quinta-feira, 12 de julho de 2018

Metrô de SP paga R$ 40 mil por mês para ONG gerir playlist de música, Tecmundo

11/07/2018 - Tec Mundo
Os paulistanos que utilizam metrô para locomoção devem ter notado que, desde a sexta-feira passada (6), algumas estações estão com música clássica, jazz e MPB como som ambiente — hoje (11), mais de 55 estações já contam com as músicas. Segundo o Metrô SP, a ideia é que o som ambiente também diminua o stress do paulistano.
A empresa responsável pela lista de músicas reproduzidas é o Instituto de Cultura e Cidadania (iCult), que recebe R$ 39 mil por mês do Governo de São Paulo para gerir as playlists, segundo o Bom Dia SP.
O iCult está utilizando o sistema de som já existente do Metrô de São Paulo para emitir as músicas nacionais e internacionais, que transitam entre os gêneros clássico, jazz, bossa nova, MPB e samba. A playlist de R$ 39 mil por mês conta com mais de 200 músicas.
O TecMundo ligou para os dois números disponibilizados pelo Instituto de Cultura e Cidadania para checar a planilha de custos: o primeiro redireciona para um edifício residencial e o segundo está indisponível. Realizamos contato por email, sem resposta até o fechamento desta matéria.
*Caso seja liberado acesso para a planilha de custos sobre os R$ 39 mil mensais, o TecMundo vai atualizar esta matéria.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Embraer e Braskem na xepa do Brasil, FSP


Várias ruínas nacionais estão entre os motivos da venda do controle das empresas


A Braskem e a Embraer devem ser vendidas até o ano que vem. Duas das maiores e melhores empresas brasileiras devem ser vendidas a estrangeiros, lamenta-se, não raro com argumentos errados.
Para começar, ninguém é "dono" da Embraer. Três empresas de investimentos têm quase 30% de suas ações --são firmas americanas e britânicas que gerem o dinheiro de investidores institucionais (como fundos de pensão) e de muito ricos.
O BNDES tem uns 5%, e o resto é pulverizado entre duas centenas de investidores institucionais.
Sim, a Boeing deve comprar a parte mais importante da Embraer, a que produz jatos comerciais. Terá o controle total sobre a empresa, será "dona" de fato.
A venda da Embraer causa mais sensação do que a da Braskem, que tem o dobro do tamanho. A petroquímica é 38% dos Odebrecht, 36% da Petrobras, e o resto, de grandes gestores de dinheiro.
Afinal, o que faz a Braskem? Usa derivados de petróleo, gás e etanol para fabricar matéria-prima de produtos de plástico, parte essencial da indústria.
No fundo, as empresas estão sendo vendidas porque o Brasil não cresce e porque está barato, na xepa. Porque o custo de capital aqui é alto e desordens microeconômicas várias prejudicam a empresa nacional.
Sim, há motivos imediatos da venda da boa Braskem. A Odebrecht está endividada e na lama, pois foi flagrada corrompendo o país. A Petrobras está endividada, pois foi quase destruída sob Dilma Rousseff; porque quer se concentrar em petróleo.
A petroquímica ganhou volume com o tripé desenvolvimentista da ditadura, nos anos 1970: coordenação e capital estatais associados a empresas estrangeiras e nacionais. Mas era uma bagunça societária, de empresas sem escala ou produção integrada, desordem que continuou com a privatização algo selvagem de 1992-1996 e que impedia o setor de ir para a frente.
No fim dos anos Fernando Henrique Cardoso, o Estado (bidu) tentava reorganizar o setor (com BNDES, fundos de pensão e Petrobras). Com uma estratégia correta e esperta, a Odebrecht tomou a dianteira da reestruturação e teve depois uma mãozona do governo Lula, amigo da formação de conglomerados (carne, telefonia, celulose, petroquímica, energia), vários deles de empresas privatizadas de Collor a FHC. A Braskem tornou-se em si um negócio grande e viável, rifado pelo gangsterismo público-privado.
A empresa deve ser vendida à LyondellBasell, com sede na Holanda, um aglomerado de empresas americanas e europeias. A petroquímica não tem "dono". Seu maior acionista (18%) é a Access, do homem mais rico do Reino Unido, sir Len Blavatnik. Grandes gestores de dinheiro, como aqueles "donos" da Embraer, ficam com uns 22%: Fidelity, Vanguard, Capital Research, BlackRock, grandes administradores do dinheiro grosso meio sem rosto, do capital pulverizado em várias aplicações.
Há quem reclame intervenção estatal (bidu) contra as vendas, mas o governo não tem recursos nem competência para cuidar disso. Se tivesse como agir de modo regulatório, digamos, teria de dizer de onde vai sair capital privado a bom custo para tocar essas empresas.
Uma pergunta que os indignados não fazem: por que falta capital barato e ambiente respirável para que se criem novas firmas? Muita futura grande empresa nacional deve ter sido sufocada no berço por juros altos e pelo entulho regulatório demente.
Embraer e Braskem ainda rendem assunto para outro dia.
Vinicius Torres Freire
Jornalista, foi secretário de Redação da Folha. É mestre em administração pública pela Universidade Harvard (EUA).

