quinta-feira, 23 de abril de 2026

Estadão faz comunicado sobre Rádio Eldorado, OESP

 A Rádio Eldorado ocupa, há décadas, um lugar singular na vida cultural de São Paulo. Referência em curadoria musical, jornalismo e programação de qualidade, tornou-se um patrimônio afetivo e intelectual de gerações de ouvintes, contribuindo de forma decisiva para a formação de repertório, a difusão de artistas e o fortalecimento da cena cultural da cidade.

Nos últimos anos, sobretudo após a pandemia, entretanto, observamos mudanças profundas nos hábitos de consumo de áudio. O crescimento acelerado das plataformas de streaming musical e a transformação no uso dos meios lineares têm impactado de forma estrutural o papel das rádios FM tradicionais.

Operação de radiodifusão da Eldorado será encerrada em 15 de maio
Operação de radiodifusão da Eldorado será encerrada em 15 de maio Foto: Estadão

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Atento a essas tendências, o Estadão vem revendo sua estratégia no segmento de áudio. Em função do término da parceria com a Fundação Brasil 2000, detentora da frequência 107,3 FM, a operação de radiodifusão da Eldorado será encerrada no próximo dia 15 de maio.

Essa decisão se insere em um movimento mais amplo de reposicionamento estratégico do Estadão, que vem ampliando de forma consistente sua presença digital. Nos últimos dois anos, a companhia intensificou sua produção audiovisual, por exemplo, com a contratação de 14 colunistas com atuação multiplataforma, responsáveis por conteúdos em texto e vídeo. Esse esforço permitiu expandir de maneira significativa a presença do Estadão em suas plataformas próprias — site e aplicativo —, bem como em redes sociais e canais de vídeo.

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aquisição da NZN, em outubro de 2025, reforçou essa trajetória. Os ativos digitais do TecMundo ampliaram a capacidade de distribuição e produção audiovisual, enquanto a sede da empresa foi convertida em um hub de criação na região de Higienópolis — a “Blue House” — dedicado ao desenvolvimento de novos formatos e linguagens.

O encerramento da operação de radiodifusão da Eldorado não representa o fim de sua marca. A Eldorado seguirá presente em projetos especiais e eventos, preservando seu papel como referência cultural. Alguns de seus principais programas, incluindo iniciativas como Som a Pino e Clube do Livro, serão redesenhados e adaptados para novos formatos, com ênfase em vídeo e distribuição digital. Esta transição permitirá ao Estadão oferecer aos seus parceiros comerciais formatos mais segmentados, mensuráveis e aderentes aos novos hábitos de consumo de conteúdo.

Estadão expressa seu profundo reconhecimento a todos os profissionais que construíram a história da Rádio Eldorado, bem como aos ouvintes que, ao longo dos anos, fizeram dela um espaço de encontro, descoberta e valorização da música de qualidade.

Ruy Castro - Flávio Moderado Bolsonaro, FSP

 Flávio Bolsonaro apresenta-se ao eleitorado como um "Bolsonaro moderado". Equivale ao círculo quadrado e ao fato imaginário, especialidades da família Bolsonaro. Um de seus argumentos é que se vacinou contra a Covid. E daí? Se achava a vacina tão importante a ponto de tomá-la, o que fez para sustar a política omnicida de seu pai, que sonegou enquanto pôde a vacina à população, mentiu sobre ela, ridicularizou-a e, como um misto de camelô e curandeiro, vendeu um substituto sabidamente ineficaz? Dos 700 mil brasileiros mortos pela Covid, quantos não terão sido crédulos bolsonaristas? E onde estava Flávio Bolsonaro enquanto seu pai, indiretamente, matava em série?

Flávio Bolsonaro no Planalto será um boneco de engonço do Bolsonaro titular, o qual ressurgirá de repente com notável disposição e não será surpresa se se sentar à cadeira para a qual elegeram o feto. Ou alguém tem ilusões a respeito do conceito dos Bolsonaros sobre democracia? A desfaçatez com que acham normal passar de moto por cima das instituições, demonstrada em quatro anos de um governo que desmoralizou o país, permite qualquer conjetura. E todos sabemos do conceito bem particular, para eles, da família no dístico "Deus, pátria e família".

Mesmo os outros dois termos são duvidosos. Não se conhecem as relações de Flávio Bolsonaro com Deus. Será religioso o suficiente para merecer os votos dos evangélicos? O que eles acham de sua relação com comprovados assassinos de aluguel, a ponto de espetar-lhes medalhas no peito sob a cartucheira?

E o que dizer da pátria, que Flávio Bolsonaro planeja abertamente entregar a Donald Trump, em cujas costas seus aliados se escondem para fugir à lei no Brasil? Falando em Trump, sua guerra contra o Irã custa US$ 2 bilhões por dia. Com esse dinheiro, pode-se salvar da fome 7,2 milhões de pessoas —são números oficiais da ONU. Quase a população do estado de Santa Catarina, acrescento eu.

