terça-feira, 28 de julho de 2026

Foram identificados quatro tipos de pensadores. Qual deles você é? 0Teh Guardian

 Uma investigação sobre o que as pessoas pensam trouxe à tona a mente moderna, revelando pensamentos dominados pelo trabalho, pela necessidade de café e por um forte desejo de voltar para a cama.

O estudo também encontrou evidências de quatro grupos distintos de pensadores que passam mais tempo do que a maioria se preocupando com o mundo ; refletindo sobre tarefas domésticas e finanças; concentrando-se na mente e no corpo; ou combinando trabalho árduo e lazer intenso, ou seja, carreira e prazer.

Os grupos não são definitivos e as pessoas irão transitar entre eles, mas a descoberta mostra como a amostragem aleatória dos pensamentos das pessoas pode fornecer uma visão matizada dos padrões de pensamento humano, de acordo com os pesquisadores.

Economistas da Claremont Graduate University, na Califórnia, e da Universidade de Wuhan, em Hubei, na China, exploraram os pensamentos conscientes das pessoas após constatarem uma surpreendente escassez de trabalhos sobre o tema. "Grande parte do que significa ser humano está relacionada ao que se passa em nossas mentes", disse o Dr. Joshua Tasoff, um dos autores principais do estudo. "O fato de nós, economistas, não termos realmente analisado isso é extraordinário."

Para o estudo, 258 voluntários com idades entre 19 e 71 anos baixaram um aplicativo que emitia um sinal sonoro oito vezes aleatoriamente por dia, durante duas semanas. A cada sinal sonoro, eles deveriam anotar seus pensamentos, o que estavam fazendo e avaliar seu nível de felicidade.

Parte do estudo testou uma afirmação de Marco Aurélio: "A felicidade da sua vida depende da qualidade dos seus pensamentos." Fotografia: imageBROKER/Alamy

Após coletar mais de 23.000 respostas em tempo real, os economistas observaram que os pensamentos das pessoas acompanhavam o ritmo do dia, direcionando-se principalmente para o trabalho durante o dia e para o entretenimento à noite. Aproximadamente metade dos pensamentos eram intencionais, enquanto o restante consistia em pensamentos intrusivos ou acidentais, resultantes de devaneios ou lembretes.

Informações sensoriais, incluindo sensações de cansaço e sonolência, e impressões mentais, representaram quase um quinto de todos os pensamentos. Em seguida, vieram o trabalho, com 17%, e a comida, com 14%. Cerca de 10% dos pensamentos se concentraram em hobbies, jogos, brincadeiras e arte, com uma quantidade semelhante voltada para relacionamentos.

Quando os pensamentos se concentravam no que as pessoas desejavam, quase metade envolvia comida ou bebida, especialmente café. Isso coincidia com os pensamentos que mencionavam necessidades, com 29% buscando relaxamento, e cochilos e sono em particular.

O estudo descobriu que a mente raramente estava vazia, com apenas uma fração de um por cento das respostas indicando ausência total de pensamentos. No entanto, ainda menos pensamentos pareciam ser sobre sexo, levando os pesquisadores a suspeitar de reticência. "Pode haver coisas que as pessoas não querem compartilhar conosco. Sabe: informação demais", disse Tasoff. Talvez relacionado a isso, um quarto dos sinais sonoros não foi respondido, de acordo com uma versão preliminar do estudo , que ainda não foi publicada em uma revista científica com revisão por pares.

Parte do estudo testou uma afirmação do imperador e filósofo romano Marco Aurélio, que disse: "A felicidade da sua vida depende da qualidade dos seus pensamentos". Os pesquisadores descobriram que o que as pessoas pensavam era um indicador de felicidade mais forte do que qualquer outro fator analisado. "Talvez Marco Aurélio tivesse razão", concluíram.

Os autores alertaram para os riscos de extrapolar as conclusões para a população global, uma vez que a psicologia dos voluntários, todos classificados como ocidentais, instruídos, industrializados, ricos e democráticos – ou "estranhos" –, poderia diferir drasticamente da de outras populações.

Os quatro tipos de pensadores

A análise dos pensamentos conscientes das pessoas mostrou que eles se agrupavam em quatro grupos, mas as categorias são provisórias e as pessoas provavelmente transitam entre elas. Tasoff afirmou que um estudo mais longo, com um número maior de participantes, seria necessário para confirmar os resultados. Os rótulos foram criados para capturar a "essência" de cada grupo, acrescentou.

Os grupos são baseados em temas comuns nos pensamentos das pessoas, mas não são definidos pela origem ou pelas atividades profissionais de cada indivíduo. Pessoas em diferentes grupos realizavam atividades semelhantes e havia apenas pequenas diferenças em dados demográficos, como idade, renda, escolaridade e nível socioeconômico.


