domingo, 8 de julho de 2018

Reforma política, falsa questão, FSP


Deixemos a política trabalhar; as reformas mais importantes já foram feitas


Em período eleitoral, é inevitável que diversos candidatos e seus assessores econômicos se pronunciem sobre a necessidade de reforma política —para muitos, "a mãe de todas as reformas"— e ataquem o presidencialismo de coalizão, ou de cooptação, ou ainda o toma-lá-dá-cá.
Infelizmente, o diagnóstico não está claro e muito menos o que exatamente fazer. Corre-se o risco de mudar tudo para ficar tudo como está.
O sistema político brasileiro tem essencialmente três problemas: excessiva fragmentação partidária, grande distância entre o representante e o representado e elevado custo de campanha.
O Congresso Nacional aprovou emenda constitucional, publicada no Diário Oficial em 4 de outubro de 2017, que produzirá nos próximos 12 anos forte queda da fragmentação partidária.
Os interessados podem ler o texto da emenda constitucional 97 no endereço aqui.

Sessão extraordinária na Câmara dos Deputados - Luis Macedo/Câmara dos Deputados
A emenda estabelece que a partir da eleição deste ano "terão acesso aos recursos do fundo partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão os partidos políticos que, na legislatura seguinte às eleições de 2018, obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 1,5% dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de 1% dos votos válidos em cada uma delas; ou tiverem elegido pelo menos nove deputados federais distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação".
Essa cláusula de desempenho aumentará até atingir, na eleição de 2030, "3% dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de 2% dos votos válidos em cada uma delas" ou "tiverem elegido pelo menos 15 deputados federais distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação".
Adicionalmente, a emenda constitucional 97 veda, a partir da eleição de 2020, a coligação partidária para o Legislativo.
Quando partidos ideologicamente distintos concorrem para o Legislativo —seja municipal, estadual ou federal— coligados, como ocorre hoje, frequentemente o eleitor vota em um deputado de esquerda e esse voto contribui para a eleição de um candidato de direita e vice-versa. Turva demais o processo eleitoral, enfraquece muito a opção partidária do voto para o Legislativo e concorre para elevar a fragmentação partidária.
A manutenção das novas regras reduzirá muito, ao longo da próxima década, a fragmentação partidária.
Adicionalmente, foram aprovados um fundo público de R$ 1,7 bilhão e o fim da contribuição empresarial. A contribuição de pessoas físicas é permitida até certo limite.
Ou seja, nossas novas regras atacam dois dos três principais problemas de nosso sistema político. Apesar de aparentemente pouco ambiciosa, a reforma política de outubro passado é consensual entre os estudiosos do assunto, os cientistas políticos, e foi aprovada pelos profissionais do tema, os políticos, além de ser muito positiva.
Parece melhor deixar em paz o sistema político e que a passagem do tempo melhore seu funcionamento. Deixemos a política trabalhar. As reformas mais importantes já foram feitas.
Os assessores econômicos dos candidatos à Presidência precisam se debruçar sobre os alarmantes números fiscais e desenhar o ajuste fiscal que vão propor à sociedade.
*
Futebol é um jogo que imita a vida. Ou será o contrário? Por isso gostamos tanto.
Samuel Pessôa
Pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (FGV) e sócio da consultoria Reliance. É doutor em economia pela USP.

São Paulo é o quarto maior estado produtor de bens minerais do país em 2017, Sec Energia

Brita, areia, água mineral, calcário, argila e fosfato representam 95% da arrecadação da Cfem




