segunda-feira, 25 de maio de 2026

Uma demanda de limpeza ética, Muniz Sodré - FSP

 

"Malandro demais se atrapalha", rezam as rodas de brasilidade, onde sabedoria é experiência vivida. Isso se revela na profilaxia administrativa operada pelo governo interino do Rio de Janeiro. Pode-se rir ou chorar ao tomar conhecimento, por exemplo, de que o ex-governador Cláudio Castro tinha criado uma Subsecretaria de Gastronomia, com nada menos do que uma "Superintendência de Demandas Cotidianas". E dirigida por ninguém menos que Pazuello, o general-ministro bolsonarista da pandemia.

Malandro, porém, se atrapalha mesmo. Tantas fez e cargos inventou o ex-governador para multiplicar favores a prefeitos, legisladores e dono de refinaria que o pote de espertezas transbordou como vaso sanitário. Garantido pelo STF, o interino Ricardo Couto comanda uma reorganização que já limpou um terço das secretarias e cerca de 1.700 cargos comissionados. A maioria não precisava sequer comparecer ao trabalho. Inexistente, por sinal, como dita a lei da malandragem.

Cláudio Castro em culto religioso na Igreja Assembleia de Deus, no Rio de Janeiro - Renan Areias - 3.mai.26/Folhapress

Em princípio, seria chover no molhado qualquer análise das engrenagens de um desgoverno, considerando-se que a corrosão da função pública transparece sem filtros no apodrecimento ético dos dirigentes. Podre, aliás, não é metáfora gratuita: assim o mercado financeiro chama papel sem nenhum valor. Cláudio Castro investiu neles R$ 1 bilhão do fundo de pensão do estado para ajudar o Banco Master.

Abismo chama abismo. Essa é a saga ominosa de 30 anos de governos cariocas finalizados na prisão, com desenredo especial pelo oxímoro Castro: inelegível, mas aspirante ao Senado. Ele tornou mais visível o epílogo de um longo e ruinoso percurso político, não só no nível das finanças públicas, mas também das consequências sociais das gestões corruptas. A varredura atual é alvissareira, embora provisória e assediada por clãs, ávidos por uma marcha-a-ré.

Com os velhos caciques, o Rio era uma feitoria político-social. Hoje, uma malfeitoria estrutural. No balanço das governanças impolíticas, transparece um estado afetado por déficit fiscal insanável e pela voracidade de grupos em torno da apropriação dos recursos públicos. Não mais caciquismo político, e sim uma malandragem tóxica constituída por clãs, híbridos de famílias com delinquentes. Cargos oficiais são criados e canibalizados por interesses temporários. Uma subsecretaria de bem-comer e por que não uma superintendência de demandas gourmets? Malandro sugeriu, fez-se.

Há disso tudo noutras regiões, mas o Rio virou laboratório de graves patologias sociais. Primeiro, a síndrome dos territórios, demarcados por milhares de barricadas e defendidos com armas de guerra e mercenários de know-how ucraniano. Bicheiros, milicianos, traficantes e policiais dão-se as mãos ou se engalfinham ante o pano de fundo cenográfico da mídia que envelopa a cidade. Depois, o tecido social criminogênico que, desde "zonas de influência" ilegalistas, favorece o recrutamento para a bandidagem e a malignidade dos clãs políticos, cujos rebentos almejam no Estado-nação o status de malandros federais.

É desanimador. Mas, como no mito, Hércules limpou com rios as estribarias do rei, a sujeira moral e cívica acumulada no Rio poderia ser lavada em urnas reais. Quando a sociedade civil acordasse.

domingo, 24 de maio de 2026

Flávio Bolsonaro na casa de Vorcaro, Celso Rocha de Barros _FSP

 Flávio Bolsonaro foi visitar o dono do Banco Master. Poucos dias antes da visita, Daniel Vorcaro havia saído da cadeia com tornozeleira eletrônica. No dia seguinte à visita, segundo o jornalista Igor Gadelha, do portal Metrópoles, Flávio foi anunciado como candidato à Presidência da República.

O que explica esse delivery de político golpista na casa de um banqueiro ladrão?

A única conclusão que não ofende os fatos nem a lógica é que Flávio foi a Vorcaro discutir sua situação diante de um escândalo que os dois sabiam que seria gigante.

Homem de terno escuro e camisa branca sentado no banco traseiro de um carro preto com a porta aberta, olhando para frente.
O senador Flávio Bolsonaro, em Brasília - Sergio Lima - 15.mai.26/AFP

Com toda probabilidade, Flávio foi ao encontro de Vorcaro já sabendo que seria candidato a presidente. A matéria de capa da Folha sobre o anúncio da candidatura (publicada no dia 6 de dezembro) registra que aliados do bolsonarismo já haviam sido avisados antes do anúncio oficial.

