domingo, 8 de julho de 2018

Projetos de leis de deputados estaduais buscam futuros opostos para o Vail Chaves, O Popular

Dois projetos de lei de deputados estaduais tratam do futuro do Estádio Vail Chaves, cada um apontando para um lado. Enquanto Barros Munhoz (PSB), com o apoio do prefeito Carlos Nelson Bueno (PSDB), elaborou projeto visando transferir a propriedade à Prefeitura, o deputado Carlão Pignatari (PSDB) produziu outro para garantir a posse do imóvel ao Mogi Mirim. O projeto de Carlão foi publicado no Diário da Assembleia Legislativa em 23 de maio. No dia 31, foi publicado requerimento do deputado Marco Vinhoni (PSDB) solicitando tramitação em caráter de urgência. Em 4 de junho, o projeto entrou na Comissão de Constituição, Justiça e Redação. Já o projeto de Munhoz foi publicado em 26 de junho.
Projeto de lei de Carlão entrou na Comissão de Constituição, Justiça e Redação no dia 4 de junho. (Foto: Site Carlão Pignatari)
Baseado no entendimento de que o Vail é hoje da Fazenda do Estado de São Paulo, o projeto de Munhoz, de número 441, confronta com a tese de que o imóvel pertence ao Mogi. O entendimento de Munhoz se baseia no fato da lei de 1947, que definiu a doação ao Mogi pela Fazenda, ter sido revogada em 2006 por ocasião da Consolidação de Leis com a Lei 12.497. Assim, entende que o Vail voltou para o Estado. Pelo outro entendimento, a revogação ocorreu justamente por já ter produzido o efeito, ou seja, a doação. Por esta visão, a transcrição da doação com a escritura registrada faz o estádio ser do clube.
Projeto de lei de Barros Munhoz foi publicado no dia 26 de junho. (Foto: Arquivo)
O vereador Geraldo Bertanha, favorável à doação, defende que o Vail se torne um estádio municipal usado pelo Mogi. Caso o Mogi deixe de existir, continuaria no município e outro clube poderia utilizá-lo. A ideia objetivaria regularizar a área e encerrar as discussões sobre o risco do Vail ser vendido, como cogitado pelo presidente Luiz Oliveira. Na lei de 1947, uma cláusula vinculava a doação à finalidade esportiva pela associação, pois se perdesse o fim, o imóvel voltaria à Fazenda do Estado, impedindo uma venda. A ideia de que o estádio pode ser vendido está baseada justamente na revogação. Por outro lado, outra tese entende que a revogação não permite a venda, pois o conteúdo da cláusula está presente na escritura em que está consolidada a posse pelo Mogi, constituindo um ato jurídico perfeito.
Dois projetos de lei estão na Assembleia Legislativa de São Paulo com destinações diferentes para o Vail Chaves. (Foto: Arquivo)
