quinta-feira, 14 de maio de 2026

Receita Federal faz operação contra sonegação de R$ 2,5 bi no setor plástico em SP, FSP

 São Paulo

Receita Federal faz nesta quinta-feira (14) uma operação para cumprir 46 mandados de busca e apreensão em 14 cidades do estado de São Paulo contra um suposto esquema criminoso que usaria empresas de fachada para sonegar R$ 2,5 bilhões em impostos, por meio da emissão de notas fiscais frias, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

Outros órgãos como a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo fazem parte da Operação Refugo, que tem o apoio das polícias Civil e Militar. Mais de 500 agentes públicos participam da ação.

A investigação aponta a existência de três grupos empresariais ligados ao mercado de plásticos no estado. Eles teriam usado ao menos 60 empresas de fachada para gerar créditos tributários falsos, por meio da emissão de notas fiscais inidôneas.

Agente da Receita Federal em foto ilustrativa - Apu Gomes/4.jan.13/Folhapress

O esquema blindava os destinatários, que aproveitavam os créditos para reduzir artificialmente o pagamento de tributos estaduais e federais.

Os mandados de busca e apreensão são cumpridos em residências, empresas e escritórios ligados aos investigados nas seguintes cidades: dois em Arujá, oito em Barueri, um em Bertioga, nove em Caieiras, dois em Cotia, quatro em Franco da Rocha, um em Guarulhos, um em Itapevi, dois em Itupeva, três em Jundiaí, três em Santana de Parnaíba, três em São Bernardo do Campo, oito em São Paulo e um em Sertãozinho.

Segundo a Receita, o esquema era operado por meio de três fluxos integrados: fluxo de mercadorias, em que os produtos saíam diretamente de importadores, indústria de resina plástica e intermediários para indústrias de plástico e recicladoras; fluxo das notas fiscais fictícias, com empresas de fachada e interpostas que emitiam notas fiscais frias entre si até alcançar as empresas beneficiárias do esquema, dando aparência de legalidade às operações; e fluxo financeiro, com os valores pagos pelas empresas beneficiárias redistribuídos entre operadores, intermediários, empresas patrimoniais e pessoas ligadas ao grupo

A investigação aponta que dinheiro do esquema é usado para pagar despesas pessoais de empresários e pessoas ligadas a eles, o que inclui pacotes turísticos, clubes náuticos, lojas de vinhos e compra de imóveis e móveis de luxo.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Gestão Nunes prevê usina para queima de lixo em Perus, e moradores protestam, FSP

 

São Paulo

A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) prevê a instalação de uma usina de combustão de lixo na área de um aterro sanitário desativado em Perus, na zona norte de São Paulo. O equipamento deve gerar energia a partir da queima de resíduos e mobilizou moradores contrários à iniciativa.

A combustão do lixo faz parte de um sistema de geração de energia elétrica a partir do calor da queima dos resíduos, conhecido como waste-to-energy, ou recuperação energética em português.

Vista aérea mostra área urbana densa com casas e prédios baixos à esquerda e área de antigo aterro árvores à direita, em São Paulo.
Terreno que irá abrigar novo sistema de tratamento de resíduos, onde funcionou o aterro sanitário Bandeirantes, em Perus, na zona norte de SP - Rafaela Araújo/Folhapress

O sistema está previsto para começar a funcionar em Perus a partir de 2029. Estrutura semelhante deve ser instalada em São Mateus, na zona leste da capital paulista, até 2035, e uma terceira em Santo Amaro, na zona sul, ainda sem data prevista.

O projeto deve ocupar terreno do antigo aterro sanitário Bandeirantes, que funcionou no bairro de 1979 a 2007. A retomada da região como ponto de tratamento de lixo tem reavivado memórias de moradores, que conviveram por décadas com mau cheiro e trânsito ininterrupto de caminhões.

"Convivemos 27 anos com muita poluição e ficamos sabendo no meio do ano passado sobre a construção de um incinerador de lixo em Perus, o que vai na contramão das medidas de preservação ambiental e de enfrentamento da crise climática", diz Mario Sergio Bortoto, 69, presidente da Associação dos Aposentados de Perus, uma das lideranças do movimento e habitante do bairro desde a infância.

O movimento de moradores reuniu cerca de 300 pessoas no sábado (9), na praça do Samba, em Perus, em manifestação contra a instalação do complexo de tratamento de resíduos. No manifesto, os integrantes relembraram a luta do bairro contra o funcionamento de uma fábrica de cimento nos anos 1970, que espalhava um pó branco e fino pela vizinhança.

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Os moradores citam também a proximidade do complexo de tratamento de resíduos da Terra Indígena do Jaraguá e do parque Anhanguera, o segundo maior na cidade, com vegetação remanescente da mata atlântica. Os gases gerados no processo aumentariam a poluição da região, alega o movimento.

Em nota, a gestão Nunes disse que os equipamentos previstos seguem parâmetros rigorosos e não oferecem riscos à saúde da população "quando operados em conformidade com as normas ambientais vigentes".

A instalação das usinas de combustão de lixo, que recebem o nome técnico Unidade de Recuperação Energética, constam no contrato de prorrogação da concessão com as empresas Loga e Ecourbis, responsáveis pela coleta e pelo tratamento de lixo na cidade, como parte das medidas de modernização do serviço.

No caso de Perus, a Loga será responsável pela instalação e operação dos equipamentos. O custo operacional previsto em contrato de cada Unidade de Recuperação Energética é de R$ 97 milhões por ano.

A prorrogação por mais 20 anos dos contratos de coleta e tratamento de lixo em São Paulo é investigada pela Promotoria desde 2024, sob questionamento de ter sido feita sem uma nova licitação.

O inquérito civil investiga problemas recorrentes na prestação do serviço e a inserção de equipamentos não previstos no contrato original, como as Unidades de Recuperação Energética.

Sobre isso, a gestão Nunes informou que a prorrogação dos contratos vigentes ocorreu conforme previsão legal, "com o objetivo de assegurar a continuidade da prestação dos serviços públicos e a execução de projetos de modernização e sustentabilidade ambiental", diz trecho da nota.

Segundo contrato, as Unidades de Recuperação Energética terão capacidade de tratar mil toneladas de resíduos por dia, o equivalente a cerca de 5% do total de resíduos produzidos diariamente na cidade.

Parte desse tratamento poderá ser convertido em renda pelas concessionárias por meio da venda de créditos de carbono com previsão de arrecadar, na primeira fase de operação, cerca de R$ 881,6 mil por ano, com preço previsto de R$ 11,02 por crédito.

Para Yuri Schmitke, presidente da Associação Brasileira de Energia de Resíduos (Abren), a venda de créditos de carbono a partir da energia gerada com a combustão de resíduos não representa uma receita significativa para as concessionárias. "As unidades de recuperação energética mais evitam a produção de gás carbônico do que geram", diz.

O executivo também rebate argumentos do movimento dos moradores de que o sistema contribui para a poluição do ar. "Pelo contrário, o tratamento de gases faz com que a cadeia de combustão opere sem vazamento", diz. "Há também filtros e mecanismos de lavagem, com isso o ar que sai de uma usina é mais limpo do que o ar que respiramos em São Paulo", continua.

Para o morador Bortoto, a preocupação é com a fiscalização e controle do tratamento de gases nas usinas de combustão de lixo.

Ainda inédita no país, a primeira usina de combustão de lixo para gerar energia deve começar a funcionar a partir de janeiro do próximo ano em Barueri, na Grande São Paulo. A estimativa é que a unidade gere energia suficiente para abastecer toda a cidade, equivalente ao consumo de 320 mil pessoas.

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