quarta-feira, 15 de abril de 2026

Cientista brasileira entra na lista dos 100 mais influentes do mundo da revista Time, FSP

 A cientista brasileira Mariangela Hungria, da Embrapa, foi incluída na lista das cem pessoas mais influentes do mundo pela revista Time, publicada nesta quarta-feira (15).

Vencedora do Prêmio Mundial de Alimentação, o "Nobel da Agricultura" no ano passado, a pesquisadora aparece na lista ao lado de nomes como os do papa Leão 14, do presidente dos Estados UnidosDonald Trump, e do líder chinês, Xi Jinping. O ator brasileiro Wagner Moura também está na lista.

Uma mulher sorridente, vestindo um jaleco branco, segura uma planta em um recipiente enquanto está em uma estufa. Ao fundo, há várias mesas com mais plantas em recipientes semelhantes. As plantas têm folhas verdes e estão dispostas em fileiras. A estufa é iluminada e possui paredes de plástico.
A cientista brasileira Mariangela Hungria, incluída na lista das cem pessoas mais influentes do mundo da revista Time - Divulgação

"Hoje, graças ao seu trabalho, 85% da soja brasileira é cultivada com esses microrganismos em vez de fertilizantes sintéticos. Suas inovações científicas, utilizadas em todo o mundo, ajudaram os agricultores brasileiros a economizar cerca de US$ 25 bilhões por ano [R$ 124,75 bilhões, ao câmbio desta quarta] e a evitar a emissão de 230 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono equivalente", escreveu na Time Kyla Mandel, editora sênior da revista.

A inclusão da cientista na lista da revista norte-americana ocorre após seu nome já ter se destacado mundialmente no ano passado, ao conquistar o Prêmio Mundial de Alimentação de 2025, o World Food Prize.

"Comecei a chorar, e não acreditava no que estava ouvindo", disse ela à Folha ao ser informada do prêmio pela World Food Prize Foundation.

Na Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) há 43 anos, Mariangela tem sido reconhecida por suas premiações recentes por sua trajetória dedicada ao desenvolvimento de tecnologia em microbiologia do solo. Isso permite aos produtores rurais a obtenção de altos rendimentos com custos menores e mitigação de impactos ambientais.

Quando a World Food Prize colocou Mariangela na mira do prêmio, levou em consideração o trabalho de uma microbiologista e cientista que desenvolveu dezenas de tratamentos biológicos de sementes e de solos que ajudam a planta a obter nutrientes por meio de bactérias do solo. Essa ação aumenta a produtividade de importantes culturas agrícolas e reduz a necessidade de fertilizantes sintéticos.

Seu trabalho visa ao aumento da produção e da qualidade dos alimentos, por meio da substituição dos fertilizantes químicos por microrganismos portadores de propriedades como fixação biológica e solubilização de fosfatos e rochas potássicas.

Formada em engenharia agronômica pela Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), da USP (Universidade de São Paulo), com doutorado em agronomia pela UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), Mariangela atuou na Embrapa Agrobiologia entre 1982 e 1991 e, desde então, está na Embrapa Soja.

Além da soja, o trabalho de Mariangela contribui para a produtividade de trigo, milho, arroz, feijão e melhorias nas pastagens.


TCU decide investigar irregularidades em megaleilão de energia e ministro cita 'geradoras de papel', FSP

 Alex Sabino

São Paulo

TCU (Tribunal de Contas da União) reconheceu que as denúncias a respeito do LRCAP 2026 (2º Leilão de Reserva de Capacidade), o maior certame de energia elétrica da história do país, precisam ser investigadas com mais profundidade, o que pode colocar em dúvida a homologação do resultado.

Em decisão unânime, autorizou que a área técnica da corte a inspecione o Ministério das Minas e EnergiaAneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), EPE (Empresa de Pesquisa Energética) e ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).

Casa de força principal da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará - Lalo de Almeida-29.ago.18/Folhapress

O pedido do Ministério Público junto ao TCU de medida cautelar que suspenderia os efeitos do leilão foi negado. Mas os ministros viram indícios de irregularidade que precisam ser investigados.

O relator, ministro Jorge Oliveira, disse que a contratação de capacidade era necessária para garantir a segurança do sistema elétrico nacional. Ele autorizou a área técnica do TCU a fazer as inspeções, mas sem prejuízo à continuidade do acompanhamento do processo principal.

ministro Bruno Dantas, em sua declaração de voto, citou, a respeito de possíveis fraudes, as "geradoras de papel". Seriam empresas que venceram lotes bilionários no certame sem ter usinas em operação, capital próprio compatível com os investimentos ou estrutura técnica para executar a obra. Dantas alertou que o problema já havia acontecido no leilão emergencial de 2021.

"A vitória em licitações de escala bilionária por agentes desprovidos de capacidade real e com histórico documentado de inadimplência não está exercendo atividade econômica legítima no setor elétrico", disse o ministro. O ministro pediu que a Secretaria de Controle Externo de Informações Estratégicas e Inovação realize análise dos vínculos societários, da capacidade financeira e dos antecedentes de todos os vencedores do LRCAP 2026, com atenção especial aos casos em que o capital social seja desproporcional ao volume de investimentos contratados.

Se forem confirmados os indícios de ilegalidade, o TCU vai comunicar os fatos à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal.

O LRCAP 2026 foi realizado em março e contratou 18,97 gigawatts de potência firme, a maior parte proveniente de usinas termelétricas a gás natural, com entregas previstas entre 2026 e 2031. Os investimentos totais somam R$ 64,5 bilhões, com receita contratual ao longo dos contratos estimada em R$ 515,7 bilhões.

O deságio médio registrado foi de 5,52%, abaixo do que era esperado pelo governo federal. O resultado despertou questionamentos sobre os preços-teto adotados, que sofreram aumentos de até 80% em relação aos valores inicialmente previstos.

O Ministério Público junto ao TCU citou possíveis irregularidades na condução do certame. Uma delas, é a participação de empresas sem capacidade técnica e financeira. O subprocurador-geral, Lucas Rocha Furtado, queria a suspensão do processo antes da homologação dos resultados, marcada para 21 de maio.

A principal vencedora do leilão, concentrando a maior parte da potência contratada (térmicas a gás natural) foi a Eneva. Petrobras, Delta Energia, CEP e UTE Xavantes também obtiveram lotes.

Em seu voto, Dantas cita que a área técnica tem mandato para a concluir as apurações antes dessa data. O TCU alertou que não vai homologar os resultados sem concluir a análise técnica sobre os vencedores.
Outra preocupação é a possível participação de empresas de um mesmo grupo econômico como concorrentes independentes, sem o cumprimento do dever de divulgação exigido pelo edital. Isso poderia configurar simulação de competição, o que acarretaria a desclassificação dos envolvidos e um novo leilão.