domingo, 10 de maio de 2026

'Pense fora da caixa': como evitar que IA enferruje seu cérebro, BBCNews, FSP

 

Thomas Germain
BBC News Brasil

Anos atrás, eu passei a me obrigar a usar inteligência artificial (IA) o máximo possível. Se pretendia escrever sobre o tema, também precisava usar a tecnologia. Mas uma série de estudos publicados no último ano começaram a me preocupar: será que estou prejudicando o meu cérebro nesse processo?

Esses estudos sugerem que pessoas que dependem excessivamente de ferramentas como o ChatGPT podem enfrentar prejuízos em áreas como criatividade, capacidade de atenção, pensamento crítico e memória.

Mão robótica branca posicionada acima de caderno aberto enquanto mão humana segura caneta vermelha escrevendo na página em branco.
Ao recorrer à IA para buscar informações importantes, especialistas recomendam se envolver ativamente com o conteúdo - Getty Images

Outros levantam a preocupação de que o uso da IA esteja reduzindo o esforço mental necessário para desenvolver pensamento crítico, e de que, como sociedade, possamos passar a produzir menos ideias originais. Ainda assim, essa linha de pesquisa é muito recente, e as respostas continuam incertas. Devemos nos preocupar?

"De modo geral, sim", afirma Adam Greene, professor de neurociência e diretor do Laboratório de Cognição Relacional da Universidade Georgetown, nos Estados Unidos.

Segundo Greene, o tema envolve muitas nuances, mas a IA tende a assumir tarefas que antes exigiam esforço mental. "Há muitas evidências de que, se você deixa de exercitar determinados tipos de pensamento, sua capacidade de realizar esse tipo de raciocínio tende a se deteriorar."

Mesmo para quem não procura usar ferramentas como ChatGPT ou Claude, respostas geradas por IA já aparecem no topo das buscas do Google, enquanto grandes empresas de tecnologia aceleram a integração desses sistemas nos celulares. A tecnologia está cada vez mais difícil de evitar, mas há medidas que podem reduzir os principais riscos.

Para Jared Benge, professor e neuropsicólogo clínico da Escola de Medicina Dell, da Universidade do Texas, nos EUA, a questão é mais complexa do que parece. Usar IA não significa, automaticamente, que a tecnologia fará mal. Se a IA aliviar a carga mental e permitir foco em tarefas mais importantes, por exemplo, isso pode até trazer benefícios cognitivos.

"Por que imaginar que a IA seria tão diferente de outras tecnologias às quais o cérebro humano já se adaptou?", questiona Benge. "A ferramenta, por si só, não é boa nem ruim."

Como ocorre com qualquer tecnologia, os efeitos da IA dependem do modo como ela é usada. Ainda assim, as preocupações são sérias o suficiente para levar usuários a repensar a forma como utilizam essas ferramentas, antes que seja tarde.

Com isso em mente, conversei com alguns dos principais especialistas da área para entender como a IA pode ser usada sem prejudicar nossas capacidades mentais.

Com o que estamos preocupados?

Há cerca de 20 anos, surgiu a ideia de que a dependência excessiva da tecnologia poderia provocar uma espécie de "demência digital", marcada pela deterioração da memória de curto prazo e de outros processos cognitivos. Recentemente, Benge, da Universidade do Texas, participou de uma meta-análise que analisou 57 estudos envolvendo mais de 411 mil adultos. Ao final, os pesquisadores não encontraram evidências de "demência digital". Pelo contrário: o uso de tecnologia parecia reduzir o risco de comprometimento cognitivo.

Mas isso não significa que não exista motivo para preocupação.

Mulher jovem sentada em frente a um laptop com gráficos e ícones digitais flutuando na tela, em ambiente interno com janela mostrando cidade iluminada à noite ao fundo.
A IA pode estar tornando as pessoas menos criativas, menos analíticas e prejudicando a memória, mas especialistas dizem que ainda é possível evitar esses efeitos - Getty Images

As pesquisas mostram que pessoas que dependem de sistemas de navegação por satélite, como GPS, deixam de formar mapas mentais do ambiente ao redor, e sua memória espacial tende a piorar com o tempo. Algo semelhante ocorreu com os mecanismos de busca, em um fenômeno que ficou conhecido como "efeito Google". Aparentemente, temos menos tendência a memorizar informações encontradas em buscadores porque acessá-las exige pouco esforço.

