sábado, 29 de novembro de 2025

Nenhuma democracia liberal deveria aceitar como legítimo flexibilizar direitos por uma ‘boa causa’, Fernando Schüler, OESP

 Por Fernando Schüler

Atualização: 

Nenhuma democracia liberal deveria aceitar como legítimo flexibilizar direitos por uma ‘boa causa’

Capa do video - Nenhuma democracia liberal deveria aceitar como legítimo flexibilizar direitos por uma ‘boa causa’

É da tradição autoritária brasileira a ideia de que é justificável a quebra na ordem democrática para salvar a própria democracia.

Esta semana assistimos a mais um show do que se tornou um esporte favorito de nosso mundo de opinião. Algo na linha: “foi histórico prender estes golpistas e salvar a democracia. Mas agora chega, né?”. Agora é preciso que as “instituições”, leia-se, o Supremo, voltem a respeitar o beabá do estado de direito.

A argumentação segue um padrão. De início, o elogio à exceção. “Venceu a democracia!”, leio em um texto mais animado. Em seguida, uma bizarra lista de “atropelos” cometidos pelas “instituições” em sua missão salvadora. Inquéritos abertos de ofício, sem sorteio do relator, sem fim ou objeto definido. Investigador, vítima, acusador e juiz na mesma pessoa. Punições com base em tipificações genéricas, penas desproporcionais para quem não praticou violência nenhuma. O julgamento no STF de cidadãos sem foro, não individualização das condutas, censura prévia reiterada. Isso e a morte do Clezão, o brasileiro irrelevante que poderia ter ido para casa, para um hospital, mas caiu morto ali mesmo, no pátio de um presídio, em Brasília.

Para você

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O resumo da ópera é simples: “ok, você cometeu uma tripa de ilegalidades, mas foi por uma boa causa”. O velho samba enredo da tradição autoritária brasileira. Guardadas as proporções, foi a arenga do lacerdismo, nos anos 50 e 60. Sempre a ideia de que era justificável a quebra na ordem democrática para salvar a própria democracia.

Ironicamente, a lógica de um pedaço da própria direita, elucubrando sobre uma “virada de mesa” para defender a democracia. O que nossos bons herdeiros sugerem é um perfeito falso dilema: ou o golpismo, ou a lógica da exceção. Fazendo isso, escondem o mais essencial: que nossa vitória real teria sido confrontar, investigar e julgar quem agrediu nossa democracia – quem quer que seja – dentro das regras da própria democracia. Pela razão simples de que a exceção é, ela mesma, um tipo de golpismo de baixa fervura.

Os textos da semana são, de fato, uma grande confissão. Algo que me fez voltar à lembrança Raskolnikov, o anti-herói de Dostoievski, em Crime e Castigo. Ele havia matado aquela velha, mas ninguém viu. Mas ele sabia. E de algum jeito, movido pela culpa, precisava falar sobre aquilo. Tagarelar, sugerir, confessar aos pedaços. Andamos um pouco como Raskolnikov, por estes tempos, confessando pecados que muitos aceitaram – e arrisco dizer, gostaram de cometer.

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Diferente de Raskolnikov, porém, o apelo de nossos atuais confessores para a volta da normalidade é perfeitamente inócuo. Quando se aceita que é legítimo flexibilizar direitos por uma “boa causa”, o que se está admitindo não é uma mera circunstância, mas um princípio. Um desses que nenhuma democracia liberal deveria aceitar.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

São Paulo ganha 1º clube de surfe com piscina de ondas e praia artificial; saiba detalhes, OESP

 Por Alice Ferraz e Mariana Gonzalez

Atualização: 

Surfar no coração de São Paulo? Neste domingo, 30, a cidade abre as portas de seu primeiro clube dedicado ao surfe, com piscina de ondas, praia artificial e infraestrutura completa dedicada ao esporte. Trata-se do São Paulo Surf Club, erguido pela JHSF , no bairro Real Parque.

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“Criamos um espaço onde é possível surfar todos os dias, antes do trabalho ou à noite, sem deslocamentos longos e sem depender das condições climáticas”, fala Augusto Martins, CEO da JHSF, à Coluna.