A Secretaria de Energia e Mineração divulgou nesta quinta-feira, 5 de julho, o Informe Mineral do Estado de São Paulo 2018, ano base 2017. Segundo o estudo, o Estado se manteve como o quarto maior produtor de bens minerais do Brasil. O ranking é elaborado de acordo com a arrecadação da Cfem – Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais.
São Paulo arrecadou no ano passado R$ 56,3 milhões, valor 2,5% inferior ao ano anterior. O setor de construção, responsável por 70% do total arrecadado, puxou a queda com a diminuição da produção de brita, areia, calcário e argila.
A arrecadação deste ano não estará diretamente relacionada com os fatores de retomada econômica como explica o secretário de Energia e Mineração, João Carlos Meirelles. “Com a nova legislação da Cfem que alterou as alíquotas de incidência do recolhimento, a base de cálculo e a participação na distribuição entre estados e municípios, teremos um novo ciclo na arrecadação onde novos patamares serão definidos”.
O valor bruto das operações durante 2017 chegou a R$ 3,2 bilhões em bens minerais faturados para diversas cadeias produtivas da indústria estadual.
A produção de água mineral apresentou um crescimento de 22% na arrecadação da Cfem em relação a 2016, aumentando a sua participação na arrecadação global de 17% para 21%.
A parte da arrecadação destinada ao Governo do Estado foi de R$ 12,9 milhões, já os municípios paulistas produtores de bens minerais ficaram com R$ 36,6 milhões. O governo federal ficou com R$ 6,8.
O grupo formado por brita, areia, água mineral, calcário, argila e fosfato representam 95% da arrecadação ficando todos os demais bens minerais com 5%.
Cajati continua sendo o município que mais produz minerais no Estado de São Paulo. A cidade da região de Registro conta com a empresa Vale que tem capacidade produtiva de fosfato bicálcico de 635 mil toneladas. Em segundo lugar aparece o município de São Paulo que produz brita e água mineral, seguido de Mogi das Cruzes que é um importante produtor de brita e areia.
Dos 645 municípios paulistas, 15 deles respondem por aproximadamente 46% do total arrecadado pela Cfem no Estado conforme a tabela abaixo.
Maiores Arrecadadores

Arrecadador (Município)
Operação (R$)
Arrecadação (R$)
Participação no Estado (%)
1
CAJATI
             213.631.859
        4.194.121
7%
2
SÃO PAULO
             218.413.838
        2.977.278
5%
3
MOGI DAS CRUZES
             173.529.309
        2.934.515
5%
4
CAMPOS DO JORDÃO
             125.712.947
        2.516.418
4%
5
SALTO DE PIRAPORA
             100.886.960
        1.967.605
3%
6
BAURU
               87.066.068
        1.741.428
3%
7
ANALÂNDIA
               98.280.542
        1.560.763
3%
8
RIO CLARO
               67.145.517
        1.488.278
3%
9
DESCALVADO
               75.479.661
        1.265.457
2%
10
LINDÓIA
               41.415.367
        1.155.186
2%
11
JUNDIAÍ
               59.617.386
            942.966
2%
12
TAUBATÉ
               44.484.436
            925.425
2%
13
GUAPIARA
               33.156.882
            812.574
1%
14
JAMBEIRO
               22.101.475
            756.747
1%
15
BARUERI
               37.133.590
            753.893
1%
No ano passado, Minas Gerais foi responsável por 42% da arrecadação total, seguido por Pará com 37%, Goiás com 5% e São Paulo com 3%. A Cfem é recolhida pelas empresas à ANM – Agência Nacional de Mineração, que sucede o DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral.
Abaixo a tabela com as dez substâncias que mais arrecadaram Cfem para o Estado e o país durante o período de 2017.
Substância
Quantidade Títulos
Arrecadação CFEM                  R$
Participação no Estado
Participação no Brasil
1
Água Mineral
161
                 11.629.081
21%
29%
2
Areia
779
                 10.738.558
19%
46%
3
Granito
81
                    7.208.314
13%
20%
4
Calcário
30
                    5.273.708
9%
11%
5
Basalto
63
                    4.474.936
8%
27%
6
Apatita
1
                    3.759.993
7%
27%
7
Argila
276
                    2.539.590
5%
33%
8
Gnaisse
12
                    1.335.606
2%
11%
9
Diabásio p/ Brita
10
                    1.318.182
2%
80%
10
Areia de Fundição
9
                    1.050.120
2%
61%

Mineração em São Paulo
O Estado de São Paulo também é o maior consumidor de bens minerais e o principal produtor de equipamentos e insumos para a indústria mineral, empregando mais de 200 mil trabalhadores.
Segundo a ANM, o Estado possui mais de 3 mil áreas habilitadas para atividade de mineração. Só a Região Metropolitana de São Paulo recebe, diariamente, mais de 9 mil carretas de areia e brita. Diferentemente de outros estados, predominantemente exportadores, São Paulo é o destino final destes insumos, gerando riqueza e renda local.
A Subsecretaria de Mineração da Secretaria de Energia e Mineração tem o objetivo de garantir, de forma sustentável, o suprimento de insumos minerais para a indústria, construção e agricultura, além de incentivar a modernização tecnológica na pesquisa, produção e beneficiamento mineral.