Em outras palavras, o cérebro tende a perder habilidade em tarefas que delegamos a ferramentas externas. E a IA pode ser o instrumento de terceirização cognitiva mais poderoso já criado.

"O que a IA está fazendo é nos oferecer, pela primeira vez, uma maneira fácil de trocar o processo pelo resultado", afirma Greene, da Universidade de Georgetown. O texto pode ficar melhor escrito. A apresentação pode parecer mais sofisticada. A piada da festa de aposentadoria pode funcionar perfeitamente. Mas o esforço mental, a dificuldade, as tentativas frustradas e o momento em que algo finalmente faz sentido são justamente o que o cérebro precisa.

"É como ir à academia e deixar um robô levantar os pesos por você", diz Greene. "Você não ganha nada com isso."

Então, como usar IA sem deixar de exercitar o cérebro?

Não aceite a resposta da IA sem questionar

Um estudo recente mostrou que usuários mais frequentes de IA tiveram desempenho significativamente pior em um teste padrão de pensamento crítico. A explicação seria o hábito de transferir parte do raciocínio para sistemas automatizados, ou robôs. Os pesquisadores também observaram que muitas pessoas passam a confiar mais na IA do que no próprio julgamento, mesmo quando a ferramenta está errada. Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, chamam esse fenômeno de "rendição cognitiva".

O problema tende a ser maior quando o usuário conhece pouco o assunto. Um estudo da Microsoft Research concluiu que o risco aumenta justamente em áreas nas quais a pessoa tem menos familiaridade. "Se o usuário não tem conhecimento suficiente para avaliar se a resposta é boa ou não, aí está o perigo", afirma Hank Lee, doutorando da Universidade Carnegie Mellon, nos EUA, e coautor do estudo.

Para Lee, a solução começa antes mesmo de abrir o aplicativo. Se você não confia automaticamente na resposta de um desconhecido, também não deveria confiar cegamente na IA. São justamente esses temas que exigem julgamento próprio.

Uma alternativa é formular antes uma visão inicial sobre o assunto e usar a IA para testar ou confrontar esse raciocínio, em vez de simplesmente aceitar a resposta da ferramenta. Assim, a IA funciona como um instrumento para colocar o pensamento à prova, e não para substituí-lo.

Introduza mais esforço no processo de pesquisa

"Quando algo está diante de você, é comum acreditar que a informação já foi armazenada na memória de longo prazo, quando isso nem sempre acontece", afirma Barbara Oakley, professora emérita de engenharia da Universidade de Oakland, nos EUA, que pesquisa o funcionamento do aprendizado no cérebro.

Pesquisas iniciais indicam que a IA pode afetar a capacidade de retenção de informações. Um levantamento com 494 estudantes mostrou que usuários mais frequentes do ChatGPT relataram mais episódios de perda de memória. Avaliações feitas pelos próprios participantes não constituem prova científica definitiva, mas outros trabalhos apontam na mesma direção. Um estudo de 2024 ainda não publicado, por exemplo, sugere que resolver pequenos problemas antes de usar um chatbot de IA pode melhorar o aprendizado obtido com a ferramenta.

Ao recorrer à IA para buscar informações importantes, especialistas recomendam desacelerar e se envolver mais ativamente com o conteúdo. Fazer anotações, de preferência à mão, embora digitá-las também ajuda, pode contribuir para a retenção. Também é possível pedir à IA que faça perguntas sobre o tema ou crie flashcards (cartões de revisão, em tradução livre).

O esforço faz diferença. Pode parecer excessivamente trabalhoso, mas a ideia é justamente introduzir algum grau de dificuldade no processo.

Deixe a página em branco por mais tempo

A IA é extremamente eficiente para gerar ideias. E esse é justamente o problema. Pesquisas indicam que pessoas que usam IA em tarefas criativas tendem a produzir ideias mais previsíveis e menos originais do que aquelas que não recorrem à tecnologia. Isso pode enfraquecer a sua capacidade criativa.

