Com ondas altas e perigosas, o mar está para Flávio Bolsonaro. Sua candidatura à Presidência foi subestimada pelos petistas carnavalescos, pela direita que finge usar talheres finos, pelos centrões e até pelo deus-mercado. Da cadeia, o pai Jair, que conhece bem seu rebanho, enxergou longe.
No calçadão da praia, sem molhar os pés, os sabichões garantem que nas próximas pesquisas Flávio poderá aparecer à frente de Lula e continuar subindo até o dia das eleições. Oceanógrafos mais experientes, contudo, preveem uma disputa voto a voto para conseguir a menor rejeição (no placar do recente Datafolha, o petista tem 46%; o bolsonarista, 45%) e, a menos de sete meses do pleito, constatam a cristalização do cenário: 90% dos votantes dizem não se arrepender da escolha feita em 2022.
Aproveitando essa brazilian storm, Flávio surfa na onda Master, com formato perfeito para atacar o STF e desacreditar a condenação dos golpistas, incluindo no pacote (ou no caixote) o governo. Por outro lado, uma investigação isenta —sem vazamentos seletivos e blindagens de nomes— não livra o bolsonarismo da arrebentação da onda.
Além de Daniel Vorcaro e de seu braço direito, o pastor Fabiano Zettel —doadores da campanha de Bolsonaro—, estão ligados ao escândalo Antônio Rueda, presidente do União Brasil; Ciro Nogueira, presidente do PP e "um grande amigo de vida", segundo Vorcaro; os governadores do Rio, Cláudio Castro, de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e do DF, Ibaneis Rocha; Davi Alcolumbre, presidente do Senado; e o deputado influencer Nikolas Ferreira, que usava os jatinhos da milícia engravatada.
Não por último está Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central "independente" indicado por Bolsonaro, em cuja gestão o Banco Master foi criado e cresceu em meio a trambiques, bajulações e festanças. Vorcaro fez 24 visitas ao gabinete de Campos Neto, era praticamente um hóspede, só faltava levar a escova de dente.
Agora é ver quem consegue vender melhor o peixe podre. Se a situação ou a oposição.