Os preocupados

Os participantes preocupados refletiram sobre eventos mundiais, política e questões sociais cerca de 60% mais do que a média, com suas mentes ocupadas por preocupações com guerras, a pandemia de Covid-19 em seu auge e outros eventos importantes. Eles pensaram sobre sua segurança e saúde cerca de 50% mais do que a média. Palavras que tipicamente surgiam em seus pensamentos incluíam Covid, acordado, solitário, dor, fome e fadiga. Curiosamente, o grupo pensou em música quase duas vezes mais do que a média, possivelmente para atenuar o impacto emocional de seus outros pensamentos, especularam os pesquisadores.

Os domésticos

Um grupo mais focado em assuntos práticos e domésticos, os domésticos dedicam cerca de 50% mais pensamentos do que a média às tarefas, à casa, às finanças, mas também a histórias através de filmes, livros e televisão. As palavras que frequentemente descreviam seus pensamentos eram bastante variadas, incluindo resolver, processar, debater e documentar.

Os pensadores corporais

Nenhum outro grupo reflete tanto sobre seus sentidos, sentimentos e impressões mentais de si mesmos e do mundo quanto este. Como grupo, os pensadores corporais são os mais jovens, com uma média de idade de 32 anos, e quase dois terços são mulheres. Eles apresentam a maior taxa de pensamentos indesejados e intrusivos, com 28%. Palavras que aparecem frequentemente em seus pensamentos são terapeuta, dor e sobrecarga. O grupo pode exemplificar como as pessoas podem transitar de um padrão de pensamento para outro. A maior proporção de mulheres neste grupo pode ser atribuída aos efeitos do ciclo menstrual. Também reflete pessoas que apresentaram problemas de saúde física ou mental durante o estudo, direcionando seus pensamentos para seus corpos, sintomas e cuidados.

Os que trabalham duro e se divertem muito

Suas mentes estão amplamente divididas entre trabalho e lazer, pensando no trabalho 50% mais do que a média, enquanto ainda pensam em hobbies, jogos e arte cerca de 25% mais. O grupo tem a maior renda e os maiores índices de felicidade entre todos os grupos e possui uma ligeira predominância de homens em relação às mulheres. Palavras-chave usadas para descrever seus pensamentos incluem relaxamento, apresentação, voo, unhas, projeto e academia.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Casas projetadas para viver mais: por que a longevidade virou tendência na arquitetura- Fast Company Brasil

 

Conceito de "arquitetura da longevidade" ganha força entre clientes de alta renda e leva princípios da medicina preventiva para dentro de casa

por que a longevidade virou tendência na arquitetura
Crédito: master1305/ Getty Images

PATRICK SISSON 5 MINUTOS DE LEITURA

A arquitetura voltada à longevidade promete aos clientes a visão de uma vida mais longa, saudável e monitorada constantemente, em sintonia com a busca atual por otimizar a saúde.

À frente dessa tendência está Kas Bordier, fundadora da Mavi, um novo escritório de arquitetura e consultoria que oferece aos proprietários uma avaliação completa da residência.

A inspeção de 24 horas leva em conta 129 critérios e é capaz de analisar a casa "da mesma forma que uma clínica de longevidade interpreta seus exames de sangue". O diagnóstico inclui desde a qualidade da água até os níveis de ruído e as concentrações de dióxido de carbono.

"Os incorporadores querem mostrar que é possível construir prédios melhores", diz Bordier, que já trabalhou em projetos residenciais no Reino Unido e nos Estados Unidos. "Mas, acima de tudo, eles querem ganhar vantagem competitiva."

Desde sua primeira reforma residencial, em 2024, Bordier vem acumulando projetos em Londres e Los Angeles. Até agora, cinco casas foram concluídas e outras duas estão em desenvolvimento.

Seus clientes, em geral pessoas de alta renda que já contam com personal trainer, nutricionista e médicos particulares, buscam investir em longevidade ou procuram soluções após descobrir problemas como mofo e outros fatores que afetam a saúde dentro de casa.

Apenas a etapa inicial – uma análise de duas semanas para elaborar um plano de melhorias – custa US$ 18 mil.

LONGEVIDADE COMO UM BEM DE LUXO

Segundo Tammy Fahmi, vice-presidente sênior de atendimento global e estratégia da Sotheby's International Realty, o aumento da expectativa de vida, aliado ao desejo de compradores de alto padrão de ficar em suas casas quando envelhecerem, está transformando desde o design até a escolha da localização dos imóveis e a dinâmica do mercado imobiliário de luxo.

Os defensores dos chamados edifícios saudáveis afirmam que a pandemia ampliou a conscientização sobre como o ambiente doméstico influencia a saúde, ao mesmo tempo em que a ciência do bem-estar avançou consideravelmente.