Segundo Greene, da Universidade Georgetown, a criatividade surge quando o cérebro estabelece conexões inesperadas. Quando essa tarefa é delegada à IA, parte desse exercício mental se perde. "Estamos preocupados com a perda desse 'músculo criativo'", afirma Greene. "A IA nos leva, de várias formas, a acreditar que está tornando as pessoas mais criativas."

Uma forma de evitar isso é colocar primeiro as próprias ideias no papel, ainda que de maneira incompleta ou confusa. Vale passar mais tempo diante da página em branco e escrever o que vier à mente. A qualidade inicial importa menos do que o processo.

Mão humana segurando peça verde de quebra-cabeça à esquerda e mão robótica segurando peça rosa à direita, ambas se aproximando para encaixe, fundo laranja.
Foto de arquivo de mãos humanas e robóticas a unir peças de puzzle para uma inovação futura - Getty Images

O que importa, segundo pesquisadores, é que o cérebro faça suas próprias conexões, recorrendo a experiências, memórias e conhecimentos pessoais para produzir algo singular. É aí que acontece o exercício mental. Só depois disso a IA deveria entrar em cena, para desenvolver, questionar ou aprimorar as ideias já formuladas.

Preste atenção

Se você chegou até aqui no texto, parabéns. Mas se você já começou a perder a atenção, você não está sozinho. Pode ser apenas que este texto esteja entediante. Mas há pesquisas que sugerem que o excesso de estímulos tecnológicos também está tornando mais difícil manter o foco. A IA pode intensificar esse problema: as respostas estão disponíveis instantaneamente, e há inúmeras maneiras de escapar do esforço e do desconforto.

No entanto, a lógica é semelhante à das outras recomendações: optar conscientemente pelo caminho mais lento. Não peça ao ChatGPT para resumir aquele artigo longo. Passe algum tempo tentando resolver um problema difícil antes de recorrer a um robô. Permita-se sentir tédio. O desconforto faz parte do processo. É assim que o cérebro aprende a lidar e, eventualmente, a apreciar o esforço mental necessário para um pensamento mais profundo.

Cérebros humanos ainda importam

Não estou dizendo que as pessoas devem deixar de usar chatbots de IA, como ChatGPT, Claude ou Gemini. Mas tenho tentado usar essas ferramentas de maneira mais consciente, para garantir que eu continue pensando por conta própria. E isso pode nos deixar mais preparados para o futuro.

Segundo Greene, da Universidade Georgetown, o cérebro humano funciona de forma muito diferente da IA em aspectos fundamentais: somos capazes de criar conexões pessoais, inesperadas e genuinamente originais, algo que máquinas baseadas em probabilidade não conseguem reproduzir.

"A singularidade e a diversidade das ideias humanas serão de grande valor nos próximos anos", afirma Greene. Para ele, a necessidade de "pensar além dos robôs" tende a se tornar uma forma de adaptação social.

E, como lembra Benge, da Universidade do Texas, essa não é a primeira vez que a humanidade passa por uma transformação tecnológica desse tipo. "O cérebro humano sempre se adaptou à tecnologia. Nós nos adaptamos o tempo todo. Essa é uma das forças da nossa espécie", afirma. "Perdemos a capacidade de correr maratonas porque existem carros? Não. Isso apenas passou a ser uma atividade que as pessoas escolhem praticar."

As ferramentas mudam. Mas, ao que tudo indica, o desejo humano de pensar, criar e compreender o mundo por conta própria é muito mais difícil de automatizar.

Quem realmente está com as cartas? Trump, Irã ou a IA?, Thomas Friedman, NYT FSP

 O presidente Donald Trump frequentemente recorre a metáforas de pôquer. Ele disse ao presidente Volodimir Zelenski, da Ucrânia, que ele "não tinha cartas" quando se tratava de enfrentar a Rússia. Trump disse aos líderes do Irã que eles "não tinham cartas" quando se tratava de enfrentá-lo.

