terça-feira, 26 de maio de 2026

Precisamos de incentivos pros ricos saírem da sonegação, Joanna Moura, FSP

 Esses dias vi um vídeo de um certo apresentador de televisão falando sobre como os mais pobres precisam de um incentivo para saírem do Bolsa Família. Segundo ele, essas milhões de pessoas que hoje dependem dos R$ 600 oferecidos pelo programa não saem dele porque não querem. Pelo contrário, segundo o apresentador, essas famílias em estado de vulnerabilidade social criam "atalhos" justamente para não prosperarem e assim poderem permanecer no programa.

A fala do tal apresentador não surpreende. Afinal, ricos como ele costumam ter uma visão muito crítica a qualquer tipo de assistência social ou programa que de fato permita algum tipo de redistribuição de riquezas. O que esses abastados não costumam mencionar é que o Brasil vive uma verdadeira epidemia de assistencialismo aos ricos.

A imagem mostra um painel chamado 'Impostômetro', que exibe um número grande em destaque: 1.569.038.734.122,65. Abaixo, estão as palavras 'TRILHÕES', 'BILHÕES', 'MILHÕES', 'MIL', 'REAIS' e 'CENTAVOS'. O painel está fixado em um edifício, e ao fundo, há outros prédios. Uma pessoa está caminhando na calçada em frente ao painel.
Impostômetro, painel localizado na sede da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), no Centro Histórico da capital paulista que representa impostos, taxas e contribuições, incluindo multa, juro e correção monetária - Rafaela Araújo - 23.mai.25/Folhapress

Vemos diante de nossos olhos uma classe inteira viciada em mamatas, atravancando o crescimento do Brasil. Governo sai, governo entra e tudo segue igual: empresários, banqueiros, herdeiros e demais abastados de todas as categorias mamam indiscriminadamente nas tetas do Estado, bolando todo tipo de estratégia para ganhar mais e pagar menos. Táticas populares incluem sonegar impostos, ocultar patrimônio, fraudar o sistema financeiro, cooptar agentes do Estado, enfim, fazer o que podem para ganhar mais e pagar menos, assistindo a si próprios, trabalhando em prol de seus próprios interesses. Uma vergonha.

"Ah, mas eles precisam!", dirão os defensores da classe. "Os impostos no Brasil são deveras altos. Se pagassem tudo que devem ao Estado brasileiro, ou pior, se tratassem de forma digna trabalhadores, lhes oferecendo minimamente o que a Constituição e a CLT lhes garantem (imagine que ousadia), não sobraria o suficiente para sustentar seus helicópteros, jatinhos, iates, vidas luxuosas, noivados em castelos, ilhas privativas e viagens de esqui pelos Alpes Suíços", alegam, justificando suas maracutaias.

"Ah, mas eles trabalharam muito pra conquistar tudo o que têm", dirá a ingênua classe média que se vê correndo sérios (e delirantes) riscos de pertencer a este grupo de abastados e acabar sofrendo destas mesmas mazelas, sendo obrigada a recorrer a estes subterfúgios para manter o mínimo de dignidade.

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A verdade é que o governo brasileiro é e sempre foi uma mãe para essa finíssima fatia da população, seja legislando em seu favor (afinal, onde mais no mundo o consumo de uma diarista é proporcionalmente mais tributado do que os dividendos de um bilionário?), seja se mostrando aberto aos seus galanteios não necessariamente lícitos, seja fazendo vista grossa para seus desvios éticos e financeiros.

E aí o resultado é um grupo de ricos que não tem nenhum incentivo a contribuir com o mínimo, que está viciado em acumular renda em escala muito maior do que aquilo que efetivamente devolve à sociedade, vivendo às custas do trabalhador que sai todo dia para produzir e gastar seu ordenado contraindo dívida no carnê para manter a economia girando.

Antes que me apedrejem, deixo claro que sim, há exceções. Há boatos de que, embora raro, existe, sim, o rico com alguma consciência social. Mas trabalhemos aqui com a média, com a regra, que é o que conta no fim das contas.

Fica aqui então o meu apelo ao governo. Precisamos de incentivos para que esses ricos encostados em seus lucros e dividendos comecem a parte que lhes cabe.

Receita Federal retém 22 toneladas de camisas de seleções e clubes no porto de Santos, FSP

 

São Paulo

Receita Federal reteve um contêiner com cerca de 22 toneladas de materiais esportivos no porto de Santos, no litoral de São Paulo. A apreensão ocorreu no último dia 20 e inclui aproximadamente 120 mil camisas de seleções e de clubes brasileiros.

