quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Com 8 piscinões em construção e outros 6 entregues, gestão prioriza combate às enchentes em todas as regiões da cidade, Prefeitura SP

 

Quando a chuva cai forte, o que antes virava alagamento em muitos bairros de São Paulo agora encontra outro destino: os piscinões. Verdadeiras “poupanças de água da chuva”, eles armazenam o excesso que desceria pelas ruas e se tornaram aliados importantes no combate às enchentes. No momento, a Prefeitura de São Paulo está com oito piscinões em construção e, nos últimos quatro anos, entregou seis novos reservatórios, com capacidade total para 853 mil metros cúbicos de água — o equivalente a mais de 340 piscinas olímpicas — e resultados comprovados na redução de alagamentos. 

Somente nesses últimos piscinões entregues, a Prefeitura investiu R$ 1,6 bilhão, beneficiando diretamente mais de 815 mil pessoas nas zonas Norte e Leste — entre elas, moradores do Tucuruvi, Perus e Aricanduva.

As novas entregas fazem parte de uma rede de 55 piscinões da cidade e foram pensadas para reduzir os impactos das chuvas e evitar enchentes em regiões historicamente afetadas, reforçam a rede de drenagem e ampliam a capacidade da capital de enfrentar as chuvas. 

No Morumbi, por exemplo, um piscinão embaixo da Praça Roberto Gomes Pedrosa vai captar as águas do Córrego Antonico e proteger 87 mil pessoas. Em Moema, outro reservatório deve beneficiar 200 mil moradores, sem a necessidade de desapropriações. Na Zona Leste, os trabalhos avançam nos córregos da Mooca, Lapenna e Rio Verde, enquanto na Zona Norte, o piscinão do Carumbé promete aliviar cheias que há décadas atingem a Brasilândia.

A importância desses equipamentos cresce a cada temporada de chuva. Com as mudanças climáticas provocando temporais mais intensos e volumes cada vez maiores, os piscinões se tornaram aliados indispensáveis na drenagem urbana. Ao reter a água durante o pico das chuvas e liberá-la aos poucos, eles ajudam a aliviar a pressão sobre córregos e galerias, diminuindo o risco de transbordamentos e prejuízos.

O objetivo é aumentar a resiliência de São Paulo frente aos eventos extremos e tornar o período das chuvas menos traumático para quem vive aqui. Cada piscinão entregue é, na prática, um novo respiro para a cidade.

Resultados
A efetividade dos piscinões entregues nos últimos anos é visível. Entre 2014 e 2024, a capacidade de reservação aumentou 46%, e o número de alagamentos caiu 57% em comparação com o final dos anos 1990 — mesmo com índices de chuva semelhantes. Cerca de 80% dos equipamentos para combate às cheias foram implantados após 2014. 

Para chegar a esse resultado, a atual gestão fez investimentos recordes em ações de prevenção e combate às enchentes. Somente em drenagem, foram aplicados R$ 8,4 bilhões em obras, serviços e manutenções — um aumento de 111% em relação ao período anterior. Além dos piscinões, a cidade tem apostado em soluções complementares, como praças de infiltração, parques lineares com áreas inundáveis, canalização de córregos e novas galerias pluviais, formando um sistema integrado de prevenção.


Veja onde estão sendo construídos os novos piscinões:

Zona Oeste
Piscinão Antonico, Morumbi
Investimento: R$ 273,8 milhões
População beneficiada: 87.000 pessoas
Volume: 133.500 m³
Previsão de entrega: 2026

Zona Sul
Piscinão Ibijaú-Gaivota, Moema
Investimento: R$ 117,3 milhões
População: 200.000 pessoas
Volume: 24.000 m³
Previsão de entrega: 2027

Piscinão Morro do S, Capão Redondo
Investimento: R$ 179 milhões
População: 870.000 pessoas
Volume: 192.000 m³
Previsão de entrega: 2026

Piscinão Paraguai/Éguas, Vila Mariana 
Investimento: R$ 166,1 milhões
População beneficiada: 200.000 pessoas
Volume: 110.000 m³
Previsão de entrega: 2027

