quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Anvisa suspende produção em fábrica da Unilever, dona das marcas Omo, Surf, Brilhante e Comfort - FSP

 

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  • Unilever afirma que as ações requeridas pela Anvisa para normalização já estão sendo implementadas
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São Paulo

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou, nesta quarta-feira (2), a suspensão da fabricação de produtos de limpeza na fábrica da Unilever, dona de marcas como Omo, Comfort e Brilhante, localizada em Vinhedo (SP).

A multinacional afirmou à Folha que a suspensão de produção afeta as linhas de sabão líquido para lavar roupas e amaciante líquido das marcas Omo, Comfort, Surf e Brilhante, e que as ações requeridas pela Anvisa para normalização já estão sendo implementadas.

Segundo a agência, a medida é preventiva e a avaliação das evidências disponíveis até o momento não indicou contaminação microbiológica ou outros problemas sobre os lotes produzidos na fábrica. Por isso, não foi determinada a suspensão das vendas, da distribuição e do uso dos produtos já fabricados e que estão à venda, nem seu recolhimento.

Logotipo da Unilever em azul sobre fundo branco, com detalhes gráficos dentro da letra 'U' e a palavra 'Unilever' escrita em caligrafia cursiva abaixo.
Logotipo da Unilever - Dado Ruvic/Reuters

Entre as inconsistências apontadas pela agência reguladora estão falhas nos controles realizados durante a fabricação e antes da liberação dos produtos, deficiências no monitoramento da água utilizada no processo produtivo e fragilidades na investigação e correção de problemas identificados pela própria empresa.

A inspeção foi realizada entre os dias 24 e 28 de agosto pela Anvisa, em conjunto com o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e a Vigilância Sanitária do Município de Vinhedo

"Por determinação da Anvisa, de forma preventiva, as linhas de fabricação destes produtos foram temporariamente suspensas para implementação das melhorias operacionais requeridas. Todas as ações foram prontamente iniciadas e já estão sendo implementadas", diz a empresa, em nota.

Segundo a Anvisa, foram identificadas falhas nas chamadas boas práticas de fabricação, " requisitos que as empresas devem cumprir para assegurar que a produção conte com sistemas de controle de qualidade adequados."

A Unilever é dona de marcas como Omo, Dove, Seda, Rexona, Comfort, Helmans, Cif e Knorr. Segundo informações disponíveis no site da empresa, a fábrica de Vinhedo é responsável pela fabricação de produtos líquidos.


O que aconteceu?

A Anvisa determinou a suspensão da produção de determinadas linhas de produtos de limpeza líquidos da Unilever após inspeção no fim de agosto. Foram encontradas inconsistências no controle de qualidade, como deficiências no monitoramento da água utilizada no processo produtivo.

Quais produtos foram afetados?

Tiveram a produção suspensa em Vinhedo (SP) lava roupas líquidos e amaciantes líquidos das marcas:

  • Omo
  • Comfort
  • Surf
  • Brilhante

A empresa não informou a lista completa de produtos.

O que o consumidor deve fazer?

Por enquanto, nada. A medida é preventiva, segundo a Anvisa, e não há indicativo até o momento de contaminação microbiológica ou outros problemas nos lotes produzidos na fábrica. Por isso, não há a recomendação de suspensão de vendas, distribuição e uso dos produtos já fabricados ou que estão à venda, tampouco o recolhimento.


RELEMBRE A CRISE DA YPÊ

De acordo com a Anvisa, a vistoria à fábrica da Unilever faz parte de outras ações integradas de fiscalização sanitária de empresas fabricantes de saneantes, categoria que inclui produtos destinados à limpeza, desinfecção e conservação de ambientes.

Já foram realizadas sete inspeções neste ano, incluindo quatro das maiores fabricantes do Brasil —entre elas, a Ypê. A investigação da Anvisa em maio na fábrica da marca, em Amparo (SP), culminou na suspensão das atividades do complexo industrial por cerca de um mês e no recolhimento de produtos líquidos com a numeração de lote final 1.