Na justificativa do projeto de Carlão, de nº 338, que deseja revogar o inciso XIII do Artigo 1º da lei de 2006 e restabelecer a vigência da legislação de 1947, é lembrado que o clube se tornou entidade de utilidade pública municipal e patrimônio histórico e cultural da cidade por legislações de 1988 e 2015. Na justificativa é lembrado caso semelhante em Tatuí em que uma Lei Estadual de 2015 restabeleceu a vigência da Lei 997, de 1951, que criou o Conservatório Dramático e Musical de Tatuí e havia sido revogada no pacote de 2006. O objetivo é a revogação do Inciso III da Lei de 2006 para garantir a segurança jurídica do clube em relação à área.
Nas justificativas de Munhoz, o deputado aponta que a área está irregular pelo imóvel ter voltado ao Estado e diz que o Mogi não cumpriu o compromisso de zelar pelo patrimônio, como previa a doação, citando o desleixo com o estádio. Diz que o Patrimônio Público do Estado é contra restabelecer a lei revogada e à nova permissão de uso ao clube.
CNB pediu a atuação de Munhoz por área do Vail
Segundo a assessoria de comunicação da Prefeitura, o prefeito Carlos Nelson Bueno pediu oficialmente ao deputado estadual Barros Munhoz a atuação para transferência da área do Estádio Vail Chaves à Prefeitura, o que já havia sido solicitado pelo vereador Geraldo Bertanha, o Gebê.
Inicialmente, a Prefeitura não via com bons olhos a doação pelos custos de manutenção, mas mudou o posicionamento com a ideia de ter o patrimônio sob o controle do poder público municipal. Questionada sobre a ideia de o Paço Municipal ser construído na área do estádio para economizar aluguel, a assessoria apontou que a hipótese não é estudada no momento. Porém, admitiu a ideia de se construir um Paço em algum local para evitar os aluguéis, mas hoje não haver recursos para esta construção.
No projeto de Munhoz, é defendida a ideia de que o Vail seja objeto de equipamentos públicos à população. É defendida que a área seja doada ao município, para instalação de equipamentos sociais, de esporte e lazer. A assessoria da Prefeitura informa que, além da destinação social, o estádio continuaria podendo ser usado pelo Mogi.
Na segunda-feira, Gebê, pediu a retirada de votação de um requerimento, com assinatura de 15 vereadores, em que era pedido a Munhoz e ao governador Márcio França a interceção para a área ser transferida à Prefeitura. O requerimento seria uma forma de apoio político da Câmara Municipal ao projeto de Munhoz.
A retirada ocorreu após discurso do ex-presidente do Conselho Deliberativo do clube, Luiz Adorno, o Luizinho, contrário ao projeto e defensor da tese de que o estádio é do Mogi e não pode ser vendido. Gebê disse ter retirado o requerimento porque imaginava que haveria aprovação sem divergências. Isso porque requerimentos costumam ser aprovados sem discussão. Como percebeu discordâncias entre vereadores, preferiu evitar constrangimento dos colegas terem que se posicionar, pois se tratava apenas de questão política, já que o caso é discutido na Assembleia Legislativa estadual.

