quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Escândalo de crédito carbono falso no caso Master mina confiança, Adriana Fernandes, FSP

 Os detalhes da teia montada para sustentar o esquema de fraudes com uso de crédito de estoque de carbono, envolvendo a família Vorcaro, a empresa Alliance Participações e os fundos de investimento, já apontam para um dos maiores escândalos do setor no Brasil.

Revelada pela Folha numa série de reportagens publicadas desde a semana passada, a pirâmide financeira para a fabricação de R$ 45 bilhões em crédito de estoque de carbono fake coloca em xeque as negociações desses ativos no momento em que o setor se preparava para ganhar impulso após a criação da lei sobre o mercado regulado.

Sancionada em dezembro passado, a nova legislação determina um limite para a emissão de poluentes por parte de setores e empresas e obriga que o excedente seja compensado com a compra de créditos de carbono.

Fachada moderna do Banco Master com colunas brancas e vidro escuro. Tapume metálico cinza bloqueia a entrada, com vegetação baixa na calçada e poste com fiação elétrica à esquerda.
Sede do Banco Master coberta por tapumes, em São Paulo - Zanone Fraissat/Folhapress

Os planos para esse mercado eram ambiciosos, com a expectativa de o Brasil vir a sediar, no futuro, uma bolsa de valores de protagonismo mundial.

Numa aposta para acelerar a transição energética na economia brasileira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a criar, no fim de 2025, uma secretaria extraordinária para regulamentar a lei.

A ciranda financeira montada pelo Banco Master para desviar recursos com o uso de pretensos créditos, uma categoria de ativo que não existe no mercado, mostra que o sistema de regulação e fiscalização falhou. O trabalho regulatório terá que ser robusto para barrar as fraudes.

O esquema faz questão de confundir créditos de carbono, um ativo legítimo, com créditos de estoque de carbono, que não têm mercado. Se a resposta do governo federal, dos órgãos fiscalizadores e da Justiça não for exemplar, o mercado já nascerá com a marca da desconfiança. Quem estiver no muro, vai ter que descer para enfrentar o problema de peito aberto.

A começar pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), responsável pela fiscalização dos fundos. O órgão não deu resposta sobre como irá enfrentar a crise, com argumento de que não fala de casos específicos. Segue em dívida.

Secretário do Piauí deve ser anunciado esta semana para chefiar Segurança Pública no governo Lula, FSP

 O novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, deve anunciar Francisco Lucas Costa Veloso para comandar a Secretaria Nacional de Segurança Pública ainda nesta semana.

Chico Lucas, como é conhecido, é atual secretário de Segurança Pública do Piauí. Ele é formado em direito pela Universidade Federal do Piauí e atua como procurador do estado desde 2009. É considerado um nome de confiança do governador Rafael Fonteles (PT).

Ao longo da carreira, já ocupou a presidência da Ordem dos Advogados do Brasil no Piauí, de 2016 e 2018, além da presidência da Associação Piauiense dos Procuradores do Estado.

Homem de terno azul e gravata roxa sentado em cadeira de escritório, usando óculos, com laptop sobre mesa. Bandeira nacional ao fundo e parede de madeira.
Chico Lucas deve ser anunciado secretário Nacional de Segurança Pública pela nova gestão do Ministério da Justiça - Governo do Piauí

Na gestão pública, foi diretor-geral do Instituto de Terras do Piauí de 2019 a 2022 na gestão de Wellington Dias (PT).

Lucas também era um nome reivindicado pelo Consesp (Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública) para assumir o cargo. O órgão reúne os secretários de segurança de todas as unidades federativas do país.

O ministro também convidou o promotor Paulo Modesto para integrar sua equipe. Ele é professor de Direito Administrativo da Universidade Federal da Bahia, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Público e membro do Ministério Público do Estado da Bahia.

Ainda não está definido qual secretaria ele irá ocupar, o que dependerá da configuração final da equipe. Próximo ao ministro, Modesto chegou a ser secretário Nacional de Justiça durante os 14 dias em que o Silva comandou o Ministério da Justiça no governo Dilma Rousseff (PT).

Outro nome cotado para compor a equipe é o do advogado Ademar Borges, que tem participado de reuniões no ministério e é próximo ao ministro aposentado do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso.

Como mostrou a Folha, o novo ministro já sinalizou a pessoas próximas que pretende trocar o comando de ao menos quatro das oito secretarias do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Entre as áreas que devem passar por mudanças estão a Secretaria-Executiva, a Secretaria Nacional de Segurança Pública, a Secretaria Nacional de Assuntos Legislativos e a Secretaria Nacional de Direitos Digitais.

