sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Mara Gabrilli rebate André do Prado e diz que ele desconhece trabalho de senadores, FSP

 A senadora Mara Gabrilli (PSD-SP) rebateu nesta sexta-feira (4) o candidato André do Prado (PL), que afirmou, em evento em São Caetano (SP), que os atuais representantes do estado são desconhecidos e distantes da população.

Uma mulher com cabelo longo e castanho claro está sorrindo enquanto fala em um microfone. Ela usa uma blusa azul e parece estar em um ambiente de audiência, possivelmente no Senado. Ao fundo, outras pessoas estão visíveis, algumas segurando documentos e outras com celulares. Há também um frasco de desinfetante sobre a mesa.
A senadora Mara Gabrilli participa de reunião em comissão da Casa - Edilson Rodrigues/Agência Senado

"André do Prado parece estar preocupado demais em criticar os outros para tentar se sobressair. Deve estar faltando trabalho na vida dele", disse ela.

Como mostrou o Painel, Prado, candidato ao Senado, ironizou em evento na quarta-feira (2) os três parlamentares na Casa, perguntando se alguém na plateia sabia quem eram. A crítica incluiu, além de Mara, um filiado a seu próprio partido, Marcos Pontes, e Alexandre Giordano (Podemos).

Segundo a senadora, que não disputará a reeleição e buscará mandato de deputada estadual, sua atuação "fala por si".

"Ao longo da minha trajetória no Congresso, já foram mais de mil proposições legislativas com impacto real na vida da população brasileira, sem contar os mais de R$ 760 milhões destinados ao nosso estado, levando recursos para municípios de todas as regiões e ajudando prefeitos a tirar projetos do papel", declarou. Ela acrescentou que recentemente destravou novos empréstimos para a capital.

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"Acho uma pena que ele não acompanhe nada disso —ainda mais para quem quer ser senador. Antes de querer ocupar uma cadeira no Senado, talvez seja melhor estudar o que um senador faz e conhecer o trabalho de quem já está lá", afirmou.

Tarifa Zero deixa de ser tabu e se torna política pública, Mauro Calliari, FSP

 Em 1991, São Paulo poderia ter sido a primeira cidade brasileira a adotar a Tarifa Zero. Na época, o transporte público era caótico e irregular, com filas gigantescas, ônibus velhos e até veículos clandestinos.

A então prefeita Luiza Erundina reorganizou as linhas e alterou a forma dos contratos de concessão. E bancou a proposta da Tarifa Zero, feita pelo secretário de Transportes Lucio Gregori e sua equipe, que nunca havia sido discutida no Brasil até então.

Para financiar isso, a solução foi propor um aumento progressivo do IPTU. O projeto de lei não chegou nem a ser votado na Câmara dos Vereadores. No livro "Tarifa Zero, a cidade sem catracas", os autores do projeto contam que a ideia tinha muito apoio popular, mas não político, numa época em que nem se falava disso.

Dois ônibus azuis e brancos estão parados em uma rua. Ambos exibem adesivos grandes com a frase 'Tarifa Zero Transporte Para Todos'. Ao fundo, há placas de sinalização e postes de energia.
A mobilidade virou direito constitucional; no Brasil, já há mais de 170 cidades que implantaram a Tarifa Zero - Divulgação/Prefeitura de Vargem Grande Paulista

Talvez hoje a proposta tivesse mais chance de avançar. Trinta e cinco anos depois, o cenário mudou e o que era novidade já não causa furor.

No Brasil, já há mais de 170 cidades que implantaram a Tarifa Zero. Trata-se, na maioria, de pequenos municípios, mas, somados, já alcançam uma população equivalente à do Rio de Janeiro. Nove capitais já implantaram algum tipo de gratuidade parcial, além daquelas que já existem, para idosos e estudantes, por exemplo.

São Paulo zerou a tarifa aos domingos. Belo Horizonte tem um interessante programa de gratuidade nas linhas que circulam pelas favelas da cidade. O direito ao transporte foi incluído na Constituição em 2015 e o tema já é debatido no governo federal sem provocar reações de espanto.

