quinta-feira, 30 de julho de 2026

O ataque dos ‘jabutis zumbis’ editorial OESP

 A resiliência de alguns jabutis no Congresso é impressionante. Algumas dessas emendas – inseridas em projetos de lei sem qualquer relação com o tema original do texto – são derrubadas e voltam como “zumbis”. Por exemplo, há iniciativas que ameaçam as contas de luz há tanto tempo que, muitas vezes, o que muda é apenas o parlamentar disposto a defendê-las.

É o caso do Projeto de Lei 5.017/2019. Destinado originalmente a conceder descontos especiais na tarifa de energia elétrica para irrigação, aquicultura e poços semiartesianos voltados ao consumo humano, o texto foi emendado com um jabuti que obriga a contratar termoelétricas em locais onde não há nem reservas de gás nem gasodutos, além de pequenas centrais hidrelétricas. O custo da brincadeira pode chegar a R$ 1,5 trilhão aos consumidores nos próximos 30 anos, segundo a Associação Brasileira de Grandes Consumidores de Energia (Abrace).

Apresentado na Câmara em 2015, o projeto foi aprovado pelos deputados em 2019 e estava na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado desde 2021. A inglória missão de relatar o projeto agora coube ao senador Hermes Klann (PL-SC), suplente de Jorge Seif (PL-SC), licenciado do cargo desde o início de maio. Até então um ilustre desconhecido nos corredores de Brasília, o senador Klann assumiu a relatoria no dia 14 de julho. Sem perder tempo, apresentou seu parecer no mesmo dia – que, na verdade, era um texto elaborado por um dos relatores anteriores, o senador Marcos Rogério (PL-RO), já com os jabutis devidamente embutidos nas contas de luz. Rogério, presidente da comissão, prontamente o submeteu ao colegiado, e o texto foi aprovado em votação simbólica – antes da qual, para coroar a chanchada, faltou luz. A pantomima não durou nem dez minutos. Nem senadores da base aliada nem da oposição manifestaram alguma objeção à proposta.

Diante das controvérsias que gerou após ser aprovado na comissão, o texto provavelmente terá de passar antes pelas Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e de Assuntos Econômicos (CAE) antes de chegar ao plenário do Senado e voltar à Câmara para uma última análise. Isso pode até atrasar a tramitação da proposta, mas que o leitor não se deixe enganar.

Afinal, como já dissemos neste espaço, é exatamente assim que nascem – e neste caso em particular, ressuscitam – os jabutis. Com algumas atualizações e modificações, essa mesma iniciativa aparece e reaparece na forma de emendas em projetos de lei e medidas provisórias há quase dez anos, especialmente em anos eleitorais, quando o Legislativo costuma aprovar absurdos desse tipo a toque de caixa, abaixo do radar da opinião pública.

No passado, o País já podia recorrer a projetos mais baratos para o abastecimento de energia. Hoje, com o aumento da presença de fontes renováveis no sistema, o cenário é mais desafiador, mas nem por isso justifica a contratação compulsória dessas usinas. Em um mesmo dia, pode haver sobra e falta de eletricidade, de forma que operar o sistema elétrico requer dos órgãos técnicos do setor mais flexibilidade para acionar e desligar usinas e evitar apagões – o oposto do que o projeto do Congresso propõe.

É inacreditável que os parlamentares estejam dispostos a repassar mais esse custo para os consumidores. O governo Lula, por sua vez, não apenas faz vista grossa a essas práticas do Congresso como também compactua com elas. Os leilões de reserva de capacidade realizados em março, que contrataram muito mais usinas que o necessário, são prova disso.

É assim, à base de lobbies e em detrimento da segurança e da confiabilidade do sistema, que o setor elétrico tem operado já há anos. Com energia limpa em abundância, o País tem uma vantagem comparativa única que poderia ser usada como um instrumento para atração de investimentos e para o crescimento da economia. Lamentavelmente, a escolha preferencial tem sido o atraso e a estagnação.

PP, ex-delegado tributário, fecha acordo de delação sobre propinas bilionárias na Fazenda paulista - OESP

 

Foto do autor Felipe  de Paula
Foto do autor Fausto Macedo

O auditor fiscal de Rendas Paulo Sérgio Siqueira do Prado, o PP, fechou acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo no âmbito das investigações sobre um esquema bilionário de propinas supostamente instalado em áreas sensíveis da Secretaria de Estado da Fazenda e Planejamento de São Paulo — em troca de altas somas, segundo a investigação, um grupo de fiscais acelerava a antecipação de créditos tributários inflados em favor de gigantes do varejo e do atacado.

O Estadão pediu posicionamento da defesa de PP, mas seus advogados não se manifestaram. A reportagem também procurou o fiscal. Não houve retorno. O espaço está aberto.

Após a homologação do acordo, a Justiça determinou o levantamento imediato do bloqueio e sequestro de bens e de restrições impostas anteriormente a PP, ainda no início das investigações.

