Rincon Sapiência lança nesta terça-feira (30) seu terceiro álbum de estúdio, um trabalho que coloca a vivência do corpo preto no centro da narrativa e aprofunda a pesquisa musical do artista. Com 17 faixas, o disco transita entre rap, música eletrônica, samba, dancehall, afrobeats, funk e reggae, reafirmando a proposta do rapper de expandir os limites do gênero sem abrir mão de suas raízes.
O principal lançamento audiovisual do projeto é o filme da faixa “Homem Gol”, com participações de Péricles e Marissol Mwaba. Dirigido por Juliana Jesus e produzido pela Monomito Filmes, o vídeo foi gravado na Zona Leste de São Paulo com a participação de moradores da região, incluindo elenco, equipes técnicas e times de futebol de várzea.
Segundo Rincon, o projeto nasceu a partir de uma revisão de sua própria trajetória artística. Ao revisitar composições recentes, o músico percebeu que o elemento central de suas histórias não eram os temas abordados, como festas, dinheiro ou relacionamentos, mas a perspectiva de um homem preto retinto que vive essas experiências.
“Ao enfatizar que são as histórias e vivências de um corpo preto, tudo ganha sabores, cores e discussões diferentes”, afirma o artista.
A proposta também se reflete na sonoridade. O álbum recupera influências presentes desde o início da carreira de Rincon e as combina com elementos contemporâneos da música eletrônica, além de referências ao samba, reggae, dancehall, afrobeats, funk e rap. O trabalho ainda propõe uma reflexão sobre a origem negra de muitos desses gêneros e sobre a presença de artistas negros nesses espaços.
Participações especiais
Além de Péricles e Marissol Mwaba, o disco também reúne participações de Dino Santiago, Lino Kriz, Funk Buia, Mylena Drague, Torya, F7rança e Bren9ve, conectando diferentes gerações e estilos musicais em torno de uma mesma proposta artística.
Rincon explica que o novo trabalho amplia a pesquisa iniciada em “Galanga Livre”, de 2017, e aprofundada em “Mundo Manicongo: Dramas, Danças e Afroreps”, de 2019.
“Trago sempre a influência do continente africano, a música mais antiga de lá, além de coisas de brasilidade. A partir do segundo disco, fui adicionando mais a tecnologia, com sintetizadores e autotune e, agora, quero mesclar as duas coisas”, diz. “É um álbum em que se evidencia a pesquisa sobre a obra de artistas que vieram antes da gente e abriram nossos caminhos, sobre o que está aqui e sobre o que ainda virá.”
Lançado de forma independente pelo selo MGoma, criado e dirigido pelo próprio artista, o álbum traz a proposta de Rincon Sapiência de unir criatividade, pesquisa musical e discussões sociais em uma obra concebida para ser apreciada do início ao fim.
“Com o disco, quero me posicionar como um grande artista, compositor e produtor musical, entendido como quem acessa muita pesquisa musical, criatividade e genialidade. Não vamos mais estar em pontos estigmatizados por ser uma pessoa de periferia, de trazer questões raciais e sociais. Estou num lugar ainda maior do que esse”, conclui.








