terça-feira, 20 de outubro de 2026

Milton Leite é transferido para CDP de Guarulhos após denúncias de regalias na prisão- fsp

 O ex-vereador Milton Leite (União-Brasil) foi transferido para o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos, na Grande São Paulo, na manhã deste terça-feira (2). A transferência ocorre quatro dias depois de uma operação apontar suspeitas de regalias para o ex-presidente Câmara Municipal de São Paulo.

Leite estava preso na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, também na região metropolitana. Há um mês, Leite foi preso por suspeitas de participar de um esquema de infiltração do crime organizado em empresas de ônibus que prestam serviço público.

Homem de camisa preta é escoltado por policial também de preto na entrada de delegacia da Polícia Civil, com câmeras e flashes ao fundo.
O ex-vereador Milton Leite, presidente da Câmara Municipal de São Paulo por sete vezes; ele recebeu políticos na cadeia pública - Felipe Iruatã/Folhapress

Na última sexta-feira (16), uma operação do MP-SP (Ministério Público de São Paulo) e da Corregedoria da Polícia Civil apreendeu R$ 155 mil e cerca de U$ 10 mil (R$ 50,7 mil) com um carcereiro suspeito de ajudar o ex-vereador com regalias na prisão.

Também foram realizadas buscas no 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes e em uma residência na cidade. O carcereiro não foi identificado.

Dois celulares foram encontrados na cela do político.

No sábado, além do carcereiro, a Polícia Civil afastou três delegados e um investigador.

Segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública), os policiais atuam na Seccional da Polícia Civil do município da Grande São Paulo.

A Folha apurou que entre os afastados estão a delegada seccional de Mogi das Cruzes, Margarete Barreto, e o delegado titular do 1º DP da cidade.

Ela disse estar com a consciência tranquila e confiar que a verdade será esclarecida. Ela afirmou que esteve em férias, pois fez duas cirurgias.

No período em que ficou em Mogi, Milton Leite recebeu políticos e tratou de articulações partidárias na cadeia pública de Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo.

O advogado Aloísio Medeiros, que defende o ex-vereador, disse neste domingo que, nas ocasiões que esteve com o cliente na cadeia pública, observou que havia "rigidez e o regramento próprios do sistema carcerário".

"Acredito que na absoluta ausência de elementos que justifiquem a manutenção da prisão temporária de Milton Leite, há uma tendência ao exagero", afirmou. Disse também que nunca se deparou com nenhum político quando esteve no local.

Milton Leite recebeu visitas de políticos

No domingo (18), o deputado estadual Delegado Olim (PP) afirmou à Folha que visitou Leite na cadeia após o primeiro turno das eleições, que ocorreu há duas semanas, para tratar de articulações da federação partidária União Brasil-PP.

Olim pretende assumir a liderança do grupo na Assembleia Legislativa de São Paulo a partir de fevereiro, quando começa a nova legislatura. O ex-vereador é presidente do diretório municipal do União Brasil e tesoureiro da executiva estadual, cargos que preservou após a prisão temporária.

Além disso é copresidente da federação partidária em âmbito estadual, motivo pelo qual seu aval é necessário para a aprovação da liderança na Assembleia.

"Fui lá estritamente para quê? Para pegar o partido dele, que agora é meu, porque eu quero ser o líder da federação dia 2 de fevereiro", disse Olim à Folha. "Ele já determinou que o pessoal viesse comigo, que o filho dele perdeu, né? E eu fui lá para fazer isso e acertei, fiquei lá uns 30 minutos e fui embora."

A reunião entre os dois ocorreu em uma sala de visitas do edifício, ele contou. O deputado afirmou ter conhecimento que dezenas de deputados já visitaram Leite na cadeia pública no último mês, embora não tenha citado nenhum nome.

Ele também teria recebido a visita de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL —partido que abriga o clã Bolsonaro. Segundo reportagem do site G1, os nomes de Valdemar e Olim foram citados no depoimento da delegada seccional de Mogi das Cruzes, Margarete Barreto, que está entre os cinco policiais afastados por suspeitas de permitir regalias ao ex-vereador na cadeia.

O presidente do PL estaria acompanhado da esposa, que é advogada. Olim afirmou que foi ao local um dia depois da visita de Valdemar.

A Folha procurou tanto o presidente do PL quanto sua esposa por telefonemas e aplicativos de mensagem na tarde deste domingo (18), mas não recebeu resposta.

