ônibus, é possível encontrar o ar que sobe de outras regiões. Do ponto de vista analítico, o grande diferencial foi usar o etanol como um “traçador” para diferenciar as emissões de veículos leves e pesados – já que apenas carros e motos utilizam etanol.
Segundo os cientistas, é a primeira vez que um estudo faz esse tipo de caracterização da poluição em “condições reais”. Normalmente, as estimativas são feitas com base em extrapolações de medidas de emissão em laboratório.
Trilhos
Especialistas também citam a expansão da malha ferroviária como peça-chave para a redução da poluição do ar em São Paulo, pelo fato de reduzir o número de veículos no asfalto. “O número de linhas de metrô ainda é pequeno, comparado a outras cidades de grande porte”, aponta Luiz Vicente Figueira de Mello Filho, coordenador do curso de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas.
Ele também critica o baixo custo de venda do óleo diesel. “O empresário conta no papel e não vê vantagem em colocar energia mais limpa”, diz. “O nosso transporte é baseado em decisões do século passado.”
Os veículos de médio e grande porte da frota de ônibus da cidade de São Paulo tem idade de 6 anos e 1 mês, segundo informações da São Paulo Transporte (SPTrans). A Secretaria de Mobilidade e Transportes destaca a lei municipal aprovada em janeiro que dá prazos para a redução de poluentes.
Para entender
Estudo sobre o Rodoanel, divulgado pelo Estado em abril, mostrou que os cientistas estimam que, a cada 100 a 200 veículos pesados que deixam de circular na cidade, evita-se uma morte por ano ligada à poluição do ar. Um estudo de 2016 do Banco Mundial põe a poluição como a quarta causa de morte prematura no mundo.
Prefeitura tem 1 ano para fazer estudo de redução de emissões
No dia 17 de janeiro, o ex-prefeito João Doria (PSDB) sancionou a Lei 16.802/18, que dá prazos para a redução de poluentes para veículos de transporte público e de coleta de resíduos sólidos urbanos e hospitalares na capital paulista. O texto, impõe, por exemplo, prioridade na expansão da frota de trólebus.
No caso do dióxido de carbono (CO2), a redução da emissão deve ser de 50% até 2028 e de 100% até 2038. Já o óxido de nitrogênio e o dióxido de nitrogênio (NO2 e Nox) devem ser reduzidos em 80% nos próximos 10 anos e, em 95%, em até 20 anos. Por fim, a lei ainda determina a diminuição na emissão de material particulado (incluindo fuligem) em 90%, até 2028, e em 95%, até 2038.
Anteriormente estava em vigor a Lei 14.933/09, que instituiu a Política de Mudança do Clima no Município de São Paulo, determinando que a frota do transporte público deveria fazer a troca progressiva dos combustíveis fósseis até chegar a 100% dos veículos movidos a energia renovável não fóssil já em 2018.
Agora, a Prefeitura tem até julho do próximo ano para apresentar um “estudo dos cenários possíveis de redução de emissões da frota, mediante a implementação de uma rede abrangente de corredores com operação avançada e com prioridade para os veículos que operam em canaletas segregadas”.
Fonte: O Estado de S. Paulo
Data: 17/07/2018

Liminar do TJSP declara constitucional manejo de Javalis, SI

Uma liminar concedida na última quinta-feira, 12 de julho, pela comarca de Santa Barbara D'oeste do Tribunal de Justiça de São Paulo, declarou como constitucional no estado a caça de javalis como forma de manejo da espécie. A Sociedade Rural Brasileira (SRB) alerta que a liminar traz argumentos para invalidar o Projeto de Lei 299/2018, que proíbe o controle desses animais por pessoas físicas. Para a entidade, o PL sancionado no dia 28 de junho pelo governador de São Paulo, Márcio França, impõe sérios riscos econômicos, ambientais e de saúde pública aos produtores rurais e à população do Estado.
A liminar, concedida pelo juiz Thiago Garcia Navarro Senne Chicarino, não derruba o PL 299/2018, mas abre precedente para que agricultores questionem na justiça a decisão da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). A liminar determina que a competência legislativa dos Estados acerca da caça e fauna não pode contrariar a norma geral editada pela União.
Sendo assim, passa a valer a Lei Federal nº 5.197/1967, que permite o manejo de animais silvestres considerados nocivos à agricultura ou à saúde pública, caso dos javalis. O juiz ainda reforça a Instrução Normativa nº 3, do IBAMA, que autoriza, tanto a pessoas físicas, quanto a pessoas jurídicas, o exercício do controle populacional da espécie exótica invasora javali europeu.
Na avaliação da SRB, a liminar do juiz sinaliza que a Alesp deve ser mais cautelosa na aprovação de projetos, não apenas por esbarrar em legislações federais, mas pelo impacto que podem causar na economia do setor. Também está em pauta na Assembleia o PL 31/2018, que proíbe no estado o embarque de animais vivos no transporte marítimo com finalidade de abate para consumo. “A medida, fundamentada em uma lógica populista, também pode gerar contestações na justiça pelos prejuízos econômicos que impõe ao estado”, diz Pedro de Camargo Neto, vice-presidente da SRB.
Redação SI