Sabia-se que havia demanda reprimida, mas poucos imaginavam que algumas cidades veriam aumentos de até três vezes no número de passageiros. Em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, o sucesso foi tão grande que a prefeitura tomou recentemente a decisão de restringir o benefício apenas a moradores da cidade. Em São Paulo, o número de passageiros aos domingos aumentou 30%.

Pode ser que alguns estejam apenas experimentando a novidade, mas, se se confirmar no médio prazo, essa explosão de passageiros talvez exprima de fato a triste realidade: muita gente, principalmente nas regiões periféricas, deixa de sair para fazer atividades essenciais por falta de dinheiro para uma simples condução.

E o financiamento?

Uma coisa é Maricá (RJ), com receita garantida pelos royalties do petróleo, oferecer transporte gratuito. Outra é considerar as dificuldades de caixa dos municípios brasileiros. Nas metrópoles, a complexidade é ainda maior, com proximidade entre os municípios e desintegração tarifária, sem nem considerar o metrô.

Estudos sugerem que é possível misturar formas de financiamento, usando o vale-transporte e financiamento federal. Fora do Brasil, cidades como Paris dividem o custo entre empresas, governo e o usuário.

O interessante é que há benefícios indiretos da Tarifa Zero, medidos em um estudo da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos). Em Caucaia (CE), o faturamento no comércio aumentou 25%. Em Paranaguá (PR), o número de acidentes no trânsito caiu 40%. Em São Caetano do Sul, comprovaram até que há menos cancelamentos nas consultas no SUS.

Talvez não seja possível nem desejável implantar a Tarifa Zero universal no curto prazo. Entretanto, vale lembrar que várias prefeituras já estão, na prática, arcando com o subsídio às tarifas há anos.

Em São Paulo, por exemplo, desde os movimentos de junho de 2013, o tema de aumento das tarifas virou um tabu tão grande que a prefeitura vem aumentando o subsídio, hoje na faixa dos R$ 6 bilhões anuais, pago diretamente às empresas de ônibus, para não ter que se desgastar com aumentos polêmicos no preço das passagens.

É melhor encarar o problema que escondê-lo. Nos últimos anos, aumentou o número de pessoas que se deslocam em motos ou automóveis em detrimento dos ônibus. Para desafogar as cidades e incluir as pessoas que hoje nem saem de casa, o transporte público, além de preço acessível, precisaria de novos modelos de contratos, qualidade e prioridade. Parece urgente permitir o acesso à cidade a quem não tem.


Ministério Público cita Farma Conde, Rumo e Cosan em investigação sobre ICMS em SP- FSP

 

Brasília

O presidente Lula (PT) avalia a possibilidade de indicar o nome do governador interino do Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto, para o STF (Supremo Tribunal Federal), no lugar do ministro Jorge Messias, na tentativa de debelar a crise que hoje assola a corte.

Apoiadores da ideia argumentam que a indicação de Couto seria uma demonstração de respeito institucional por parte de Lula, uma vez que, temporariamente, ele abriria a mão da indicação do ministro-chefe da AGU (Advocacia-Geral da União) em prol da pacificação do Judiciário.

Para dimensionar a magnitude do gesto, esses petistas lembram que o governador do RJ não compõe o círculo de amizades do presidente, enquanto Messias é um aliado leal.

Homem de terno escuro, camisa branca e gravata azul fala em microfone. Atrás dele, homem com barba branca usa chapéu claro e camisa branca, olhando para baixo.
O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, discursa em evento com Lula - Eduardo Anizelli - 28.jul.26/Folhapress

Mas a escolha de Couto poderia se converter em capital político no terceiro maior colégio eleitoral do país. Após quatro meses de gestão, o governador interino tem o seu trabalho aprovado por 47% dos eleitores fluminenses e reprovado por 31% de acordo com a mais recente pesquisa Datafolha.

Ainda segundo auxiliares do presidente, o nome de Couto vinha sendo cogitado há cerca de dois meses e voltou à mesa após a eclosão de novo confronto entre ministros. A informação sobre eventual indicação do governador em exercício ao STF foi publicada inicialmente pela CNN e confirmada pela Folha.

Lula tem elogiado, publicamente, a atuação do desembargador como interventor no estado. No mês passado, durante ato em Bangu, o presidente chegou a falar que o magistrado está fazendo uma limpa do Rio.

