quarta-feira, 24 de junho de 2026

PF diz que banco de Edir Macedo usou mesmo esquema do Master, MEIO

 

featured image

Fotos: Divulgação / Banco Digi+ e Reprodução / Facebook

Dois bancos, a mesma trama. A Polícia Federal apontou semelhanças entre o esquema investigado no Banco Digimais, pertencente ao bispo Edir Macedo, e o modelo de negócios que sustentou o Banco Master até sua liquidação pelo Banco Central. Segundo a PF, a instituição do líder da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) teria recorrido a manobras contábeis para ocultar sua real situação financeira e ampliar sua capacidade de captação de recursos. De acordo com a investigação, o Digimais inflou o valor de ativos, ofereceu CDBs com remuneração acima da média do mercado e utilizou estruturas financeiras que, na avaliação da PF, serviram para dar aparência de solidez ao banco. Os investigadores citam, entre os exemplos, a superavaliação de títulos, imóveis e carteiras de crédito, além da substituição sucessiva de auditorias independentes para evitar ressalvas nos balanços financeiros. A operação também reforça a proximidade entre as duas instituições. O Digimais adquiriu ativos do Banco Master e chegou a negociar sua venda para Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro. (Folha)

Entenda as semelhanças apontadas pela PF entre as atuações dos bancos de Daniel Vorcaro e Edir Macedo. (Globo)

A ascensão do Digimais coincidiu com a chegada de executivos ligados ao círculo empresarial do bispo Edir Macedo aos principais cargos de comando da instituição. Entre os alvos da Operação Miragem está João Luiz Urbaneja, bispo da Igreja Universal que assumiu a presidência do Conselho de Administração do banco em 2024. Também é investigado Thiago Rodrigues Urbaneja, filho do bispo Urbaneja, que ocupava a presidência executiva do Digimais até o início deste ano. (Globo)

E o Ministério Público de São Paulo arquivou, no mês passado, um pedido para investigar a autorização concedida pelo governo de Tarcísio de Freitas para que o Banco Digimais oferecesse empréstimos consignados a policiais militares do estado. O convênio firmado com o governo paulista foi publicado em setembro de 2025 e abriu ao banco um mercado potencial de mais de 80 mil PMs da ativa. O Republicanos, partido do governador, tem ligação umbilical com a Igreja Universal. (Metrópoles)

Já o BTG Pactual deve abandonar as negociações para a compra do Banco Digimais após a operação da PF, segundo fontes envolvidas na operação. As conversas, que já estavam paralisadas, dependiam de uma injeção de recursos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), alternativa que perdeu força após a deflagração da Operação Miragem. (Estadão)

Flávia Tavares:
“A Operação Miragem da Polícia Federal mirou o Banco Digimais e o bispo Edir Macedo. O esquema investigado replica a tecnologia de fraude do Master — mas com uma diferença crucial: por trás do banco há um partido político, uma emissora de televisão, capelães dentro da PM paulista e um projeto de poder construído por décadas, que esteve perto de eleger um presidente da República”. A análise no Cá entre Nós. (Meio)

CNJ cobra mais informações de Tribunais sobre R$ 30 bi em depósitos judiciais sob gestão do BRB, OESP

 BRASÍLIA - O corregedor do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Mauro Campbell Marques, deu mais 10 dias de prazo para que cinco tribunais de Justiça estaduais enviem atualizações sobre os R$ 30 bilhões em depósitos judiciais sob gestão do Banco de Brasília (BRB). O CNJ analisa o caso depois que a crise do BRB se agravou, e há receio de que esses recursos se percam em caso de liquidação do banco público.

Como revelou o Estadão, Campbell intimou, em fevereiro, os Tribunais do Distrito Federal, da Bahia, de Alagoas, do Maranhão e da Paraíba para que expliquem a operação. Esses cinco tribunais injetaram os recursos dos depósitos judiciais — que não pertencem aos órgãos, e sim a participantes de processos em andamento — no BRB, em troca de uma maior taxa de retorno.

O corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell, tem cobrado informações dos tribunais sobre os depósitos no BRB
O corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell, tem cobrado informações dos tribunais sobre os depósitos no BRB Foto: Danilo Mello/Aleam

PUBLICIDADE

Procurado, o BRB afirmou, por meio de nota, que a solicitação do CNJ integra um procedimento de levantamento de dados, sem alteração sobre os depósitos e que tudo corre normalmente. O banco também afirma que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, na segunda-feira, 22, determinou que apenas o STF pode tomar providência sobre o caso.

“O banco informa que a medida cautelar proferida pelo STF nesta segunda-feira (22) reconhece, em análise preliminar, a necessidade de preservar a competência da Corte para apreciar as matérias relacionadas ao acordo homologado na ACO 3.755 e suspende os efeitos da decisão que determinava a retirada, da custódia do BRB, de recursos do âmbito do poder judiciário do Estado da Bahia”, diz o banco.

O CNJ informou, por meio de nota, que o TJ do Distrito Federal não renovou o contrato com o BRB.

“Quanto ao processo de escolha, o TJBA, TJPB e TJAL informaram que fizeram procedimento licitatório. O TJMA fez contratação direta e o TJDFT fez o procedimento por termo de credenciamento”, disse o órgão.

