quarta-feira, 4 de março de 2026

Empresas gastam mais de R$ 50 bilhões em ações trabalhistas em um ano pela 1ª vez na história, OESP

 BRASÍLIA — As empresas brasileiras pagaram R$ 50,7 bilhões em ações trabalhistas em 2025, o maior valor da história, segundo dados oficiais da Justiça do Trabalho. Foi a primeira vez que os valores pagos ultrapassaram a marca de R$ 50 bilhões.

O aumento acompanha o crescimento de ações trabalhistas, que bateu mais um recorde no período pós-reforma trabalhista. Foram 2,3 milhões de novos processos nas varas do trabalho em 2025 — um aumento de 8,7% em relação ao ano anterior (2,1 milhões).

Procurados, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) e o Ministério do Trabalho não comentaram.

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O pico de processos ocorreu em 2016, quando 2,76 milhões novas ações foram apresentadas. Após a reforma trabalhista — aprovada em 2017, no governo Temer —, a judicialização caiu.

A mudança consolidou a possibilidade de acordos entre empresas e empregados e flexibilizou uma série de instrumentos, como trabalho intermitente, terceirização e horas extras.

Em 2021, porém, o número de processos voltou a aumentar. O motivo apontado por especialistas foi uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A reforma havia obrigado quem perdesse ações na Justiça a pagar os custos do processo, como perícias e honorários da outra parte. O STF derrubou essa norma para pessoas de baixa renda, beneficiárias da justiça gratuita.

Uma norma instituída pelo TST facilitou ainda mais a judicialização, segundo analistas. A Corte permitiu que pessoas acessassem a justiça gratuita por mera autodeclaração, sem comprovação dos bens e da real necessidade financeira. Um estudo do sociólogo José Pastore mostrou que pessoas ganharam o benefício por meio desse instrumento mesmo ostentando riquezas.

“É legítimo se a sociedade escolher que o acesso ao poder jurisdicional é gratuito, como é a saúde, como é o SUS; mas a escolha da sociedade foi que isso só vale para os mais pobres. Aí vem essa confusão toda: quem é pobre?”, afirma o juiz do Trabalho Rogério Neiva, ex-auxiliar da Vice-Presidência do TST.

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Os valores pagos pelas empresas em 2025 correspondem a acordos (R$ 22,4 bilhões), condenações executadas (R$ 22 bilhões) e pagamentos espontâneos após as decisões judiciais (R$ 6,2 bilhões). Se forem considerados os tributos pagos como contribuição previdenciária e Imposto de Renda, os valores somam mais R$ 6,7 bilhões.

Em termos de comparação, o gasto das empresas supera o orçamento da Justiça do Trabalho em 2025, de R$ 30 bilhões . “Houve uma época em que os valores empatavam”, observa Neiva.

Julgamento no STF pode limitar acesso à justiça gratuita e diminuir ações

O STF julga a concessão da justiça gratuita por autodeclaração em um processo, que pode limitar o acesso a esse tipo de benefício e, consequentemente, a judicialização. A ação evoluiu e passou a questionar até mesmo quem pode ter acesso à justiça gratuita.

A gratuidade é dada hoje a quem recebe até 40% do teto da Previdência (R$ 3.262,96). Quem recebe acima desse valor também pode ter acesso, se o pagamento comprometer sua sustentabilidade financeira.

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Em junho do ano passado, o relator do caso, ministro Luiz Edson Fachin, defendeu o acesso por autodeclaração. Em novembro, o ministro Gilmar Mendes propôs o benefício para quem ganha até R$ 5 mil por mês. O julgamento ainda não terminou.

“Se houver aspectos objetivos ou regras objetivas, não seria mais tão simples para quem recebe acima do teto do INSS litigar e ter reconhecida a justiça a gratuita. Às vezes, em ações de R$ 1 milhão, R$ 2 milhões, altos executivos conseguem a justiça gratuita com a mera declaração de hipossuficiência”, diz o advogado Aloizio Ribeiro Lima, sócio da prática Trabalhista do escritório Lefosse.

Segundo o especialista, o crescimento também é explicado pelo avanço da informalidade e de outros tipos de ações além das tradicionais (que são por horas extras, adicionais de insalubridade e periculosidade e verbas rescisórias) que começaram a tramitar no Judiciário, como processos decorrentes de doenças psicossociais.

O aumento dos processos pode diminuir a partir deste ano por conta de outra ação no STF, a que discute a pejotização. “Há possibilidade de compreensão de novas modalidades de relação de emprego que não seja a CLT isso também pode reduzir drasticamente o volume de processos no Judiciário trabalhista. Ainda assim, temos recordes mundiais”, afirma Lima.

Daniel Vorcaro, do Banco Master, é preso em nova fase da operação Compliance Zero, FSP

 

Brasília

O dono do Banco MasterDaniel Vorcaro, voltou a ser preso nesta quarta-feira (4) em nova fase da Operação Compliance Zero.

A determinação de prisão preventiva (sem tempo determinado) é do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que se tornou relator dos inquéritos relacionados ao caso.

A decisão foi tomada porque a Polícia Federal encontrou no celular do empresário mensagens que citam uma tentativa de assalto contra um jornalista como forma de intimidação. O nome do jornalista não foi revelado. O ministro tarjou o nome do jornalista no processo, mas o profissional foi informado. Depende dele agora abrir a informação.

