domingo, 25 de outubro de 2026

Luiz Inácio Lula da Silva - O Brasil está pronto para mais, FSP

 

Luiz Inácio Lula da Silva

Presidente da República, é candidato à reeleição pelo PT

A cada eleição, o processo eleitoral brasileiro assiste à escalada das plataformas digitais. Aos poucos, as telas foram tomando o espaço que era das pessoas. Candidatos passaram a se eleger apertando o botão do celular, sem precisar apertar a mão do eleitor. Mas, em 2026, isso mudou, e o que vimos vai entrar para a história. O povo entendeu que esta eleição não é entre dois candidatos. Ele, o povo, é o próprio candidato.

Vivemos um raro momento de mobilização popular no Brasil. Milhares de movimentos de rua acontecem sem organização partidária, de maneira viva e espontânea. O povo se juntou e tomou para si a campanha.

Homem de barba branca e chapéu de palha levanta a mão direita em cumprimento diante de multidão desfocada com bandeiras coloridas e pessoas usando celulares.
O candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, durante campanha em Ceilândia, no Distrito Federal - Evaristo Sá - 9.out.26/AFP

De Silva em Silva, o Brasil se reencontrou na presença; no "tête-à-tête", amontoou-se e fez de muitas uma só voz.

Não abandonamos as redes. Ao contrário, ocupamos como nunca. Um exército heroico foi montado. Abrir o celular foi motivador e não desanimador. Mas foi nas ruas que, de maneira absoluta, nos quatro cantos do país, nós ocupamos os corações. Uma fórmula simples mobilizou nossa gente: a defesa do que conquistamos somada ao modelo de país que queremos no futuro.

O povo foi para a rua pela proteção de conquistas históricas: o Bolsa Família, o Farmácia Popular, o Pé-de-Meia, o Minha Casa, Minha Vida e tantas outras políticas públicas que criamos e consolidamos. A classe trabalhadora foi para a rua defender direitos trabalhistas conquistados: o reajuste salarial acima da inflação, o fim da escala 6x1 e um novo modelo tributário, que isenta impostos das famílias e coloca os milionários para pagar a conta. Brasileiras e brasileiros verdadeiramente patriotas também foram para a rua defender o que é nosso: nossa soberania, nossas terras raras, nosso petróleo e a nossa Amazônia.

Mas não é apenas o medo de perder que mobiliza nossa gente. O Brasil segue indo para as ruas porque quer mais. Quer um futuro construído com desenvolvimento e humanismo, investindo e acreditando na ciência, na tecnologia e na força da indústria nacional. Nossa gente foi movida pelo sonho de dias melhores, com um país moderno, líder em transformação energética e capaz de proteger as nossas matas e as nossas águas.

Sim. O povo brasileiro foi para a rua dizer que está pronto para mais. Nessa batalha contra o atraso, surge um país que não abre mão de mais oportunidades e mais segurança para as mulheres, de mais futuro para as crianças e de mais qualidade de vida para os idosos. A esperança que moveu as ruas é o sentimento de um povo bonito por natureza, diverso, alegre, de fé. Um povo que acredita que a nossa cultura tem um poder transformador, que resiste a tudo, desde os nossos antepassados até a juventude que tomou as ruas de todo o país.

Esta é a minha última eleição. Não é uma disputa comum. As eleições do Brasil ganharam destaque na disputa geopolítica do mundo moderno. A desigualdade está crescendo no planeta, e há uma desordem mundial em curso: a extrema direita cresce, patrocinada por um punhado de bilionários transnacionais. O Brasil interessa muito a essa gente. Enfrentamos um sistema que, desde a colonização, usa sua força sempre que o povo avança. As antigas oligarquias se juntaram a poderosos emergentes de um novo mundo: plataformas digitais, empresas de apostas, bilionários, o narcotráfico, as milícias e uma classe política delinquente que se instalou no Parlamento brasileiro e aprofundou seus métodos no governo Jair Bolsonaro.

Mas nada é maior do que a união de um povo. Nós sabemos a força inabalável quando os Silvas se juntam. Com humildade e uma vontade enorme de construir o nosso futuro, digo ao povo brasileiro: estamos prontos como nunca estivemos. Prontos para mais. A mudança que o nosso país merece já começou e seguirá no rumo certo.

Por isso, por cada Silva do nosso imenso Brasil, nós iremos vencer.

