segunda-feira, 5 de outubro de 2026

A derrocada da esquerda é ainda mais dura que a de 2018 - Alvaro Costa e Silva- FSP

 Preso em novembro de 2025 por tramar um golpe de Estado para impedir a posse de Lula em 2023, Bolsonaro planejou fazer a volta ao poder usando a força do voto. É paradoxal, mas o bolsonarismo é assim.

Até agora está tudo dando certo. O filho Flávio venceu o primeiro turno por uma diferença de 2,4 milhões de votos e, dependendo da reação de Lula, que no momento parece improvável, deverá ser eleito presidente no último domingo de outubro. Ao som do funk, o 01 já age como se estivesse no Palácio do Planalto comandando o acerto de contas: "Está decretado o fim da era PT".

O voto útil para desidratar outros concorrentes da direita funcionou a favor de Flávio, que cresceu às vésperas da eleição (os especialistas chamam o fenômeno de voto envergonhado ou espiral de silêncio), enquanto de Caiado, Zema, Cury e Renan naufragaram de vez. Se percebeu o movimento da onda submersa, a campanha de Lula se mostrou incapaz de evitar o estrago. Levou o caixote, o caldo e a vaca.

Foi um primeiro turno com características de segundo, registrando a menor diferença entre os dois mais votados, sedimentação que aumenta o favoritismo de Flávio. E dizer que quando Bolsonaro começou a falar sobre a pré-candidatura do filho, em dezembro de 2025, o PT comemorou, pois afastava o temor da disputa com Tarcísio de Freitas.

Para a esquerda, a derrota será mais dura que a de 2018. O Senado virou uma trincheira bolsonarista (quem esperava o fim da escala 6x1 pode esquecer). O PL fez 28 senadores. De novo aparece aí o dedo do ex-presidente, que antes de ser preso negociou a indicação de candidatos à casa legislativa.

Nos planos do 01 está uma intervenção no Supremo Tribunal Federal, com o afastamento de magistrados —Alexandre de Moraes sendo o primeiro da fila— e a retirada da corte de casos criminais que atingem a ele e a seus cupinchas. Autocracia —ao modo da Venezuela ou de El Salvador, como preferir— à vista.

De lambuja, Bolsonaro elegeu Michelle, Carlos, Jair Renan e o irmão Renato.

São Paulo adia proibição de bisnagas de molho em bares e restaurantes para 2027- FSP

 A proibição do uso de bisnagas para a oferta de molhos em estabelecimentos de alimentação de São Paulo foi adiada para 1º de fevereiro de 2027. A mudança foi determinada pela Portaria CVS nº 9/2026, que prorrogou a entrada em vigor da regra que determina o fim das tradicionais embalagens de ketchup, mostarda, maionese e outros condimentos no estado, prevista inicialmente para este domingo (4).

A nova portaria foi publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo nesta segunda (5).

Mesa de madeira com garrafas de ketchup Heinz, mostarda e porta-guardanapos em primeiro plano. Ao fundo, duas pessoas conversam próximas ao balcão e uma pessoa sentada em um sofá lendo. Paredes de tijolos com quadros e iluminação ambiente.
Lanchonete nos Jardins, em São Paulo (SP), com bisnagas servidas nas mesas; a partir de 4 de outubro, é proibido disponibilizar frascos, bisnagas ou potes de molho reutilizáveis/coletivos sobre as mesas ou balcões - Léo Burgos/Folhapress

A nova norma estabelece mudanças nas regras de boas práticas para bares, restaurantes e outros estabelecimentos do setor, incluindo exigências sobre estrutura, documentação e procedimentos de preparo e conservação de alimentos. Entre elas estão controles de temperatura, tempo e acidificação para a conservação do arroz usado na gastronomia asiática para sushi.

O objetivo, segundo a vigilância sanitária, é reduzir riscos de contaminação cruzada e transmissão de doenças pelo manuseio coletivo e pela higienização inadequada dos recipientes plásticos.

