sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Governo atende Braskem e renova alíquota de importação de resinas de plástico, FSP

 

Brasília

O governo federal atendeu à Braskem, gigante do setor petroquímico que vive dificuldade financeira, e renovou a alíquota do imposto de importação de seis tipos diferentes de resinas de plásticos de interesse da empresa.

A Camex (Câmara de Comércio Exterior), órgão colegiado que reúne dez ministérios do governo, tomou a decisão nesta quinta-feira (27). Além de atender outros pleitos da indústria química nacional, a medida renova por 12 meses a alíquota de importação de 20% sobre seis diferentes tipos de resinas de polietileno (PE) e polipropileno (PP).

Na mesma reunião, o órgão aprovou duas medidas antidumping sobre resinas de polietileno tereftalato (PET) vindas da Malásia e do Vietnã. Esse material, que é usado na fabricação de garrafas de água e refrigerante, agora enfrentará tarifas adicionais para entrar no Brasil.

A concorrência com produtores estrangeiros é um dos motivos da dificuldade financeira da Braskem, que protocolou na última segunda-feira (24) um pedido de recuperação extrajudicial e reconheceu uma dívida de US$ 10,9 bilhões. A Justiça aprovou o procedimento, disse a empresa nesta sexta-feira (28).

Placa azul com o logotipo da Braskem e texto 'PE 4 RS' em área externa. Ao fundo, torre industrial com chama acesa e árvores.
Unidade da Braskem em Triunfo, no Rio Grande do Sul - Diego Vara - 15.dez.25/Reuters

A reportagem procurou a Braskem às 10h45 desta sexta-feira (28), mas a empresa ainda não se manifestou. A Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) disse que a decisão –que inclui não apenas os pleitos endossados pela Braskem, mas outros 22 produtos–, reconhece a gravidade do quadro de sobrecapacidade produtiva global e a urgência de se manter o instrumento de defesa comercial que vem permitindo o reequilíbrio do mercado interno.

Para a Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), as medidas da Camex vão encarecer produtos que usam plástico, como remédios, alimentos e cosméticos. "Quem vai pagar essa conta é o consumidor final, que vai comprar um produto mais caro porque o governo resolveu proteger essa empresa [Braskem]", diz José Ricardo Roriz Coelho, presidente da entidade.

A Abia (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos) emitiu nota manifestando preocupação com a decisão da Camex e apontando alta nos preços de importação das resinas, que teriam avançado 63% entre janeiro e julho de 2026.

"Para a Abia, segurança de abastecimento pressupõe uma produção doméstica competitiva combinada ao acesso a fontes complementares de suprimento", diz nota da entidade. "Preservar essa flexibilidade é fundamental para reduzir a exposição da cadeia a choques de oferta, assegurar a continuidade da produção de alimentos e bebidas e evitar novas pressões sobre custos e preços ao consumidor."

A Braskem argumentou junto à Camex que há um desequilíbrio global no mercado, em razão da sobreoferta, expansão de capacidade em especial da China e redirecionamento de exportações para mercados mais abertos como o Brasil.

"[A empresa] ressalta que no Brasil, observam‑se aumento das importações, perda de participação da indústria doméstica e elevada ociosidade produtiva, mesmo após a adoção da medida [de elevação]", disse a Braskem, segundo nota técnica do órgão.

A empresa apontou também para capacidade instalada ociosa no país e diz que a não renovação das tarifas aumentaria a vulnerabilidade do mercado brasileiro.

Já a Abiplast se manifestou contra a renovação das alíquotas, argumentando que a medida, implementada em 2024, já foi prorrogada sucessivamente e pode ultrapassar 36 meses sem comprovação de necessidade.

A associação projetou que a renovação encareceria insumos e prejudicaria a cadeia produtiva, sem atingir os objetivos pretendidos. "A medida beneficia um único produtor nacional (Braskem S.A.), prejudicando transformadores e a concorrência", disse a Abiplast, segundo a nota técnica da Camex –a Abiquim rejeita essa afirmação e diz que não haverá impacto nos preços.

Nesta quinta-feira (27), a Petrobras e a Braskem anunciaram que elevarão o limite de crédito entre as duas empresas de R$ 350 milhões para R$ 2,35 bilhões para aquisição de matérias primas fornecidas pela Petrobras. A Petrobras detém participação de 36% do capital total da Braskem.

