segunda-feira, 6 de julho de 2026

Moraes e Dino mandam presidentes de tribunais explicarem descumprimento de regra sobre penduricalhos, FSP

 Luísa Martins

Brasília

Os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinaram nesta segunda-feira (6) que os presidentes de sete TJs (Tribunais de Justiça) expliquem indícios de descumprimento à tese da corte sobre os penduricalhos.

Idênticas, as decisões citam reportagem da Folha segundo a qual 616 juízes e desembargadores receberam, em maio, vencimentos que ultrapassam o teto constitucional, de R$ 46,4 mil, com cifras que chegaram a até R$ 495 mil no mês.

Fachada da sede do STF (Supremo Tribunal Federal), na praça dos Três Poderes, em Brasília - Pedro Ladeira/Folhapress

Moraes e Dino deram prazo de 48 horas para que os presidentes dos TJs do Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e de Rondônia prestem informações detalhadas sobre as verbas pagas a cada magistrado da ativa ou aposentado, sob pena de afastamento do cargo de direção.

Os ministros citam, ainda, possibilidade de que eles respondam nas esferas penal, civil e disciplinar. Os presidentes dos TJs deverão anexar ao processo cópias das folhas de pagamento emitidas entre abril e julho, que incluam verbas remuneratórias e indenizatórias.

Nos despachos, Moraes e Dino dizem que a reportagem da Folha indica que os TJs "teriam desrespeitado decisão do Supremo e, em tese, teriam autorizado pagamentos remuneratórios e indenizatórios superiores aos parâmetros constitucionais fixados".

Os tribunais afirmam que os pagamentos seguiram decisão administrativa conjunta do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). A resolução, aprovada por unanimidade em abril, recriou parte dos penduricalhos extintos e abriu brechas para que as verbas ultrapassassem o limite estabelecido pelo Supremo.

A reportagem da Folha analisou os dados de oito cortes estaduais, por serem os únicos que enviaram dados completos ao painel de remuneração do CNJ. Apenas na corte de Pernambuco não foram identificados supersalários. Nas outras sete notificadas por Moraes, foram registrados subsídios acima do limite criado pelo Supremo.

Em maio, estava em vigor decisão do STF que proibiu adicionais como auxílio-alimentação, moradia e indenização por acervo e criou um novo limite para os vencimentos. Pela regra do tribunal, os salários poderiam chegar a no máximo R$ 78,8 mil, diante de certas condições.

Parcelas extintas na decisão de março do STF foram substituídas por outras verbas na resolução conjunta do CNMP e do CNJ. A assistência pré-escolar, por exemplo, tornou-se uma "gratificação de proteção à primeira infância e à maternidade".

Na terça-feira (30), o STF concluiu o julgamento sobre o tema e liberou parte dos penduricalhos antes vedados, como a conversão em pecúnia —a possibilidade de receber em dinheiro— de até 30 dias de plantões judiciais, cujos dias de compensação não tenham sido usufruídos por falta de permissão do tribunal. O novo entendimento eleva o limite salarial.

Atrás nas pesquisas, Haddad quer nacionalizar campanha e apela para embate LulaxBolsonaro- OESP

 

Foto do autor Leticia Fernandes

Haddad confirma França como vice em SP; Marina e Tebet vão disputar o Senado

Capa do video - Haddad confirma França como vice em SP; Marina e Tebet vão disputar o Senado

Anúncio sobre a chapa em São Paul foi feito nesta quinta-feira, após alinhamento com Lula na véspera. Crédito: Estadão

A campanha do ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo de São Paulo, vai apelar para a polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para tentar crescer no maior colégio eleitoral do País.

PUBLICIDADE

Haddad aparece atrás do atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em todas as pesquisas de intenção de voto no Estado que nunca elegeu um quadro petista para o governo.

Ciente disso, o coordenador da campanha de Haddad, Marco Aurélio de Carvalho, quer nacionalizar o embate e comparar os investimentos realizados no Estado de São Paulo na gestão Bolsonaro e durante o governo Lula 3.

Em conversa com a Coluna do Estadão, Marco Aurélio explica que uma das estratégias é mostrar que, mesmo com um governador adversário, o presidente Lula já investiu mais recursos federais em São Paulo do que os quatro anos de governo anterior, que era aliado de Tarcísio.

Guerra de narrativas

Segundo Marco Aurélio, que também coordena a campanha de Lula no Estado, a ideia é dar “elementos de comparação” ao eleitor paulistano.

Publicidade

“Vamos oferecer elementos de comparação para mostrar ao eleitor de São Paulo o Brasil que recebemos, e o Brasil que estamos entregando. Haddad e Lula investiram R$ 13 bilhões no Estado de São Paulo, mesmo o governador sendo de outro partido. Com Bolsonaro, o investimento foi de R$ 2 bilhões”, disse à Coluna.

imagem newsletter
newsletter
Política
As principais notícias e colunas sobre o cenário político nacional, de segunda a sexta.
Ao se cadastrar nas newsletters, você concorda com os Termos de Uso e Política de Privacidade.