Leia mais sobre esse assunto em https://www.suinoculturaindustrial.com.br/imprensa/liminar-do-tjsp-declara-constitucional-manejo-de-javalis/20180717-110803-j086
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Paulo Artaxo no FB + excertos do artigo

Publicamos hoje mais um trabalho na Nature Scientific Reports, que quantifica a responsabilidade de veículos a diesel e etanol na poluição do ar em São Paulo. Emissões veiculares respondem por 61% do total de poluentes em São Paulo. Ônibus, que são 5% da frota, respondem por cerca de 50% das concentrações de Black Carbon, Tolueno e Benzeno na atmosfera. Estes compostos são mutagênicos.
Fácil de resolver: Colocando filtros em ônibus, reduzimos as emissões de black carbon em 95%. Tecnologia viável, existente e testada em São Paulo. Custo baixíssimo. Evitaria 11.200 mortes por ano só em Sao Paulo...
Porque a Câmara Municipal não aprova a legislação obrigando os ônibus a limpar nossa cidade?
Artigo de livre acesso: Disentangling vehicular emission impact on urban air pollution using ethanol as a tracer. Autores: Joel Brito, Samara Carbone, Djacinto A. Monteiro dos Santos, Pamela Dominutti, Nilmara de Oliveira Nilmara Oliveira AlvesLuciana Rizzo e Paulo Artaxo
Scientific Reports 8, 10679, DOI 10.1038/s41598-018-29138-7


Caminhões e ônibus são responsáveis pela metade da concentração de poluentes atmosféricos em São Paulo, diz novo estudo da USP

Pesquisadores defendem mais ônibus com outras matrizes energéticas, que não sejam diesel. Filtros nos veículos também podem ajudar. Foto Adamo Bazani (Diário do Transporte)/Clique para ampiar
Levantamento mostra que veículos a diesel são responsáveis por maiores emissões de substâncias altamente cancerígenas
ADAMO BAZANI
Maior controle no tráfego de caminhões, expansão de linhas de metrô e aumento da frota de ônibus menos poluentes, como os modelos híbridos, elétricos com baterias e redes de trólebus.
Ações como esta que já são de amplo conhecimento para melhoria da mobilidade e condições do ar em médias e grandes cidades ganham mais uma prova de que são necessárias.
Estudo divulgado nesta segunda-feira, 16 de julho de 2018, pelo Instituto de Física (IF) da USP – Universidade de São Paulo mostra que apesar de representarem em torno de 5% da frota de veículos na região metropolitana de São Paulo, os ônibus e caminhões, justamente por causa do óleo diesel, emitem cerca da metade das concentrações de alguns tipos de poluentes altamente cancerígenos.
Os resultados revelam que os veículos pesados a diesel foram responsáveis pelas emissões e concentrações de 30% do monóxido de carbono (CO), entre 40% e 45% do benzeno e do tolueno, e 50% do “black carbon”.
Entre as substâncias estão partículas de escalas manométricas (partículas de poluição muito finas que entram na corrente sanguínea afetando cérebro, coração e pulmões, por exemplo), ozônio, acetaldeído. O “black carbon” é o composto resultante da combustão presente na “fumaça preta” dos escapamentos.
Estes níveis de concentração podem ser maiores ainda já que as medições realizadas na região central da capital paulista ocorreram durante três meses da última primavera, período com mais chuva e melhores condições de dissipação de poluentes.
O estudo foi publicado nesta segunda, 16 de julho, na revista “Scientific Reports, do grupo Nature” e, segundo a USP, tem a vantagem de ter realizado medições reais e não apenas estimativas feitas dividindo as medições gerais pela quantidade de veículos nas vias.
Pela metodologia, foi possível identificar a origem de poluentes de acordo com cada tipo de veículo e seu combustível.
Para isso, o estudo utilizou a quantidade de etanol no ar para fazer a diferenciação entre as emissões de vans, picapes, carros e motos e as emissões dos veículos pesados, como ônibus e caminhões.
Líder do estudo no Instituto de Física, o pesquisador Joel Ferreira de Brito, disse, segundo a agência da USP, que a análise do etanol ajuda a identificar as fontes de emissões de cada poluente.
“O grande diferencial desta análise foi o foco não no efeito do etanol em si, mas no seu uso como um traçador de poluentes, permitindo separar pela primeira vez fontes veiculares distintas”
Ainda segundo a nota, o pesquisador defende ônibus com matrizes energéticas que não sejam somente o diesel.
“Pelos resultados obtidos, certamente uma redução de uso de veículos na cidade de São Paulo, aliada à expansão das linhas de metrô, por exemplo, é o primeiro e mais eficaz modo de minimizar a poluição na cidade. Um ótimo custo-benefício pode também ser obtido diminuindo as emissões de poluentes pelos ônibus”, ressalta o pesquisador.
Já o professor Paulo Artaxo, que também integrou o estudo, defende o uso de filtros nos ônibus a diesel, como ocorre na Europa, que podem reduzir em até 95% das emissões de alguns tipos de poluentes.
“É muito importante que estas novas tecnologias, que são baratas e podem ser adotadas a curto prazo, sejam efetivamente implementadas em São Paulo e nas grandes cidades brasileiras”, disse.
Acompanhe a divulgação do artigo técnico na Scientific Reports,  em inglês.