terça-feira, 11 de agosto de 2026

JBS (JBSS32) tem prejuízo de US$ 102 mi no 2T26, mas receita bate recorde, OESP

 A JBS (JBSS32) registrou prejuízo líquido atribuível aos acionistas de US$ 102 milhões no segundo trimestre de 2026, ante lucro de US$ 528 milhões em igual período do ano passado, informou a companhia nesta segunda-feira.

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A receita líquida atingiu US$ 23,9 bilhões, alta de 14% na comparação anual e recorde. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado recuou 8,2%, para US$ 1,26 bilhão, enquanto a margem caiu de 6,5% para 5,3%. O lucro por ação ficou negativo em US$ 0,10, ante US$ 0,48 no segundo trimestre de 2025.

O resultado líquido foi afetado por itens não recorrentes. Segundo a companhia, os principais ajustes foram US$ 172 milhões em prêmios, juros e custos relacionados às ofertas de recompra de bonds (título de renda fixa negociado no exterior) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), US$ 133 milhões referentes a acordos antitruste e US$ 81 milhões relativos ao cálculo final do ganho na aquisição da Mantiqueira.

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No conceito ajustado, o lucro líquido foi de US$ 218 milhões, com lucro por ação de US$ 0,20.

JBS (JBSS3) tem receita recorde, mas Ebitda cai 8,2% e empresa registra prejuízo.
JBS (JBSS3) tem receita recorde, mas Ebitda cai 8,2% e empresa registra prejuízo. Foto: Adobe Stock

Segundo o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, a rentabilidade apresentou melhora sequencial na maioria das unidades de negócio. Na comparação com o primeiro trimestre, o Ebitda ajustado cresceu de US$ 1,13 bilhão para US$ 1,26 bilhão.

De acordo com ele, a comparação anual foi prejudicada pelo resultado excepcional registrado no segundo trimestre de 2025, especialmente nas operações de aves. “O segundo trimestre do ano passado foi um recorde histórico de resultado para a empresa”, afirmou ao Broadcast Agro.

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A JBS gerou fluxo de caixa livre positivo de US$ 130 milhões no trimestre, ante consumo de US$ 55 milhões um ano antes. A companhia atribuiu a melhora principalmente à gestão do capital de giro, com avanço de US$ 600 milhões nos recebíveis, refletindo maior desconto de recebíveis e maiores adiantamentos de clientes chineses relacionados às exportações brasileiras, e aumento de US$ 390 milhões nos fornecedores.

A alavancagem líquida encerrou junho em 3,10 vezes, ante 2,77 vezes em março e ligeiramente acima da meta financeira de longo prazo da companhia. O prazo médio da dívida chegou a 15,3 anos, com custo médio de 5,7%. Em agosto, a JBS elevou sua linha de crédito rotativo de US$ 3,5 bilhões para US$ 4,2 bilhões, levando a liquidez total a US$ 7,7 bilhões.

*Os dados de Ebitda desta nota são apresentados pelo critério USGAAP, conjunto de princípios contábeis adotados nos Estados Unidos.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Hélio Schwartsman- Aprendendo coisa errada, FSP

 Onde aprendemos o certo e o errado? Há respostas para todos os gostos. Para alguns, tudo o que é preciso saber acerca do bem e do mal está nas Escrituras. Para outros, é questão de berço: são os pais que ensinam aos filhos o que deve ou não ser feito. Há até quem diga que são os livros de filosofia que cumprem essa função.

Não afirmo que essas explicações estão todas erradas, mas elas me parecem subcasos de uma resposta mais geral. Para saber como devemos nos comportar, nós olhamos para o lado e vemos o que as pessoas costumam fazer. Não é uma coincidência que as palavras "ética" e "moral" derivem respectivamente dos termos grego ("éthe") e latino ("mores") para "costumes". Assim, se você vive numa comunidade religiosa, se comportará como os religiosos a seu lado, que se inspiram numa determinada escola de interpretação da Bíblia. Se vive num bairro afluente de cidade grande, se comportará como seus vizinhos e todos dirão que o padrão foi fixado pela educação recebida no lar.

