sexta-feira, 3 de julho de 2026

Lula enfileira inaugurações no limite do prazo eleitoral, promove aliados e prioriza SP, FSP

 Caio Spechoto

Brasília

O presidente Lula (PT) mobilizou sete integrantes do primeiro escalão de seu governo nesta sexta-feira (3) para, no limite do prazo eleitoral, fazer atos de inauguração e entrega para 12 cidades diferentes e promover aliados.

Foram elas Altos (PI), Barra de São Miguel (AL), Bauru (SP), Campinas (SP), Cotia (SP), Garanhuns (PE), Itabaiana (SE), Mauá (SP), Nova Iguaçu (RJ), Osasco (SP), Tefé (AM) e Vassouras (RJ).

Houve uma cerimônia central, no Palácio do Planalto, de onde Lula discursou três vezes. As falas eram transmitidas para os atos nas cidades —e as cerimônias nos municípios, com discursos de autoridades do governo federal e outras pessoas, também tinham transmissão.

Homem idoso com barba branca veste terno escuro, camisa branca e gravata listrada, usa chapéu preto e segura microfone enquanto gesticula com a mão direita. Fundo colorido em azul e laranja.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a cerimônia de entregas simultâneas no Palácio do Planalto - Gabriela Biló/Folhapress

Os eventos também promoveram aliados de Lula. Em alguns desses lugares, deputados e senadores aliados apenas apareciam no palco no momento dos discursos. Em outros, eles puderam falar.

As cerimônias tiveram clima de comício em diversos momentos, com o público gritando "Olê, olê, olá/ Lula Lula". Cinco das 12 cidades eram em São Paulo, estado com maior eleitorado do país e considerado chave para a reeleição do presidente da República.

A entrega de obras deverá ser mencionada com frequência na campanha eleitoral do petista. Lula quer fazer comparações constantes de seu governo com o de Jair Bolsonaro (PL), a quem acusa de ter abandonado obras federais.

PUBLICIDADE

A partir de sábado (4), as regras eleitorais impedem o presidente de participar de atos de inauguração. A norma tenta limitar o uso da máquina pública em campanhas políticas.

Os atos desta sexta foram nas áreas de educação, saúde e habitação. Nos discursos, Lula e seus auxiliares mencionavam que haveria outras entregas até o fim do dia não incluídas no ato principal.

"A gente está fazendo isso [atos simultâneos] porque a partir de hoje a gente não pode inaugurar mais nada", disse o presidente, que, na quinta, ironizou as restrições, chamando-as de papagaiada.

"Essas entregas que estamos fazendo na educação… tem mais entrega, tem outras cidades que não puderam entrar conosco por causa do tempo", declarou Lula.

Em dois momentos, houve dificuldades de comunicação com os atos nas cidades.

O petista também fez referência à eleição, ainda que sem mencionar a disputa diretamente. Disse que os agentes públicos vão ser avaliados pelo que fizeram ou deixaram de fazer, não pelo que falam. "A gente não vai permitir que a mentira prevaleça nesse país. Esse ano é o ano da verdade. E a verdade, outra vez, vai prevalecer", declarou.

Em outro momento, o petista mostrou o dedo médio ao defender melhores condições materiais para a população de baixa renda. "Precisamos acabar com essa história, que eles pensam que o pobre não gosta de coisa boa. Aqui para eles", declarou o chefe de governo.

Uma das obras inauguradas foi um hospital em Garanhuns (PE), terra natal de Lula, que ganhou o nome de Dona Lindu, a mãe do presidente.

Além de Lula, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, e a primeira-dama Janja Lula da Silva falaram no Palácio do Planalto. Janja discursou sobre o combate à violência contra a mulher.

Os demais integrantes do primeiro escalão do governo que participaram do ato foram o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e os ministros Alexandre Padilha (Saúde), Guilherme Boulos (Secretaria Geral), Leonardo Barchini (Educação), Wellington Dias (Desenvolvimento Social) e Vladimir Lima (Cidades).


