segunda-feira, 11 de maio de 2026

Vila no Tatuapé que foi parcialmente demolida pode ser destombada em SP, FSP

 Priscila Mengue

São Paulo

Com a polêmica decisão sobre o "destombamento" da Escola Panamericana adiada e sem nova data oficial, o Conpresp (conselho municipal de patrimônio cultural) deve deliberar nesta segunda-feira (11) se vai revogar outro reconhecimento de um bem histórico da cidade de São Paulo: o da vila João Migliari, no Tatuapé, na zona leste.

O conjunto chamou a atenção em 2019, após ter sido quase totalmente demolido em meio à mobilização de uma parte dos antigos inquilinos e de outros apoiadores.

Prédio antigo de dois andares com janelas e portas desgastadas, algumas janelas sem vidro, localizado em área urbana. Fachada clara com sinais de desgaste. Ao redor, postes e fios elétricos visíveis, com semáforo vermelho. Ao fundo, prédios modernos altos de vidro e concreto.
Sobrados remanescentes da Vila João Migliari, no Tatuapé - Eduardo Knapp/Folhapress

O tombamento da vila é contestado pelos herdeiros do primeiro proprietário — Bruno Lembi, morto em 2015, aos 97 anos —, por meio da Voga Empreendimentos. A família chegou a contratar um arquiteto em 2019 para evitar o reconhecimento, mas não conseguiu, com decisão final do Conpresp em 2023.

A alegação é que o conjunto ficou descaracterizado após as demolições e não teria valor cultural tão significativo. A empresa foi procurada pela Folha, mas não quis comentar sobre o caso.

O recurso aberto pela Voga chegou a ser debatido em reunião do Conpresp em março de 2025, mas foi retirado de pauta após um dos integrantes pedir vista. Outra conselheira, representante da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento, chegou a apresentar proposta de destombamento da vila, com o argumento baseado na demolição de 55 das 60 casas.

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A decisão do Conpresp também avaliará parecer elaborado em novembro de 2024 por técnica do Departamento do Patrimônio Histórico, da prefeitura. O relatório indica a continuidade do tombamento e o fim da "área envoltória", que restringe construções no entorno imediato a até oito metros de altura. Hoje, um estacionamento funciona no local, enquanto um supermercado foi construído na esquina oposta.

Os cinco sobrados remanescentes da vila seguem esvaziados e com ares de abandono. Antes cafeteria, salão e outros tipos de serviço, foram majoritariamente esvaziados para a demolição de 2019 — exceto a barbearia-bar do inquilino que barrou a derrubada na Justiça, que deixou o espaço em 2020, na pandemia.

A vila foi construída nos anos 1950 pelo empresário Bruno Lembi. Era caracterizada pelos sobrados em cor salmão, geminados de cinco em cinco, com quintal nos fundos e muros baixos.

O tombamento definitivo foi aprovado em 2023, com cinco votos favoráveis, um contrário e duas abstenções. No estudo que embasou a deliberação, é destacado que mantinha grande parte das características originais — diferentemente de outras vilas, alteradas ao longo das décadas conforme são vendidas pelos donos originais.

Autor do pedido de tombamento sugere liberar prédios perto da vila

Autor do pedido de tombamento, o arquiteto e urbanista Lucas Chiconi critica o estado dos sobrados, que estavam em bom estado de conservação até 2019. "É uma estratégia para fazer com que pessoas do bairro enxerguem o tombamento como algo ruim. Mas não foi o tombamento que fez isso: quem fez foi o proprietário", diz.

Chiconi apoia, contudo, a revogação da área envoltória da vila, como uma alternativa para tentar salvá-la. Ele considera que, mesmo com novos prédios no entorno, as características da construção e a localização em uma esquina movimentada a manteriam em destaque.

"A relação das casas com a rua estaria preservada. Seria bom para todo mundo", analisa. Como exemplo, o palacete do shopping Pátio Higienópolis, no centro, e a Casa das Rosas, na avenida Paulista, são construções tombadas incorporadas a novos empreendimentos.

