terça-feira, 6 de outubro de 2026

PL cresce de 98 para 121 deputados e avança sobre o centrão; esquerda terá 24% da Câmara- FSP

 Raphael Di Cunto

Brasília e São Paulo (SP)

O PL de Flávio Bolsonaro ganhou 23 deputados nas eleições deste domingo (4) e formou uma bancada de 121 integrantes na Câmara dos Deputados, a maior da Casa desde a eleição de 1986. Os parlamentares tomarão posse em 1º de fevereiro.

Ao todo, contando outros partidos como PP e Republicanos, a direita reunirá 303 deputados, ou 59% do total —índice próximo ao atual, de 57%.

O PT, do atual presidente Lula, foi de 65 para 70 deputados eleitos e, com a federação formada com PCdoB e PV, será a segunda maior força entre os partidos, mas estará em minoria na Casa.

Contando também PDT, PSOL, Rede e PSB, a esquerda continuará a representar 24% da Câmara —124 deputados, quase o mesmo número do PL sozinho.

O centro, por sua vez, terá 86 cadeiras (17%, ante os 19% atuais).

A classificação foi feita de acordo com o GPS Partidário, metodologia da Folha que situa os partidos brasileiros da esquerda à direita a partir de critérios como atuação no Congresso, doações eleitorais e frentes parlamentares.

Já o centrão diminuiu de tamanho, mas pode crescer com a adesão de deputados de partidos que não atingiram a cláusula de desempenho (regra que exige uma votação mínima pelo país para que a legenda continue a ter direito a propaganda eleitoral na TV e rádio e aos recursos do fundo partidário).

A federação entre União Brasil e PP, que hoje contabiliza 98 deputados federais, caiu para 87. O Republicanos do presidente da Câmara, Hugo Motta (PB), foi de 42 para 41. O PSD diminuiu de 48 para 43 e MDB de 38 para 36.

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Apesar disso, esse grupo de partidos continuará a ditar os rumos do país e a ser o fiel da balança nas votações. Sem eles, PT ou PL não serão capazes de formar maioria para aprovar projetos de lei.

A imagem mostra uma sessão na Câmara dos Deputados do Brasil, com muitos deputados reunidos em um ambiente legislativo. No centro, um grupo de deputados está posando para fotos, enquanto outros estão em pé e levantando as mãos. Há uma bandeira do Brasil visível ao fundo. A sala está cheia de pessoas, com algumas usando trajes formais e outras com roupas coloridas. O ambiente é de celebração e agitação.
O plenário da Câmara dos Deputados - Pedro Ladeira - 6.ago.2025/Folhapress

A adesão completa do grupo ao novo governo, por outro lado, poderia garantir com folga votos para alterar a Constituição —seriam 389 votos num governo Flávio Bolsonaro (PL) e 382 num novo governo Lula (PT). Para aprovar uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) são necessários 308 votos favoráveis.

Parte dos deputados eleitos por esses partidos, contudo, está mais alinhada à esquerda ou, principalmente, ao bolsonarismo. Por isso, uma fidelidade completa é improvável.

O resultado das eleições da Câmara ainda impacta a vitalidade dos partidos políticos: 95% do fundo partidário é repartido conforme o tamanho das bancadas, enquanto 83% do fundo eleitoral, que somou R$ 5 bilhões em 2026, também depende do desempenho nas eleições para a Casa.

A propaganda eleitoral na televisão e rádio também é proporcional ao número de deputados federais da sigla. O partido que não ultrapassar um número mínimo de votos para a Câmara ou de deputados eleitos, a chamada cláusula de desempenho, fica sem acesso ao fundo partidário e à propaganda eleitoral.

Os deputados ainda dominam a maior parte das emendas parlamentares ao Orçamento, que somaram R$ 50 bilhões neste ano. As comissões da Câmara tiveram R$ 8 bilhões para indicar (valor que é distribuído de forma diferente entre cada congressista, de acordo com suas relações políticas).

Além disso, cada deputado também alcançou R$ 40 milhões em emendas individuais ao Orçamento, que são de execução obrigatória pelo governo federal. Ainda há uma parcela de R$ 11,2 bilhões em emendas das bancadas estaduais que é definida pelos interesses dos deputados.