Publicidade

Procurados pela reportagem, os tribunais não se manifestaram.

Segundo relato do presidente do BRB, Nelson Antonio de Souza, durante audiência no Senado, há R$ 30,6 bilhões depositados no banco pelos tribunais.

“Esses depósitos não podem ser objeto de movimentação do BRB, que funciona como uma instituição que recebe para gerir e ponto final. Agora, não sabemos se esses depósitos estão preservados”, afirmou.

Publicidade

No fim de maio, Fux homologou acordo entre governo do Distrito Federal, BRB e o governo Federal para que uma operação de empréstimo cubra o rombo do banco. Em entrevista ao Estadão, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que Fux pediu pressa, em função dos riscos para o Judiciário, em caso de quebra do banco.

Informações mais recentes prestadas são de abril

Em seu despacho, Campbell explicou que as últimas informações prestadas pelos cinco tribunais ocorreram nos meses de março e abril. Por isso, determinou atualizações.

“Tendo em vista que as últimas informações prestadas datam dos meses de março e abril, intimem-se os Tribunais para que digam, em 10 (dez) dias, se houve, a contar das últimas manifestações, fatos novos e/ou relevantes que ainda não foram colacionadas neste feito”, determinou Campbell.

A solicitação, feita no último dia 11 de junho, foi respondida, por ora, apenas pelo Tribunal de Justiça do Maranhão.

“Após a realização das diligências internas pertinentes, informa-se que não foram identificados fatos novos ou relevantes que ainda não tenham sido oportunamente comunicados a esse Conselho Nacional de Justiça”, afirmou o desembargador Ricardo Tadeu Bugarin Duailibe.

O CNJ não soube informar sobre o fim do prazo, porque depende de quando cada tribunal tomou ciência do pedido.

Publicidade

Na busca por maior rendimento, veio o risco

Em audiência no TJ do Maranhão, o então presidente da corte José Ribamar Froz Sobrinho, afirmou que recursos depositados no BRB tiveram rendimento mensal de R$ 15 milhões no BRB, cinco vezes mais do que os R$ 3 milhões pagos pelo Banco do Brasil.

Para o advogado Alex Ferreira Borralho, que provocou o CNJ para que o órgão cobrasse explicações dos tribunais, a rentabilidade também veio acompanhada de maior risco e há incerteza se os recursos estão preservados no BRB.

“Uma pessoa leiga já sabe que uma operação desse tipo tem tudo para dar errado. É uma rentabilidade absurda, muito acima do que era pago pelo Banco do Brasil”, afirmou.

Publicidade

Borralho diz que os próprios tribunais admitem que esses recursos são usados para o pagamento de penduricalhos (gratificações que não compõem os salários dos servidores).

“Há uma manifestação do presidente de um dos tribunais dizendo que pagou todas as gratificações de juízes estaduais com esse rendimento”, afirmou.

Segundo ele, os tribunais têm receio de cobrar o dinheiro do BRB, e assim aumentar o desequilíbrio do banco. Mas, por outro lado, há o risco de a instituição financeira ser liquidada pelo Banco Central e os tribunais perderem os depósitos.

Publicidade

“Se houver algum problema no que diz respeito a esses depósitos, os Executivos estaduais terão de socorrer de forma imediata. Isso é disciplinado em Constituição Estadual e Lei Federal”, apontou.

Para o economista Gabriel de Barros, economista-chefe da ARX Investimentos, e ex-diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI), os depósitos judiciais deveriam considerar o risco da operação, e não a sua taxa de retorno.

“Existe um axioma financeiro de que, quanto maior o retorno, maior o risco. As decisões dos tribunais deveriam tomar ciência de todo o balanço de riscos envolvido em decisões como essa, cujo mapeamento e compliance tem de ser feito antes", afirmou.

Publicidade

Em caso de insolvência do banco público, Barros entende que isso pode agravar as finanças dos governos estaduais e do Distrito Federal, porque eles teriam de socorrer os Tribunais de Justiça.

“O risco fiscal dos entes subnacionais já é elevado por razões estritamente de natureza fiscal e orçamentária, principalmente nos Estados. O efeito colateral negativo nas finanças estaduais do risco desses depósitos serem honrados pelo Tesouro é um “plus a mais” com grande potencial para desorganizar ainda mais profundamente as finanças públicas do país", disse.

terça-feira, 23 de junho de 2026

Inglesa freia e chinesa engata a segunda, The News

 

Dez anos depois de inaugurar sua única fábrica na América Latina, a Land Rover anunciou que vai encerrar sua produção em Itatiaia, no Rio de Janeiro. O anúncio surge enquanto a chinesa Chery negocia assumir a operação.

No ano passado, a marca vendeu 757 veículos no Brasil — em uma planta com capacidade para 24 mil carros por ano. Os modelos chegavam praticamente prontos do exterior e passavam apenas pela etapa final de montagem por aqui.

No meio dessa transição, 371 trabalhadores diretos aguardam definições sobre o futuro. Os últimos modelos produzidos na unidade chegam às concessionárias até meados de julho. (Aprofunde)