domingo, 22 de março de 2026

Primeiro mundo abandona agenda woke, enquanto Brasil dobra a aposta… Alexandre Borges- UOL

 Jessie Buckley, estrela do belo e sensível "Hamnet", subiu ao palco do Oscar 2026 e fez a coisa mais subversiva possível em Hollywood: exaltou a maternidade. Comemorou a felicidade do próprio casamento e disse ao marido, emocionado, que queria ter "20 mil bebês" com ele. Dedicou o prêmio ao que chamou de "o belo caos do coração de uma mãe".


Era Dia das Mães no Reino Unido. A atriz agradeceu ao marido e à filha de oito meses e encerrou com uma mensagem em gaélico, homenageando sua Irlanda natal. Mais conservador, impossível. A plateia aplaudiu de pé.


Ela não deu sermão moral sobre assuntos que desconhece, ainda mais para uma plateia formada por ex-frequentadores do escritório de H… - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/colunas/alexandre-borges/2026/03/22/primeiro-mundo-abandona-agenda-woke-enquantobrasil-dobra-a-aposta.htm?cmpid=copiaecola

Reinjeção de gás no pré-sal gera valor para a sociedade , Brasil Energia

 O gás produzido nos campos do pré-sal é, em boa parte, reinjetado nos próprios reservatórios dos quais é extraído em função de aspectos técnicos e econômicos, visando maximizar a recuperação das reservas de óleo e gás e resultando em benefício à sociedade.

A produção no pré-sal alcançou, no primeiro trimestre de 2020, impressionantes 65% da produção operada pela Petrobras no Brasil. Feito ainda mais notável se considerarmos que a descoberta na área de Tupi, a pioneira no pré-sal da Bacia de Santos, iniciou sua operação comercial em 2010. As perspectivas para o futuro são ainda mais positivas, com o incremento de produção decorrente da produção dos campos gigantes de Búzios e de Mero, além de Berbigão e Atapu, que, recentemente, entraram em produção.

Trata-se de um petróleo de excelente qualidade: leve, de baixa viscosidade e elevado aproveitamento em termos de derivados de maior valor comercial, além do baixo teor de enxofre, o que se traduz em combustível do tipo bunker, usado em motores de embarcações navais adequadas às novas normas do setor.

É importante registrar que a produção de gás no pré-sal se dá em associação ao óleo, ou seja, ambos são produzidos ao mesmo tempo. Isso implica dizer que, em havendo restrição de um, haverá do outro. Assim, o gás produzido nos campos do pré-sal é diferente daquele produzido em países como Argentina e Estados Unidos, onde é oriundo, em grande parte, de reservatórios essencialmente produtores de gás (shale gas).

Outro dado a ser considerado é que, tipicamente, o gás produzido do pré-sal possui quantidades significativas de gás carbônico (CO2). Por essa razão, o CO2 produzido não é ventilado, mas separado e reinjetado nas próprias jazidas produtoras. Tal decisão tem como objetivo não apenas enquadrar o gás hidrocarboneto a ser exportado para os mercados – uma vez que existe norma da ANP limitando o conteúdo máximo de CO2 a ser ventilado para evitar a emissão de gás provocador de efeito estufa – mas aumentar a eficiência da extração do petróleo ou seu fator de recuperação (FR), devido ao efeito benéfico da injeção dessa corrente de gás rica em CO2 extraída do gás originalmente produzido.

No que se refere ao sistema de exportação de gás, os campos do pré-sal da Bacia de Santos dispõem de uma infraestrutura composta por três rotas projetadas para escoar até 44 milhões m³/d quando totalmente implantadas, considerando-se a capacidade das unidades de processamento de gás em terra.

A Rota 1, composta pela Unidade de Tratamento de Gás de Caraguatatuba (UTGCA), pelo Gasoduto Lula-Mexilhão e pelo Gasoduto Mexilhão-UTGCA, opera desde 2011 e se encontra em plena capacidade permitindo o escoamento de até 10 milhões Sm³/d. A Rota 2, que entrou em operação em março de 2016, é um gasoduto que escoa o gás ao Terminal de Cabiúnas (TECAB) e tem capacidade máxima para escoar entre 16 e 20 milhões m³/d. A Rota 3, ainda em fase de implantação, permitirá o escoamento de 18 milhões m³/d de gás até as unidades de processamento de gás em terra. Especialmente com a entrada em produção de novos projetos de desenvolvimento, os investimentos ora em andamento para viabilização da Rota 3 constituem peça chave para possibilitar o aumento da produção de óleo e gás do Pré-Sal brasileiro.