Flávio também sabia que estava envolvido até o pescoço no caso Master. Sabia que tinha recebido R$ 60 milhões dos R$ 130 milhões que Vorcaro lhe havia prometido. Sabia que havia trocado mensagens altamente comprometedoras com o chefe do esquema Master. Sabia que os governadores bolsonaristas haviam entregado bilhões de dinheiro público ao Banco Master. Sabia que seus aliados Ciro Nogueira (PP-PI) e Filipe Barros (PL-PR) haviam apresentado projetos no Congresso para tentar salvar o banco, projetos que teriam quebrado a economia brasileira. Sabia que seu PL havia requerido urgência para o projeto que permitiria ao Congresso afastar diretores do BC que votassem contra o Master.

Fazia sentido Flávio se lançar candidato a presidente sabendo que logo estaria no centro do maior escândalo financeiro da história brasileira?

Sim, mas só se você aceitar a seguinte hipótese: Flávio Bolsonaro foi à casa do dono do Master propor um acordo. Vorcaro não abriria o bico sobre suas relações carnais com o bolsonarismo, e Flávio o salvaria quando fosse eleito presidente da República.

O acordo explicaria a tranquilidade com que Flávio falava do Master até ser pego pela polícia e denunciado pelo Intercept Brasil. Explicaria a tranquilidade com que Vorcaro propõe delações premiadas que não entregam ninguém, como se estivesse ganhando tempo contando com uma blindagem futura. Explicaria a atuação de Flávio para derrubar, junto com Alcolumbre e Moraes, a candidatura de Jorge Messias ao STF; explicaria o desespero do bolsonarismo para emplacar uma CPI do Master que só vá atrás dos membros do Supremo enrolados.

Ainda não há provas de que o acordo ocorreu. Mas desafio o leitor a me apresentar outra interpretação plausível da visita de Flávio Bolsonaro a Vorcaro, nas circunstâncias em que ela ocorreu. Se eu estiver errado sobre o que aconteceu naquele dia, a decisão de Flávio de se lançar candidato mesmo sabendo de seus vínculos com o Master me parece inexplicável.

Flávio, é claro, diz que não foi nada disso. Diz que foi encontrar Vorcaro pessoalmente para encerrar sua, digamos, parceria artística com o banqueiro peleleco. Se você acredita nisso, o Master tem uns CDBs para te vender.

Vai ficando claro o motivo de Flávio Bolsonaro tratar o dono do Master como irmão. Sua única chance de deixar de ser o filho mais enrolado com a Justiça seria Jair adotar Vorcaro.

O segredo dos 103 anos do médico mais velho do mundo, The News

 

(Imagem: Reprodução)

Imagine que por mais de 70 anos sua vida se resume a mesma coisa todos os dias: entrar em um hospital, examinar pacientes e desvendar os mistérios do cérebro humano.

Essa foi a rotina do Dr. Howard Tucker, um neurologista americano que trabalhou ativamente até os 100 anos de idade e entrou para o Guinness World Records como o médico mais velho de todos os tempos.

Antes de falecer, aos 103 anosele deixou o que chamaram de ‘’receita médica’’ para uma vida mais longa e saudável. Diferente de ideias mirabolantes ou dietas restritivas, o segredo dele era simples:

1. A mente é um músculo 🧠

O primeiro grande pilar do Dr. Tucker era a recusa em parar de aprender. Para ele, a aposentadoria precoce é uma das maiores armadilhas para o cérebro.

  • Aos 60 anos, ele decidiu cursar Direito à noite, logo após os plantões médicos. Passou no exame da Ordem dos Advogados aos 67 anos, apenas pelo prazer de exercitar a mente.

Quando o hospital onde trabalhava fechou, ele não parou. Passou a fazer revisões médico-legais e até aprendeu a mexer nas redes sociais para continuar conectado com o mundo.

Para ele, se você não usa a mente, ela enfraquece. É como deixar de treinar braço na academia por 2 meses e esperar que ele continue crescendo.

2. O preço físico do ressentimento

Quando as pessoas perguntavam sobre exames de sangue ou rotinas de exercícios, o médico preferia falar sobre a saúde emocional. Para ele, carregar amargura é um veneno biológico.

A ciência médica hoje comprova o que o Dr. Tucker aplicava no dia a dia: a raiva crônica e o ressentimento aumentam a pressão arterial, disparam os hormônios do estresse e elevam drasticamente o risco de doenças cardíacas.

No fim das contas, o ódio consome uma energia preciosa que o corpo precisa para se regenerar. O segredo não é esquecer os problemas, mas simplesmente escolher seguir em frente.

3. Aprecie tudo com moderação

Sabe aquele papo de que você precisa se privar para viver melhor? Para Dr. Tucker, a lógica não funcionava bem assim. Ele disse não abrir mão de “um bom bife e de seu martini no final do dia”.

Ao lado de sua esposa, com quem foi casado por 68 anos, a regra de ouro na cozinha e na vida era o equilíbrio. O excesso desgasta o corpo, mas a restrição absoluta tira o prazer de viver. Para ele, a moderação é a única ferramenta capaz de tornar o prazer sustentável a longo prazo.

  • A longevidade, afinal, depende tanto da biologia quanto da nossa perspectiva diante dos dias.

No fim das contas, a receita do homem que venceu o tempo envolve manter a mente ocupada, o coração leve e a mesa equilibrada. Um plano simples o suficiente para qualquer um começar a praticar a partir de hoje.