Do dia 9 de abril até esta quinta-feira (7), o nível do sistema Cantareira, o maior reservatório de água da região metropolitana de São Paulo, baixou 1,9 ponto percentual, caindo de 43,8% para 41,9% do seu volume total.
Em litros, essa pequena diferença significa que saíram do sistema o total de 19,53 bilhões de litros de água, ou 12.665 litros para cada um dos 1.451.999 moradores da capital paulista (Censo 2022) nesse período.
O volume total do sistema Cantareira, que representa cerca de metade da água do SIM (Sistema Integrado Metropolitano), é de 981,56 bilhões de litros. No entanto, atualmente, as represas que o compõe (Jaguari-Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro) acumulam 411,02 bilhões.
A falta de chuva e a respectiva queda no Cantareira impacta todo o SIM, que é composto por outros seis sistemas: Alto Tietê, Cotia, Guarapiranga, Rio Claro, Rio Grande e São Lourenço.
Desta forma, a queda no SIM foi ainda maior. No dia 9 de abril, o nível de todo o sistema metropolitano estava em 56,5% e, um mês depois, já havia caído para 53,8%. Os 2,7 pontos percentuais representam 51,32 bilhões de litros de água a menos nos reservatórios da região.
A baixa dos níveis dos mananciais já era esperada, devido à chegada do período de estiagem no Sudeste, que vai do outono até o início da primavera, em setembro. Nesta época, as chuvas que chegam não são suficientes para repor o volume gasto, o que provoca uma queda constante.
"As últimas chuvas regulares e com volume suficiente para contribuir para alguma elevação ou manutenção destes níveis ocorreram entre 1º e 10 de abril. Não tem mais chuva regular, abrangente, e muitas vezes fortes, como se pode ter no verão", explica Josélia Pegorim, meteorologista da Climatempo, enfatizando que a precipitação desta época não vai compensar as perdas naturais que vão ocorrer pela evaporação natural e a falta de chuva prolongada.
"Estamos praticamente iniciando o período normal de estiagem, quando o comum é não chover, isto é, termos dias e dias seguidos ensolarados", completa.
Um exemplo do que ela disse vai ser observado neste próximo fim de semana. Após vários dias quentes, com temperaturas máximas próximas dos 30°C, chega a São Paulo uma frente fria mais forte, que deve baixar as temperaturas no domingo (10). A previsão é de ventania mais forte, mas a chuva deve ser fraca.
A situação do SIM e, principalmente, do Cantareira, poderia estar pior não fossem as ações tomadas pelos órgãos governamentais e pela Sabesp, a empresa responsável pelo abastecimento no estado.
Desde a grande crise hídrica de 2014-2015, a Sabesp tem realizado obras para aumentar a segurança hídrica da região, como a integração entre sistemas produtores, reforçando a capacidade de transferência de água entre regiões, modernizando redes e intensificando o combate a perdas.
Naquela época, essas ações não existiam, o que fez com que o sistema Cantareira operasse no volume morto, usando a água que fica abaixo dos tubos de captação da Sabesp. Essa porção de água, que tem que ser bombeada, teve que ser usada pela primeira vez na história.
Após a recuperação do sistema, a partir de 2016, a companhia passou a realizar as obras para evitar que crise igual voltasse a ocorrer. Não ocorreu, mas desde 2023 o nível tanto do SIM quanto do Cantareira têm baixado progressivamente, ligando o alerta nas autoridades.
A última ação para ajudar a manter os mananciais foi tomada em agosto do ano passado, quando a Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) determinou a redução da pressão da água no encanamento da região metropolitana em dez horas, das 19h às 5h.
Mesmo com a melhora dos níveis dos reservatórios em março último, a agência decidiu manter a redução, uma vez que o volume não havia se recuperado totalmente e a estação seca estava pela frente.
