domingo, 16 de agosto de 2026

Sonho americano da MRV chega ao fim e deixa impactos bilionários no grupo -OESP

 

A Resia foi criada em 2012, na Flórida, por empresários  liderados por Rubens Menin, fundador e acionista  da MRV
A Resia foi criada em 2012, na Flórida, por empresários liderados por Rubens Menin, fundador e acionista da MRV Foto: Resia/Divulgação

O balanço da MRV&CO mostrou como saiu cara a empreitada do grupo nos Estados Unidos. Em 2019, o a companhia internacionalizou suas operações, com investimentos pesados, mas o lucro esperado nunca se concretizou. Em vez disso, a conta foi parar no vermelho. E em dólar.

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A MRV&CO - conglomerado de empresas imobiliárias com MRV, Urba, Luggo e Resia - teve prejuízo líquido consolidado de R$ 626,3 milhões no segundo trimestre, conforme balanço divulgado na noite de quarta-feira, 12.

O que mais pesou foi o resultado da Resia, subsidiária que faz a construção de edifícios e a locação dos apartamentos nos EUA. Depois que o condomínio está cheio de inquilinos, a empresa vende o empreendimento inteiro para investidores que buscam dividendos com aluguéis. O objetivo da Resia era ganhar dinheiro com a venda dos imóveis e com a permanência à frente da administração dos apartamentos.

A Resia (antigamente chamada American Housing Solutions, AHS) foi criada em 2012, na Flórida, por um grupo de empresários liderado por Rubens Menin, que também é o fundador e acionista de referência da MRV. Em 2019, o negócio foi comprado pela MRV em troca do compromisso de investimentos na ordem de US$ 230 milhões.

Projeto era considerado ‘chance de ouro’

O plano inicial previa ampliar a produção anual de 700 de apartamentos para até 24 mil ao longo de dez anos, espalhando os projetos pela Flórida, Georgia, Texas e além. Em conversa com investidores na pré-venda para a MRV, Menin classificou o negócio como uma “chance de ouro”, tendo em vista os potenciais ganhos de escala.

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Em 2022, a MRV&CO chegou a contratar o BTG Pactual e o Bank Of America (BofA) para buscar sócios com intuito de ajudar a financiar o plano de expansão da Resia, mas o processo acabou paralisado alguns meses depois. A inflação e os juros começaram a subir nos EUA, desestimulando investidores.

Sem sócios, a Resia passou a financiar seus projetos com a tomada de dívida e com a expectativa de venda futura dos empreendimentos que estavam em obras. Confiante no negócio, o grupo abriu em 2023 uma fábrica própria de pré-moldados, como banheiros, cozinhas e lavanderias, para instalação diretamente nos canteiros de obras. É o tipo de investimento que exige um grande número de obras para valer a pena.

Mas então os problemas se acumularam. A inflação e os juros nos EUA seguiram altos, enquanto a Resia errou a mão em alguns projetos. Houve casos em que a companhia demorou para achar inquilinos, pois os prédios foram erguidos em locais onde já havia muita oferta de moradias. Isso fez o aluguel ficar abaixo do previsto, assim como o preço final de venda, que também demorou mais a sair. A dívida da Resia cresceu até chegar a um nível insustentável, marcando US$ 745 milhões no fim de 2024 - algo como R$ 4 bilhões.

Em 2025, o grupo começou a liquidar ativos

Então, a MRV&CO começou a recuar no sonho americano. O grupo decidiu reduzir os lançamentos, acelerar a venda dos empreendimentos e se desfazer de mais da metade do seu estoque de terrenos nos EUA. Mas o mercado norte-americano seguiu adverso, com pouco apetite de investidores por esse tipo de negócio. Em 2025, o grupo comandado pela família Menin começou a liquidar os ativos para gerar caixa e enfrentar a dívida. Ainda havia esperança em voltar a investir na Resia em algum momento no futuro. Já em 2026, veio a decisão de fechar as portas de vez.

No ano passado, o grupo perdeu US$ 144 milhões com baixa contábil (impairment, ou venda abaixo do valor patrimonial) e neste mês, reportou outra perda do mesmo tipo, no valor de US$ 110 milhões. Somando as duas, o prejuízo com a empreitada nos EUA gira na ordem de R$ 1,3 bilhão a R$ 1,4 bilhão.