Guerra de foice, Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

Eleição vai ter de afunilar, apesar dos temores e inseguranças de candidatos

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo
08 Julho 2018 | 05h00
Acaba a Copa para nós e começa de fato a eleição, ainda cercada de interrogações, mas com o tempo correndo cada vez mais rápido. Até 15 de agosto, prazo final para o registro de candidaturas, as respostas mais importantes terão que ser dadas, queiram ou não os partidos. É quando ficará claro quem entra, quem sai, quem está com quem.
Cresce a pressão para que o ex-presidente Lula faça uma “Carta à Nação” a ser lida na convenção do PT, no dia 28, para sair de campo espetacularmente, lançar Fernando Haddad e articular a candidatura dele a partir da cela em Curitiba – enquanto ainda estiver na cela em Curitiba.
Essa carta, com a renúncia à candidatura, serviria, ou servirá, como sinal verde para o Supremo dar o passo seguinte: livrar Lula da prisão. Em resumo, Lula abdica de ser candidato em troca de conquistar a liberdade. Uma complexa negociação, com Dias Toffoli afirmando-se não só como o próximo presidente de fato do STF, mas como o mais audacioso entre os onze ministros. 
Fora da prisão e da chapa, Lula apresenta um candidato que mantém o PT e as esquerdas unidas, oferece enfim um nome ao Nordeste, que vota em quem seu mestre Lula mandar – e atrai dois tipos essenciais de eleitores: petistas decepcionados com o partido, mas sem alternativa, e também eleitores de outras siglas, igualmente desanimados com os nomes já colocados.
Do lado oposto, na raia da direita, Jair Bolsonaro repete Collor em 1989 e Trump agora nos EUA: a mídia e os analistas não conseguem acreditar que ele está consolidado para o segundo turno, mas ele vai vencendo resistências. Aplaudido na CNI? Sem entender de economia e sem ter administrado coisa nenhuma? Pois é. Collor, o marajá número um, venceu com o marketing de “caçador de marajás”. 
Bolsonaro desdenha de alianças e partidos e cobre preventivamente a falta de tempo na TV com as redes sociais, enquanto seus principais concorrentes fazem o oposto: desdenham a internet e mergulham em cafés, almoços, jantares e reuniões em busca de alianças que lhes deem minutos de TV, palanques e condições futuras de governabilidade.
No foco está o tucano Geraldo Alckmin, que, pelo currículo ou pelo partido (que vence ou disputa o segundo turno desde 1994), é, ou seria, o maior beneficiário de uma união ao centro. Mas o aliado e até afilhado João Doria lhe fez o imenso favor de criar, antes do início da eleição, a sensação de que ele “não tem chance”. A cada pesquisa, a cada nome alternativo, aumenta o medo dos aliados naturais do PSDB, a começar do DEM. Os partidos querem que Alckmin cresça nas pesquisas para se definir. Alckmin quer que eles se definam para poder crescer nas pesquisas.
O futuro de Ciro Gomes está atrelado ao PT, desde que ele cismou de se colocar como opção de esquerda, mas fez um movimento esquizofrênico: disputava o PT, enquanto soltava cobras e lagartos contra o partido e contra Lula. Agora, disputa o DEM, que pode ser tudo, menos de esquerda. “O que nós temos em comum com o Ciro? Nada!”, resume José Carlos Aleluia (DEM-BA).
Marina Silva é o voto confortável, de quem valoriza ética, biografia, simbologia, mas isso nunca será suficiente para levar uma candidatura ao segundo turno, muito menos para empurrá-la rampa acima. Mais uma vez, Marina parece candidata a válvula de escape para aqueles que não encontrarem uma opção entre os que são “para valer”.
É assim que a eleição mais pulverizada desde 1989 vai caminhando, trôpega, surpreendente e, de certa forma, amedrontadora. Mas, com o fim da Copa e a chegada, já, já, de agosto, tudo vai começar a afunilar. E a exigir que você, eleitor, eleitora, pare de resmungar e passe a fazer o mais difícil: analisar e decidir.

Feriado prolongado (dois feminicídios) oESP

Homem cometeu suicídio após matar a vítima, que era soldado da Polícia Militar; caso é um dos dois feminicídios registrados no Estado de SP em menos de 24 horas

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo
08 Julho 2018 | 17h23
SÃO PAULO - A soldado Lourdes Patrícia de Campos Lopes, de 33 anos, foi morta a tiros pelo companheiro Renan da Silva Azevedo, de 31 anos, que é cabo da Polícia Militar. O crime ocorreu por volta das 23 horas de sábado, 7, na zona norte da cidade de São Paulo. Após disparar contra a mulher, o cabo cometeu suicídio. Em menos de 24 horas, foi registrado ao menos mais um caso de feminicídio no Estado de São Paulo.
O crime ocorreu na Avenida Maria Amália Lopes de Azevedo, na Vila Albertina, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP). Para investigar o caso, foi aberto um Inquérito Policial Militar (IPM) no 43º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (43º BPM/M), também na zona norte. 
Homicídio de soldado por cabo da PM será investigado no 43º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (43º BPM/M), na zona norte de São Paulo
Homicídio de soldado por cabo da PM será investigado no 43º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (43º BPM/M), na zona norte de São Paulo Foto: Reprodução/Google Street View
Interior. Além da soldado, ao menos mais um feminicídio foi registrado nas últimas 24 horas no Estado de São Paulo. Por volta das 7 horas deste domingo, 8, foi encontrado o corpo da estudante de Medicina Marília Camargo de Carvalho, de 25 anos, que teria sido morta por asfixia pelo namorado Rafael Moraes Garcia, de 27 anos, em Campinas, no interior de São Paulo. O rapaz cometeu suicídio após o crime ao se atirar do 16º andar.