Antes mesmo de começar a operar, São Paulo Surf Club, que faz parte do Complexo Cidade Jardim, tem fila de espera para membros – o valor do título familiar será de R$ 1.250.000,00.

Estrela do São Paulo Surf Club, a piscina de ondas tem 220 metros de extensão e tecnologia PerfectSwell, exclusiva da JHSF no Brasil, que cria ondas de até 22 segundos de duração e reproduz condições naturais do mar, que permitem manobras como tubos, aéreos, batidas e rasgadas, em um ambiente seguro e controlado – uma equipe técnica fica sempre à disposição dos surfistas. Por isso, a piscina pode receber todos os níveis de praticantes, desde iniciantes até surfistas profissionais, incluindo crianças.

Para você

No novo clube, o surfe é protagonista, mas há sete quadras para outros esportes, como tênisbeach tennispickleball e squash, além de uma academia completa. Membros do clube também poderão descansar da prática esportiva no spa, no bar ou no restaurante do São Paulo Surf Club – nos dois últimos, é possível almoçar ou jantar com com vista para a piscina e para o skyline de São Paulo.

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“Estamos criando um ecossistema completo que integra esporte, gastronomia, e bem-estar”, fala Augusto Martins, CEO da JHSF, à Coluna. O lançamento será celebrado neste domingo, 30, com um festival para convidados, com apresentações musicais e demonstrações de surfe.

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No terceiro trimestre de 2025, o conglomerado teve lucro líquido consolidado de R$ 304,5 milhões, uma alta de 117,5% em relação ao mesmo período do ano passado. O lançamento será celebrado no domingo, com festival para convidados, música ao vivo e demonstrações de surfe.

Delegada deve ter mandato tampão na Alesp até volta de secretária, Metrópoles

 Delegada Raquel Gallinati (PL), de São Paulo

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A delegada Raquel Gallinati (PL) deve assumir um mandato tampão como deputada estadual no lugar de Carlos Cezar (PL), que deixará a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) nesta quinta-feira (27/11) para ocupar uma cadeira no conselho do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). A nomeação de Cezar foi publicada em edição extra do Diário Oficial desta quarta-feira (26).

Metrópoles apurou que a posse de Raquel deverá ser na próxima sexta-feira (28). No entanto, a delegada deve ficar no mandato por menos de um mês. A expectativa de membros do PL é que a secretária de Política para as Mulheres, Valéria Bolsonaro (PL), que é deputada estadual licenciada, volte à Alesp durante o mês de dezembro.

Mesmo com um mandato tampão, Raquel teria projetos para protocolar em defesa da ampliação dos direitos de mulheres, vítimas e vulneráveis decorrentes da atuação dela em associações de classe de delegados.

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Valéria Bolsonaro envolvida em escândalo

Valéria Bolsonaro (PL) esteve envolvida recentemente em um escândalo no qual uma mulher, que se identificava como assessora dela, foi flagrada negociando emendas parlamentares. Ela é presidente de um projeto social que funciona no mesmo endereço onde Valéria inaugurou um escritório político em Rio Claro, no interior de São Paulo.

Os áudios das negociações foram revelados pelo Metrópoles e resultaram na expulsão da suposta assessora, Amanda Servidoni, do PL. Valéria negou que Amanda fizesse parte da equipe dela e disse, nas redes sociais, que enviou o caso ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) para investigação.

Valéria é casada com um primo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e se tornou secretária do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em abril de 2024.

Vaga racha PL na Alesp

A vaga de Carlos Cezar também expôs mais uma vez a disputa entre os parlamentares bolsonaristas e os do “PL Raiz”. O grupo mais alinhado a Jair Bolsonaro é representado por Gil Diniz (PL-SP), que está no Texas em visita ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Já o grupo do “PL Raiz”, dos aliados de Valdemar Costa Neto, é representado por Alex Madureira (PL), que tem se reunido com setores público e privado para colher demandas para o orçamento do próximo ano. Ele é o atual relator da lei Orçamentária Anual (LOA), o último projeto importante de 2025.