Como mostrou o Estadão, o repasse de verbas do governo federal sob Jair Bolsonaro caiu em 90% só na cidade de São Paulo, se comparado com o último ano da gestão de Michel Temer. O emedebista assumiu a presidência com o impeachment de Dilma Rousseff (PT).

Levantamento da Vox Brasil divulgado no último domingo, 28, aponta que Tarcísio tem 51,8% das intenções de voto, contra 37,5% de Haddad, uma diferença de mais de 14 pontos porcentuais. A aprovação da gestão do atual governador também se mostrou alta: 61,1%. Os que desaprovam a administração de Tarcísio, segundo a pesquisa, são 31,5%.

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) são pré-candidatos ao governo de São Paulo
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) são pré-candidatos ao governo de São Paulo Foto: Paulo Guereta/Governo de São Paulo e Wilton Junior/Estadão

Petistas voltam a encampar discurso de frente ampla e Haddad como ‘o FHC do PT’

O PT de São Paulo também vai apostar nos quadros competitivos que têm na chapa ao Senado para as eleições de outubro, com as ex-ministras Simone Tebet (Planejamento) e Marina Silva (Meio Ambiente), para tentar dar fôlego à campanha de Fernando Haddad ao Palácio Bandeirantes.

Sem vaga garantida no segundo turno contra Tarcísio de Freitas, a estratégia da campanha é recorrer novamente à ideia de uma frente ampla, que estaria desta vez, segundo Marco Aurélio de Carvalho, representada na chapa do petista. Além das ex-ministras, o vice de Haddad é Márcio França, filiado ao PSB.

Publicidade

“A frente ampla que pode tirar São Paulo do apagão que está vivendo está na chapa de Haddad”, disse o coordenador.

PUBLICIDADE

A ideia de uma frente ampla será mais um dos embates travados entre Haddad e Tarcísio de Freitas. Apesar do discurso do PT, por enquanto só há partidos de esquerda e centro-esquerda na coligação petista, como o PSB, a Rede, o PSOL, o PCdoB e o PDT.

Tarcísio, por outro lado, já conseguiu reunir em sua órbita boa parte das legendas de direita e de centro-direita. Além do PL, apoiam o governador de São Paulo partidos como o MDB, PSDB, PP, União Brasil e Novo.

O pré-candidato ao governo e ex-ministro da Fazenda de Lula quer explorar o fato de nem Tebet e nem Marina, que lideram as pesquisas recentes para o Senado, serem quadros ligados ao PT. Segundo avaliação da campanha de Haddad, Simone Tebet é um nome de centro, de pensamento liberal.

Marina Silva, por sua vez, ainda que já tenha sido filiada ao PT, já “ultrapassou” a ligação com o partido e não é mais relacionada às fileiras petistas pelo eleitor, segundo pesquisas internas. Foi candidata a presidente, uma das deputadas federais mais bem votadas de São Paulo e criadora de um partido considerado de centro-esquerda. Marina, que é evangélica, carrega ainda uma percepção eleitoral de um pensamento conservador “genuíno”, exposto em pautas de costumes, como o aborto.

Você faz parte dos 759 milhões que acessaram?, The News

 

O tradicional ranking dos maiores sites de notícia do mundo foi divulgado e, por mais incrível que pareça, um site brasileiro ficou entre os três mais acessados do mundo: globo.com.

Com mais acessos até que o New York Times, o portal da família Marinho obteve quase 780 milhões de acessos ao longo de um mês, segundo dados mais recentes em termos de número de acessos.

O globo.com ficou em 3º lugar dentre os 50 sites de notícia mais visitados do mundo, atrás só de BBC e Yahoo Japão, e à frente de Wall Street Journal, CNN e The Guardian. Veja o ranking.

No geral, o cenário é bem ruim… 37 dos 50 maiores sites de notícia do mundo perderam audiência no último ano, com redução média de 10%. Apenas um dos portais viu seu número de acessos subir frente ao ano passado.

Na prática, nenhum dos portais está ganhando leitores, já quem sobe no ranking é só quem “afunda mais devagar”. A globo.com teve queda de 5% — igual ao New York Times, só que partindo de uma base maior. CNN caiu 23%. Fox, 10%.

O motivo? Menos pelo interesse e mais pela maneira como as pessoas estão buscando. Se antes o Google direcionava para os sites, agora, o Gemini condensa os fatos e entrega o resumo.

Why it matters: Se pensarmos que a cada visita, o portal ganha dinheiro com os anúncios que aparecem, uma queda de 10% pode tirar algumas centenas de milhões de dólares de cada um desses portais.