sexta-feira, 13 de julho de 2018

Sábios antivacinais, por Drauzio Varella

O povo diz que Deus limitou a inteligência para que os homens não invadissem Seus domínios. Pena não ter feito o mesmo com a burrice humana.
No Brasil e em outros países, têm ganhado força os movimentos de oposição às vacinas. É um contingente formado, sobretudo, por pessoas que tiveram acesso a escolas de qualidade e às melhores fontes de informação, mas acreditam piamente em especulações estapafúrdias sobre os possíveis malefícios da vacinação.
Os argumentos para justificar suas crenças contradizem as evidências científicas mais elementares. Afirmam que as vacinas debilitam o organismo, impedem o desenvolvimento do sistema imunológico, causam alergias, autismo, retardo mental e outros males.
Defendem essas crendices com ar de superioridade intelectual, como se estivessem diante de um interlocutor estúpido, incapaz de entender a lógica cristalina de suas ideias concebidas nos blogs e sites mais bizarros que infestam a internet. Não lhes falta segurança; vivem embrenhados numa floresta de certezas.
Esquecem que, se chegaram à vida adulta sem as sequelas motoras da poliomielite, as cicatrizes da varíola ou a infertilidade da caxumba, é porque as gerações que os antecederam não foram insensatas como eles. Com a prepotência que a ignorância traz, negam ao filho os cuidados preventivos que receberam de seus pais.
Veja também: Produção de vacinas
Discutir com um desses sábios é tarefa mais inglória do que convencer um judeu a rezar virado para Meca ou uma evangélica a receber a Pomba Gira.
Quando o pediatra lhes recomenda vacinar as crianças, apelam para a teoria da conspiração: os médicos estariam mancomunados com a indústria farmacêutica, o governo e o capital internacional para explorar a boa fé de famílias indefesas.
Essas sumidades têm todo o direito de discordar dos médicos e dos avanços científicos, mas deveriam ser coerentes. Por que não aconselham os filhos a fumar? As filhas a fazer sexo sem proteção? Por que não amamentam os recém-nascidos com mamadeiras e leite em pó em vez de oferecer-lhes o seio materno, por pelo menos seis meses, como recomenda o mesmo Ministério da Saúde que vacina as crianças?
Nem todos os que deixam de completar o esquema vacinal dos filhos, fazem-no por ideologias de porta de botequim. Paradoxalmente, boa parte dessas crianças não é levada à Unidade de Saúde em virtude do sucesso dos programas de vacinação que tornaram raras essas doenças. Pais que não ouvem falar delas na vizinhança, tendem a menosprezar o risco que os filhos correm.
Esse descaso alimentado pelos grupos de ativistas que se comunicam pela internet, é responsável por mais de 7 mil casos de sarampo ocorridos em países europeus, nos quais a doença estava para desparecer.
Nasci num mundo sem vacinas. Tive sarampo, caxumba, catapora, rubéola e coqueluche, na época conhecidas como “doenças da infância”, espécie de tributo universal a ser pago por todos. Na escola e nas ruas, ouvíamos o som metálico das órteses mecânicas dos que sobreviviam à paralisia infantil. O menor sinal de febre e fraqueza nas pernas enlouquecia os pais.
Quando fiz internato do Hospital das Clínicas, na década de 1960, faltavam vagas na enfermaria de tétano. No Hospital Emílio Ribas, havia uma enfermaria para isolar os portadores de varíola, hoje erradicada do mundo. Na maturidade, entrei em coma e quase morri de febre amarela, pelo descuido absurdo de não renovar a vacina.
Avançamos muito em uma geração. Hoje, o Brasil é reconhecido como o país que organizou o maior programa de vacinações gratuitas, do mundo. Pessoas que se negam a imunizar os filhos não têm a desculpa da falta de recursos.
Os que alegam razões ideológicas assentadas em argumentos pseudocientíficos para não vaciná-los e os médicos que prescrevem vitaminas, extratos de plantas ou vacinas homeopáticas em lugar das que fazem parte do calendário do Ministério da Saúde, devem responder criminalmente por expor crianças ao risco de morte e a sociedade à disseminação de doenças quase extintas.