Réplica de casa dos anos 1920 reluz no topo de prédio no Bexiga, em SP, Vicente Vilardaga, FSP

 Apaixonado pelo bairro do Bexiga, no centro de São Paulo, onde trabalha desde os 18 anos, primeiro na lanchonete do pai e depois na sua própria vidraçaria, o empresário José Joaquim Miguel teve uma ideia original: construir a reprodução de uma residência de 1920 no topo do prédio de cinco andares onde mantém seu negócio, a Ideia Glass, distribuidora de ferragens para box de banheiro. Chamada de Casa Amarela, ela fica bem em frente à praça Dom Orione e pode ser vista por quem passa pela rua Treze de Maio.

Inaugurada em 2015, a casa é um elemento decorativo da paisagem urbana, sem qualquer uso prático. Possui um único ambiente, que abriga um pequeno museu com peças antigas, como balanças e bilboquês doados por moradores da vizinhança, livros e fotografias. Foi toda construída com material da época: Miguel obteve janelas, porta, telhas, tijolos, madeiramento do telhado e esquadrias no próprio Bexiga e com um amigo que havia feito a demolição de uma vila no bairro do Pari.

A Casa Amarela do bairro do Bexiga é uma obra idealizada pelo empresário José Joaquim Miguel
A Casa Amarela do bairro do Bexiga é uma obra idealizada pelo empresário José Joaquim Miguel - Vicente Vilardaga

Para realizar seu sonho, Miguel investiu R$ 80 mil na época, o que seria cerca de R$ 140 mil atualmente. Houve um cuidadoso trabalho de pesquisa para reproduzir o estilo arquitetônico das casas centenárias do Bexiga. Ele contou com a ajuda de estudantes do Centro Universitário Belas Artes. Também tirou muitas fotos e consultou documentos para dar verossimilhança ao projeto.

No alto da fachada da casa há um brasão da família Miguel, de origem portuguesa, e um pequeno oratório com a imagem de Nossa Senhora da Aparecida. Diante da construção, há um gradil com portão de ferro trabalhado conforme o padrão dos anos 1920, além de um canteiro. O conjunto transmite autenticidade e respeito ao patrimônio histórico e à identidade do bairro.

Vista da Casa Amarela da rua 13 de Maio
Casa fica no topo de uma prédio de cinco andares e é cercada de fachadas de vidro espelhado - Vicente Vilardaga

"Embora esteja em cima de um prédio moderno de vidros espelhados, a casa resgata a memória de um lugar que desempenha um papel fundamental na formação cultural e arquitetônica de São Paulo", diz Miguel. "Amo o Bexiga e sempre gostei muito de coisas antigas. Tenho certeza de que ela traz um benefício para a cidade e atrai a curiosidade de quem anda lá embaixo, como os frequentadores da feira de domingo na praça Dom Orione."

Depois de construir a casa, o empresário planejou também colocar um carro no terraço. Costumava dizer que, sem esse veículo, o projeto não estaria completo. Inicialmente adquiriu um DKW 1965. Concluiu, porém, que o automóvel era novo demais para ficar estacionado diante do imóvel. Passou a procurar um modelo mais antigo e conseguiu adquirir um Ford A de 1931 com quatro portas de um fazendeiro do Paraguai. Restaurou o carro, que foi pintado de verde, e o ergueu até o topo do prédio em 2021.

Modelo Ford de 1931
Colocação de um Ford modelo A de 1931 na frente da casa foi a última etapa do projeto de Miguel - Vicente Vilardaga

Hoje o projeto está concluído e Miguel conseguiu o que queria: trazer de volta a atmosfera das residências paulistanas do início do século 20 e ajudar a preservar as lembranças do Bexiga para as futuras gerações. O local não está aberto para visitação do público, mas já foi locação de um filme e inspirou um livro infantil.

O plano de seu proprietário, assim que arrumar o museu, é fazer visitas guiadas periódicas para estudantes e grupos fechados. Segundo o empresário, mais do que uma construção cenográfica, a Casa Amarela representa um compromisso com a preservação da memória urbana.

