terça-feira, 19 de maio de 2026

Para certas trevas, é ainda Dostoiévski quem tem a lanterna, João Pereira Coutinho - FSP

 O problema do nosso mundo é não ler mais Dostoiévski. Pensei nisso quando soube, pela imprensa internacional, que o FBI investiga uma sucessão de "mortes suspeitas" a pedido do Congresso. Falo de cientistas de renome, pesquisadores das áreas nuclear ou aeroespecial, que desapareceram sem deixar rastro ou foram simplesmente assassinados.

No meio da lista, aparece o nome de Nuno Loureiro, 47 anos, português. Um físico brilhante do MIT e amigo de um amigo meu. Em dezembro passado, Portugal ficou em choque com a história: na porta de casa, Nuno Loureiro foi morto a tiros. Por quem?

Aqui, a tragédia ganha contornos ainda mais assustadores: por um ex-colega, Cláudio Valente, praticamente da mesma idade e com uma trajetória de vida que era a sombra de Loureiro.

Mais de 20 anos atrás, os dois estudaram no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, uma das grandes escolas de engenharia de Portugal.

Homem aparece refletido de costas em um espelho de moldura rebuscada, sobreposto a um emaranhado de escadas.
Angelo Abu/Folhapress

Na pós-graduação, emigraram. Nuno Loureiro fez seu doutorado e iniciou uma carreira de prestígio nos Estados Unidos. Cláudio Valente desistiu dos estudos e desapareceu do radar.

Duas décadas depois, reapareceu: primeiro, para cometer um massacre na Universidade Brown, onde estudara sem concluir o doutorado. Matou dois alunos e feriu nove. Dois dias depois, assassinou o ex-colega.

Quando eu soube da história, minha imaginação literária pensou em Dostoiévski. Não apenas porque o assassino é o típico homem do subsolo que, cultivando o próprio ressentimento, acusa o mundo dos seus próprios fracassos. A questão é mais literal: com 24 anos apenas, Dostoiévski escreveu uma novela que parece a anatomia antecipada desse crime.

O título é "O Duplo", e ela narra a história de Iákov Goliádkin, funcionário público de São Petersburgo, a quem o médico recomenda uma vida mais alegre. "O senhor precisa de uma mudança radical e, em certo sentido, de transformar o seu caráter", diz-lhe o doutor Ivánovich.

Mas a alegria não existe para Goliádkin, um desajustado social que procura desesperadamente reconhecimento.

Uma noite, depois de mais uma humilhação pública, Goliádkin é confrontado por um estranho personagem: um homem igual a ele, que carrega o mesmo sobrenome. Um Goliádkin júnior, como escreve Dostoiévski, que tem as qualidades que faltam a Goliádkin sênior.

Palavras em russo: Dostoiévski
Theo Lamar/Folhapress

É alegre. É audacioso. É um sucesso profissional na mesma repartição estatal de Goliádkin sênior. "Com que rapidez, pensando bem, pode um homem chegar assim e 'ganhar' toda a gente!", observa, com inveja e temor, o pobre Goliádkin original.

A inveja cresce. O sentimento de inferioridade também. Goliádkin sênior tenta desesperadamente "esclarecer o assunto" junto aos superiores.

Mas o duplo, o júnior, já tramou contra ele —e Goliádkin sênior sente o mundo se fechar, de forma injusta e absurda, prenunciando o seu fim.

Há várias interpretações sobre essa novela de juventude. Seria o novo Goliádkin uma mera projeção da mente doente do velho Goliádkin?

Seria um personagem real, ainda que investido de semelhanças físicas e onomásticas pelo próprio Goliádkin –uma espécie de versão melhorada dele mesmo, mistura de desejo e autopunição?

Todas as interpretações são possíveis, porque todas convergem para o mesmo ponto: quando atribuímos a um duplo, real ou imaginário, a razão do nosso naufrágio, as portas do inferno estão abertas.

Na obra de Dostoiévski, o inferno do ressentido toma várias formas: às vezes chama-se duplo; outras, subsolo; outras ainda, crime, ideologia ou parricídio. Em todos os casos, começa no mesmo lugar: na recusa em admitir que o inimigo mortal mora dentro de casa.