Os campos do pré-sal têm, portanto, a grande vantagem competitiva de dispor de um sistema de escoamento de gás de alta capacidade, em boa parte já implantado, e fazendo uso de infraestrutura já utilizada por diversos projetos de desenvolvimento de produção, com custos rateados entre eles e financiados pelas próprias empresas que são parceiras nos consórcios de E&P .

O processo de separação do CO2 do gás produzido é realizado diretamente nas plataformas offshore e resulta na reinjeção no reservatório de um determinado percentual de gás (CO2 + frações leves de hidrocarbonetos não removidas pelo sistema de separação). Descontando-se o gás consumido para geração de energia na própria plataforma, o gás restante pode ser exportado ou também reinjetado. Essa decisão depende de fatores técnicos e econômicos avaliados em cada projeto e aderente à estratégia de maximizar a drenagem de petróleo do campo em questão, gerando, por consequência, a maximização do recolhimento de participações governamentais em benefício da sociedade.

Sobre o manejo do CO2, cumpre destacar que, desde as primeiras descobertas do pré-sal, quando se tornou evidente o teor significativo de CO2 em grande parte das jazidas, a Petrobras e seus parceiros assumiram o compromisso ambiental de minimizar as emissões de gases provocadores de efeito estufa, através da reinjeção desse gás nos reservatórios. As ações para tanto foram iniciadas desde a concepção dos projetos e encontram-se presentes na fase de operação dos sistemas de produção.

Com relação à capacidade de o gás aumentar a recuperação do petróleo, vale mencionar que a injeção de água é o método mais usualmente aplicado para aumentar o fator de recuperação (FR) em campos offshore, porque consegue “varrer” melhor os reservatórios. Por outro lado, a injeção de gás tem a vantagem de ser mais eficiente em remover o óleo retido nos poros dos reservatórios. A injeção de gás como método de aumento da recuperação do óleo é utilizada em todo o mundo, mantendo a pressão dos reservatórios elevada, garantindo maior produtividade dos poços e facilitando o escoamento do óleo.

Dessa forma, quando a injeção dos dois fluidos é combinada – justamente como é feito no pré-sal –, é possível aliar os principais benefícios dos dois métodos e, com isso, ampliar de forma significativa a eficiência de extração (FR) do petróleo nos campos. Nesse ponto, ressalta-se que a ANP e diversos atores da sociedade brasileira cada vez mais cobram (com toda a razão) das empresas operadoras o aproveitamento do gás natural, como recurso energético não-renovável que é.

No primeiro trimestre de 2020, a produção de gás dos campos do pré-sal na Bacia de Santos atingiu 75 milhões de m³/dia, tendo sido produzidos 10 milhões de m³ de gás de CO2, os quais foram reinjetados nos reservatórios de onde foram extraídos. Dos 65 milhões de m³/dia restantes, 12% foram utilizados para geração de energia elétrica para as plataformas de produção, 51% reinjetados nos reservatórios para aumentar a recuperação de petróleo e 37% disponibilizados ao mercado pela infraestrutura de gás existente.

Nesse contexto, é importante esclarecer que a reinjeção é um meio nobre de aproveitamento do gás, na medida em que possibilita antecipar e maximizar a extração de petróleo dos campos, aumentando o valor das participações governamentais pagas em benefício de toda a sociedade brasileira. Mais que isso, o gás reinjetado não é “perdido”, na medida em que é recolocado no mesmo reservatório onde se encontrava originalmente. Após cumprir seu papel na maximização da recuperação de petróleo, esse gás pode vir a ser produzido e exportado no futuro em um esquema conhecido na indústria como blow down (despressurização do reservatório). Estima-se que, a depender das características específicas de cada reservatório, a injeção de gás conjugada com a injeção de água possa recuperar de 15% a 25% a mais de petróleo que a injeção exclusiva de água. Portanto, seria um desperdício abrir mão dessa riqueza que tem potencial de gerar um enorme valor para a sociedade. Essa recuperação adicional de petróleo concorre para impactar positivamente a balança comercial brasileira, já que o petróleo ocupa o segundo lugar na pauta de exportações do Brasil.

Assim, a estratégia de reinjeção de gás é otimizada de forma a maximizar a geração de valor dos ativos e, portanto, nenhuma reinjeção é feita além do necessário, já que isso tira valor dos ativos e tampouco gera valor para a sociedade.

Em resumo, a reinjeção de gás praticada nos campos do pré-sal não apenas não desperdiça esse importante recurso não-renovável, como é capaz de antecipar e aumentar a produção de petróleo, sendo, inclusive, muitas vezes o fator decisivo para a viabilidade técnico-econômica de um projeto. Tal prática não implica em redução de royalties; ao contrário, possibilita seu incremento ao viabilizar o aumento na produção de petróleo dos reservatórios. Com isso, a reinjeção de gás alavanca uma vasta cadeia de benefícios econômicos e sociais: energia para a sociedade brasileira, empregos diretos e indiretos e arrecadação de impostos que são revertidos para o governo nos níveis regional e nacional.