Até que os novos nomes sejam definidos, o atual secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, acumulará funções e responderá também pela Secretaria-Executiva da pasta.

Jean Uema, atual secretário Nacional de Justiça, é um dos nomes que devem permanecer no quadro do ministério. Seu nome é cogitado para a Secretaria-Executiva.

Pessoas próximas ao ministro dizem que ele deve terminar de montar a equipe até o final de semana.

Por Thomas Friedman - A política de Trump não é ‘América em primeiro lugar’, mas ‘eu em primeiro lugar’- NYT FSP

 Por Thomas Friedman (The New York Times)

Atualização: 

Macron discursa de óculos escuros em Davos e alfineta Trump: 'Não é o momento para imperialismos'.

Capa do video - Macron discursa de óculos escuros em Davos e alfineta Trump: 'Não é o momento para imperialismos'.

Crédito: AFP

Nunca acreditei nas teorias da conspiração sobre Donald Trump e a Rússia. Nunca achei que ele fosse um agente russo ou Vladimir Putin tivesse alguma influência financeira sobre ele ou vídeos íntimos para chantageá-lo. Sempre acreditei em algo muito pior: que Trump, em seu coração e alma, simplesmente não compartilha os valores de todos os outros presidentes americanos desde a 2ª Guerra Mundial sobre o papel que os Estados Unidos devem e precisam desempenhar no mundo.

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Sempre acreditei que Trump possui um conjunto de valores totalmente distorcido, sem base em nossos documentos fundadores, favorecendo simplesmente qualquer líder forte, independentemente do uso dessa força; qualquer líder rico e capaz de enriquecê-lo, sem importar o destino ou a origem do dinheiro; e qualquer líder disposto a elogiá-lo, a despeito da óbvia falsidade dessas lisonjas."

Desde que o ditador Putin preenchesse todos esses requisitos mais do que o líder democrático da Ucrânia, Trump o trataria como um amigo — e danem-se os interesses e valores americanos. Putin nem precisou se esforçar para fazer de Trump seu fantoche.

Para você

Por todas essas razões, Trump é o presidente mais antiamericano da nossa história. Isso ficou óbvio quando Trump criticou o senador John McCain, um autêntico herói de guerra e patriota americano, por ter sido abatido em combate e feito prisioneiro. Que tipo de americano condenaria McCain, preso por mais de cinco anos em um campo de prisioneiros no Vietnã do Norte depois de recusar a libertação antecipada, sabendo que isso seria usado como propaganda? Nenhum americano que eu conheça.

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Os piores impulsos antiamericanos e a preguiça intelectual de Trump foram contidos em seu primeiro mandato na Casa Branca por um grupo de conselheiros sérios. Desta vez, não há ninguém para contê-lo. Ele se cercou de bajuladores. Portanto, Trump agora está basicamente governando nosso país da mesma forma que governava suas empresas — como um show de um homem só, livre para fazer negócios terríveis.

Esse estilo de gestão levou a seis pedidos de falência por parte de suas empresas. Infelizmente, hoje somos todos seus acionistas, e temo que ele vá nos levar à falência como nação — moralmente com certeza, se não um dia financeira e politicamente.

O comportamento de Trump se tornou tão imprudente, tão egocêntrico, tão obviamente contrário aos interesses americanos — e os próprios republicanos há muito o definiram assim, sem falar dos democratas — que a pergunta deve ser feita: os Estados Unidos estão agora sendo governados por um rei louco?

Que presidente americano escreveria o texto que Trump escreveu ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Store, no domingo, alegando uma das razões pelas quais ele está pressionando para adquirir a Groenlândia é não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz? Ele escreveu: “Considerando que seu país decidiu não me conceder o Prêmio Nobel da Paz por ter impedido 8 guerras, eu não sinto mais a obrigação de pensar exclusivamente na paz, embora ela sempre seja predominante, mas agora posso pensar no que é bom e adequado para os Estados Unidos da América”.

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Leia essas palavras lentamente. Elas não gritam “América em primeiro lugar”. Elas gritam “Eu em primeiro lugar”. Elas gritam “Eu, Donald Trump, estou pronto para tomar a Groenlândia, ao preço de romper a aliança de quase 77 anos da Otanporque o Comitê Nobel não me concedeu seu prêmio da paz no ano passado” — ignorando o fato de que o governo norueguês não controla a concessão do prêmio.

Uma coisa seria Trump dizer estar pronto para romper com a Otan por uma questão de princípio geopolítico que afeta a segurança do povo americano. Não consigo imaginar como seria isso, mas pelo menos poderia imaginar a possibilidade. O inimaginável para mim é um presidente americano tão obcecado em ganhar um Prêmio Nobel da Paz para alimentar seu ego e superar seu antecessor — bem como igualar Barack Obama, ganhador do prêmio da paz em 2009 — que ele estaria pronto para destruir toda a aliança da Otan e o sistema comercial com a Europa porque não o recebeu.