Só à noite vai se saber o nome do eleito, Elio Gaspari, FSP

 Debate civilizado como o da Globo tem algo de monótono. Tanto é assim que o momento mais eletrizante foi o último bloco, quando eles passaram a se insultar. Isso não foi consequência de uma preferência pelo baixo nível, mas resultado de um segundo debate sem ideias novas.

Esse segundo debate pode definir votos de quem não ia votar, ou virar votos em branco ou nulos, mas virar de Bolsonaro para Lula (ou vice-versa), a chance é mínima.

Uma eleição esquisita, parecida com o rei Luís 17 da França, o que não houve.

Dois homens de terno escuro posam em estúdio com fundo azul. O homem à esquerda faz sinal de paz com ambas as mãos, o da direita mostra polegares para cima.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Lula (PT) em debate presidencial na Globo - Agustin Marcarian - 23.out.26/Reuters

Lula tratou a verdade com mais carinho do que Flávio Bolsonaro, fez muito bem em dispensar o terno de enterro do debate da Band e pareceu mais jovem. Quando sua assessoria diz que ele é teimoso, conta uma verdade. Pelo menos dez vezes ele listou realizações do seu governo, todas inúteis, salvo aquelas em que expunha a atitude anticientífica e debochada de Jair Bolsonaro durante a pandemia (700 mil mortos).

Terminado o ciclo de pesquisas e debates, o resultado da eleição é imprevisível, e o eleitor sabe o que não quer, como sabia em 1989. Então, não queria Lula. Noves fora o desastre da pandemia, Flávio Bolsonaro subscreve as políticas do governo de seu pai.

Passada quase uma década desde 2018, os ponteiros estão no mesmo lugar, como se o tempo estivesse congelado. A direita refinou-se, mas é a mesma, a começar pelo sobrenome. Basta dizer que Flávio Bolsonaro aceita a escala 5x2, enquanto naquele ano o candidato a vice da chapa do capitão atacava o 13º salário. Afora esse detalhe, a eleição de 2026 é como se não tivesse existido. Em relação a 2022, um candidato é o mesmo e o outro é o filho do derrotado que tentou dar um golpe e acabou preso.

Previsão eleitoral

Neste sábado saiu mais uma pesquisa do Datafolha. Deu 51x49.

Continua de pé a previsão do banqueiro André Esteves: "A eleição será 51% a 49%, só não sabemos para quem."

O derrotado

O grande derrotado da campanha eleitoral foi o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com suas decisões monocráticas escalafobéticas.

Fica ressalvado o papel do corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva, que evitou maiores desastres.

Duas bolas de ferro

Contados os votos, Lula e Flávio se deram conta de que, para um, a blindagem de Lulinha e, para outro, o estilo debochado usado no debate da Band foram más ideias, produzidas pela onipotência.

A vida na Wikipédia

Saiu nos Estados Unidos "The Last Best Place on the Internet: A Human History of Wikipedia" (O Último Melhor Lugar da Internet: Uma História Humana da Wikipédia), do jornalista Richard Cooke. Conta a história do sucesso da enciclopédia eletrônica Wikipédia, uma ideia improvável que entrou na internet em 2001 e se transformou num dos maiores acervos de informações do planeta.

Uma enciclopédia grátis, que viria a ser editada em 300 idiomas, alimentada por voluntários. Sem patrocinadores, parecia ser coisa de algum doido, intoxicado pelas leituras da escritora libertária russo-americana Ayn Rand (1905-1982).

A Wikipédia tornou-se a maior enciclopédia produzida pelo gênero humano, com 7,2 milhões de artigos e 278 mil editores. Lê-los levaria 20 anos, sem uma hora de sono. Seu site recebe 508 milhões de visitas por dia. É o triunfo do caos produzido por uma coletividade.

As enciclopédias apareceram no século 18, mas em 1945 o cientista americano Vannevar Bush, um visionário da sociedade digital, imaginou uma cápsula do tamanho de uma caixa de fósforos, vendida ao preço de um jornal, com o conteúdo da Encyclopaedia Britannica. Em 1990, a Britannica vendeu 100 mil edições nos Estados Unidos. Seis anos depois, vendeu 6 mil. Ela mantém sua relevância na rede, de graça, como a Wiki.

A Wikipédia não foi a primeira enciclopédia eletrônica, também não teve um pai perfeitamente identificável, nem produziu bilionários. Ela saiu do caos, de graça. Cooke ensina que um fenômeno como a Wikipédia nasceu da fertilidade do terreno da cultura dos Estados Unidos.

Eremildo, o idiota

Eremildo é um idiota, acredita em todas as promessas dos candidatos e nas suas declarações de bens.