Mas Dostoiévski não faz apenas o diagnóstico; ele sugere que a salvação começa quando o homem já não precisa de um inimigo para explicar a própria ruína.

O assassino Cláudio Valente foi vencido pelo inimigo que carregava dentro de si. Depois de cometer os crimes, refugiou-se num armazém abandonado. Gravou vídeos nos quais teria dito: "Não vou pedir desculpas, porque durante a minha vida ninguém me pediu desculpas", uma frase que é puro Dostoiévski.

E, quando a polícia finalmente o cercou, cometeu suicídio.

Semanas atrás, o FBI divulgou uma avaliação comportamental do homicida. Conclusões? "À medida que os fracassos superavam os sucessos", concluíram as autoridades, "sua paranoia se intensificou, culminando em um estado de profunda perturbação mental e numa determinação em morrer".

E mais: "Cláudio Valente procurou superar sua vergonha e inveja recorrendo à violência para punir comunidades que via como responsáveis por sua queda".

Sim, teorias da conspiração têm lá o seu charme. Mas, para explicar certas trevas, ainda é Dostoiévski quem segura a lanterna.

Calor extremo já custa bilhões e deve testar sistema elétrico em 2026, Eixos

 


Editada por Nayara Machado
nayara.machado@eixos.com.br
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A mais recente previsão de cientistas de meteorologistas aponta que o fenômeno que aquece as águas do Oceano Pacífico Equatorial estará de volta no segundo semestre do ano, trazendo com ele a intensificação de eventos climáticos como ondas de calor, secas e inundações.
 
Para este ano, a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), calcula a probabilidade de 60% de desenvolvimento do El Niño, para o trimestre maio-junho-julho, e mais de 90% a partir da próxima primavera, em setembro. (G1)
 
E se, na média global, os três primeiros meses de 2026 foram os quartos mais quentes já registrados, com a expectativa de um El Niño forte – e potencialmente “super” – em setembro, prepare-se para o calor
 
Uma análise do Carbon Brief prevê que 2026 provavelmente será o segundo ano mais quente já registrado, e possibilidade de 2027 ser recordista.
 
Some ao fenômeno o aquecimento de longo prazo causado pelas atividades humanas, as temperaturas podem subir acima de 2,5°C no fim de 2026 e as consequências dos extremos climáticos são motivo de alerta para diversos setores da economia.
 
Só em 2025, empresas no mundo todo reportaram que eventos climáticos causaram quase US$ 3 bilhões em perdas reais, principalmente devido ao aumento de custos diretos e paralisações operacionais, sendo chuvas intensas o principal fator isolado dessas perdas (US$ 1,5 bilhão), segundo o CDP.
 
A plataforma de divulgação ambiental alerta em seu novo relatório que eventos climáticos extremos estão provocando impactos financeiros materiais em toda a economia global. 
 
Cerca de 62% das cidades, estados e regiões que reportaram dados na plataforma afirmaram já estar sendo significativamente impactados por eventos climáticos extremos. 
 
“Estes eventos estão sendo reconhecidos por governos subnacionais como um risco financeiro e econômico, com quase um quarto (23%) dos participantes destacando especificamente atividades financeiras e de seguros como altamente expostas à intensificação dos riscos climáticos”, diz o CDP.

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Pressão energética

Das perdas financeiras globais à Copa do Mundo de futebol masculino, o clima extremo também está impactando os sistemas energéticos e, no Brasil, a possibilidade de formação de um El Niño em 2026 é um ponto de atenção para o setor elétrico.
 
Estudo da Nottus, empresa de inteligência de dados e meteorologia, aponta que o fenômeno pode elevar o risco de extremos climáticos e pressionar o sistema elétrico nos próximos meses. 
 
De um lado, o aumento do calor significa maior consumo de energia para refrigeração. Do outro, secas prolongadas reduzem a capacidade de geração hidroelétrica, e prejudicam a produção de bioenergia — assim como chuvas intensas.
 
“O principal ponto não é discutir se teremos um El Niño forte ou muito forte, mas entender que eventos climáticos hoje acontecem em um contexto de aquecimento global, o que potencializa extremos meteorológicos e traz consequências em diversos setores como infraestrutura, consumo e energia”, comenta Alexandre Nascimento, sócio-diretor e meteorologista da Nottus.
 
