terça-feira, 2 de junho de 2026

Verdades raciais, Hélio Schwartsman, FSP

 Flávia Goes de Medeiros foi exonerada do cargo de servidora no Itamaraty, no qual ingressara por concurso como cotista, após veto da comissão de heteroidentificação. Para a banca encarregada de verificar a autenticidade da autodeclaração racial dos candidatos, Medeiros não era negra. "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará". OK, mas o que é a verdade?

Mulher de cabelos cacheados e pretos, vestindo vestido preto sem mangas, está em pé sorrindo ao lado da bandeira do Brasil. Ao fundo, estrutura de madeira com painéis coloridos em tons de cinza, vermelho e azul.
A internacionalista Flávia Medeiros, exonerada do cargo de oficial de chancelaria do Ministério das Relações Exteriores após contestação em concurso - Acervo pessoal

A pergunta assombra filósofos há milênios. Uma resposta, que talvez frustre nossa imaginação metafísica, mas que se mostrou produtiva, é a contida nas teorias correspondenciais da verdade, que a definem como adequação da proposição ao objeto. Um corolário disso é que, se o objeto inexiste no mundo, é impossível fazer afirmações fáticas verdadeiras sobre ele.

É quase consensual entre biólogos que não existem raças humanas. No nível dos genes, partilhamos todos 99,9% do DNA. Entre cães, o DNA de dois indivíduos de raças distintas pode diferir em 25%. Tamanha homogeneidade entre humanos é consequência dos gargalos evolutivos por que nossa espécie passou. Biologicamente, somos muito pouco diversos.

Daí se segue que é impossível fazer políticas de ação afirmativa para combater o racismo, que segue teimosamente existindo como fenômeno social? Não necessariamente. O IBGE e a própria lei de cotas original resolvem a dificuldade recorrendo à autodeclaração. Não há marcadores biológicos confiáveis para diferenciar grupos humanos, mas cada um pode perfeitamente dizer em qual categoria se coloca. A autodeclaração se torna então o critério de verdade relevante.

A fórmula alternativa, a heteroidentificação baseada em características fenotípicas, dada a inexistência de marcadores objetivos consistentes, não passa de um juízo estético que a banca profere sobre o candidato. Destruir os projetos de uma pessoa que se viu a vida inteira como negra e pôr-lhe a pecha de fraudadora a partir de mera manifestação de gosto é de uma crueldade ímpar.

Autorizar a heteroidentificação foi um dos grandes erros que o STF cometeu nos últimos anos.


Otávio Augusto deve voltar às novelas na continuação de 'Avenida Brasil', FSP

 

Otavio Augusto, que deve voltar às novelas em 'Avenida Brasil 2' - Marcus Leoni/Folhapress
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Aracaju

O ator Otavio Augusto, 81, deve ser convidado para fazer parte da continuação de "Avenida Brasil" (2012), que vai ao ar em horário nobre a partir de janeiro de 2027 na Globo. A emissora avalia uma participação do ator em capítulos específicos da novela.

Na primeira versão, Otavio fez Diógenes, presidente do Divino Futebol Clube, um dos principais núcleos da trama. Seu personagem é citado no primeiro tratamento da sinopse da continuação de João Emanuel Carneiro, mas ainda não há detalhes sobre sua aparição na nova fase da história.

Um facilitador é que Otavio ainda tem contrato fixo com a Globo. Ele faz parte daquele grupo de artistas que têm acordos vitalícios pelos serviços prestados à emissora. Nesse caso, os vínculos costumam ser renovados automaticamente.

Somente figuras importantes para a história da emissora têm esse privilégio, entre elas Susana Vieira, Suely Franco, Tony Ramos, Carlos Vereza, Mauro Mendonça e Rosamaria Murtinho. No jornalismo, Sergio Chapelin também tem acordo nos mesmos moldes.

Otavio não faz novelas desde 2023, quando fez uma breve participação em "Vai na Fé". Desde então, ele se dedica apenas ao teatro e é uma figura ativa nas redes sociais. Em abril, ele chegou a pedir para retornar em "Avenida Brasil 2".

"Avenida Brasil 2" está prevista para entrar no ar em 25 de janeiro de 2027. A direção será de Ricardo Waddington, contratado pela Globo especialmente para dirigir a nova empreitada de João Emanuel Carneiro.