Para os próximos quatro anos, de acordo com estudo da organização apartidária Central das Emendas, cada deputado federal terá, em média, quase R$ 295 milhões para destinar ao longo do mandato.

Por que a eleição de deputados federais é tão importante para os partidos?

  1. Fundo partidário - Quase toda a verba (95%), em torno de R$ 1 bilhão ao ano, é dividida entre os partidos na proporção dos votos obtidos na última eleição para a Câmara dos Deputados
  2. Fundo Eleitoral - Dos cerca de R$ 5 bilhões reservados para a eleição atual, 35% são divididos conforme os votos de cada partido para a Câmara, e 48% seguem o número de deputados que o partido elegeu
  3. Tempo de propaganda na TV - 90% do espaço é dividido entre os candidatos proporcionalmente ao número de representantes que os partidos da coligação tenham na Câmara dos Deputados
  4. Cláusula de desempenho - Partidos que não obtiverem um desempenho mínimo na eleição para a Câmara (2,5% dos votos válidos em pelo menos nove estados, com mínimo de 1,5% dos votos válidos em cada um; ou eleger pelo menos 13 deputados federais, distribuídos em pelo menos nove estados) perdem recursos essenciais à sua existência, como as verbas dos fundos partidário e a propaganda na TV
  5. Emendas ao Orçamento - Cada deputado indicou R$ 40 milhões em emendas individuais em 2026, enquanto as comissões da Câmara tiveram mais R$ 8 bilhões em emendas; deputados ainda destinam parte dos R$ 11,1 bilhões reservados para as bancadas estaduais
  6. Governabilidade e votações - Bancadas fortes na Câmara também dão peso ao partido na relação com o governo, na definição das votações e em outros temas relativos ao Legislativo

Conheça o ‘tijolo verde’ que pode deixar a casa menos quente em ondas de calor- OESP

 Você já se imaginou morando em uma casa feita de plástico? Uma tecnologia criada pela empresa Fuplastic, especializada em soluções sustentáveis para a construção civil, permite erguer imóveis com tijolos feitos inteiramente de plástico reciclado. O recurso vem sendo utilizado na construção de casas emergenciais populares pela ONG TETO Brasil, mas também serve para construções definitivas.

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Segundo o CEO da Fuplastic e responsável pela criação, Bruno Frederico, é possível retirar cerca de 2,5 toneladas de plástico do meio ambiente a cada 50m² de construção com tijolos da marca e levantar casas mais fácil e rapidamente, pois os blocos funcionam com método de encaixe, sem necessidade de argamassa.

“Essa tecnologia nos permitiu unir ainda mais as funções sociais e ambientais nos projetos. E, por ser totalmente modular, também nos ajuda a construir nos espaços limitados em que trabalhamos, geralmente em favelas”, conta Camila Jordan, diretora executiva da TETO Brasil. A casa pode ser erguida em “L”, vagão ou quadrado, por exemplo, conforme o formato do espaço disponível.

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Estruturas das casas de plástico podem ser levantadas em algumas horas, segundo a TETO Brasil e a Fuplastic
Estruturas das casas de plástico podem ser levantadas em algumas horas, segundo a TETO Brasil e a Fuplastic Foto: Teto Brasil/Divulgação

Há também ganhos em conforto térmico no interior da construção, segundo Frederico – fator importante em um cenário de mudanças climáticas e ondas de calor cada vez mais frequentes. Isso acontece porque, diferentemente dos tijolos de argila, comumente utilizados no Brasil, os de plástico têm um “espaço vazio” em seu interior, permitindo circulação de ar.

“Os blocos têm um furo e esses furos servem para ‘respirar’. O ar quente sobe e tende a sair”, afirma o CEO, que é arquiteto. Segundo ele, já foram feitos estudos que comprovam esse maior conforto térmico nas construções.

O professor de Engenharia Civil da Fundação Educacional Inaciana (FEI) Mauricio Resende pondera, no entanto, que “o desempenho térmico vai além da escolha do material dos tijolos”. Essa condição está intrinsecamente associada com o projeto arquitetônico da edificação e não só à parede, “pois depende da cobertura, da existência de ventilação de ar e de beirais”.