Numa coisa Flávio Bolsonaro será, com razão, moderado. Não dará um pio sobre corrupção.

Jorge Abrahão -A vergonhosa desigualdade na cidade mais rica do país, FSP

 A Rede Nossa São Paulo divulgará, na próxima semana, dados atualizados do Mapa da Desigualdade de São Paulo nas áreas da saúde e da cultura. Publicado anualmente há mais de dez anos, o mapa se consolidou como uma importante ferramenta para auxiliar a prefeitura, a sociedade civil e demais interessados na identificação de necessidades e prioridades da população paulistana. É um trabalho que reúne 50 indicadores de diversas áreas por distrito, ou seja, que permite avaliar a situação e as disparidades dos vários bairros e territórios de São Paulo em diferentes temas.

Em linhas gerais, o mapa mostra os extremos que separam os 96 distritos da capital em termos de infraestrutura urbana e acesso a bens e serviços públicos. Em boa parte dos indicadores percebe-se que, quanto mais se afasta do centro, menor a oferta de recursos capazes de melhorar a qualidade de vida das pessoas.

A imagem mostra uma vista de uma área urbana com prédios de apartamentos altos ao fundo, enquanto em primeiro plano há uma série de casas de tijolos, típicas de uma comunidade de baixa renda. As casas são pequenas e estão próximas umas das outras, com algumas varandas e roupas estendidas. O contraste entre as construções simples e os edifícios modernos ao fundo é evidente, refletindo a desigualdade urbana.
A favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo - Bruno Santos - 17.jul.25/Folhapress

Nas áreas de saúde e cultura, essa realidade aparece de forma contundente. Indicadores como idade média ao morrer e gravidez na adolescência expõem a enorme distância que separa os bairros mais ricos dos mais pobres. O mesmo acontece quando observamos os dados de mortalidade materna, mortalidade infantil e realização de exames pré-natal.

O Mapa mostra, por exemplo, que em 38 distritos não ocorreu nenhuma mortalidade materna de 2022 a 2024. É uma boa notícia, se olharmos isoladamente para esses lugares. Porém, em outros locais da mesma cidade, os números apresentam uma realidade bem diferente. Em Anhanguera, no extremo da Zona Norte, a taxa é de 155 óbitos maternos para cada 100 mil nascidos vivos. É o distrito que registra o pior indicador.

Para entender melhor esse número, um bom começo é observar o que acontece no Brasil e no mundo. Em nível global, houve uma queda de 45% nas taxas de mortalidade materna de 1990 a 2013. No Brasil, esse valor caiu vertiginosamente em 20 anos: de 141, em 1991, para 64, em 2011. Hoje, a taxa do país é de 50 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos. A meta é chegar a 35 até 2030.

Isso significa que, em Anhanguera, a mortalidade materna é três vezes maior do que a média do Brasil. Outros 23 distritos da capital paulista também registram taxas maiores do que a nacional.

Outro indicador que resume a desigualdade é a diferença da idade média ao morrer entre um distrito rico e um mais vulnerável: é de 20 anos, há mais de uma década. Sim, na mesma cidade há distritos onde as pessoas vivem 20 anos a menos do que em outros. Infraestrutura, homicídios de jovens, mortalidade infantil e materna, acesso a saúde e educação de qualidade e habitação precária são algumas das explicações para essa aberração.

O mérito do mapa é mostrar a desigualdade abissal dentro da mesma cidade, uma capital pujante, a mais populosa e mais rica do país. Nos 75 quilômetros que separam o extremo norte do extremo sul de São Paulo, encontramos indicadores equivalentes aos dos países mais desenvolvidos do mundo e, também, dos mais vulneráveis.

Em síntese, as cidades reproduzem o país, um dos mais desiguais do mundo. O que é lamentável e não justifica sua permanência, já que esses problemas são produtos de políticas públicas que os provocaram. Até por isso, são passíveis de reversão —basta assumi-los como prioridade.

A desigualdade precisa ser enfrentada pelo poder público com mais investimento para os distritos mais vulneráveis e a descentralização da gestão e administração a partir das subprefeituras, de modo que elas possam atuar com autonomia e tomar decisões com base em participação social efetiva. É o oposto do que acontece há muitos anos em São Paulo.

Entra governo, sai governo, não há mudança na vergonhosa desigualdade na cidade mais rica do país —o que prova que um dos temas mais importantes para a vida em sociedade não é prioridade para a gestão pública. E ajuda a explicar os baixos índices de aprovação da administração pública, prefeitura e câmara de vereadores, pela sociedade.