Alguém poderia me dizer quando é a noite de pôquer na Casa Branca de Trump? Porque eu realmente gostaria de ter um lugar naquela mesa.

Trump está apostando que, ao bloquear o Irã para impedi-lo de exportar seu petróleo, ele pode forçar Teerã a negociar nos termos dele. Mas alguns especialistas acham que o Irã tem renda suficiente e pode armazenar petróleo o bastante para aguentar pelo menos vários meses.

Homem em uniforme militar azul aponta para mapa do Golfo Pérsico exibido em tela, que mostra localizações de navios e aeronaves entre Irã, Arábia Saudita e Paquistão. No canto direito, imagens menores exibem um navio de guerra e um helicóptero em operação marítima.
O chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, Dan Caine, discursa durante reunião sobre guerra no Irã, no Pentágono - Nathan Howard - 16.abr.2026/Reuters

Enquanto isso, o Irã está apostando que, ao estrangular o estreito de Hormuz —e elevando os preços da gasolina e dos alimentos para os americanos e todos os seus aliado— pode forçar Trump a eventualmente agir de acordo com seu rótulo TACO: Trump Always Chickens Out (Trump Sempre Amarela).

É doloroso assistir a isso. Trump e Teerã estão dizendo: "Vou prender a respiração até você ficar roxo". Veremos quem perde o fôlego primeiro.

A verdadeira questão é: como diabos o regime do Irã durou tanto tempo —dois meses— contra o poderio militar combinado de Israel e dos Estados Unidos? A resposta: Trump não entende o quanto a guerra assimétrica reformulou a geopolítica apenas nos últimos anos.

Mas não quero ser muito duro com nosso presidente. Ele não está sozinho. O Irã está para Trump assim como a Ucrânia está para Vladimir Putin, assim como o Hamas e o Hezbollah têm sido para Binyamin Netanyahu e —preparem-se— assim como a próxima geração de hackers cibernéticos será para a China, os Estados Unidos e todos os outros Estados-nação.

Pense nisso: em junho passado, a Ucrânia contrabandeou 117 drones baratos para a Rússia escondidos dentro de caminhões e destruiu ou danificou cerca de 20 aeronaves estratégicas russas, incluindo bombardeiros estratégicos de longo alcance com capacidade nuclear que custam milhões de dólares.

Este ano, a Guarda Revolucionária do Irã usou drones Shahed-136 de US$ 35 mil para atacar dois data centers da Amazon Web Services, causando dezenas de milhões de dólares em prejuízos, nos Emirados Árabes Unidos (um terceiro data center da Amazon, no Bahrein, foi danificado em um ataque próximo), tirando-os do ar e interrompendo serviços bancários e outros em toda a região do Golfo Pérsico.

Anteriormente, comandantes do Hamas disseram que fabricaram pequenos foguetes usando tubulações de assentamentos israelenses abandonados, bombas israelenses não detonadas e outras munições, e até peças de um navio de guerra britânico da Primeira Guerra Mundial afundado na costa da Faixa de Gaza. Israel foi forçado a usar mísseis Patriot custando US$ 4 milhões cada para interceptá-los.

Em outras palavras, já estamos em uma nova era em que pequenas potências e pequenos grupos podem usar ferramentas da era da informação —guiadas por GPS e controladas digitalmente— para obter vantagens assimétricas.

Drone de formato triangular voa contra um céu claro, com detalhes das hélices visíveis na parte traseira.
O drone iraniano Shahed 136, usado pelo exército russo, sobrevoa Kiev durante ataque - Sergei Supinsky - 27.dez.2025/AFP

"Sempre pensamos em poder em termos da capacidade de criar destruição em massa", disse John Arquilla, ex-professor de análise de defesa na Escola de Pós-Graduação Naval e autor do próximo livro "Troubled American Way of War", em uma entrevista. Em um mundo interdependente, "os muitos e os pequenos agora têm a capacidade de criar disrupção em massa no mundo físico ou virtual" —do estreito de Hormuz ao ciberespaço.