Economia circular: Coalizão com 22 entidades lança manifesto nacional em defesa de política moderna e responsável para os plásticos,

 

Foto: Divulgação

Economia circular: Coalizão com 22 entidades lança manifesto nacional em defesa de política moderna e responsável para os plásticos

A indústria brasileira dá um passo importante nesta terça-feira (02/06) com o lançamento da Coalizão Brasil Circular, movimento que reúne 22 entidades representativas de setores estratégicos da economia em defesa de uma agenda moderna de economia circular e do uso responsável dos plásticos. A iniciativa nasce em meio ao avanço de discussões regulatórias no Congresso Nacional e no Executivo sobre restrições e banimentos de produtos plásticos, tema que mobiliza cadeias produtivas responsáveis por milhares de empresas, empregos e investimentos no País.

A coalizão reúne representantes da indústria de transformação plástica, bebidas, reciclagem, agronegócio, fibras sintéticas, tintas, insumos farmacêuticos e do setor químico como um todo. Entre os signatários estão entidades representativas de diferentes segmentos industriais e produtivos, reforçando o caráter multissetorial da iniciativa e a construção de uma agenda conjunta baseada em ciência, inovação, sustentabilidade e responsabilidade compartilhada.

O manifesto defende que a discussão sobre sustentabilidade e gestão de resíduos avance a partir de critérios técnicos, estudos de avaliação de ciclo de vida, neutralidade tecnológica e fortalecimento da infraestrutura de reciclagem, evitando abordagens consideradas simplistas ou desalinhadas da realidade produtiva brasileira.

Segundo a Coalizão Brasil Circular, políticas públicas voltadas à sustentabilidade precisam considerar impactos econômicos, capacidade produtiva, infraestrutura disponível e efeitos sociais ao longo de toda a cadeia. O grupo demonstra apoio ao Projeto de Lei nº 1.874/2022, que institui a Política Nacional de Economia Circular, mas manifesta preocupação com propostas que estabelecem restrições generalizadas ou banimentos de produtos plásticos sem avaliação técnica aprofundada, como o PL 258/2024 e o PL 2524/2022.

O manifesto alerta que medidas desconectadas da realidade industrial podem gerar perda de competitividade, aumento de custos, insegurança regulatória e impactos relevantes sobre emprego e produção. A coalizão também destaca que a indústria brasileira já avança de forma consistente em descarbonização, inovação e eficiência produtiva, apoiada por uma matriz energética majoritariamente renovável e por investimentos crescentes em redesign de produtos, logística reversa, reciclagem mecânica e reciclagem química.

 

Outro eixo central do documento é a defesa da responsabilidade compartilhada entre indústria, consumidores e poder público, além da ampliação da infraestrutura de coleta, triagem e reaproveitamento de resíduos. O grupo ressalta ainda a importância estratégica da reciclagem para o fortalecimento de cooperativas, a geração de renda e a inclusão produtiva.

 

A Coalizão Brasil Circular nasce em um momento no qual governos e empresas ao redor do mundo revisam políticas industriais, ambientais e regulatórias ligadas à transição para modelos produtivos mais sustentáveis. Para as entidades signatárias, o Brasil reúne vantagens competitivas relevantes para liderar essa transformação, incluindo base industrial robusta, capacidade tecnológica e uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta.

 

Assinam o manifesto: Associação Brasileira da Indústria de Álcalis, Cloro e Derivados (Abiclor), Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi), Associação Brasileira da Indústria de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades (Abifina), Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (Abir), Associação Brasileira de Produtores de Fibras Artificiais e Sintéticas (Abrafas), Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati), Associação Brasileira de Produtores de Fibras Poliolefínicas (Afipol), Conselho Federal de Química (CFQ), CropLife Brasil, Instituto Brasileiro do PVC (IBPVC), Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado do Rio de Janeiro (Simperj), Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado da Bahia (Sindiplasba), Sindicato da Indústria de Material Plástico, Transformação e Reciclagem de Material Plástico do Estado de São Paulo (Sindiplast), Sindicato das Indústrias Químicas no Estado do Rio Grande do Sul (Sindiquim), Sindicato das Indústrias Plásticas do Sul Catarinense (Sinplasc), Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do RS (Sinplast-RS) e Sindicato da Indústria de Produtos Químicos para fins Industriais do Estado do Rio de Janeiro (Siquirj).