Paulo Sérgio Siqueira do Prado fecha acordo de delação premiada sobre propinas bilionárias na Fazenda-SP Foto: Reprodução

Ele se aposentou em 2024. PP não era apenas mais um quadro entre os auditores fiscais da Receita estadual, onde escalou postos graduados e estratégicos. Atuou como inspetor fiscal na Delegacia Regional Tributária da Capital, função para a qual foi designado em agosto de 2014. Depois, já como delegado, ele substituiu Marcelo Bergamasco Silva, em seus afastamentos, na Delegacia Regional Tributária da Capital II - atualmente, Bergamasco exerce a função de subsecretário da Receita de São Paulo.

Delação tem ‘potencial explosivo’

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Nos corredores e gabinetes da Fazenda paulista, fiscais avaliam que a delação de PP tem ‘potencial explosivo’.

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A suspeita de corrupção em larga escala no Palácio Clóvis Ribeiro, sede da Receita estadual, provocou três operações consecutivas dos promotores do Gedec - face do Ministério Público que enfrenta delitos de ordem econômica e corrupção. Em agosto, foi desencadeada a Operação Ícaro, que apontou provável favorecimento à Ultrafarma e à Fast Shop. Depois, a Operação Mágico de Oz e, já em março de 2026, a Operação Fisco Paralelo. Cerca de 40 fiscais estão sob investigação. Por ordem do secretário Samuel Kinoshita (Fazenda e Planejamento), cinco auditores foram demitidos em abril.

A Operação Mágico de Oz é um desdobramento da Operação Ícaro, que investiga fraudes bilionárias envolvendo agentes fiscais e grandes varejistas Foto: MPSP

Paulo do Prado PP foi alvo de buscas dos promotores duas semanas antes do estouro da Operação Mágico de Oz, em março passado. Seu nome despontou na investigação como suposto elo de dois personagens emblemáticos do caso, Artur Gomes da Silva Neto, o ‘King’, e Alberto Toshio Murakami, o ‘Americano’ - este, atualmente foragido, residindo em uma casa avaliada em R$ 7 milhões nos Estados Unidos e com o nome inscrito na Difusão Vermelha da Interpol, o índex dos mais procurados no mundo.

Apontado como mentor do esquema, ‘King’ está preso. Ele chegou a ensaiar uma proposta de delação, suas revelações preencheram 33 anexos, mas o acordo não avançou porque, segundo a Promotoria, omitiu a posse de uma fortuna em criptomoedas.

A investigação mostra que em 2 de abril de 2021, ‘Americano’ avisou ‘King’ sobre a emissão de uma Ordem de Serviço Fiscal referente à Ultrafarma. ‘Precisa emitir e distribuir’, escreveu ‘Americano’, via whatsApp. Artur ‘King’ responde que vai falar com o ‘chefe K’, Kunio Shimada, inspetor fiscal da Delegacia Regional Tributária da Capital III, segundo a Promotoria.

 Foto: Reprodução

Em seguida, Artur enviou dados de duas unidades da empresa e contou que pediu a PP uma Ordem de Serviço Fiscal para as três inscrições estaduais da Ultrafarma. ‘Americano’, por sua vez, alerta que precisa receber logo as ordens fiscais porque a farmacêutica terá de retificar as Guias de Informação e Apuração do ICMS - documento digital por meio do qual a pessoa jurídica comunica o Fisco sobre sua produção e seus resultados mensais.

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Segundo a Promotoria, em 26 de abril daquele ano, ‘King’ e ‘Americano’ comentam que PP e ‘chefe K’ atuarão para que os trabalhos de uma empresa tradicional de móveis, decoração e artigos para residência fossem distribuídos ao primeiro. Um ano depois, a rede varejista anunciou o encerramento de suas atividades.

 Foto: Reprodução

PP e as reuniões com a contadora do esquema

A extração do conteúdo de celulares de investigados da Operação Ícaro levou a Promotoria a constatar que PP participou de reuniões com a contadora Maria Hermínia de Jesus Santa Clara, a ‘Nina’, apontada como peça chave no esquema bilionário de propinas na Fazenda.

Era ela quem operava a rotina de um escritório de fachada instalado em nome da mãe de ‘King’, uma professora aposentada, de 74 anos, que o filho usava como ‘laranja’. Em 2021, a mãe de Artur declarou R$ 411 mil ao Imposto de Renda. O patrimônio saltou para R$ 46 milhões em 2022 e para R$ 2 bilhões em 2024.

 Foto: Reprodução

O reduto servia para ajustes de valores com empresas do varejo e do atacado interessadas em reaver créditos tributários de ICMS-ST em tempo recorde, em troca de gordas ‘comissões’ aos auditores fiscais. Nessa época em que frequentava os domínios de ‘Nina’, PP exercia a função de delegado regional tributário do Butantã (DRTC III).

Vento em SP supera 120 km/h e deixa dois mortos no litoral e no interior - OESP

 Duas pessoas morreram durante os fortes ventos que atingiram o Estado de São Paulo nesta quarta-feira, 29. A informação foi confirmada pela Defesa Civil, que disparou alerta sobre a ventania e ressacas no litoral. As rajadas superaram 120 km/h em alguns pontos do Estado.

