A Secretaria de Energia e Mineração de São Paulo divulgou nesta quinta-feira 5 de julho, levantamento que mostra que a energia elétrica consumida no Estado em 2017 registrou aumento de 1,9%, em relação ao ano anterior. O setor industrial, responsável por 42% do mercado de eletricidade paulista, puxou o crescimento com alta de 2%. As residências, responsáveis por 26% do consumo, apresentaram uma elevação de 2,3% e o comércio variou positivamente 0,8% no período.
“Esse é o segundo ano consecutivo que o consumo de energia registra aumento no estado de São Paulo, o que mostra a retomada da atividade industrial e a volta da confiança da população”, explica o secretário de Energia e Mineração, João Carlos Meirelles.
A energia elétrica total utilizada em São Paulo no ano passado totalizou 148.321 gigawatt-hora (GWh), contra 145.515 GWh em 2016. O setor industrial consumiu no ano passado 61.991 GWh, seguido pela classe residencial com 38.988 GWh utilizados e o comércio com 28.185 GWh.
Os demais setores (agropecuário, setor público e transportes) correspondentes a 11% do total, consumiram 15.731 GWh em 2017, volume que representou um aumento de 9% em relação ao ano anterior.
O consumo paulista ainda está 3,2% abaixo do recorde de utilização de energia, que ocorreu em 2013 quando foram consumidos 153.147 GWh.
Já a geração de eletricidade apresentou expressivo crescimento devido a significativa recuperação nos volumes de água nos reservatórios paulistas, o que provocou o desligamento das usinas térmicas a gás natural entre fevereiro e dezembro do ano passado.
São Paulo produziu no ano passado 74.899 GWh de energia elétrica, aumento de 11,1% em relação ao ano anterior. O estado exportou 15.642 GWh e importou outros 100.479 GWh.
Estado registrou uma produção média de 328,6 mil barris de petróleo por dia
Com a entrada em produção dos poços de petróleo do pré-sal na bacia de Santos, o Estado de São Paulo vem registrando nos últimos 10 anos aumento significativo da atividade. Em 2017, São Paulo teve uma média de 328.689 barris de petróleo por dia, alta de 17,3% em relação ao ano anterior. A produção nacional registrou aumento de 4,4%. A informação foi divulgada nesta sexta-feira, 6 de julho, pela Secretaria de Energia e Mineração do Estado de São Paulo.
A atividade no litoral paulista foi incrementada com a entrada em operação do campo de Lapa localizado no pré-sal, fazendo com que a participação paulista atingisse no ano passado a marca de 12,5% da produção nacional de petróleo.
“São Paulo já é o segundo maior produtor de petróleo e gás do Brasil e a tendência é de crescimento nos próximos anos. Temos que aproveitar essa oportunidade que irá fomentar toda a cadeia produtiva do setor, não só no litoral, mas também no interior, gerando novos empregos e aumentando a arrecadação das prefeituras por meio dos royalties”, destaca o secretário de Energia e Mineração do Estado de São Paulo, João Carlos Meirelles.
O refino paulista apresentou recuo de 1,7% no período, passando de 780,2 mil barris por dia em 2016 para 767,1 mil em 2017. O refino brasileiro apresentou queda de 4,3%.
São Paulo responde pela produção dos principais derivados de petróleo como gasolina, diesel, óleo combustível, GLP – gás liquefeito de petróleo, querosene de aviação, coque e nafta, que abastecem o mercado nacional. As quatro unidades paulistas refinaram no ano passado 42% do petróleo brasileiro.
O Estado conta com mais de 40% da indústria nacional de fabricantes de equipamentos e prestadores de serviços para o setor. Para dar maior competitividade à indústria paulista de petróleo e gás natural o Governo de São Paulo publicou em 30 de junho deste ano um decreto que estabelece que os bens e mercadorias do setor produzidos em São Paulo e vendidos para outros estados também terão isenção de ICMS.
Passaram a ter o benefício os itens incorporados aos bens que garantam a operacionalidade dos produtos utilizados na exploração e produção de petróleo e gás. As ferramentas utilizadas na manutenção também recebem o mesmo incentivo.