comentários

CARLOS ROBERTO DIAS

Há 6 horas
As duas fábricas da Embraer na China, uma chinesa e outra brasileira, produzindo no maior mercado comprador de aviação regional, do mundo,desaparecem? E o Acordo Brasil/Suécia (Embraer/Gripen) ? Esta sujeira vai longe... inclusive, de contra peso perderemos a Base de Lançamento de Alcantara. A Aeronáutica não vai virar esta mesa? Tudo que foi criado e realizado em S J dos Campos vai para o espaço? Ou para a Boeing ?

O agro resiste à incerteza, Opinião OESP

O Estado de S.Paulo
11 Julho 2018 | 05h00
Enquanto pioram as projeções para a indústria e para a maior parte das atividades, num cenário de crescente incerteza política, pelo menos o agronegócio mantém perspectivas de bom desempenho neste ano. A safra de grãos deve consolidar-se como a segunda maior da história, apesar da escassez de chuvas em grande parte das áreas produtoras. Principal fonte de receita de exportação, o agronegócio continua proporcionando ao País dólares suficientes para garantir segurança externa. A produção total de grãos deve chegar a 228,5 milhões de toneladas, volume só inferior, por uma diferença de 3,9%, ao recorde histórico da temporada 2016-2017. A nova estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada ontem, foi pouco inferior à de junho, com redução de 1,2 milhão de toneladas. Nesta altura, a colheita de verão foi concluída, a dos produtos do segundo e do terceiro plantios está avançada e prosseguem os trabalhos das culturas de inverno, com o trigo como principal componente.
A projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é pouco menor – 227,9 milhões de toneladas para os grãos de todas as estações – e também reflete os efeitos da chuva insuficiente.
A maior produção continua sendo a de soja, com um total de 118,9 milhões de toneladas na projeção da Conab. Esse volume é 4,2% maior que o da safra 2016-2017 e também superior ao estimado em junho (118 milhões). A segunda maior cultura, a do milho, deve render neste ano 82,9 milhões de toneladas, considerados os dois plantios. O volume deve ser 15,2% menor que o da temporada anterior.
O conjunto das projeções inclui condições tranquilas no abastecimento do mercado interno, mesmo com safras de arroz (11,8 milhões de toneladas) e feijão (3,3 milhões) ligeiramente menores que as do ano passado. A de trigo está projetada em 4,9 milhões de toneladas, com um bom ganho em relação à anterior (4,3 milhões). De modo geral, o suprimento do mercado interno continua sem problemas, com boas perspectivas de oferta para a maior parte dos produtos essenciais. Pressões como as verificadas no varejo no fim de maio e no mês de junho, em consequência da crise no transporte rodoviário, são muito improváveis, se nenhum dano muito mais grave for gerado, neste semestre, pela insegurança política.
Além de assegurar boas condições de abastecimento do mercado interno, o agronegócio continua gerando a maior fatia dos dólares conseguidos com a exportação. Os últimos números consolidados do comércio externo do agronegócio chegam até maio. Esse trabalho é produzido pelo Ministério da Agricultura com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Nos primeiros cinco meses do ano o setor exportou produtos no valor de US$ 40,3 bilhões.
O aumento das quantidades garantiu uma receita 3,8% maior que a de janeiro a maio de 2017. Entre os dois períodos, o índice de preços caiu 0,4%. Os US$ 40,3 bilhões faturados em 2018 corresponderam a 43,1% da exportação total. Um ano antes a parcela do setor equivaleu a 44,2%.
Em 2018, até maio, o agronegócio gerou superávit comercial de US$ 34,3 bilhões. Como outros setores foram deficitários, o saldo geral do comércio exterior de bens ficou em US$ 24,2 bilhões nos cinco meses.
Nos 12 meses até maio, o valor exportado pelo agronegócio chegou a US$ 97,5 bilhões, com aumento de 11,9% em relação ao período imediatamente anterior. O total faturado pelo setor equivaleu a 43,6% da receita geral do comércio exterior de bens. O saldo comercial atingiu US$ 83,5 bilhões.
Soja e derivados continuam no topo das vendas do agronegócio, com produtos florestais e carnes no segundo e no terceiro lugares neste ano. A Ásia, liderada pela China, mantém-se como principal destino das exportações do setor, logo acima da União Europeia. Mas o comércio com a China seria muito mais satisfatório se o mercado chinês – como o europeu e o americano – também absorvesse manufaturados. Sem isso, o comércio com a China parece colonial.