A análise indica que as regiões Centro-Oeste e Sudeste podem registrar temperaturas acima da média no segundo semestre, com maior frequência de ondas de calor e aumento da demanda por refrigeração e consumo de energia elétrica. 
 
No Norte e Nordeste, a tendência de redução das chuvas pressiona recursos hídricos e afeta a geração hidrelétrica.
 
A consultoria traz exemplos do impacto do último episódio de El Niño, entre 2023 e 2024, sobre o setor elétrico brasileiro.
 
Naquele período, enquanto o país registrava recordes de demanda de energia associados às ondas de calor intensas e prolongadas, Centro-Oeste e Sudeste ardiam com incêndios florestais e estresse hídrico em lavouras de cana e grãos, com prejuízos para a produção de biocombustíveis. 

Ondas de calor dificultam planejamento

Ao mesmo tempo em que o planejamento é uma ferramenta para preparar o sistema energético para lidar com os desafios climáticos, a elevação das temperaturas e a maior frequência de ondas de calor estão tornando as projeções mais complexas.
 
Um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgado no final de 2025 alerta que as variações nas condições climáticas tendem a gerar picos de consumo cada vez mais intensos e menos previsíveis. Consequentemente, fica mais difícil garantir que o sistema consiga atender às oscilações bruscas de demanda por eletricidade.
 
O ar-condicionado é um exemplo. Segundo a EPE, as aquisições cresceram 18% entre 2005 e 2019 e a climatização pode representar entre 13,7% e 17,9% do consumo residencial em 2036.

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CURTAS

Leilão das térmicas na Justiça. A ofensiva judicial contra os resultados do leilão de reserva de capacidade (LRCAP) ganhou força com uma ação civil pública da Fiesp pedindo para que os resultados da contratação de março sejam anulados. judicialização se soma a uma série de outros questionamentos, que levaram a Aneel a adiar a homologação dos resultados.

  • A Fiesp questiona a definição da demanda contratada, a metodologia da formação dos preços-teto, a baixa competitividade e os impactos econômicos dos contratos.  
Terras raras. O presidente Lula voltou a dizer nesta segunda-feira (18) que o Brasil não vai abrir mão de sua soberania para exploração de minerais críticos e terras raras existentes no país. Durante evento realizado em Campinas (SP), Lula destacou que outros países poderão se associar ao Brasil para explorar esses recursos, dentro do território brasileiro.
 
Corredor verde. A norueguesa Odfjell anunciou nesta segunda (18/5) o início da operação do primeiro corredor verde para navios-tanque entre o Brasil e a Europa movido a biocombustível. A iniciativa usará uma mistura de 24% de biodiesel e 76% de VLSFO (óleo combustível de baixa viscosidade) produzida pela Petrobras.
 
E por falar em biobunker… A Petrobras vai investir R$ 3,3 bilhões na segunda área contratada no Porto de Santos e ampliar a capacidade de tancagem na região, anunciou a presidente da estatal, Magda Chambriard, durante evento na Replan, nesta segunda (18/5), com a presença do presidente Lula (PT).
  • O valor vai ser destinado à ampliação do terminal aquaviário, um novo píer e maior área de tancagem. Com isso, a estatal será capaz de vender bunker com 24% de biodiesel em São Paulo.
Etanol competitivo. Os preços médios do etanol hidratado caíram em 19 estados e no Distrito Federal (DF), subiram em dois e ficaram estáveis em quatro na semana passada, segundo dados da ANP, compilados pelo AE-Taxas. Nos postos pesquisados pela ANP em todo o país, o preço médio do etanol recuou 1,35%, para R$ 4,38 o litro.
 