Sobre a votação no Conpresp, Chiconi considera que eventuais destombamentos da vila e da Escola Panamericana podem dar início a uma onda de decisões semelhantes. "Se isso acontecer, não será apenas com os sobrados. Está virando moda pedir destombamento", argumenta ele, que é integrante do Núcleo de Patrimônio do IAB-SP (Instituto de Arquitetos do Brasil).

Folha procurou a Secretaria Municipal de Cultura, que confirmou a votação sobre a vila nesta segunda e afirmou que a deliberação a respeito da Panamericana não tem data marcada. A pasta não comentou, contudo, as tentativas de destombamentos e críticas ao conselho — formado majoritariamente por representantes da prefeitura, parte deles sem formação em áreas ligadas ao patrimônio cultural.

Já o ex-inquilino da vila e também arquiteto e urbanista Carlos Vaz tem apresentado uma proposta para o espaço a vizinhos. Ele defende a transformação de parte dos sobrados no Centro Bruno Lembi, um observatório do patrimônio cultural da zona leste, inclusive da memória das vilas.

Ele aponta que é necessário voltar a dar uso aos sobrados e restaurá-los. "No momento, se encontram em estado de abandono, que, se permanecer por mais algum tempo, levará ao colapso das estruturas e, por consequência, à inevitável queda", avalia.

Assim como Chiconi, Vaz também diz não ser contrário à intensa verticalização do Tatuapé. Ressalta, porém, que a vila tem um papel de preservar um pedaço do passado do bairro.

Imagens de inspeção sanitária na fábrica da Ypê mostram marcas de corrosão, FSP

 Imagens da inspeção sanitária realizada no final de abril na fábrica da Ypê em Amparo, no interior de São Paulo, mostram os equipamentos usados na fabricação de detergente e lava-roupas com marcas de corrosão. Detalhes do relatório foram revelados na noite deste domingo (10) pelo Fantástico.

O resultado da inspeção levou a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) a suspender produtos da marca. Na quinta-feira (7) foi determinado o recolhimento de detergente, sabão líquido para roupas e desinfetante de todos os lotes com a numeração final 1 fabricados em Amparo.

O relatório mostra o estado de conservação do tanque de manipulação. Os fiscais teriam flagrado restos de produtos armazenados e devolvidos às linhas de envase.

Máquina industrial amarela e azul com acúmulo visível de resíduos e sujeira na base metálica e no chão ao redor.
Relatório da Anvisa mostra corrosão em equipamentos na fábrica da Ypê - Reprodução/Fantástico

Em nota enviada ao Fantástico, a Ypê afirmou que a inspeção não encontrou contaminação nos produtos. Informou também que possui controle de qualidade capaz de identificar e descartar itens que não seguem o padrão de qualidade exigido pela empresa.

Segundo a nota, as fotos que aparecem no relatório mostram áreas em que não há nenhum tipo de contato com os produtos e fazem parte de "um plano robusto de melhorias na fábrica", com mais da metade das ações já realizadas.

A inspeção foi feita durante quatro dias por técnicos da Anvisa, do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e da Vigilância Sanitária de Amparo). A decisão de suspensão foi tomada a partir de uma avaliação de risco sanitário.

Foram encontradas falhas nos sistemas de garantia de qualidade, produção e controle. São problemas que, de acordo com a Anvisa, indicam risco à segurança sanitária, com a possibilidade de "contaminação microbiológica, ou seja, presença indesejada de micro-organismos patogênicos".

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A Ypê apresentou recurso contra a medida e conseguiu um efeito suspensivo da proibição de fabricar e comercializar os produtos relacionados pela Anvisa.

Apesar disso, a agência informou que mantém a avaliação técnica de risco sanitário e orienta os consumidores a não usarem os itens. As ações serão julgadas pela diretoria colegiada da Anvisa nos próximos dias.

A Ypê tem a responsabilidade de orientar os consumidores por meio do SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) sobre os procedimentos de recolhimento, troca, devolução e ressarcimento.

Em comunicado publicado nas redes sociais, a empresa reconheceu os transtornos enfrentados por consumidores que tiveram dificuldade para entrar em contato e disse ter triplicado a capacidade de atendimento.