sexta-feira, 8 de maio de 2026

Sistema Cantareira perde 19,5 bilhões de litros de água em um mês em São Paulo, FSP

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São Paulo

Do dia 9 de abril até esta quinta-feira (7), o nível do sistema Cantareira, o maior reservatório de água da região metropolitana de São Paulo, baixou 1,9 ponto percentual, caindo de 43,8% para 41,9% do seu volume total.

Em litros, essa pequena diferença significa que saíram do sistema o total de 19,53 bilhões de litros de água, ou 12.665 litros para cada um dos 1.451.999 moradores da capital paulista (Censo 2022) nesse período.

O volume total do sistema Cantareira, que representa cerca de metade da água do SIM (Sistema Integrado Metropolitano), é de 981,56 bilhões de litros. No entanto, atualmente, as represas que o compõe (Jaguari-Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro) acumulam 411,02 bilhões.

A falta de chuva e a respectiva queda no Cantareira impacta todo o SIM, que é composto por outros seis sistemas: Alto Tietê, Cotia, Guarapiranga, Rio Claro, Rio Grande e São Lourenço.

Desta forma, a queda no SIM foi ainda maior. No dia 9 de abril, o nível de todo o sistema metropolitano estava em 56,5% e, um mês depois, já havia caído para 53,8%. Os 2,7 pontos percentuais representam 51,32 bilhões de litros de água a menos nos reservatórios da região.

A baixa dos níveis dos mananciais já era esperada, devido à chegada do período de estiagem no Sudeste, que vai do outono até o início da primavera, em setembro. Nesta época, as chuvas que chegam não são suficientes para repor o volume gasto, o que provoca uma queda constante.

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"As últimas chuvas regulares e com volume suficiente para contribuir para alguma elevação ou manutenção destes níveis ocorreram entre 1º e 10 de abril. Não tem mais chuva regular, abrangente, e muitas vezes fortes, como se pode ter no verão", explica Josélia Pegorim, meteorologista da Climatempo, enfatizando que a precipitação desta época não vai compensar as perdas naturais que vão ocorrer pela evaporação natural e a falta de chuva prolongada.

"Estamos praticamente iniciando o período normal de estiagem, quando o comum é não chover, isto é, termos dias e dias seguidos ensolarados", completa.

Um exemplo do que ela disse vai ser observado neste próximo fim de semana. Após vários dias quentes, com temperaturas máximas próximas dos 30°C, chega a São Paulo uma frente fria mais forte, que deve baixar as temperaturas no domingo (10). A previsão é de ventania mais forte, mas a chuva deve ser fraca.

A situação do SIM e, principalmente, do Cantareira, poderia estar pior não fossem as ações tomadas pelos órgãos governamentais e pela Sabesp, a empresa responsável pelo abastecimento no estado.

Desde a grande crise hídrica de 2014-2015, a Sabesp tem realizado obras para aumentar a segurança hídrica da região, como a integração entre sistemas produtores, reforçando a capacidade de transferência de água entre regiões, modernizando redes e intensificando o combate a perdas.

Naquela época, essas ações não existiam, o que fez com que o sistema Cantareira operasse no volume morto, usando a água que fica abaixo dos tubos de captação da Sabesp. Essa porção de água, que tem que ser bombeada, teve que ser usada pela primeira vez na história.

Após a recuperação do sistema, a partir de 2016, a companhia passou a realizar as obras para evitar que crise igual voltasse a ocorrer. Não ocorreu, mas desde 2023 o nível tanto do SIM quanto do Cantareira têm baixado progressivamente, ligando o alerta nas autoridades.

A última ação para ajudar a manter os mananciais foi tomada em agosto do ano passado, quando a Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) determinou a redução da pressão da água no encanamento da região metropolitana em dez horas, das 19h às 5h.

Mesmo com a melhora dos níveis dos reservatórios em março último, a agência decidiu manter a redução, uma vez que o volume não havia se recuperado totalmente e a estação seca estava pela frente.