Trump imprudentemente começou esta guerra sem aliados, sem nenhum planejamento de cenários e, obviamente, sem nenhuma compreensão real dos ativos do Irã em guerra assimétrica. No entanto, seria um desastre para a região e para o mundo se o regime maligno do Irã emergir desta guerra intacto e sem reformas, porque um kit de ferramentas assimétricas ainda mais poderoso para os vilões está chegando.

Eis o que é verdadeiramente novo e perturbador: estamos rapidamente passando da era da guerra assimétrica baseada em ferramentas da era da informação que podem causar disrupção em massa para o que meu tutor de tecnologia, Craig Mundie, ex-chefe de pesquisa e estratégia da Microsoft, chama de era da guerra assimétrica baseada em "ferramentas da era da inteligência" que podem causar disrupção barata em uma escala muito maior, em qualquer lugar, sob demanda.

Esta é uma distinção muito importante. A era da informação —isto é, o período dos computadores, smartphones, internet e GPS— nos deu ferramentas que amplificam o poder e o alcance de um operador treinado. Aumentou vastamente o poder de qualquer programador, operador de drone, ladrão de ransomware, hacker, influenciador de redes sociais ou especialista em desinformação. Tornou qualquer pequena unidade mais poderosa, mas os humanos precisavam ter algum conhecimento básico para operar essas ferramentas digitais. E a intenção humana sempre as direcionava.

Na era da inteligência, agentes de inteligência artificial construídos sobre grandes modelos de linguagem —como o Claude da Anthropic, o Gemini do Google e o ChatGPT da OpenAI— agora podem ser direcionados por humanos com um único comando, e executarão autonomamente, e auto-otimizarão, ataques cibernéticos em múltiplas etapas por conta própria.

Colocando de outra forma, as ferramentas da era da informação amplificaram vastamente operadores treinados dentro de organizações, incluindo organizações terroristas. As ferramentas da era da inteligência substituem operadores treinados por agentes de IA vastamente mais inteligentes, autônomos e habilidosos, com alcance mais destrutivo a baixo custo.

Essas "capacidades da era da inteligência que podem superempoderar indivíduos, que muitos pensavam estar a 18 meses ou dois anos de distância, já estão aqui", disse-me Mundie. "Quando a natureza de uso duplo dessas tecnologias de IA se tornar totalmente democratizada —e é para onde estamos caminhando em breve— elas apresentarão uma ameaça material a todas as sociedades desenvolvidas" por atores superempoderados "que historicamente nunca tiveram nenhuma carta para jogar".

Em outras palavras, todo mundo com um chatbot/agente de IA potencialmente terá cartas. Como isso poderia ser? Confira uma reportagem recente do New York Times de Gabriel J.X. Dance. Ela começa assim:

"Uma noite no verão passado, o Dr. David Relman gelou diante de seu laptop quando um chatbot de IA lhe disse como planejar um massacre. Microbiologista e especialista em biossegurança da Universidade Stanford, o Dr. Relman havia sido contratado por uma empresa de inteligência artificial para testar seu produto sob pressão antes de ser lançado ao público. Naquela noite no escritório doméstico do cientista, o chatbot explicou como modificar um patógeno infame em um laboratório para que resistisse a tratamentos conhecidos. Pior, o bot descreveu em detalhes vívidos como liberar a superbactéria, identificando uma falha de segurança em um grande sistema de transporte público."

Minha tradução: você leu muito sobre como o Irã usou drones baratos de US$ 35 dólares para fechar o estreito de Hormuz. Espere até ver como ele pode usar grandes modelos de linguagem e seus agentes de IA a um custo muito baixo.

É difícil exagerar o quão desestabilizadores esses rápidos avanços na sofisticação da IA podem se tornar, e é por isso que Mundie e eu temos argumentado há algum tempo que os Estados Unidos e a China, duas superpotências em IA, precisam descobrir como podem (e certamente vão) continuar a competir estrategicamente enquanto cooperam para neutralizar essas novas ameaças assimétricas da era da inteligência —não muito diferente do que os Estados Unidos e a União Soviética fizeram para limitar a proliferação de armas nucleares na Guerra Fria.

Caso contrário, nenhum dos dois estará seguro. Nem ninguém mais estará.