A imagem mostra uma vista panorâmica da Esplanada dos Ministérios em Brasília, com a bandeira do Brasil em primeiro plano. Ao fundo, destacam-se os edifícios do Congresso Nacional e o Palácio da Alvorada, além de uma ampla área verde e ruas. O céu está nublado, sugerindo um clima encoberto.
Vista aérea da praça dos Três Poderes, em Brasília - Pedro Ladeira - 31.jan.25/Folhapress

Gosto dessa resposta porque ela dá conta de diferenças entre povos e da própria história. Explica, por exemplo, por que a escravidão foi aceita como natural durante tanto tempo. Explica até mesmo a mudança. Já comentei aqui o processo de normalização do voto na direita radical.

Fiz esse longo introito para falar de corrupção. No Brasil já não temos um problema de pequena corrupção generalizada, pela qual cidadãos são achacados para conseguir coisas básicas como uma vaga na escola pública ou uma consulta no SUS. Nas altas esferas da política, porém, como atesta a sucessão de escândalos envolvendo os dois polos e os três Poderes, desvios e conflitos de interesse ainda parecem ser a regra. Os agentes olham para o lado, constatam que todos (ou grande parte, ao menos) estão fazendo e se sentem liberados para fazer também.

A Operação Lava Jato foi uma tentativa de romper o padrão, mas seus condutores cometeram erros, o sistema reagiu e, realizando a profecia de Jucá, a sangria foi estancada com Supremo e com tudo.

Autonomia financeira dá lugar às alianças partidárias, Dora Kramer- FSP

 Nesta eleição, está combinado, a maioria dos partidos vai jogar separado. Só o PT entra na disputa presidencial do jeito tradicional, coligado a seis legendas: PSB, PSOL-Rede, PDT, PV e PC do B.

Não deixa de ser uma ironia o partido com vocação a protagonista, cuja política de alianças só foi aceita por imposição da realidade, ser o único que concorre acompanhado. No campo limitado à esquerda, é verdade, mas ali com um Geraldo Alckmin (PSB) na figuração do centro.

À esquerda, homem de barba branca e chapéu de palha claro fala ao microfone, vestindo camisa branca. À direita, homem de cabelo escuro e terno preto segura microfone, com alfinete de tesoura na lapela, em fundo escuro com outra pessoa desfocada ao fundo.
Montagem com os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que lideram as pesquisas - Montagem

Sabemos, contudo, que a força da candidatura não está nos aliados; está onde sempre esteve nas últimas décadas: em Lula. Fosse outro o candidato e não ocupasse a Presidência, provavelmente nem essa aliança existiria.

Alterações nas regras eleitorais e no equilíbrio de forças entre Executivo e Legislativo mudaram a cena. Acabaram as coligações proporcionais, os partidos têm autonomia financeira, há uma barreira de desempenho a ser ultrapassada e pouco a disputar no plano nacional onde imperam os eleitorados cativos dos favoritos.

Manifestam-se preocupações entre os espectadores da política com o fato de ser esta a primeira eleição desde a volta das diretas a praticamente não ter alianças na corrida ao Palácio do Planalto. Mas ninguém explicita qual o risco presumidamente embutido; por acaso a fartura anterior de coligações influiu para melhor ou pior na performance dos dois Poderes em questão?

A suspeita é que o critério de análise esteja superado. Considerando que fidelidade partidária e identificação doutrinária foram critérios de ferro e fogo, o que vemos de novo é a remoção do verniz da teoria para dar lugar à corriqueira prática, agora sem as máscaras.

Não é real a alegada neutralidade, pois há engajamento frenético nos estados. onde grassam as alianças. Nas diferentes bases, os partidos preferem apostar na eleição de grande quantidade de congressistas.

Cabe ao eleitorado acionar o modo olho vivo e faro fino para investir na melhoria da qualidade dos respectivos representantes.