Segundo o órgão, foram encontradas camisas de seleções da Copa do Mundo, como Brasil, ArgentinaPortugalAlemanhaEspanhaJapão e México. Também havia peças de clubes brasileiros, entre eles Santos, FlamengoBotafogo, Atlético Mineiro e Portuguesa.

A fiscalização identificou ainda duas toneladas de malas na parte da frente do contêiner. O restante da carga trazia camisas esportivas. Esse formato chamou atenção da Receita por se diferenciar de outras retenções recentes, em que produtos falsificados estavam misturados a diferentes tipos de mercadoria.

Amostras das camisas retidas em Santos (SP) - Divulgação Receita Federal

Além desse caso, a Receita informou ter retido outros 15 contêineres com cerca de 75 toneladas de produtos falsificados nos últimos meses. A estimativa é de que aproximadamente 428 mil camisas esportivas estejam entre os itens apreendidos.

Na semana passada, a Receita fechou dois shoppings na região do Brás, no centro de São Paulo, durante uma operação que apreendeu camisas falsas de times de futebol, além de calçados, perfumes e cigarros eletrônicos.

O órgão estimou que a ofensiva pode resultar em cerca de R$ 300 milhões em mercadorias apreendidas ao longo de duas semanas.

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Também na última semana, a Polícia Civil do Rio de Janeiro apreendeu mais de 200 mil figurinhas falsificadas da Copa do Mundo de 2026 dentro de um ônibus em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Na ação, agentes encontraram centenas de camisas da seleção brasileira com indícios de falsificação. Segundo a investigação, o material seria distribuído na capital fluminense e em cidades da região metropolitana.


Bolsa Família: de intocável, o programa entrou na tesoura, Luciano; quanto queremos gastar?, Pedro Fernado Nery - OESP

 Ajuda, Luciano. Cortaram o Bolsa Família. O programa perdeu R$ 30 bilhões em apenas dois anos. R$ 30 bilhões é o que o Bolsa Família gastava antes da pandemia. Tiraram um Bolsa Família velho do Bolsa Família novo, e ninguém está falando disso.

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Em março, a despesa acumulada com o Bolsa em 12 meses caiu abaixo de R$ 160 bilhões. Há dois anos, eram quase R$ 190 bilhões. O Bolsa Família tem passado por sucessivos cortes reais em seu orçamento.

Claro, o programa cresceu muito na esteira da pandemia, e o mercado de trabalho melhorou. Mas, na sua história, ele jamais sofreu cortes tão significativos. Enquanto sociedade, nunca discutimos: quanto queremos gastar com o programa? De intocável, o programa entrou na tesoura.

Luciano Huck fez algum questionamento sobre as portas de saída do Bolsa Família, em um evento do Esfera
Luciano Huck fez algum questionamento sobre as portas de saída do Bolsa Família, em um evento do Esfera Foto: Werther Santana/Estadão

Ajuda, Luciano. Em 2020, o Congresso botou R$ 600 como valor da ajuda para os mais pobres diante do distanciamento social. O presidente Lula prometeu voltar o valor nas eleições. E o valor é o mesmo até agora. Nunca foi reajustado.

Se mantivesse o valor de abril de 2020 neste abril de 2026, os R$ 600 seriam R$ 840. O benefício pago a famílias pobres perdeu 30% do seu valor. Benefícios do INSS, o FAT e até o BPC são protegidos da inflação. O governo deu reajuste a servidores. O Bolsa Família não recebeu, e ninguém fala disso.

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Qual deve ser o valor do Bolsa? É outra pergunta que não fizemos. Como o silencioso corte no seu orçamento, o piso do benefício também tem sido reduzido sem ninguém perceber.

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Luciano Huck fez algum questionamento sobre as portas de saída do Bolsa Família, em um evento do Esfera. Recebeu críticas. O ímpeto dos defensores do programa poderia ser redirecionado. O governo vem cortando o orçamento e o valor real do benefício, talvez porque concorde em algum grau com questionamentos como o feito por Luciano.

A discussão deveria se dar de forma mais aberta. Para a preocupação de Huck, insisto na ideia da renda universal infantil, solução adotada por vários países que evita desestimular o trabalho de beneficiários. A vulnerabilidade da família é atestada pela presença de crianças no domicílio, não por quanto ela ganha.

Se um adulto consegue emprego, a família continua recebendo do mesmo jeito. Uma regra simples e de fácil operacionalização, que faz sentido em um país em que a pobreza está desproporcionalmente concentrada em crianças.

IBGE divulgou neste mês um alerta para a renda dos mais pobres: “apesar do expressivo crescimento acumulado no período de 2019 a 2025, nota-se, no último ano, um arrefecimento da taxa de expansão do rendimento desse grupo”. Por que não falar sobre o Bolsa Família?