Justiça libera ex-ministro Henrique Alves, que cumpria prisão domiciliar, UOL

O juiz Francisco Eduardo Guimarães Rosa, da 14ª Vara, atendeu a um pedido da defesa e estendeu a Alves efeitos da decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), que revogou a prisão de outro réu no mesmo processo, o ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ). 
Cunha, no entanto, permanente encarcerado porque tem ordens de prisão vigentes em outros casos. 
O advogado de Alves, Marcelo Leal, disse que seu cliente já foi solto na manhã desta sexta (13). 
A defesa alegou excesso de prazo na prisão de Alves. Inicialmente, ele a cumpria em regime fechado. Mais recentemente, a Justiça Federal acolheu pedido para transferi-lo para o domiciliar. 
“Quanto ao pedido de extensão ao acusado Henrique Eduardo Alves dos efeitos da decisão liminar que determinou a soltura de Cunha por excesso de prazo, considerando que há nos autos manifestação do MPF (Ministério Público Federal) pela concessão do pedido e que os fundamentos adotados pelo ministro Marco Aurélio Mello se aplicam, pelas mesmas razões, ao ora requerente, defiro-o, determinando a expedição de alvará de soltura”, escreveu o magistrado. 
"Hoje acontecerá o último ato de instrução do processo com o interrogatório de Eduardo Cunha. Após a oitiva de quase uma centena de testemunhas, com todas as provas favoráveis à defesa, o processo caminha a passos largos para a absolvição de Henrique", afirmou, em nota, o advogado do ex-ministro.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Monsanto estuda recorrer de decisão sobre patente de soja, Valor

10/07/2018 - Valor Econômico
A multinacional americana Monsanto, que agora pertence à a alemã Bayer, está analisando “opções de recurso” da decisão da Justiça Federal sobre o depósito em juízo do valor referente aos royalties da patente da soja Intacta.
Na semana passada, a Justiça concedeu a liminar favorável à Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) na briga que envolve questionamentos sobre a legitimidade da patente da tecnologia desenvolvida pela Monsanto. A liminar determina que os royalties sejam depositados em juízo até que haja uma decisão final sobre a ação.
“Essa determinação não se trata de uma decisão de mérito na ação judicial, ou seja, a ação ainda não recebeu uma sentença e seguirá seu trâmite. A Monsanto está analisando opções de recurso e tomará todas as medidas necessárias para proteger seus direitos legais”, afirmou comunicado divulgado pela Monsanto.
Em novembro de 2017, a Aprosoja-MT entrou na Justiça contra a patente da soja Intacta — que combina tolerância ao herbicida glifosato e resistência a lagartas —, alegando que os registros da tecnologia não cumpririam os requisitos previstos na Lei de Propriedade Industrial.
Um dos argumentos da Aprosoja é que a Intacta combina duas tecnologias, ambas desenvolvidas pela Monsanto e já patenteadas e em domínio público: a RR1, que oferece resistência ao glifosato, e a tecnologia Bacillus thuringiensis (Bt), de resistência a lagartas. Assim, haveria “carência de atividade inventiva” e, portanto, uma nova patente não seria justificada.
Em comunicado, a Monsanto ressaltou que a patente foi mantida em vigor “e o sistema de cobrança de royalties permanece inalterado, razão pela qual a Monsanto continua legitimada a exercer plenamente os seus direitos de propriedade intelectual, nos termos dos contratos de licença com os produtores”.
A empresa “segue confiante e segura quanto à validade de suas patentes e dos demais direitos relativos a tal tecnologia” e reitera que não existia soja com proteção contra lagartas antes do lançamento da tecnologia intacta.
A Monsanto também afirmou que “qualquer decisão que prejudique os incentivos para investir na agricultura brasileira colocará esse progresso em risco”.