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“Priorizamos caixa em relação ao valor do ativo”, explicou o copresidente da MRV&CO, Rafael Menin, em teleconferência com investidores e analistas nesta quinta-feira, 13. “Deixamos dinheiro na mesa, mas teremos geração de caixa”, defendeu. Só neste ano, as vendas de ativos da Resia levantaram US$ 400 milhões, o que vai se traduzir em cerca de R$ 1,5 bilhão para o caixa da MRV&CO (descontando despesas). Com isso, a dívida líquida do grupo vai baixar de R$ 5,9 bilhões para R$ 4,6 bilhões.

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“Vendemos em condições de mercado piores do que o imaginado. Não conseguimos recuperar valores com juros e despesas de projetos. Mas o racional aqui é ser bastante pragmático, optando por desalavancar mais rápido”, afirmou o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da MRV&CO, Ricardo Paixão, em entrevista.

Ainda há imóveis para vender

Pela frente, a Resia tem ativos remanescentes para venda avaliados no balanço em US$ 370 milhões. Entram aí um último empreendimento próprio (Golden Glades, em Miami), terrenos, participações e a fábrica de pré-moldados. As vendas devem se estender até 2028. Alguns ativos podem ser vendidos abaixo do valor patrimonial, enquanto outros podem gerar algum lucro, segundo a direção. “Continuamos na linha de buscar uma forte venda de ativos para reduzir o impacto no balanço, até chegar num ponto em que a operação [Resia] será descontinuada”, acrescentou Paixão.

Antes da Resia, a MRV chegou a valer R$ 9 bilhões na Bolsa, em 2019. Hoje, seu valor de mercado está em R$ 2,7 bilhões.

A principal divisão de negócios do grupo continua sendo a MRV, especializada em moradias populares, dentro do Minha Casa Minha Vida (MCMV). A empresa teve lucro líquido ajustado de R$ 155 milhões no segundo trimestre, alta de 28,2% ante o mesmo período do ano passado. A MRV tem mostrado aumento das vendas de imóveis, melhora da margem e evolução das obras. A produção anual está em torno de 40 mil apartamentos, espalhada por 90 cidades.

Energia solar supera marco global e acelera expansão -FSP

 A rápida expansão da energia solar é uma das maiores histórias do século 21. Depois de superar a marca de 100 gigawatts em 2012, o mundo levou 10 anos para instalar um terawatt de capacidade solar. A instalação de mais um terawatt —suficiente para atender a toda a demanda de eletricidade dos Estados Unidos em seu pico— levou menos de três anos. Menos de dois anos depois, em 2026 —o momento exato é motivo de debate entre analistas—, o patamar de três terawatts foi alcançado.

Ninguém realmente percebeu.

E isso faz sentido. Para a maioria das pessoas, a expansão da energia solar não é percebida por meio de números, mas de outras formas. "Pegue um trem para qualquer lugar, digamos, no Reino Unido, e provavelmente verá painéis solares", afirmou Lara Hayim, chefe de pesquisa sobre energia solar da BloombergNEF.

Painéis solares organizados em fileiras retas em área aberta, com cinco turbinas eólicas ao fundo em campo verde sob céu azul com nuvens.
Torres eólicas de geração de energia e painéis solares no cerrado da Bahia e de Pernambuco - Rubens Cavallari -02.jun.26/Folhapress

Esse sinal visual só tende a ficar mais evidente. As projeções são tão otimistas em relação à energia solar que, em poucos anos, o marco de 3 terawatts parecerá quase insignificante. A BNEF prevê que o mundo instalará mais de 9 terawatts de capacidade solar até 2036.

Mas, ao examinar os dados um pouco mais a fundo, surgem histórias interessantes. O primeiro terawatt resultou, sobretudo, de países ricos subsidiando a instalação de sistemas solares, enquanto a China e os países pobres ainda consideravam a energia fotovoltaica cara demais. Esse cenário mudou com o segundo e o terceiro terawatts, quando a China assumiu o protagonismo dos países ricos.

O resultado é que, embora o mundo tenha ampliado a capacidade solar em ritmo acelerado, a parcela das instalações destinada aos países pobres permaneceu estagnada desde 2020. A China foi claramente o principal motor dessa expansão mundial, disse Hayim. Mas, ao separar os números, "agora também é possível observar uma explosão da energia solar em outros países".

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Nos últimos anos, países como Paquistão, Nigéria e Filipinas registraram um aumento extraordinário da capacidade solar instalada em telhados. Alguns mercados menores, como Cuba e Líbano, também apresentaram rápida adoção. Por isso, o número de países com ao menos 1 gigawatt de capacidade solar instalada chegou a 74 no ano passado, ante 42 em 2020.