CIDADES COM INAUGURAÇÕES NO ATO DO PALÁCIO DO PLANALTO

  • Bauru (SP) – Geraldo Alckmin e o reitor do IFSP (Instituto Federal de São Paulo), Silmário dos Santos, discursaram em inauguração de novo prédio do instituto;

  • Campinas (SP) – Alexandre Padilha e o vice-prefeito Wandão (PSB) discursaram na entrega de equipamentos de saúde;

  • Cotia (SP) – Guilherme Boulos discursou em inauguração de campus do IFSP;

  • Mauá (SP) – Leonardo Barchini, o prefeito Marcelo Oliveira (PT) e os deputados Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Marina Silva (Rede-SP) discursaram em inauguração de campus do IFSP;

  • Osasco (SP) – o secretário de Articulação Intersetorial do MEC, Gregório Grisa, e o deputado estadual Emídio de Souza (PT-SP), discursaram em inauguração de campus do IFSP;

  • Altos (PI) – Wellington Dias e o governador Rafael Fonteles (PT-PI) discursaram em inauguração de campus do IFPI (Instituto Federal do Piauí);

  • Barra de São Miguel (AL) – o secretário de Habitação do Ministério das Cidades, Augusto Henrique Alves Rabelo, e o deputado Arthur Lira (PP-AL) discursou na entrega de 200 unidades habitacionais;

  • Garanhuns (PE) – o secretário de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Mozart Salles, o senador Humberto Costa (PT-PE) e o prefeito Sivaldo Albino (PSB) discursaram na inauguração do Hospital do Amor Dona Lindu, cujo nome homenageia a mãe de Lula. O ex-prefeito de Recife e pré-candidato a governador João Campos (PSB) fez uma rápida intervenção sobre o andamento da solenidade;

  • Itabaiana (SE) – o secretário de Desenvolvimento Urbano Ministério das Cidades, Carlos Tomé, e o ex-ministro Márcio Macêdo discursaram na entrega de 214 unidades habitacionais;

  • Nova Iguaçu (RJ) – Vladimir Lima discursou na entrega de 900 unidades habitacionais;

  • Tefé (AM) – o secretário de Educação Profissional do MEC, Marcelo Bregagnholi, e o reitor do IFAM (Instituto Federal do Amazonas) discursaram em inauguração de campus da instituição de ensino, e mencionaram políticos presentes.

  • Vassouras (RJ) – o diretor de Estratégias para a Expansão e Qualificação da Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Rodrigo Oliveira, e a prefeita Rosi (PP) discursaram na inauguração de um hospital.

Os brasileiros estão conciliando trabalho e estudos?, The News

 

Você provavelmente já deve ter ouvido falar sobre os “nem-nem”, que são as pessoas que nem estudam, nem trabalham. Acontece que a tendência oposta começou a surgir no Brasil.

Isso porque a fatia de trabalhadores brasileiros que também estudam subiu de 13% para 15% entre 2019 e 2025. O crescimento representa um avanço de 27% nesse grupo, mais que o dobro do ritmo de quem só trabalha. Já os “nem-nem” encolheram 25% no mesmo período.

Hoje são 15,5 milhões de brasileiros ocupados e estudando simultaneamente.

O movimento aparece mesmo entre quem já tem diploma. Entre os +25 mi de trabalhadores com ensino superior completo, a quantidade dos que seguem estudando subiu de 13,3% para 16,3%.

(Imagem: Valor Econômico)

Parte da explicação está na mudança do ensino superior brasileiro. Em 2024, pela primeira vez, as matrículas a distância (EaD) ultrapassaram as presenciais no país, o que ajuda a explicar como mais gente concilia diploma com carteira assinada.

A rotina dupla compensa? Na maioria dos casos, sim. Entre os maiores de 50 anos, quem segue fazendo os dois ganha em média 40% a mais que os que só trabalham. A exceção é a faixa de 18 a 24 anos, que rende 3,1% a menos.

Compartilhe essa notícia pelo WhatsApp

 

Luís Eulálio Vidigal manteve diálogo com o colunista no caso Cobrasma, Frederico Vasconcelos, FSP

 Editor do Painel Econômico (atual Painel S.A.) em 1986, revelei que a Cobrasma (Companhia Brasileira de Material Ferroviário) publicara na Gazeta Mercantil, no último dia do ano, uma pequena nota, sem a logomarca, confirmando o que o mercado temia.