O petista disse que, caso chegue ao Palácio Guanabara, Eduardo Paes (PSD) terá de continuar a "limpeza" realizada por Couto. O desembargador assumiu o Executivo em março, após a renúncia de Cláudio Castro (PL), e determinou revisão em contratos e exonerações.

Apesar dos elogios, a retirada de Messias significaria amarga derrota para o presidente, que declarou a intenção de reapresentar seu nome para a vaga após rejeição no Senado. Por isso, entre aliados de Lula, há quem defenda que essa desistência seja acompanhada da demissão do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Na avaliação de uma ala do governo, embora conte com a confiança do presidente, Andrei está perdendo as condições de liderar a corporação, que segundo esses aliados do presidente está contaminada pelo bolsonarismo. O alinhamento do diretor-geral com uma ala do STF —integrada pelos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes— também tem sido alvo de críticas no Palácio do Planalto.

Na terça-feira (1º), essa afinidade foi evidenciada quando Gilmar procurou Lula para cobrar apoio do governo à cúpula da PF. A cobrança se deu em meio a uma queda de braço entre Andrei e o ministro André Mendonça, do STF, sobre a condução das investigações do Banco Master. O caso ganhou novos contornos após Mendonça determinar a elaboração pela PF de um relatório que expôs trocas de mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo relatos, na conversa com Lula, o decano do STF afirmou que existe uma disfuncionalidade nas relações entre PF e a Advocacia-Geral da União e o Ministério da Justiça, este chefiado por Wellington César Lima e Silva.

Integrantes da cúpula da Polícia Federal dizem ver omissão da AGU (Advocacia-Geral da União) nos atritos entre a corporação e Mendonça. O órgão comandado por Jorge Messias, por sua vez, tem apontado que a PF propõe medidas que poderiam resultar na anulação de investigações sobre o Banco Master.

A troca de acusações é o último capítulo da disputa que escalou entre a AGU e a PF nos últimos meses. O embate começou quando a Polícia Federal passou a demandar que a AGU atuasse perante o Supremo para tentar reduzir o controle do ministro Dias Toffoli sobre os inquéritos dos quais ele era relator.

Com aval de Lula, a AGU, responsável por representar juridicamente a União, tem se manifestado de forma contrária a esse tipo de demanda.

Como essa é apontada como uma atribuição do Ministério Público, o presidente poderia ser acusado de tentativa de interferência em outro poder se a AGU atuasse no caso. Prevalece o argumento de que o governo não pode ser arrastado para uma crise que não é sua.

Messias já tentou articular uma solução consensual para o conflito e marcou em agosto uma reunião entre Mendonça e o ministro Wellington Lima e Silva. Andrei Rodrigues não esteve no encontro.

Segundo aliados do presidente, a estratégia dessa ala do STF tem sido articulada em reuniões e cafés que contam com a participação do diretor-geral da PF. Sua presença numa articulação que inclui críticas a ministros de Lula tem sido encarada como um incentivo à crise no tribunal.

Na opinião de colaboradores de Lula, para dar um freio de arrumação, Lula seria obrigado a sacrificar dois aliados, hoje em lados opostos da contenda: Messias e Andrei.

Lula tentou se distanciar da crise, mais uma vez sob argumento de que não deve interferir em outro poder. Mas acabou se manifestando após conversas com o presidente do STF, Edson Fachin, e Gilmar Mendes.

A rixa entre ministros do STF se agravou após a rejeição do nome de Messias para o tribunal, em uma articulação atribuída, dentre outros, ao triunvirato composto por Gilmar, Moraes e Flávio Dino.

Incomodado com o que descrevia como uma usurpação da caneta presidencial, Lula reivindicou seu direito de indicar o ocupante da cadeira deixada por Luís Roberto Barroso.

Nas conversas, ele ressaltava ainda o preparo técnico do advogado-geral da União, que contava com o apoio explícito de Mendonça e do ministro Kassio Nunes Marques. Sua derrota acirrou o clima de desconfiança na corte.

A crise explodiu a um mês do primeiro turno. E Lula foi aconselhado a agir na tentativa de impedir que o conflito dite a agenda eleitoral.