quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Centrismo não é garantia eleitoral nos EUA em 2026, Lúcia Guimarães, FSp

 Números contam histórias. Em política, números de votos, de popularidade ou de defesa de posições podem ser usados para chegar a conclusões opostas. Ofereço dois aqui.

O novo prefeito socialista democrata de Nova YorkZohran Mamdani, recebeu os votos de 60 mil eleitores de Donald Trump —bem mais do que seus adversários, um democrata relativamente próximo ao presidente e um republicano.

Urna de votação com a palavra 'VOTE' em destaque, decorada com estrelas e listras nas cores vermelho, branco e azul. Ao fundo, duas pessoas estão em uma mesa, em um ginásio com arquibancadas amarelas e roxas desfocadas.
Eleitores do Wisconsin votam na Washington High School, em Milwaukee - Stacy Revere - 5.nov.2024/Getty Images via AFP

Com base em várias apurações, podemos estimar que entre 7 e 9 milhões de eleitores de Barack Obama votaram em Trump em 2016. Obama continua a ser o político mais popular dos Estados Unidos. Às vésperas da posse, a popularidade de Mamdani disparou, de 55% no momento da eleição, para 61%.

Já o ocupante do Salão Oval amarga um declínio de aprovação pública neste primeiro ano de mandato —a média entre as principais pesquisas, hoje, não passa de 43%. Não há motivo para nó no raciocínio.

Vamos procurar histórias menos convencionais e não sancionadas pela classe de consultores que sussurra no ouvido de candidatos e políticos eleitos.

Um filósofo político da Califórnia talvez ajude a explicar como alguém pode marcar a cruz ao lado de Barack e de Donald; ao lado de Donald e, apenas 12 meses depois, escolher o ugandense americano Zohran.

Jason Blakely publicou o livro "Lost in Ideology" (perdidos em ideologia, em tradução livre), argumentando que a política contemporânea nos desorienta e que não é possível plantar pessoas em rígidos territórios ideológicos. Ele descreve eleitores que circulam entre direita e esquerda num contexto de "ideologias líquidas." Um eleitor rural de Virginia Ocidental, um estado conservador, pode ser contra o aborto e a favor de uma versão gringa do SUS que o liberte da medicina privada.

Uma história que ganhou impulso recentemente foi a dos candidatos de centro como salvação para os democratas que perderam o controle do Congresso e da Casa Branca em 2024. Nesta narrativa, pouca atenção foi dada à importância do custo de vida através do espectro político. O que pode explicar por que Zohran, o jovem muçulmano esquerdista demais para líderes democratas, quando sua campanha emergiu do nada, empurrou até Donald Trump para se juntar ao desfile da Gaviões da Fiel da acessibilidade.

Medir temperaturas "à esquerda e à direita" dificilmente deve servir de termômetro para a oposição congelada fora do poder neste ano eleitoral americano. Convém evitar clichês como a "maioria silenciosa" que elegeu Richard Nixon no dramático ano de 1968.

Mais números? Analistas de dados apuraram que a importância do centrismo e da moderação para eleitores despencou 80% desde 2000, quando George W. Bush foi eleito de raspão. A balcanização dos americanos é uma realidade que não pode ser enfrentada apenas alinhando itens de agenda no universo de dois partidos.

E os homens jovens que ajudaram a consolidar a vitória republicana na eleição presidencial de 2024? Uma pesquisa considerada de boa qualidade por quem sabe mais do que eu apurou que os rapazes estão profundamente desencantados com o estado das coisas, preocupados com a experiência que vivem, não com arroubos ideológicos.

De acordo com o projeto SAM —acrônimo do inglês "conversando com homens americanos"—, quando consultados sobre política, os jovens "avaliam o desempenho, a justiça e a credibilidade, em vez de posições ideológicas fixas".


Núcleo do PT indica a Lula nomes do partido para Ministério da Segurança Pública, FSp

 O Setorial de Segurança Pública do PT enviou uma carta ao presidente do partido, Edinho Silva, na qual sugere que ele indique a Lula três nomes de petistas para comandar o Ministério da Segurança Pública, após o presidente sinalizar que a pasta pode ser recriada neste ano.

A carta, datada desta terça-feira (6), é assinada por Abdael Ambruster, coordenador nacional do Setorial de Segurança Pública do PT. Os nomes sugeridos são o do ex-ministro da Justiça e ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro, o da deputada federal e delegada de polícia Adriana Accorsi e o de Benedito Mariano, ex-ouvidor da Polícia de SP e secretário de diversas Prefeituras do PT.