A Abrasel-SP (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em São Paulo) afirma que o adiamento dará mais tempo para que os estabelecimentos façam as adaptações e para que as autoridades sanitárias consolidem orientações técnicas e uniformizem a fiscalização. A entidade havia defendido a prorrogação das regras.

Para o setor, a mudança também representa aumento de custos e altera a operação dos estabelecimentos. O molho antes podia ser comprado em embalagens maiores e colocado em bisnagas. Agora, será adquirido em porções individuais, que incorporam ao preço do produto o custo da embalagem, do fracionamento e da logística.

Leci Brandão e deputados longevos não são reeleitos para Assembleia Legislativa de SP -FSP

 Nas eleições deste domingo (4), 42 deputados estaduais não se reelegeram para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). A lista traz nomes conhecidos, parlamentares com carreira extensa na Casa e nomes ligados ao governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos). O plenário paulista tem 94 cadeiras.

Entre os que ficaram de fora estão a sambista Leci Brandão (PCdoB), mulher negra que atuou por mais tempo na Alesp. A parlamentar de 82 anos, que está em seu quarto mandato consecutivo, foi a segunda mulher negra na história a ser eleita para a Alesp, em 2010. Ela teve carreira marcada pela defesa de grupos marginalizados e valorização da cultura popular. Recebeu 53.149 votos.

Mulher negra com cabelo crespo curto e vermelho segura microfone próximo à boca enquanto discursa. Ela veste blusa mostarda e casaco colorido com padrão geométrico.
A sambista Leci Brandão durante o lançamento nacional da iniciativa Quilombo nos Parlamentos 2026, da Coalizão Negra por Direitos - Bruno Santos - 29.jul.26/Folhapress

Outro deputado com carreira musical, o cantor gospel Marcelo Aguiar (PL) também não foi reeleito. Ele entrou como suplente, no ano passado, e estava em seu primeiro mandato, após atuar como vereador da capital paulista e deputado federal. Teve 37.585 votos.

A parlamentar com mais tempo de Alesp na lista dos derrotados é a professora Maria Lúcia Amary (PSD), 75, que recebeu 64.839 votos. Estava desde 2003 na Casa, em seu sexto mandato consecutivo. Fez parte do Conselho de Ética e criou propostas voltadas à proteção de mulheres vítimas de violência.

O Republicanos, sigla de Tarcísio de Freitas, reeleito para o governo de São Paulo, também teve baixas. Entre os nomes mais longevos da sigla, Edna Macedo cumpriu cinco mandatos, mas recebeu 55.086 votos e não se reelegeu. Jorge Wilson, o "Xerife do Consumidor", teve 61.708 votos e também ficou de fora.

Com 51.274 votos, Valéria Bolsonaro (PL) não foi reeleita para um terceiro mandato consecutivo. A professora é casada com Luis Oscar Bolsonaro, primo de segundo grau do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Com o lema "Deus, pátria, família e liberdade", foi presidente da Comissão de Defesa e dos Direitos das Mulheres.

Alguns nomes famosos tentaram uma vaga, mas não conseguiram se eleger. Entre eles estão Marquito (PSD), conhecido por participar do Programa do Ratinho, votado por 1.596 pessoas. Com 29.728 votos, Julinho Casares (MDB), filho do presidente do SPFC (São Paulo Futebol Clube) e genro do Faustão, tampouco foi eleito.

Também ficaram de fora Mara Gabrilli (PSD), que recebeu 48.372 votos, e Sonaira Fernandes (PL), ex-assessora de Eduardo Bolsonaro, com 39.003 votos.

A nova configuração da Assembleia Legislativa terá 27 deputados do PL. A sigla é seguida por PT (16), PSD (9), PSOL (9), Podemos (6), Republicanos (6), MDB (5), PP (5), PSB (3), União Brasil (4), Missão (1), Novo (1), PSDB (1) e PRD (1).