Outro alvo de mandado de prisão foi Fabiano Zettel, pastor e marido da irmã de Vorcaro. Ele é apontado como um dos principais operadores do banqueiro.

A PF também fez operação de busca e apreensão na casa do ex-diretor de fiscalização do BC (Banco Central) Paulo Sérgio Neves de Souza e do servidor Bellini Santana. Ambos já estavam afastados de suas funções na autoridade monetária, decisão agora reforçada por ser judicial.

A defesa de Vorcaro foi procurada pela reportagem, mas ainda não se manifestou.

Homem de barba e cabelo escuro veste terno azul e gravata clara, falando ao microfone azul em ambiente interno com iluminação azul e público ao fundo.
O banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, em vídeo do grupo Lide, durante evento em São Paulo em 2024 - Reprodução TV Lide no YouTube

Foi constatada invasão indevida de sistemas, inclusive da própria PF, MPF (Ministério Público Federal) e falsificação de documentos públicos. Foi simulada a assinatura de membro do Ministério Público, segundo as investigações.

Um grupo chamado de "A Turma", liderado por uma pessoa com o apelido "Sicário", fez ameaças a integridade física também de outras pessoas consideradas oponentes.

Há também suspeita de agentes públicos envolvidos: dois ocupantes de altos cargos no Banco Central, que auxiliavam Vorcaro e atendiam interesses dele. Os dois foram afastados do cargo pela decisão.

Estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em São Paulo e de Minas Gerais. As investigações tiveram o apoio do Banco Central.

Também foram determinadas ordens de sequestro e de bloqueio de bens, no valor de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e de preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas, segundo a PF.

De acordo com a Polícia Federal, são investigadas suspeitas da prática de crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos praticados por organização criminosa.

Há outros três mandados de prisão, além de Vorcaro.

Vorcaro havia sido preso pela PF na noite de 17 de novembro, em São Paulo, quando se preparava para embarcar num voo para o exterior. Foi solto dez dias depois.

Elio Gaspari - O peso do fator Lulinha, FSP

 Os repórteres Luiz Vassallo e Aguirre Talento revelaram que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, de 51 anos, reconheceu, em conversas particulares, que em 2024 viajou para Portugal com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Juntos visitaram uma fábrica de Cannabis para fins medicinais.

Lulinha decidiu revelar que fez essa viagem, cacifada pelo Careca, depois que a Polícia Federal pediu e o ministro André Mendonça, do STF, levantou o sigilo bancário de suas contas. O Careca do INSS está preso, por causa de suas conexões com a quadrilha que roubava descontos nos contracheques de milhares de aposentados.

Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, durante cerimônia em homenagem à ex-primeira-dama Marisa Letícia, em 2018 - Nelson Almeida - 3.fev.18/AFP

O filho mais velho do presidente teria decidido abandonar o silêncio que cultiva há mais de 20 anos. Beleza, poderá explicar por que se sentiu atraído pela Cannabis medicinal e qual critério levou-o a acompanhar o Careca em sua prospecção portuguesa. Como a eleição presidencial será em outubro, nos próximos sete meses, se ele não fizer isso, será um personagem radioativo na campanha.

Fábio Luís Lula da Silva padece na condição paradisíaca de filho do presidente. Registre-se que Lula tem cerca de 15 irmãos e meio-irmãos vivos. Poucas famílias de presidentes mantiveram-se tão longe do poder, mas coube a Lulinha o papel de para-raios.

Nos dois primeiros mandatos do pai, Lulinha conseguiu um financiamento benigno de uma telefônica. Nas fantasias da redes, ele era um milionário, dono de fazendas, vivendo numa mansão. Diplomado em biologia e tendo sido monitor do zoológico de São Paulo, diversificou suas atividades até que chegou à Cannabis medicinal e ao Careca do INSS. Isso no mundo dos fatos, na feira de maledicências, ele seria nada menos que um sócio oculto da JBS, empresa campeã no mercado de carnes.

Um ex-funcionário do Careca contou à Polícia Federal que eles seriam sócios, com Lulinha, o "filho do rapaz", recebendo jabaculês de R$ 300 mil mensais. A defesa de Lulinha repete que suas relações com o Careca do INSS nada tinham a ver com as falcatruas contra os aposentados. Elas seriam restritas à prospecção de um negócio com Cannabis medicinal. Parece muito dinheiro.

Se Lulinha quer se livrar da condição de personalidade predileta para a disseminação de notícias falsas, o melhor que ele tem a fazer é livrar-se de todos os seus sigilos. Lula já disse, referindo-se às roubalheiras do INSS, que "se tiver filho meu metido nisso, será investigado".

Fábio Luís Lula da Silva teria admitido que o Careca pagou as contas da viagem a Lisboa. Só? Março mal começou e esse ectoplasma acompanhará Lulinha e Lulão com intensidade cada vez maior. Recorrer contra as decisões que determinaram a quebra de sigilos terá um efeito anestésico para çábios metidos na campanha e tóxico para o eleitorado.

Olhando pelo retrovisor, Fábio Luís teria feito muito melhor negócio falando no final do ano passado, quando a oposição queria ouvi-lo na CPI do INSS. Àquela altura a sua radioatividade parecia baixa.