A coluna informou que a empresa alterara a estimativa de resultado para o exercício de 1986: de um lucro estimado de aproximadamente R$ 50,4 milhões para um prejuízo equivalente a cerca de R$ 66 milhões (valores atualizados).

A Cobrasma fez projeções com base "na expectativa" de correção de preços de seus produtos, criadas "por fontes autorizadas do governo, ora por meio de insinuações ora por meio de informações verbais oficiosas".

Homem de cabelos grisalhos e óculos, vestindo suéter bege e camisa azul clara, encostado com o braço direito em uma parede branca dentro de um ambiente fechado. Ao fundo, placa com nomes e calendário na parede.
O ex-presidente da Fiesp Luis Eulálio Bueno Vidigal, em 1997 - José Maria da Silva - 14.ago.97/Folhapress

A economia trabalhava com preços congelados durante o Plano Cruzado.

Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho, então presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e dirigente da Cobrasma, manteve diálogo cordial com este colunista. (*)

Vidigal morreu na segunda-feira (29), aos 87 anos. Estava em tratamento de doença renal crônica.

Seis meses antes da nota, a Cobrasma fizera a maior emissão de ações da história. Colocou à venda 25,5 bilhões de ações, com base em projeções otimistas (o governo era o principal cliente) e a garantia firme dos bancos Bradesco, Crefisul e BCN.

Além dos três bancos, perderam com a operação 124 instituições financeiras e milhares de pequenos e médios investidores.

A emissão ainda estava em andamento quando um leitor alertou: a cada dia o papel valia menos.

Era um "mico", no jargão do mercado.

No dia em que identifiquei a nota da Cobrasma, conversei por telefone com um técnico da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), no Rio de Janeiro. Descrevi os fatos sem identificar a companhia.

É um caso de polícia, ele disse.

Ouvi, em São Paulo, o diretor financeiro da Cobrasma, Ércio Pinto Tavares. "Os aplicadores têm razão de achar ruim, de se sentirem frustrados. Mas a empresa tem patrimônio e tem tradição. Tivemos apenas um ano errado, um azar desgraçado", disse.

Nos dias seguintes, não consegui contato com Vidigal. Enviei ofício à Cobrasma, com timbre da Folha, informando que publicaríamos nova reportagem.

Meia hora depois, Vidigal telefonou-me. Propôs um acordo. Eu o procuraria diretamente, antes de publicar fatos sobre a empresa. Deu-me os telefones pessoais e o de sua fazenda.

Vidigal tornou-se uma boa fonte da coluna.

Em março de 1991, ele me ligou na hora do almoço. Avisou que entraria com pedido de concordata no final da tarde.

Os advogados sustentaram que a Cobrasma "foi engolida, atropelada pelo caos da economia nacional". Atribuíram as dificuldades da empresa aos "desmandos pela orientação vacilante e contraditória que vem sendo imposta à nação".

Em 1987, o Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, órgão paritário, derrubou multas milionárias aplicadas pela CVM.

O então procurador da República Antônio Augusto César perdeu o prazo para recorrer de decisão do então juiz federal João Carlos da Rocha Mattos favorável ao empresário. César foi alvo de sindicância em 1989.

Vidigal havia sido denunciado sob acusação de crime contra o sistema financeiro nacional. Rocha Mattos rejeitou a denúncia. Considerou-a inepta, pois não alcançava os dirigentes dos bancos.

O procurador e o juiz foram investigados em 2003 na Operação Anaconda, que desbaratou quadrilha que negociava decisões da Justiça Federal. Rocha Mattos foi preso.

Depois da primeira reportagem, recebi telefonemas com provocações. Pedi a Ney Figueiredo, amigo de Vidigal e então consultor da Fiesp, para avisar o empresário.

"Diga ao Fred que eu posso não ser inteligente, mas burro eu não sou. Eu não faria isso."

Os telefonemas pararam.

Lembrei-me desse episódio ao ler, no Valor, comentário de Vidigal quando Mario Henrique Simonsen, então ministro do Planejamento, o indicou para o Conselho Monetário Nacional: "Mario, não sei se sou ilibado ou não. Mas notório saber econômico, definitivamente não tenho".

(*) "Anatomia da Reportagem" - Frederico Vasconcelos (Publifolha - 2007), págs. 30-34