Pesquisas do International WELL Building Institute (IWBI), organização dedicada à promoção de edifícios saudáveis, mostram que características como mais áreas verdes, melhor qualidade do ar e ventilação, design biofílico, ampliação dos espaços externos e uso de materiais naturais aumentam o valor dos imóveis para locação, reduzem afastamentos por doença e melhoram a concentração e o foco dos ocupantes.

por que a longevidade virou tendência na arquitetura
Edifício no número 262 da Quinta Avenida, em Nova York (Crédito: Hayes Davidson)

"Uma parte importante desse contexto é que a longevidade passou a ser vista como o novo bem de luxo", afirma Rachel Hodgdon, CEO e presidente do IWBI.

"Existe essa busca por viver para sempre, a ideia de que autocuidado, experiências de qualidade, atenção plena e bem-estar podem prolongar não apenas nossa expectativa de vida, mas também o período em que continuaremos saudáveis."

No mercado corporativo, cresce a pressão para incorporar o bem-estar como um diferencial de projeto. Grandes escritórios de arquitetura vêm adotando materiais como madeira engenheirada em larga escala, áreas voltadas à prática de exercícios e estratégias para atender aos padrões da certificação WELL.

A MODA DOS "EDIFÍCIOS SAUDÁVEIS" COMEÇA A GANHAR IMPULSO

O pesquisador Bill Browning transformou a consultoria Terrapin Bright Green, da qual é cofundador, em uma referência do setor. Hoje, a empresa presta serviços para clientes como o Bank of America.

Na Inglaterra, o Long Lane, um novo clube privado localizado na zona rural nos arredores de Londres, está convertendo uma antiga propriedade rural em um espaço voltado ao bem-estar, com inauguração prevista para este ano.

Jim Kersey, gerente de marketing da TGP, agência especializada em hospitalidade responsável pelo projeto, afirma que consumidores e incorporadores comerciais vêm demonstrando interesse crescente por iniciativas ligadas ao bem-estar e à longevidade.

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Long Lane Club (Crédito: Divulgação)

"As pessoas não procuram apenas estética ou uma sensação superficial de bem-estar. Elas querem entender como tudo isso funciona na infraestrutura, na operação e também na geração de receita", afirma.

Em nova York, os novos apartamentos do edifício de 52 andares localizado na Quinta Avenida acabam de chegar ao mercado e grande parte da estratégia de divulgação destaca amplos recursos voltados ao bem-estar, incluindo sistemas de filtragem de ar, piso aquecido, recirculação de ar fresco a cada hora e sistemas que permitem um controle preciso de fatores ambientais.

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Vista interna de apartamento no 262 da Quinta Avenida, em Nova York (Crédito: Hayes Davidson)

Em Coral Gables, na região de Miami, o Cora Merrick Park – um projeto residencial de alto padrão – vai contar com características voltadas à longevidade, incluindo sistemas de purificação de ar e eletrificação completa.

Segundo Eduardo Otaola, incorporador do projeto, isso vai elevar o custo de conclusão da obra em cerca de 10%. Mas, após a inauguração, em 2028, ele prevê uma valorização de 25% a 30% no preço em comparação com uma unidade equivalente que não ofereça esse foco na saúde.

ABORDAGEM CENTRADA NO INDIVÍDUO

Para Hodgdon, a arquitetura da longevidade representa uma evolução dos princípios da construção sustentável, mas com foco mais direto nos benefícios individuais.

Segundo ela, dizer às pessoas que precisam abrir mão de algo para ajudar o meio ambiente costuma ser menos convincente do que mostrar que mudanças na casa podem melhorar sua saúde, bem-estar e desempenho.

Ela lembra que os conceitos de construção sustentável começaram com iniciativas voltadas à eficiência energética e, hoje, se sobrepõem a esforços para melhorar a qualidade do ar interno.

arquitetura da longevidade
Cora Merrick Park, em Coral Gables, na Flórida (Crédito: Divulgação)

Para muitos proprietários, a arquitetura da longevidade representa uma forma de assumir o controle sobre a própria saúde. Se mudanças em escala social parecem difíceis de alcançar, resta ao indivíduo adaptar o ambiente onde vive.

Hodgdon acredita que esse movimento não deve ser reduzido à ideia de pessoas ricas pagando para morar em uma espécie de spa. Para ela, trata-se de uma abordagem baseada em evidências científicas, que aplica pesquisas para melhorar casas, escritórios e espaços de hospitalidade.

No fim das contas, é uma versão arquitetônica do "luxo discreto": um conceito em que o verdadeiro símbolo de status deixa de ser a ostentação e passa a ser a pontuação de saúde do ambiente onde se vive.