Os Bolsonaro acabaram do lado errado da Segunda Guerra do Pix, até por não terem escrúpulos, mentirem sem parar e não se importarem de explodir o que estiver no caminho deles até o poder ou na rota de fuga da polícia. Como jamais se sabe que tipo de informação sairá do filtro lunático, ignaro e odiento das redes sociais, é difícil dar chute informado sobre o efeito desta lambança dos Bolsonaro na eleição. Mas o risco aumentou.
Segunda Guerra: a direita propagandeava em janeiro de 2025 que Luiz Inácio Lula da Silva cobraria imposto sobre o pix, como se sabe. A campanha ajudou a ferir de modo duradouro a popularidade do presidente —inflação, bobagem fiscal e pânico financeiro ajudaram então a fazer o resto do serviço.
Lula viria a recuperar uns pontos de prestígio nas pesquisas a partir de julho de 2025, quando Eduardo Bolsonaro fez campanha para Donald Trump prejudicar empresas brasileiras, o "tarifaço", comemorado por Flávio. Pode dar errado de novo. Guerra do Pix serve de nome curto para uma disputa eleitoral que envolve ainda a bandeira verde-amarela: quem é patriota?
Flávio foi aos EUA pegar carona em medidas antibrasileiras do governo Trump. Fantasiou-se de inimigo do terror das facções PCC e CV, agora "terroristas", segundo os americanos. Quando tentava fugir da cena da sabotagem com um butim de campanha eleitoral, foi pego no contrapé pela ameaça de novo "tarifaço". Pior, a queixa contra o pix está logo no início da exposição de motivos do Representante Comercial dos EUA (USTR), cínica, mas que em parte não está errada, o que no caso é irrelevante. Para juntar lambança à picaretagem, Flávio disse nesta terça que "é mentira que o pix está ameaçado. Não tem absolutamente nada a ver o meio de pagamento com isso tudo". Se está ameaçado, sabe-se lá. Tudo é possível no mundo de Trump, menos a decência. Mas o pix está lá, no alto do livro de reclamações, por obra do lobby de "big techs" e de parte da finança dos EUA.
Como se não bastasse, Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, chefe da política externa, disse ao Senado deles, também nesta terça, que o Brasil, assim como Cuba, Venezuela, Nicarágua e Colômbia, não é amigo dos EUA. De resto, Flávio veio a aparecer apenas agora naquela foto de papagaio de pirata com Trump, quando foi tratar de "terrorismo" e tentar disfarçar o escândalo de sua fraternidade com o Master Daniel Vorcaro.
O risco de danos para a economia brasileira e o sentido geral das ameaças americanas ficaram, neste primeiro momento, meio perdidos no tiroteio. Se substituir as tarifas vigentes, um tarifaço de 25% melhora a situação de empresas exportadoras, ora sujeitas a impostos maiores (40%, 50%), e o saldo comercial; se somado aos impostos de agora, é tiro na testa.
Ironias da situação também ficaram escondidas. Um dos pretextos da ameaça do USTR é a exportação brasileira de madeira, carne, soja e milho oriundos de área de desmatamento ilegal, queixa idêntica à da União Europeia. O agro se congratulou com a vitória de Bolsonaro Primeiro, o Golpista, e seu projeto de desmontar a legislação e a fiscalização ambientais. E então?
Por último, por ora, note-se que a ala trumpista liderada por Rubio, antiesquerdista ferrabrás, quer endurecer o jogo com o Brasil. Mostrou de novo que quer submissão, projeto geral de Trump; comércio é arma imperial explícita como não o era fazia um século.