Zona Norte
Piscinão Carumbé, Brasilândia
Investimento: R$ 56,2 milhões
População beneficiada: 240.000 pessoas
Volume: 9.200 m³
Previsão de entrega: 2026

Zona Leste
Piscinão Córrego da Mooca, Vila Prudente
Investimento: R$166,6 milhões
População (Censo IBGE/2022): 500.000 pessoas
Volume: 134.500 m³
Previsão de entrega: 2026

Piscinão no Córrego Lapenna, São Miguel Paulista
Investimento: R$ 67,1 milhões
População beneficiada: 14.000 pessoas 
Volume: 33.300 m³
Previsão de entrega: 2026

Piscinão Jacupeval
Investimento: R$ 74,7 milhões
População beneficiada: 210.000 pessoas 
Volume: 51.000 m³
Previsão de entrega: 2027

 

Efetividade dos piscinões entregues desde 2021

RIBEIRÃO PERUS
De acordo com dados do CGE, na região da Subprefeitura Perus, onde a atual gestão entregou três novos reservatórios entre 2024 e 2025, os pontos de alagamentos foram reduzidos de 15 em 2020 para 2 em 2025. Uma redução de 86,7%.

CÓRREGO PACIÊNCIA
De acordo com dados do CGE, na região da Subprefeitura Jaçanã Tremembé, onde a atual gestão entregou o Reservatório do Córrego Paciência em dezembro de 2021, os pontos de alagamentos foram reduzidos de 10, durante todo o ano de 2021, para 1 em 2025. Uma redução de 90%.

ARICANDUVA R3
De acordo com dados do CGE, a área no entorno do reservatório Aricanduva R3 (Rua Benedita de Paula Coelho, Travessa Homero Massena e Rua João Geraldo) entregue em 2022 pela atual gestão, chegou a registrar até 6 pontos de alagamentos por ano. Em 2025, não foram registradas ocorrências de alagamentos na região. 

CÓRREGO TABOÃO
De acordo com dados do CGE, desde 2022, quando foi entregue o reservatório do Córrego Taboão, não foram registrados alagamentos no cruzamento das avenidas Aricanduva e Mazzaropi. Além disso, o novo equipamento de combate às cheias beneficia diretamente a Rua Dr. Mariano Cursino de Moura, Viela Sete, Rua Dorival Lorenço da Silva, Trav. Silvio Mamprim, Trav. Amélia Brandão, Rua Dante Marteletti, Rua Mário da Cunha Canto, Ra Frederico Severo, Rua Albano Laziale, Rua Adustina, Rua Arrabalde da Ponte, Rua Alora e Av. Belarmino Ferreira.


SECOM - Prefeitura de São Paulo

O País cujas ambiguidades legitimam os roubos do Estado contra a sociedade- Roberto DaMatta- OESP

 Notícia de presente

Não é difícil compreender as dificuldades políticas e as ambiguidades decorrentes da passagem da monarquia escravista, fundada no desumano direito de uma pessoa ser proprietária de outra, à República sem sobressaltos.

No Brasil, a mudança ocasionou ambiguidades, porque, se o futuro pode ser truque populista ou um sincero ideal, o passado tem de ser levado em conta porque ele baliza o presente. Nossa aversão à igualdade republicana revela a permanência de hábitos aristocráticos, responsáveis por anacronismos que vão do “você sabe com quem está falando?”, ao machismo, ao recorde de funcionários públicos e aos abusivos “penduricalhos” que aristocratizam membros do governo. Tais ambiguidades legitimam os habituais roubos do Estado contra a sociedade.

Nossa aversão à igualdade republicana revela a permanência de hábitos aristocráticos, que se estendem aos 'penduricalhos'
Nossa aversão à igualdade republicana revela a permanência de hábitos aristocráticos, que se estendem aos 'penduricalhos' Foto: Wilton Junior/Estadão

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O filho do ex-presidente que foi a maior praga da política nacional se candidata à sua sucessão. Como um príncipe, recebe a unção do pai condenado por ser contra o processo democrático, mas promete ser mais comedido. Alguns republicanos perguntam: além do sangue, quais são as suas credenciais?