Infraestrutura resiliente. Nos últimos cinco anos, governos, investidores e bancos investiram cerca de US$ 100 bilhões em iniciativas para lidar com os efeitos das mudanças climáticas na Ásia, sendo que a maior parte desse capital foi destinada a projetos de água e infraestrutura, mostra levantamento. (Bloomberg)
 
Alívio no petróleo? Os EUA aceitaram suspender, em uma nova proposta, as sanções petrolíferas contra o Irã, segundo uma fonte próxima à equipe de negociações ouvida pela agência de notícias Tasnim, em mensagem enviada nesta segunda (18/5) via Telegram.
  • A suspensão das sanções significa uma flexibilização temporária das medidas restritivas sobre a commodity iraniana e pode aliviar os preços do petróleo.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Temperatura na cidade de São Paulo aumenta mais do que a média global, Agência Fapesp

 Elton Alisson | Agência FAPESP – As temperaturas mínima e máxima do ar na cidade de São Paulo têm aumentado muito acima da média mundial nos últimos 125 anos. Enquanto a temperatura média global subiu aproximadamente 1,2 °C desde 1900, e a da superfície terrestre, 2 °C – segundo dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) –, na capital paulista a máxima diária, que ocorre em torno das 13h, cresceu 2,4 °C, acentuando-se principalmente a partir de 1950. Já a temperatura mínima diária, registrada tipicamente às 6h, teve um incremento de 2,8 °C desde o início do século 20.

As observações foram feitas por Humberto Ribeiro da Rocha, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), em palestra apresentada no encontro “Eventos extremos de calor e água: Mitigando os efeitos adversos das mudanças climáticas na saúde das cidades”, promovido pela FAPESP e pela Organização Neerlandesa para Pesquisa Científica (NWO, na sigla em inglês) em 7 de maio, no auditório da Fundação.

Por meio de estudos conduzidos no âmbito do Centro para Segurança Hídrica e Alimentar em Zonas Críticas – um Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) apoiado pela FAPESP –, Rocha e os pesquisadores Miguel de Carvalho DiafériaRodrigo LustosaAna Nogueira Campelo Denise Duarte têm constatado que as disparidades da temperatura na cidade de São Paulo em relação à média global estão relacionadas à ilha de calor urbana. O fenômeno ocorre em áreas urbanizadas que apresentam temperaturas significativamente mais altas devido à substituição da cobertura de vegetação por materiais de construção, como asfalto, concreto e alvenaria.


“Eventos extremos de calor e água: Mitigando os efeitos adversos das mudanças climáticas na saúde das cidades” foi promovido pela FAPESP e pela Organização Neerlandesa para Pesquisa Científica (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)

Em um novo estudo, os pesquisadores vinculados ao centro analisaram as relações entre a ilha de calor urbana e a cobertura de vegetação em 70 cidades do Estado de São Paulo utilizando dados de temperatura da superfície terrestre referentes ao período de 2013 a 2025, obtidos por meio de satélites do programa Landsat, da agência espacial norte-americana (Nasa).

Os resultados das análises apontaram que, no verão, a temperatura de superfície nas áreas urbanizadas mais críticas da Grande São Paulo atinge até 60 °C, marca típica de grandes galpões industriais. Por outro lado, nas áreas mais frias, com maior cobertura vegetal e corpos d’água, a temperatura chega, no máximo, a 25 °C.

Outras constatações feitas por meio do trabalho, em vias de publicação, foram que a temperatura nas áreas urbanizadas mais quentes da região foi, na média, entre 7 °C e 12 °C superior à das áreas frias durante o verão.

“Ao olhar a distribuição das ilhas de calor ao longo do Estado de São Paulo, notamos que há uma grande concentração na região nordeste, onde também há o cultivo em larga escala de cana-de-açúcar e, pontualmente, em algumas cidades, como as da Região Metropolitana de São Paulo, onde as áreas mais quentes são as com maior densidade populacional. Mas o fenômeno não se restringiu às grandes cidades: as pequenas também apresentam ilhas de calor de forma consolidada”, ponderou Rocha.

Efeitos das ondas de calor

Por meio de um novo projeto realizado com suporte do CCD e do projeto municipal “Sampa Adapta”, conduzido pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, os pesquisadores começaram a medir a temperatura do ar na Região Metropolitana de São Paulo com o objetivo de identificar o efeito das ondas de calor em escala regional e local, no nível das ruas e residências. Para isso, analisaram dados obtidos por 25 estações meteorológicas no nível da rua e no interior de residências e escolas, além de dezenas de outras mantidas pelo Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE), operado pela Defesa Civil do Estado de São Paulo.