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Cidades do futuro

Na semana passada, uma casa de plástico modelo ficou exposta na Praça do Patriarca, no centro histórico de São Paulo, durante o festival Cidade do Futuro 2024, que traz propostas sustentáveis e inovadoras para o setor de construção civil.

Casa ecológica feita de plástico reciclado foi exposta na Praça do Patriarca, no centro de São Paulo, entre os dias 14 de 16 de maio, durante o festival Cidade do Futuro
Casa ecológica feita de plástico reciclado foi exposta na Praça do Patriarca, no centro de São Paulo, entre os dias 14 de 16 de maio, durante o festival Cidade do Futuro Foto: Werther Santana/Estadão

O imóvel tinha 54m², contava com 4,9 mil blocos de tijolos de plástico e foi montado e desmontado com a mesma facilidade – em algumas horas. ”A tecnologia permite que a casa seja desmontada facilmente e sem gerar entulho. Os tijolos podem ser reutilizados em outra construção ou reciclados novamente, produzindo outros materiais”, diz Frederico. “O legal é que aquele plástico nunca mais volta a ser lixo.”

No interior da exposição, era possível ver que a casa de plástico pode ser revestida por chapas de drywall, deixando um aspecto idêntico ao de uma parede comum. O material é firme e viabiliza instalação de janelas, portas, fiação elétrica e tubulação hidráulica – todas as condições necessárias para uma moradia.

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Casa ecológica oferece condições idênticas às de casas feitas de tijolos de argila, segundo idealizadores do modelo
Casa ecológica oferece condições idênticas às de casas feitas de tijolos de argila, segundo idealizadores do modelo Foto: Werther Santana/Estadão

Segundo a Fuplastic, eles têm certificações da Falcão Bauer, Polibalbino e Instituto Lab System que atestam qualidade de peso, tamanho, resistência e propriedades da matéria-prima, além de resistência contrafogo e fio incandescente. Estas últimas, segundo Resende, são essenciais para validar a usabilidade do material em construções e definir que tipo de imóvel pode ser construído com os tijolos.

“Pelo fato de plástico ser material combustível, deve-se classificá-lo com relação a reação ao fogo – ignibilidade, densidade óptica de fumaça e propagação. Se esta classificação atender aos critérios da norma de desempenho de edifícios habitacionais para utilização como componente de parede, é necessário verificar a resistência ao fogo da parede construída com este tijolo”, explica o professor.

O tempo de resistência ao fogo da parede pode restringir o tipo, uso e altura do edifício, afirma Resende. Além disso, é preciso avaliar a resistência a impactos na estrutura e a vazamentos de água; a durabilidade do material e o desempenho acústico e térmico do sistema de vedação vertical.

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Morando em uma casa de plástico

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Regiane Alves da Silva, 46 anos, auxiliar de limpeza e moradora da comunidade Porto de Areia, em Carapicuíba (SP), foi a primeira a ser contemplada pela ação da TETO com casas de plástico e conta que ficou surpresa quando recebeu a proposta de receber uma casa “reciclada”. “Você fica com aquele ponto de interrogação na cabeça, né? Uma casa de plástico reciclado... Será que vai ser boa ou não?”

“Mas há oito meses estou aqui. Vejo que ela é bem arejada, tem bastantes janelas, e é confortável. É um projeto bem feito”, diz ela, que perdeu o emprego por motivos de doença e, sem conseguir pagar o aluguel, precisou morar com os dois filhos adolescentes em um barraco de madeira até receber a casa da TETO.

Moradia de Regiane Alves deixou de ser de madeira, vulnerável a tempestades e ondas de calor, e passou a ser de plástico, com tecnologia que garante maior conforto térmico e proteção contra chuva.
Moradia de Regiane Alves deixou de ser de madeira, vulnerável a tempestades e ondas de calor, e passou a ser de plástico, com tecnologia que garante maior conforto térmico e proteção contra chuva. Foto: Divulgação/Volutariado da TETO Brasil

De acordo com Frederico, além da parceria com a TETO, que constrói casas “transitórias” para garantir dignidade mínima a pessoas em situação de vulnerabilidade que vivem em moradias irregulares, a Fuplastic propôs parceria com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) de São Paulo para que a tecnologia seja utilizada nas construções de casas populares definitivas.

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