Indústria puxa crescimento de 10% no consumo de gás natural no Estado de São Paulo em 2017, Sec Energia

Aumento da produção tem sido progressivo desde 2011 e se acentuou com a exploração do pré-sal a partir de 2014

Responsável por 87% de todo o gás natural utilizado em São Paulo, a indústria teve papel decisivo no aumento de 10,7% do consumo de gás de todo o Estado em 2017, atingindo a marca de 5  bilhões de m³ (metros cúbicos). Os dados foram divulgados pela Secretaria de Energia e Mineração nesta quinta-feira, 5 de julho.
O segmento de alimentos e bebidas apresentou o maior crescimento de todo o setor industrial, com alta de 38,1%. A única área que registrou redução foi a química, com baixa de 0,3%.
Para João Carlos Meirelles, secretário de Energia e Mineração do Estado de São Paulo, “o gás natural é um energético seguro e que possui baixa emissão de poluentes. Com o crescimento da produção de gás no pré-sal, estamos trabalhando para aumentar o consumo não só para o setor residencial e industrial, mas também para a geração de energia elétrica”, explica.
O setor residencial aumentou em 6,8% o consumo com o total de 267 milhões de m³. Devido a ampliação da conexão das residências à rede de gás canalizado, nos últimos 10 anos esse setor registrou aumento no consumo de 89,4%.
O comércio utilizou 152 milhões de m³ em 2017, alta de 6,3%. Tanto o setor comercial quanto o industrial apresentaram crescimento nos últimos 10 anos.
A produção de gás natural no Estado em 2017 foi de 6,2 bilhões de m³, um aumento de 6,4% em relação ao ano anterior.
Expansão da rede de gás
Foi aprovado no Cepe, em 2016, o plano de expansão do gás canalizado do estado juntamente com as concessionárias Comgás, GasBrasiliano e Gás Natural Fenosa. Até 2029 a rede paulista irá ampliar de 143 para 285 o número de municípios atendidos com gás canalizado.
Novas termelétricas
 A Emae – Empresa Metropolitana de Água e Energia, vinculada à Secretaria de Energia e Mineração, assinou em março de 2018 contrato de formação de consórcio com a empresa Gasen, que construirá uma usina termoelétrica a gás natural na sede da estatal, localizada no bairro de Pedreira, zona sul da Capital.
Com investimento de R$ 5 bilhões por parte da Gasen, o consórcio público-privado terá ainda como parceira a alemã Siemens que será responsável pelo fornecimento de equipamentos da ilha de potência e subestação, além de dar suporte técnico e comercial na configuração da usina. A Emae fará parte do consórcio fornecendo a infraestrutura local com terreno, facilidade de conexão ao gasoduto e à rede de alta tensão, e realizando o licenciamento ambiental do empreendimento.
A estimativa é que o parque térmico consuma cerca de 6 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, ampliando o consumo de gás natural do estado que atualmente está em 19 milhões de metros cúbicos por dia. A usina deverá entrar em operação em 2024.
Gás natural em São Paulo
São Paulo é o maior consumidor de gás natural do Brasil. O Estado está apostando no gás natural como o insumo de transição para as energias renováveis e na garantia da segurança energética do maior parque industrial do Brasil.
O Estado está dividido em três áreas de concessão de distribuição de gás canalizado, sendo atendido pelas empresas Comgás, Gás Brasiliano e Gás Natural Fenosa.
São Paulo conta com uma extensa rede de gasodutos, que trazem o gás natural da Bolívia e da Bacia Santos para o consumo local e também para o transporte desse gás para o sul do país, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Ao todo, São Paulo possui 18.694 mil quilômetros de rede de gasodutos que atende 143 cidades.