O movimento de repulsa à decisão do governo Trump de considerar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas vem levando em conta apenas questões de soberania, como a eventual possibilidade de intervenção do governo dos Estados Unidos em negócios internos do Brasil.
Não leva em conta que tanto o governo Bolsonaro como os três governos Lula nada ou quase nada fizeram para combater o crime organizado e, com isso, permitiram a deterioração da soberania do Brasil.
São organizações cuja atuação corrói as instituições; em seu lugar, implantam um Estado paralelo. Financiam-se com o narcotráfico, o tráfico de armas, a lavagem de dinheiro, o contrabando, a sonegação fiscal e a sujeição do cidadão comum a todo tipo de fraude e de extorsão.

Para você
Arrebatam das instituições estatais o monopólio do uso da força e sujeitam comunidades inteiras a seu comando. Lá, o Estado não entra ou, quando entra, deixa meia dúzia de policiais por apenas um ou dois dias para, logo em seguida, deixar o campo livre para a volta dos que lá estavam.
Essas organizações se infiltram nas administrações municipais. Onde podem, por meio de chantagens, ameaças ou simplesmente por meio de suborno, assumem secretarias de governo, os serviços de polícia, o controle das prisões e solapam o Poder Judiciário.
Não há correntista de banco ou possuidor de cartão de crédito que não tenha sido vítima de fraudes ou de tentativas de fraudes. O roubo de celulares é pandêmico. E, no entanto, os governos assistem a tudo inertes. Limitam-se a fazer alguma estatística sobre ocorrências e deixam tudo solto.
Os últimos documentos do PT que se propuseram a definir diretrizes de governo elegem como inimigos a combater as elites neoliberais; os rentistas financeiros que concorrem, segundo eles, para endividar o trabalhador; a burguesia exploradora, que captura o espaço público e contribui para a precarização do trabalho. Mas silenciam sobre as atividades do crime organizado que solapam a vida democrática.
As propostas sobre política de segurança pública do PT são propositalmente vagas. Falam em Sistema Único de Segurança Pública e em uso obrigatório das câmaras corporais pelas polícias, mas não falam sobre a criação de mecanismos destinados a seguir os rastros do dinheiro ilícito que sustenta esses crimes para eliminá-los.
Em outubro de 2025, o presidente Lula declarou que os traficantes são “vítimas dos usuários”. Depois, tentou remendar, como se tratasse de “frase mal colocada”. Mas atos falhos desse tipo dizem mais. Dizem que, no DNA do PT, a maioria dos bandidos deve ser considerada vítima do sistema, e não inimiga do Estado e da classe trabalhadora.