O embargo sobre detergente, sabão líquido para roupas e desinfetante da Ypê ocorreu após a Anvisa identificar falhas graves sobre o controle de qualidade microbiológico, com identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de cem lotes de produtos acabados.

A bactéria, presente em ambientes hospitalares, é considerada oportunista: ela não costuma provocar infecções graves em pessoas saudáveis, e sim quando encontra alguma brecha nas defesas naturais do corpo ou organismos fragilizados. O risco é maior com imunossuprimidos e idosos.

O caso começou em novembro de 2025. Como mostrou a Folha, as denúncias partiram da Unilever. A Anvisa liberou os produtos da Ypê em junho após a empresa apresentar laudos satisfatórios.

A inflação não deveria ser o problema- Deirdre Nansen McCloskey - FSP

 As eleições legislativas nos EUA, em novembro, serão decididas pela frustração crescente entre os apoiadores de Donald Trump com sua incapacidade de conter a inflação. Em 2024, ele derrotou a segunda mulher que enfrentou afirmando que poderia acabar com a inflação "no primeiro dia".

A única maneira de alcançar esse objetivo tão rapidamente é fazer o que a Alemanha fez em novembro de 1923 para deter sua hiperinflação e o que o Brasil fez em julho de 1994: adotar uma moeda totalmente nova —o Rentenmark na Alemanha e o real no Brasil. A inflação generalizada é sempre causada pela injeção excessiva de dinheiro em uma economia. A equação é idêntica àquela que aprendemos em química: a equação de estado de um gás ideal. Mais moléculas, mais pressão.

Há muitas razões para criticar Trump nos planos econômico, social e constitucional.

Do ponto de vista econômico, um país prospera mais quando permite o comércio com quem as pessoas escolherem. Você sabe que isso é verdade. Se o Carrefour da rua Pamplona cobrar caro demais pelo leite, você sairá ganhando se tiver o direito de ir ao Assaí Atacadista na avenida Aricanduva em vez de encarar uma tarifa que o impeça de fazê-lo.

Trump não acredita nisso. Sua experiência em negociações hoteleiras —nas quais duas partes se enfrentam e negociam sem outras alternativas— molda sua compreensão da vida econômica. Assim, visando alguma vantagem na negociação, ou movido pela raiva, ele impõe tarifas ao Brasil —o que equivale a taxar as companhias aéreas dos EUA que desejam comprar aviões brasileiros.

Donald Trump ao anunciar tarifas de importação - AFP

Socialmente, Trump tornou mais grosseiro o discurso nos EUA e no mundo. O Brasil ou os EUA —aliás, o mundo todo— só podem viver em paz se as pessoas forem tratadas com respeito liberal, ainda que apenas na teoria expressa publicamente. Trump não respeita esse princípio liberal. Seus heróis personificam o poder bruto, não o respeito liberal: Vladimir Putin, da Rússia, e não María Corina Machado, da Venezuela.

Constitucionalmente, ele tentou anular uma eleição —a primeira tentativa do gênero na história dos EUA. Atualmente, está dispensando todos os oficiais militares de alta patente que, ele suspeita, não apoiariam uma segunda tentativa de golpe ou o uso das Forças Armadas contra protestos pacíficos.

O que incomoda um economista liberal como eu no fato de a inflação ser a questão central é que, para começar, Trump tem pouca relação com ela. A inflação é causada por excesso de dinheiro em busca de poucos produtos, não pela maioria das políticas presidenciais —a menos que elas alterem a equação de estado do gás. Mesmo suas tarifas e sua guerra contra o Irã afetam apenas os preços relativos das coisas, não a taxa de inflação geral.

Além disso, a inflação é irrelevante, segundo padrões históricos e internacionais: 3,4% ao ano. No Brasil é pouco superior a 4,2%. Excetuando-se períodos de guerra, a taxa mais alta nos EUA ocorreu entre 1979 e 1980 —quase 15%. A mais alta em tempos de paz no Brasil foi em abril de 1990, quando a inflação anualizada atingiu 6.800%. E foi ainda mais alta na Alemanha.

Mas as eleições não são racionais. Afinal, fomos nós que elegemos os políticos atuais.