São Paulo Airbnb inicia 'pente-fino' e pode derrubar anúncios de imóveis sociais na cidade de SP, FSP

 Donos de apartamentos em São Paulo anunciados no Airbnb, plataforma de aluguel de curta temporada, começaram a receber notificações sobre possíveis irregularidades e risco de exclusão dos anúncios no site.

Desde maio de 2025, um decreto da prefeitura de São Paulo proíbe que unidades de Habitação de Interesse Social (HIS) sejam destinadas ao aluguel de curta temporada. A regra foi estabelecida depois da descoberta de um esquema de fraudes das construtoras.

Em um comunicado via e-mail enviado ao dono de um imóvel cadastrado na plataforma, o Airbnb disse que "iniciou análises sobre eventuais irregularidades em acomodações anunciadas na plataforma na cidade de São Paulo, com base na listagem oficial fornecida nesta data pela Prefeitura de São Paulo".

"Nos próximos dias, os anfitriões que tenham anúncios irregulares receberão uma notificação da plataforma com detalhes sobre a remoção dos seus anúncios", diz o comunicado ao qual o g1 teve acesso.

No final de março, a prefeitura enviou à Câmara Municipal uma lista de empreendimentos imobiliários aprovados com incentivos municipais para a produção de moradia para a população de baixa renda.

Essa lista está sendo usada pela plataforma para identificar imóveis que estejam em desconformidade com a legislação.

Em nota, a empresa disse que tem atuado de forma contínua e colaborativa com a Câmara Municipal e com a Prefeitura de São Paulo, que iniciou a análise dos imóveis em 27 de abril e que, na última segunda (4), enviou o comunicado sobre anúncios irregulares aos anfitriões da cidade de São Paulo.

Prefeitura de SP envia lista de moradias sociais a CPI que investiga fraudes, mas vereadores apontam falhas

"O Airbnb reitera seu apoio à destinação das unidades de habitação social às famílias que precisam delas e continuará colaborando com o cumprimento da política habitacional do município", diz o texto.

A medida tomada pela plataforma acontece 8 meses após a Câmara Municipal instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis irregularidades no uso de imóveis destinados à moradia popular na capital.

"A retirada dos anúncios irregulares só vai ocorrer por pressão da CPI da HIS, que fez muita denúncia e cobrou, tanto as plataformas, quanto a Prefeitura", afirmou Sílvia Ferraro, covereadora da Bancada Feminista do PSOL.

Lista da prefeitura e inconsistências

O material consiste numa planilha com dados de 3.874 empreendimentos residenciais licenciados na capital entre janeiro de 2020 e fevereiro de 2026, com 507.200 unidades habitacionais divididas em quatro categorias:

  • 68.410 unidades de Habitação de Interesse Social 1 (HIS-1) - para famílias com renda até 3 salários mínimos
  • 304.645 unidades de Habitação de Interesse Social 2 (HIS-2) - para famílias com renda até 6 salários
  • 59.956 unidades de Habitação de Mercado Popular (HMP) - para famílias com renda até 10 salários
  • 74.189 unidades residenciais sem destinação por faixa de renda

O vereador Nabil Bonduki (PT), vice-presidente da CPI, considerou a planilha pouco funcional para fiscalização. Para ele, o material entregue não é uma relação clara de unidades habitacionais, mas um compilado de planilhas com inconsistências, lacunas e organização confusa, que dificulta o uso prático.

"Na prática, a identificação depende de um trabalho manual, caso a caso, inviabilizando qualquer tentativa de fiscalização efetiva. Do jeito que está, é impossível automatizar a retirada de anúncios ilegais ou mesmo fazer uma conferência minimamente eficiente", afirmou em publicação no X.

Outro problema apontado pelos parlamentares é a ausência de dados sobre imóveis licenciados antes de 2020.

O vereador Rubinho Nunes (União Brasil), presidente da CPI que investiga desvios nas habitações sociais, foi procurado, mas preferiu não se manifestar sobre o material apresentado pela gestão Ricardo Nunes (MDB).