A expansão da energia solar na China ocorreu em ritmo mais rápido do que a implantação da infraestrutura de apoio, como linhas de transmissão e baterias. Isso está levando a mais cortes na produção solar durante os horários de pico e, consequentemente, ao desperdício de recursos. Por isso, analistas esperam uma desaceleração das instalações na China. Em seu mais recente plano quinquenal, o país anunciou uma série de medidas para aumentar em mais de 50% o consumo de energia renovável, em vez da produção.

A BloombergNEF prevê que a participação dos países pobres nas instalações solares voltará a crescer a partir deste ano. A maioria dos países em desenvolvimento parte de níveis muito baixos de penetração da energia solar na rede e não atingirá os limites que a China e outros grandes adotantes enfrentam atualmente. Até 2036, mais de um quarto de toda a capacidade solar instalada estará em países em desenvolvimento, enquanto a participação dos países ricos cairá para cerca de 20%.

A expansão da energia solar ocorreu à medida que os países superaram problemas locais, desde a falta de trabalhadores qualificados até os desafios de administrar uma rede com fontes renováveis intermitentes. Ainda assim, Hayim afirma que a principal limitação para os países em desenvolvimento continua sendo a falta de acesso a financiamento.

Existe, porém, um limite máximo teórico para a quantidade de energia solar que pode ser acrescentada à rede. Isso ocorre porque, quando a energia solar já supre toda a demanda durante o dia, adicionar mais capacidade perde valor. Países como a Austrália e regiões como a Califórnia, que apresentam alguns dos maiores níveis de penetração da energia solar, registram preços negativos de eletricidade durante o dia, sinalizando que há energia solar em excesso na rede.

As baterias de íons de lítio podem ajudar a prolongar por algum tempo a expansão da energia solar, armazenando o excedente de eletricidade durante o dia e liberando-o mais tarde, à noite. Foi isso que formuladores de políticas públicas australianos ajudaram a incentivar por meio de subsídios para baterias residenciais. E é também o que começa a ocorrer, independentemente do apoio governamental, em países em desenvolvimento como Paquistão e Filipinas, onde uma explosão no uso de baterias sucede à da energia solar.

Sem armazenamento de energia em baterias, é improvável que a revolução solar continue. "Sem armazenamento de energia suficiente, não é possível maximizar o potencial da energia solar", afirmou Hayim.

Coitado do Flávio Dino, Elio Gaspari, FSP

 Depois que a casa caiu, a decisão de se vasculhar equipamentos eletrônicos de jornalistas parece ser de responsabilidade difusa. O ministro Flávio Dino, do STF, disse que está sofrendo "agressões e injustiças" ao ser vinculado à ilegalidade essencial do procedimento. O artigo 5º, no seu inciso 14, diz que "é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional". Pode ser um exagero, mas está lá.

Na tipologia dos comportamentos, existe a figura do coitadinho profissional. Seja qual for a conduta criticada, tudo resulta da má-fé do outro. Dino entrou num enredo da política maranhense criando um problema federal, constitucional, porque achou que podia defender-se valendo-se de uma arma eficaz, porém tóxica. O mais incrível é que funcionou por cinco meses e, se a irmandade do Supremo não acordar, acaba associado a coitadinhos profissionais de todas as espécies. A decisão irá ao plenário do tribunal.

Homem de meia-idade com óculos, terno e gravata azul e verde, veste toga preta e está em ambiente institucional. Ao fundo, há uma bandeira do Brasil e um grande brasão dourado na parede.
O ministro do STF Flávio Dino - Gabriela Biló - 25.fev.26/Folhapress

Aos fatos:

Na política maranhense, há de tudo. Dino tem 37 anos de vida pública honrada e é perseguido por um blogueiro. No início deste ano, o blogueiro Luís Pablo noticiou que Dino e familiares seus usavam uma caminhonete blindada do Tribunal de Justiça maranhense em suas movimentações.

No dia 4 de março, o ministro Alexandre de Moraes atendeu a um pedido da Polícia Federal, acompanhado pelo Ministério Público, e determinou a apreensão de celulares, computadores, tablets, documentos e outros dispositivos eletrônicos que possam auxiliar na investigação. A decisão também permitia a análise do conteúdo armazenado nos aparelhos, inclusive dados guardados em serviços de armazenamento em nuvem.

À época, a decisão foi condenada por entidades jornalísticas. Palavras ao vento, estava aberto o precedente. A apreensão desses equipamentos de qualquer jornalista expõe suas conexões e, com isso, suas fontes.

Passaram-se seis meses e a diligência deu o resultado desejado e previsto. A proteção constitucional do sigilo da fonte foi para o espaço. Era o que a PF, o Ministério Público, Moraes e Dino queriam.