Os resultados das análises revelaram que, nos últimos 15 anos, durante as ondas de calor, têm sido registradas em vários locais da Região Metropolitana tardes muito quentes, com temperaturas variando entre 30 °C e 34 °C. Já à noite, a temperatura do ar por volta das 22h atinge 28 °C.

“Esse dado é muito crítico, porque é nesse horário que a maioria das pessoas vai dormir”, disse Rocha.

Nessas condições, a sensação térmica no interior das casas foi ainda mais exacerbada em razão de uma sucessão de noites com temperatura em torno de 30 °C. “Várias edificações não tinham isolamento térmico suficiente contra o calor externo e, à noite, se comportaram como pequenos fornos aquecidos que retiveram o calor”, comparou Rocha.

A iniciativa Sampa Adapta integra gestão pública, ciência e participação social para fortalecer e aprimorar as políticas públicas voltadas ao enfrentamento dos efeitos do calor extremo na cidade de São Paulo. Os pesquisadores do IAG-USP são responsáveis pela instalação técnica e análise dos dados obtidos por sensores para estimar a temperatura do ar no nível da rua, tanto em ambientes internos quanto externos.

Soluções baseadas na natureza

A implementação de soluções baseadas na natureza (SbN) pode contribuir para o resfriamento do ar em escala local, apontou o pesquisador.

Por meio da análise de dados obtidos por estações meteorológicas, os pesquisadores do CCD avaliaram a relação entre a temperatura média do ar no nível da rua na Grande São Paulo e as condições de sombreamento de vegetação em experimentos urbanos. Os resultados corroboraram a eficiência da cobertura vegetal em promover o “efeito oásis”, que proporcionou um resfriamento local pronunciado, de até 7 °C, em relação às ruas urbanizadas.

“Temos vários indícios de que a revegetação urbana na Região Metropolitana e, de forma geral, no Estado de São Paulo é não só uma oportunidade potencial, mas também viável para o resfriamento urbano nos eventos extremos”, afirmou.

Parceria com os Países Baixos

O evento selou o compromisso de mais de uma década de cooperação entre a FAPESP e a NWO. O presidente da FAPESP, Marco Antonio Zago https://fapesp.br/11697, destacou que os Países Baixos estão entre os dez principais colaboradores científicos de São Paulo.

“Uma das características dessa cooperação é que ela não é tão grande em número de projetos, mas são sempre de alta qualidade e selecionados com extremo cuidado, dando origem a artigos e soluções muito bem referenciados pela literatura científica”, avaliou Zago.

Pelo lado neerlandês, Lilianne Sweere, oficial de políticas da NWO, celebrou a sinergia encontrada nos cinco projetos selecionados para os próximos cinco anos. “Ficamos muito satisfeitos com as discussões e a atitude positiva de trabalhar além de seus próprios projetos, buscando oportunidades que vão além do cronograma atual”, afirmou.

No mesmo sentido, Julia Rather, também da NWO, expressou a honra da colaboração que já soma 12 anos. “É magnífico ver os pesquisadores conversando e colaborando tanto”, disse Rather, antecipando o convite para a FAPESP Week que ocorrerá no país europeu em outubro de 2027.

Raul Machado, gerente de Relações Institucionais da FAPESP, reforçou que o objetivo do evento conjunto é multiplicar os resultados e as parcerias entre pesquisadores do Brasil e dos Países Baixos nos próximos anos.

“Estamos muito satisfeitos em implementar essa iniciativa porque a FAPESP Week não é apenas uma ocasião de apresentação de projetos científicos; é uma oportunidade de criar parcerias. Nosso objetivo é que esse número consistente de relacionamentos seja multiplicado por três”, afirmou.

O evento também contou com a participação de Thelma Krug, vice-presidente do IPCC entre 2015 e 2022 e membro do Conselho Superior da FAPESP, que reforçou a urgência de preparar as cidades para cenários que podem ultrapassar o aquecimento de 1,5 °C ainda neste século.

“A influência humana no aquecimento é inequívoca e rápida. Sem ela, não conseguiríamos explicar as mudanças observadas desde 1950”, pontuou Krug, destacando que o IPCC lançará em 2027 um relatório especial focado exclusivamente em cidades, dado o seu potencial crítico de mitigação.