Investigação no transporte público

Leite foi preso no âmbito da operação Vectura Corrupta, que mira a infiltração da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no transporte coletivo de ônibus da capital paulista, deflagrada em setembro. Ele nega qualquer crime.

Os investigadores da operação apontam haver indícios de que Leite seria o verdadeiro dono da Transwolff, empresa que gerenciou durante anos linhas de ônibus da capital paulista e cujo contrato foi rompido pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) por suspeitas de envolvimento com o PCC.

O pedido contra o ex-vereador se baseou em duas circunstâncias em que seu nome foi mencionado por terceiros. O nome dele aparece em um áudio encontrado em aparelho celular apreendido e nos depoimentos de policiais prestados à Corregedoria da Polícia Militar.

As duas citações a Milton tratam de supostas conexões dele com as empresas que foram alvo da Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024, que mira a infiltração da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no transporte coletivo de ônibus da cidade de São Paulo.

Nenhuma outra prova contra ele, como pagamentos ou vínculos societários com as empresas ou pessoas investigadas, aparece nas representações da polícia e da Promotoria.

Deirdre Nansen McCloskey - As eleições nos EUA importam; mesmo as de meio de mandato, fsp

 A maioria das eleições, na maioria dos países, não deveria importar muito, nem mesmo para os brasileiros preocupados e patriotas.

Não importa muito, por exemplo, que Giorgia Meloni, da classe trabalhadora, seja a primeira mulher eleita primeira-ministra da Itália, vinda de conhecidos partidos neofascistas. Embora seja firmemente conservadora em questões sociais e migratórias, é interessante notar que desde que assumiu (2022) tem governado muito bem, até mesmo na opinião dos italianos antifascistas. É uma conservadora do tipo "Deus, pátria, família". "Se eu fosse britânica, seria uma ‘tory’ [seguidor do Partido Conservador]", disse. Ela admira o falecido teórico político conservador Roger Scrutton. Ao contrário de alguns políticos que alegam conhecimento teórico, ela parece que realmente o leu.

Tudo bem. Ou não. Escolha sua visão. De qualquer modo, isso não importa muito para os brasileiros.
Mas as eleições nos EUA, em 3 de novembro, para toda a Câmara dos Deputados e um terço do Senado, importam para o mundo todo.

Gostaria que não fosse assim. Fico feliz que a economia do meu país seja rica, e recomendo que outros adotem as atitudes que a fizeram assim. A consequência econômica é que, se os EUA pegam um resfriado, o mundo pega pneumonia. Pena, mas não.

Entretanto, lamento muito que hoje os EUA sejam governados de uma maneira tão descuidada, corrupta e até mesmo maluca. Donald Trump, neste segundo mandato, desprezou as pessoas de bom senso que o cercavam no primeiro. Isso é um fato. Mesmo que você seja conservador, não deveria aprovar. Baseado unicamente na lealdade ao seu impulso da semana, Trump nomeou pessoas que quase todos consideram incompetentes em suas funções.

Meloni sabe administrar um governo conservador. Trump não. Ele administrou mal suas empresas. Agora, seu governo.

Em uma perspectiva de longo prazo, gostaria que o governo dos EUA —e o do Brasil— fosse muito menor, para que não importasse muito como fosse administrado. Governar, sendo necessariamente o exercício da coerção de cima para baixo, em vez da escolha individual de baixo para cima, é intrinsecamente perigoso. Necessário, mas perigoso.

Apenas a falsa alegação de governantes e da maioria dos teóricos de que a escolha de baixo para cima, feita por você e por mim, tem muitas imperfeições terríveis mantém o governo sempre crescendo.

Thomas Paine, revolucionário inglês do liberalismo primário em sua origem, escreveu, em 1776, que "a sociedade, em qualquer estado, é uma bênção, mas o governo, mesmo em seu melhor estado, é apenas um mal necessário; em seu pior estado, um mal intolerável". A teórica política liberal moderna Judith Shklar, de Harvard, defendeu um "liberalismo do medo" —medo do governo. Exatamente.

Os congressistas republicanos deixaram Trump fazer isso. Mas parece que muitos, mesmo na pequena maioria de eleitores que escolheu Trump, perceberam que governar não é um reality show e ficarão em casa em 3 de novembro ou punirão ativamente os republicanos.

Os democratas são estatistas, assim como a maioria dos republicanos, e não aprovo isso. Mas o estatismo maluco é pior que o estatismo comum.