A fonte seria Raimundo Cutrim, ex-secretário de Governo do Maranhão. Cutrim está em prisão domiciliar determinada por Flávio Dino desde julho, por causa de outras atividades. As quizilas da política maranhense têm de tudo, nunca precisaram atropelar a Constituição por decisão monocrática de um ministro do Supremo.

Seu advogado pergunta: "Investigam um jornalista que faz denúncia, investiga o advogado que o orienta, a fonte... e não investigam a denúncia? É muito estranho". Põe estranho nisso.

A essa altura, Dino explica que nunca usou veículos do Tribunal de Justiça de forma irregular, pois um convênio dá transporte e segurança aos ministros do STF em trânsito pelo Estado. Tudo nos conformes. O problema de Pindorama está nos conformes dos hierarcas. No Império, nos conformes, magistrados conseguiam para seus serviços negros contrabandeados que, pela lei, seriam libertos. Tudo legal.

Há meses, o distinto público é bombardeado por notícias dando conta de que o Supremo Tribunal Federal combate os penduricalhos da magistratura. As associações de juízes sustentam que cada um deles é legal, e é. Semelhante bizarrice tem a mesma origem que a decisão de apreender equipamentos de jornalistas.

Do folclore maranhense

O cacique maranhense Vitorino Freire (1908-1977) odiava José Sarney e era um arsenal de frases e piadas. Foi ele quem levou para o anedotário político a expressão que "jabuti não sobe em árvore, alguém pôs ele lá".

Hoje ele é nome de município, porém pouco lembrado. Para se ter uma ideia do seu estilo, aqui vai um.

Certo dia, Vitorino visitou o ministro do Exército, general Sylvio Frota, com um pote de doce e disse: "General, aqui vai um doce de jaca lá do Maranhão, sugiro que o deixe na sua sala de jantar, num lugar bem visível, porque o Sarney anda dizendo que o senhor é diabético".

Frota não era diabético, nem Sarney dizia que era.

Em 1968, depois da edição do AI-5, Vitorino e outros 20 senadores protestaram num telegrama ao presidente Costa e Silva.

A iniciativa caiu mal, e 34 assinaram uma carta ao presidente Médici louvando a edição do ato.

Sete assinaram os dois, inclusive Vitorino.

Médici guardou poucos papéis, entre eles esses dois documentos.

Fake news e o STF

A decisão do ministro Edson Fachin de levar ao plenário a decisão monocrática de apreender celulares, computadores e tablets de um blogueiro será um teste de vida ou morte para o inquérito das fake news.

Sob o controle do ministro Alexandre de Moraes, essa sucessão de devassas já completou sete anos e, se ninguém se incomodar, chegará aos dez.

O sigilo da fonte e Trump

Donald Trump aborreceu-se porque repórteres noticiaram que sua segurança detectou falhas na segurança no Boeing de US$ 400 milhões que ele ganhou da família real do Qatar. Queria saber as fontes, interrogou repórteres e seus familiares, mas não recorreu à apreensão de seus equipamentos. A Constituição americana não assegura o sigilo das fontes, assegura a liberdade de expressão e, com ela, põe fora da lei as tentativas de inibi-la.

No Brasil, por decisão monocrática do ministro Alexandre de Moraes, a Constituição blindou o sigilo da fonte, mas ele liberou o conteúdo de equipamentos eletrônicos de jornalistas. Deu no que deu.

Num caso de choque em torno das fontes de uma reportagem de Judith Miller, do New York Times, ela ficou 85 dias na cadeia.

Em 2003, Miller escreveu que a ditadura iraquiana de Saddam Hussein tinha um arsenal de armas químicas e de destruição em massa. Fonte? Zero. O caso foi investigado e Miller recusou-se a revelá-la. Ela também não identificou quem lhe passou o nome de uma agente clandestina da Central Intelligence Agency. A fonte teria cometido um crime.

Miller teve ampla solidariedade e o apoio do publisher do Times.

As armas químicas e de destruição em massa eram uma invenção de Ahmad Chalabi, ex-ministro, dissidente iraquiano no exterior e fonte de Judith Miller.

O Times reconheceu que algumas de suas reportagens estavam erradas e livrou-se dela em 2005.

Jornalista premiada, sua cobertura das armas de Saddam deu-lhe o estrelato e o declínio.

Cruz eleitoral

Pela primeira vez em 30 anos, a importação de calçados superou a exportação. Virou pó um quarto da receita vinda dos calçados vendidos para os estados.

Os candidatos da bancada brasileira de Donald Trump ganharam mais um peso para carregar em outubro.