Nosso viés aristocrático, que celebriza os ricos, os objetos de “alto luxo e “gente fina”, diz: ele é filho do mito salvador. Só que o Brasil cansou de salvadores e precisa de gente com consciência das exigências e demandas do papel de presidente da República. A demanda é de um presidente que troque o palácio por um apartamento. Aí sim, teríamos um começo de “salvação”.

Nas repúblicas desenhadas pelos iluministas, o poder monárquico foi fraturado em três, todos submetidos a uma lei geral – a Constituição – que governaria o governo. Mas neste nosso Brasil compadresco e legalista, gerenciado por abnegados revolucionários “cuidadores” dos pobres (que não podem acabar), há uma multidão de salvadores.

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Salvá-los de quem? De um passado que não podemos neutralizar, porque vivemos em turmas, casas-grandes e partidos. Somos marcados pelo refrão que eu, na flor dos meus 90 anos, já ouvi mil vezes: “Agora é a nossa vez!”. Tomamos o poder que, como uma coroa, legitima o roubo dos aposentados, a destruição dos Correios, a dominação do crime organizado e as universidades. O ensino público de base – fundamental para a democracia – é uma desgraça. Prova de que uma sociedade que reprime o conflito entre a igualdade e a hierarquia convive com as ambiguidades do personalismo e da esperteza malandra.

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Proclamamos a República, mas não abandonamos o ideal de fidalguia que se manifesta na corrupção – que nada mais é do que uma face do negacionismo sobre os conflitos de interesses.

Daí a recorrência do velho dilema que denunciei no livro Carnavais, Malandros e Heróis. Nele, eu mostro que, na maioria das questões públicas, a igualdade era relativizada pela hierarquia. Evitamos o confronto e convivemos com as ambiguidades que formam o nosso modo de atuar no mundo

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Hélio Schwartsman - Eleições são um perigo -FSP

 Se me pedissem para desenvolver o pior sistema possível para selecionar governantes, eu talvez chegasse às eleições. A lista de problemas que elas engendram é grande.

Pelo lado do eleitor, temos a diluição de responsabilidades. Se você quer um serviço bem-feito, não o encomende a múltiplos prestadores que não podem ser individualmente cobrados por suas ações. Mas é exatamente o que fazemos quando encarregamos um eleitorado, que pode chegar a centenas de milhões nos países mais populosos, de escolher os dirigentes da nação. O próprio eleitor resiste em aderir ao projeto. Ele sabe que o peso de cada voto individual tende à irrelevância e por isso nem se dá ao trabalho de conhecer minimamente as propostas de cada postulante, como exigiria o modelo de democracia racional.

Cinco homens aparecem em retratos verticais lado a lado, cada um com expressão neutra. O primeiro usa chapéu preto e camisa azul clara, o segundo veste terno escuro e camisa branca, o terceiro tem cabelo grisalho e camisa azul clara, o quarto usa óculos redondos e camisa preta, e o quinto veste terno azul com gravata amarela.
Os candidatos à Presidência da República Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) - Montagem

E, se as coisas já são ruins no que tange ao eleitor, ficam ainda piores no que diz respeito aos candidatos. A encrenca aqui é a autosseleção. Tendem a ser mais atraídos pelo poder os perfis psicológicos que gostaríamos de ver longe do poder. Necessidade de aprovação, excesso de autoconfiança, megalomania são algumas das características potencialmente prejudiciais ao desempenho de um bom governante que abundam entre políticos. Como se não fosse o bastante, personalidades que reúnem fortes traços de narcisismo, maquiavelismo e psicopatia, a temível tríade sombria da psicologia, são mais frequentes entre políticos do que na população comum.

Por que então não abolimos as eleições e adotamos outro sistema? A democracia não tem poucas falhas, mas ainda não vislumbramos nada melhor do que ela. E, para ser percebida como legítima, é preciso que o eleitorado tenha alguma agência, isto é, algum poder de decisão, mesmo que o exerça muito imperfeitamente.

O caminho de menor resistência, me parece, é seguir com eleições e aprimorar o sistema de freios e contrapesos para reduzir os poderes individuais de políticos e com eles o perigo que más escolhas dos eleitores possam representar.