Estou tentando imaginar uma cena em que Trump ditou essa nota a um assessor, sem vergonha, e essa pessoa a enviou aos noruegueses — provavelmente sem ninguém na hierarquia da Casa Branca o impedir, sem ninguém para dizer: “Sr. Presidente, o senhor está louco? O senhor não pode colocar sua ambição pessoal pelo Prêmio Nobel à frente de toda a aliança atlântica”.

Mas Trump pode fazer isso, porque obviamente atribui pouco ou nenhum valor ao sangue, ao suor e à energia que gerações de soldados, diplomatas e presidentes americanos antes dele sacrificaram para construir essa aliança duradoura com nossos parceiros europeus.

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Deixe-me colocar isso em termos para Trump entender: se os Estados Unidos fossem uma empresa, diríamos que uma geração de trabalhadores, executivos e investidores americanos construiu a corporação mais bem-sucedida, lucrativa e impactante da história do mundo — a aliança Atlântica/Otan, forjada das cinzas da 2ª Guerra Mundial. Com um investimento relativamente pequeno na Europa do pós-guerra, conhecido como Plano Marshall, criamos um parceiro comercial saudável que ajudou a tornar tanto os Estados Unidos quanto a Europa mais ricos do que nunca; ajudamos a transformar a Europa de um continente conhecido por guerras nacionalistas, étnicas e religiosas no maior centro de mercados livres, pessoas livres e Estado de Direito do mundo — dando a nós mesmos um poderoso aliado democrático para ajudar a estabilizar o mundo e conter a Rússia nos últimos três quartos de século.

É verdade que a Europa enfrenta desafios assustadores, da migração descontrolada à regulamentação excessiva e a ascensão de partidos de extrema direita. E sim, muitas vezes ela responde com indecisão. E sim, há preocupações legítimas com a segurança no Ártico. Mas gerações de estadistas e presidentes americanos compreenderam a importância primordial do pacto entre os Estados Unidos e a Europa e nunca sequer contemplariam sacrificá-lo por causa de quem tem soberania na Groenlândia.

É tão óbvio que apenas um narcisista patológico que insiste em ter seu nome em tudo — desde o Kennedy Center de outra pessoa até o Prêmio Nobel da Paz de outra pessoa — arriscaria tudo isso para tomar a Groenlândia, especialmente quando se considera que os EUA já tem o direito de operar bases na Groenlândia e estacionar tropas e mísseis lá. Também tem o direito de investir na extração de seus minerais.

Se os Estados Unidos fossem realmente uma empresa, o conselho de administração teria respondido a um comportamento como o de Trump anunciando uma “intervenção” no CEO.

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Infelizmente, o conselho de administração dos Estados Unidos, o Congresso americano liderado pelos republicanos, se neutralizou completamente. E agora, nós, o povo, nós, os acionistas, estamos prestes a ficar com a conta.

Enquanto isso, os concorrentes da América Inc. simplesmente não conseguem acreditar na sorte que têm. Desde o fim da 2ª Guerra Mundial, tanto a Rússia quanto a China compreenderam a única grande coisa que Trump não compreende: a vantagem competitiva dos Estados Unidos. Enquanto a Rússia e a China tinham apenas vassalos que podiam ordenar e pressionar a se juntar a eles em qualquer competição geopolítica ou geoeconômica com os Estados Unidos, a América tinha uma arma secreta escondida à vista de todos: aliados que compartilhavam nossos valores e estavam prontos para fazer coisas difíceis, como enviar seus soldados para lutar e morrer em nossas guerras no Iraque e no Afeganistão. Um deles era a Dinamarca, que tem soberania sobre a Groenlândia.

A Rússia e a China sonhavam com o dia em que algo aconteceria e faria os Estados Unidos perderem seus aliados e a Otan se fragmentasse. Sem aliados econômicos, os Estados Unidos nunca poderiam ser tão influentes nas negociações comerciais com a China e, sem o poderio militar dos Estados Unidos, a Otan teria dificuldade em impedir que a Rússia retomasse partes da Europa Central e Oriental sobre as quais perdeu o controle após a queda do Muro de Berlim.

E então, um dia, seus sonhos se tornaram realidade. O povo americano elegeu um homem que, não importa o que ele nos diga, está levando os EUA a um futuro não de “América em primeiro lugar”, mas de “América sozinha” e “Eu em primeiro lugar”.

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