Gerente executivo de Reservatórios da Petrobras., Tiago Homem é graduado em Engenharia Civil e tem mestrado em Engenharia Civil com ênfase em geotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e especialização em Engenharia de Petróleo pela Universidade Federal da Bahia

Contra seu tempo, Ian McEwan confronta mal-estar do presente em livro, FSP

 

Faz duas semanas, num voo entre Porto Seguro e São Paulo, um homem teve uma parada cardíaca fulminante e morreu antes de podermos pousar em Vitória. Eu estava na frente do avião e demorei a entender por que alguns passageiros corriam para o fundo, com os celulares na mão e as câmeras ligadas, depois de um dos tripulantes invocar, pelo alto-falante, a presença de um médico.

Como se não bastasse o horror da realidade irreversível, a imagem dos passageiros gravando com seus celulares a morte de um homem contribuiu com uma dimensão ao mesmo tempo patética e sinistra para a leitura que eu vinha fazendo desde que embarquei.

"O Que Podemos Saber", de Ian McEwan, sai em março pela Companhia das Letras. É um livro sobre o mal-estar do presente. Num futuro pós-apocalíptico, um professor universitário busca um poema supostamente genial, perdido cem anos antes (nos dias atuais), quando os piores prognósticos do aquecimento global e de uma guerra nuclear ainda não se concretizaram.

Homem maduro com pele clara e cabelos grisalhos, vestindo camisa branca, olhando diretamente para a câmera com fundo preto.
O escritor Ian McEwan - Joel Saget - 2.out.23/AFP

Por meio do deslocamento da narrativa para depois da catástrofe, quando a humanidade já está reduzida à metade e o peso dos anos envolve o desaparecimento do poema numa mística de especulações, McEwan faz referência à negação suicida do que é evidente, do que está diante de nós, mas que não podemos (ou não queremos) ver na transparência do presente. É uma reflexão admonitória sobre o que se perdeu quando já não é possível voltar atrás.

Como explicar que está tudo errado a passageiros com celulares na mão, gravando e exibindo a morte de um homem, se eles não conseguem entender isso por conta própria? Se são capazes de fazer o mesmo, diariamente, com suas próprias vidas?

"O Que Podemos Saber" é um romance sobre a literatura e o presente. A certa altura, surge a questão da responsabilidade do escritor e do que pode o realismo diante da cegueira suicida do mundo. Por um momento parece que o autor, por meio do debate entre seus personagens, vai pôr em dúvida o realismo que ele acredita praticar. Não dura muito tempo.

É natural que, assim como, apesar da nossa consciência, não conseguimos nos livrar do modo de vida que nos mata, tampouco um autor consiga levar a cabo o questionamento do próprio romance como representação do tempo em que ele vive.

Mais de uma vez, por intermédio de uma personagem secundária, professora de literatura francesa, McEwan recorre, como paradigma moral, à conferência "O Artista e Seu Tempo", proferida por Albert Camus, na Suécia, em 14 de dezembro de 1957, dias depois da cerimônia de entrega do prêmio Nobel.

Com base numa frase fora de contexto ("A arte vive de limites e morre de liberdade"), a professora conclui que "talvez Camus estivesse rejeitando a experimentação literária". A conclusão capciosa na verdade endossa um lugar-comum que o romance já havia manifestado ao ironizar os clichês de outra personagem, uma escritora minimalista e "demasiado intelectual", cujo sucesso acabou reduzido a um punhado de acadêmicos.

Na crítica fácil do que parece difícil, a professora de francês (não dá para saber quanto desse juízo é compartilhado pelo autor) confunde realismo com kitsch, com o estilo mais adequado às convenções e ao gosto do seu tempo. Na sua leitura preconceituosa dos "experimentalismos", ela propõe uma literatura mais direta e mais simples para tempos difíceis.

Não é o que Camus diz em sua conferência de 1957. Em meio à gritaria dos mandamentos e das normas, encurralado entre a ordem do realismo socialista e a irresponsabilidade da arte pela arte, o escritor louva o risco contra todas as igrejas. A conferência é sobre coragem, não sobre regras, convenções e preconceitos: "Criar hoje é criar perigosamente".

Camus faz o elogio da ruptura, de RimbaudNietzsche e Strindberg, da literatura contra os juízes do seu tempo: "Somente no risco se encontra a liberdade da arte. (...) O artista livre, não menos que o homem livre, não é o homem do conforto. O artista livre é aquele que, sob grande pena, cria a sua própria ordem".