Homem idoso com barba branca veste colete verde e camisa branca, segurando microfone na mão direita e apontando com a esquerda. Fundo desfocado com bandeiras coloridas.
Presidente Lula em abertura de conferência sobre assistência social em Brasília - Lucio Tavora - 8.dez.25/Xinhua

No documento, ele afirma que a direita e a extrema direita se apropriaram da agenda de segurança pública. "Hoje, a extrema direita, liderada pelo bolsonarismo, deu significado ideológico, mobilizou segmentos significativos das corporações policiais, propôs o armamento da população", indica.

O texto propõe ao governo federal uma mobilização para "implementar um pacto nacional capaz de reduzir a violência, enfrentar o crime organizado e viabilizar uma segurança cidadã".

A carta prossegue e ressalta que o tema de segurança pública será um dos principais da disputa eleitoral.

O setorial defende a criação da pasta como uma forma de materializar as diretrizes previstas na PEC (proposta de emenda à Constituição) da Segurança Pública, no projeto de lei Antifacção e de novos programas nacionais para enfrentar as facções criminosas e o crime comum.

Também argumenta que a segurança pública seja pautada na inteligência policial, na prevenção e na repressão qualificada para "asfixiar as facções criminosas, dentre as quais estão as milícias".

Saída de Vera Magalhães do Roda Viva é movimento de renovação, diz presidente de fundação, FSP

 Victória Cócolo

saída da jornalista Vera Magalhães do programa Roda Viva, após seis anos no comando da atração, faz parte de um "movimento de renovação" da emissora. A afirmação é de Maria Angela de Jesus, presidente da Fundação Padre Anchieta, que administra a TV Cultura.

"O Roda Viva é o programa mais longevo da Cultura. Em 40 anos, já teve 14 apresentadores. Essa oxigenação faz parte do perfil da atração", disse ela, rebatendo declaração do ex-diretor de jornalismo da emissora, Leão Serva, que disse, tanto em post nas redes sociais quanto à coluna, que o ato era "uma burrice".

A jornalista Vera Magalhães - Tv Cultura

Serva foi diretor de jornalismo da emissora entre 2019 e 2023. Ele assumiu o posto com a chegada de José Roberto Maluf à presidência da fundação, durante o governo João Doria. A partir de março de 2023, deixou o posto para ser diretor internacional de jornalismo, acumulando a função com a de correspondente em Londres. Em julho do ano passado, ele foi desligado da empresa.

Segundo Serva, logo após a posse do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), em janeiro de 2023, circulou uma lista com nomes de profissionais que seriam demitidos, entre eles o seu e o de Vera Magalhães. À época, diz, José Roberto Maluf renovou contratos por mais três anos, até o fim de 2025 para conter as demissões. Essas renovações foram divulgadas pela própria TV na ocasião.

"O que está acontecendo agora parece uma profecia que se autorrealiza", afirma Serva. "Mais do que servilidade política, é uma burrice", diz ele, sobre a saída de Vera nesta semana. O jornalista associou as demissões a uma interferência do governo na gestão da emissora. A TV Cultura e o governo estadual negam que haja qualquer ingerência.

Maria Angela disse que, ao assumir a presidência da Fundação Padre Anchieta, em junho do ano passado, encontrou uma "situação financeira bastante delicada" e que o seu compromisso foi adotar medidas para conseguir um cenário mais saudável. Uma dessas ações foi o desligamento de Serva, por corte de custos.

"Nós temos toda uma proposta de crescer cada vez mais a emissora dentro do Brasil. Temos que ganhar força financeira para revigorar a marca TV Cultura. Naquele momento, ter um correspondente internacional com custo fixo mensal não era a nossa prioridade —e isso não é uma crítica à gestão anterior, cada uma tem o seu caminho", diz ela.

"Nesse momento de polarização, você ter uma bancada plural e ter um debate rico é a grande missão do Roda", acrescenta. Ainda não há uma definição sobre quem substituirá Vera —até o final deste mês serão exibidos programas que já estavam gravados.

Os repasses do governo de São Paulo representam 55% do orçamento da TV Cultura. Em nota, a assessoria de imprensa da gestão Tarcísio afirmou que a emissora atua com plena autonomia editorial e que questões relativas à contratação ou renovação de profissionais são de responsabilidade exclusiva da Fundação Padre Anchieta, sem qualquer participação da administração pública.