Cidade recebe um terço dos recursos do petróleo de São Paulo; prefeitura ganhou sede nova, mas moradores reclamam de falta de infraestrutura
Renée Pereira, Enviada Especial / ILHABELA (SP), O Estado de S. Paulo
24 Setembro 2017 | 05h00
Foto: Werther | ESTADÃO CONTEÚDO
Enquanto a maioria dos municípios brasileiros amarga uma grave crise fiscal, sem dinheiro para nada, a turística Ilhabela, no litoral paulista, vê suas receitas se multiplicarem ano após ano. Desde que entrou para o rol dos “novos ricos” do pré-sal, a cidade virou uma fábrica de inaugurações. Só neste mês, a prefeitura entregou para a população nove novas obras, que vão de pontes e quadras poliesportivas a pavimentação de ruas.
Essa tem sido a rotina da prefeitura desde que o Campo de Sapinhoá, na Bacia de Santos, entrou em operação em 2013. Hoje, Ilhabela é a cidade que mais recebe royalties do petróleo em São Paulo, com 32,5% de todo o volume do Estado.
Para se ter uma ideia do avanço, no 1.º semestre de 2011, a cidade arrecadou com royalties R$ 21,385 milhões e no 1.º semestre deste ano, foram R$ 148,202 milhões, um aumento de 593%.
“Os royalties já representam 70% do nosso orçamento; hoje somos reféns desses recursos.”, afirma o prefeito Márcio Tenório PMDB), eleito no ano passado. Segundo ele, sem esse dinheiro, a prefeitura só teria caixa para pagar os salários funcionários, que consomem 27% do orçamento. “Por isso, temos de trabalhar bem o destino desses recursos, porque ele tem prazo de validade.”
Há, no entanto, controvérsias em relação à escolha dos projetos. Enquanto a ala empresarial elogia as melhorias na aparência da cidade, os moradores reclamam da falta de infraestrutura. Uma parte dos grandes investimentos feitos até agora beneficia a área turística da cidade, que ganhou cara nova nos últimos anos.
As mudanças aparecem já na entrada de Ilhabela com uma enorme escultura, em aço, do artista Gilmar Pinna. A obra faz parte do projeto de revitalização que padronizou as calçadas na praça, fez o alargamento das vias e um estacionamento. O projeto custou R$ 9 milhões e foi inaugurado no ano passado.
A cidade, conhecida como a capital da vela, também ganhou uma sede nova para a prefeitura, o empreendimento consumiu outros R$ 17 milhões. Inaugurado em 2016, o complexo suntuoso chama a atenção pelo tamanho e por ser construído em vidro espelhado. No total, são sete blocos que abrigam as secretarias municipais, o gabinete do prefeito e um auditório.
Bem cuidada. Nas ruas da ilha, de 35 mil habitantes, tudo parece em ordem. Os imóveis são bem cuidados, as pontes são novas, a ciclovia ganhou alguns quilômetros a mais e os ônibus têm ar-condicionado e Wi-Fi. “Percebemos que houve muita melhora nos últimos anos, especialmente para o turista. Há calçamento nas ruas do centro e os prédios públicos estão bem cuidados”, afirma Daniel Juliano Fernandes, trabalhador de um hostel na Praia de Perequê.
O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Ilhabela, Wilson Santos, diz que também houve grandes avanços na parte de eventos promovidos pela prefeitura na baixa temporada, o que ajuda o comércio local. O Miss Brasil 2017, por exemplo, foi realizado na ilha.
Para os moradores, porém, é hora de melhorar a infraestrutura dos bairros onde vivem. “Até agora só vimos o investimento na parte de turismo; nos bairros, as coisas continuam igual”, afirma Dioneia Conceição Afonso. A reclamação é compartilhada por Patrícia Gonçalves, trabalhadora de uma banca de jornal. “A estrutura das escolas também precisa melhorar; tem dia que pedem até papel sulfite.”
O prefeito Márcio Tenório garante que essa é a bandeira da gestão atual. “Vamos transformar a cidade com os royalties”, diz ele, referindo-se ao novo plano plurianual e criticando a administração anterior. Na semana passada, uma das obras inauguradas por ele foi a pavimentação de ruas nos bairros. Outra iniciativa foi destinar 10% da arrecadação dos royalties para saneamento básico. Hoje, apenas 42% dos moradores da cidade têm rede de esgoto. Neste ano, já serão aplicados R$ 27 milhões em uma nova estação de tratamento de esgoto. Em 2018, serão investidos outros R$ 83 milhões.
“Em quatro anos, queremos universalizar os serviços de saneamento básico”, diz o prefeito. Outra medida será regularizar a questão fundiária. A cidade tem 15 núcleos de moradias irregulares. A meta da prefeitura é zerar o déficit habitacional, de 700 casas. “Acabamos de lançar um pacote de R$ 41 milhões em obras; isso significa geração de emprego e renda para a população local.”