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Em Santos, uma pessoa morreu após ser atingida por uma árvore. O município registrou ventos de 83,7 km/h. Outra morte foi registrada em Cesário Lange, no interior. Ainda não há informações sobre as identidades das vítimas.

A ventania paralisou as operações do Porto de Santos e da travessia de balsas entre Santos e Guarujá. A mudança no clima fez com que os banhistas saírem às pressas das praias. Vídeos mostram a ventania sacudindo as árvores e levando faixas e papéis pelo ar.

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Na capital, após o início da ventania dezenas de milhares de imóveis ficaram sem luz e voos foram cancelados no Aeroporto de Congonhas, na zona sul. Em Botucatu, uma árvore caiu sobre a rede elétrica e atingiu um carro, onde estava um casal, que foi resgatado pelos bombeiros.

Segundo a Defesa Civil, em Santos foram registrados ventos de 83,7 km/h
Segundo a Defesa Civil, em Santos foram registrados ventos de 83,7 km/h  Foto: Defesa Civil/Divulgação

O órgão informou que, até as 14h desta quarta-feira, as maiores rajadas de vento foram registradas nas cidades de:

  • Itaporanga-SP: 124.9km/h
  • Itaí-SP: 124.9km/h
  • Itaberá-SP: 104.8km/h
  • Paranapanema-SP: 113.0km/h
  • Taquarituba-SP: 117.0km/h
  • Itanhaém-SP: 111.0km/h
  • Itapeva-SP: 84.6km/h
  • Santos-SP: 83.7km/h
  • Coronel Macedo-SP: 80.6km/h
  • Queluz-SP: 75.2km/h
  • São Caetano do Sul-SP: 71.0km/h
  • Registro-SP: 70.2km/h
  • São Paulo-SP: 69.8km/h

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Baixada Santista

Em Santos, o pico das marés foi de 1,64 metro às 13h40. A Autoridade Portuária de Santos (APS) informou que a navegação no estuário de Santos foi suspensa a partir das 12h45. Uma boia de sinalização do canal de navegação foi deslocada pelo vento e a entrada ou saída de cargueiros voltará a ser permitida após a recolocação da peça.

Na área do porto sob jurisdição da APS, houve a paralisação preventiva das operações na Ilha Barnabé, local especializado em granéis líquidos químicos e combustíveis, que foi retomada às 14h10. Houve várias quedas de árvore, sendo que uma de grande porte caiu no terminal de granéis líquidos do bairro de Alemoa.

Um armazém de uma empresa que opera porto, onde já funcionou uma estrutura da Receita Federal, foi gravemente afetado.

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Antigo armazém no Porto de Santos, que atualmente era usado com estacionamento, caiu devido ao forte vendaval que atingiu a cidade de Santos, no litoral paulista.
Antigo armazém no Porto de Santos, que atualmente era usado com estacionamento, caiu devido ao forte vendaval que atingiu a cidade de Santos, no litoral paulista. Foto: Fernanda Luz/Estadão

A travessia de pedestres entre Santos e o distrito de Vicente de Carvalho (Guarujá) também parou devido aos ventos fortes. As operações serão retomadas somente após a cessação da ventania.

Litoral Norte

Em Ilhabela, no litoral Norte de São Paulo, as equipes da Defesa Civil estão mobilizadas para o atendimento de quedas de árvores em diferentes pontos da cidade.

Os fortes ventos provocaram o rompimento de poitas - peso fixo usado no fundo da água para segurar barcos - de algumas embarcações fundeadas no canal. Com isso, as embarcações ficaram à deriva e acabaram sendo levadas para praias e encostas em diferentes pontos do município.

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A ventania deixou barcos à deriva no Canal de São Sebastião.
A ventania deixou barcos à deriva no Canal de São Sebastião. Foto: Prefeitura de Ilhabela/Divulgação

Já o serviço de balsas entre São Sebastião e Ilhabela foi suspenso às 13h50 devido à ventania.

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Alerta

A Defesa Civil de São Paulo enviou, nesta quarta-feira, dois alertas severos por celular à população diante das fortes rajadas de vento no avanço da frente fria sobre o Estado. O primeiro foi disparado às 13h para os municípios do litoral, de Itanhaém a Ubatuba. Por volta das 14h, o alerta foi enviado para a capital paulista e região metropolitana.

De acordo com o porta-voz da Defesa Civil do Estado, Maxwel de Souza, as condições previstas já provocam impactos em diferentes municípios. “Os ventos que nós tínhamos previsto já chegaram. O Gabinete de Crise segue mobilizado. Seguimos reunidos e continuamos respondendo aos chamados”, afirmou.

Na noite de terça-feira, 28, a Defesa Civil estadual já havia alertado para a chegada de uma nova frente fria, com previsão de chuvas fortes e intensas rajadas de vento entre esta quarta e quinta-feira, 30, em todo território paulista. Diante do cenário, foi ativado o gabinete de crise para reforçar o monitoramento e dar rápida resposta a eventuais ocorrências.