O corporativo precisa de oxigênio, Aziz Camali- FSP

 Aziz Camali

Idealizador do Oxigênio Ilhabela, incubadora territorial que potencializa a vocação criativa da ilha, fortalece a economia local e inspira novas relações entre territórios e marcas

Ninguém tem mais tempo. Não é uma metáfora. É uma realidade que atravessa empresas, lideranças e equipes. Quanto mais conectados estamos, menos tempo parece existir para pensar sobre o que realmente importa.

Estamos vivendo uma espécie de exaustão da disponibilidade. As pessoas querem curadoria, mas muitas vezes já não têm tempo sequer para construir o briefing do que precisam. Querem inovação, conexão, criatividade e vínculo —tudo ao mesmo tempo.

Talvez o que esteja faltando não seja mais uma solução. Talvez esteja faltando espaço. Espaço para sair do automático. Para conversar sem uma agenda de 30 tópicos. Para caminhar, ouvir ou sentir. Para fazer uma pergunta que não caberia em uma reunião.

A imagem mostra várias embarcações à vela navegando em um corpo d'água tranquilo. O reflexo do sol na água cria um efeito brilhante, enquanto ao fundo há uma vegetação montanhosa sob um céu escuro.
Movimentação na praia do Curral em Ilhabela, litoral norte paulista - Avener Prado - 07.jul.2013/Folhapress

Durante muito tempo, retiramos as pessoas de seus ambientes para colocá-las em salas, hotéis e centros de convenções, reproduzindo a mesma lógica de produtividade em outro endereço. Mas e se o território não fosse apenas o cenário do encontro? E se ele fosse parte da própria experiência?

Ilhabela oferece uma possibilidade original. Não como mais um destino para eventos corporativos que voam como ventos e logo passam, mas como um território capaz de funcionar como antídoto para o modus de trabalho que escolhemos.

Aqui, uma conversa estratégica pode acontecer velejando. Uma reunião pode começar na trilha. Uma experiência gastronômica pode aproximar pessoas que trabalham juntas há anos. Um parceiro de negócio pode deixar de ser apenas um contato e virar uma relação real.

Isso acontece porque Ilhabela não oferece apenas infraestrutura. Oferece território: natureza, mar, cultura, gastronomia, hospitalidade, comunidades tradicionais e uma rede local de serviços que conhece e vive esse lugar.

É essa perspectiva que orienta o Oxigênio Ilhabela: conectar empresas e grupos à potência do território para construir experiências que façam sentido.

Não se trata de oferecer um pacote pronto. Trata-se de construir uma experiência integrada ao lugar. Um grupo pode chegar sabendo o que precisa —ou justamente porque já não consegue formular essa resposta sozinho.

Podemos combinar encontros, natureza, movimento e para criar uma percepção diferente de tempo e espaço. Isso também nos obriga a repensar o próprio conceito de produtividade. Talvez produtividade não seja trabalhar mais horas. Talvez seja criar condições para voltar a pensar melhor.

Há pessoas trabalhando aos domingos porque acreditam que é quando conseguem produzir mais. Talvez o problema não seja trabalhar no domingo. Talvez seja termos perdido a capacidade de perceber quando estamos trabalhando e quando estamos vivendo.

E essa discussão é social. Quando o trabalho ocupa todo o espaço, não é apenas a agenda profissional que muda. Mudam as relações, a convivência, o tempo com os filhos, a capacidade de criar vínculos e até a maneira como ocupamos os territórios.

Por isso, precisamos de novos espaços de descompressão. Não para fugir do trabalho, mas para reconstruir nossa relação com ele. Ilhabela é um desses lugares.

A poucas horas de São Paulo, é possível mudar de ritmo sem desaparecer do mundo, combinando infraestrutura e conectividade com natureza, cultura e relações. Uma viagem corporativa pode também movimentar negócios locais, valorizar profissionais do território e criar novas conexões entre quem chega e quem vive aqui.

Talvez Ilhabela não precise ser apenas o lugar para onde se foge no fim de semana para descansar do trabalho. Talvez precise se tornar o lugar onde a gente se encontra —tirando a roupa do trabalho para voltar a encontrar as pessoas por trás dos cargos, as relações por trás dos negócios e a vida por trás da agenda.

E talvez seja disso que o corporativo mais precise agora: menos lugares para trabalhar e mais lugares para voltar a estar.