sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Lula avalia indicar governador do RJ ao STF no lugar de Messias, e aliados defendem saída de Andrei- FSP


Brasília

O presidente Lula (PT) avalia a possibilidade de indicar o nome do governador interino do Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto, para o STF (Supremo Tribunal Federal), no lugar do ministro Jorge Messias, na tentativa de debelar a crise que hoje assola a corte.

Apoiadores da ideia argumentam que a indicação de Couto seria uma demonstração de respeito institucional por parte de Lula, uma vez que, temporariamente, ele abriria a mão da indicação do ministro-chefe da AGU (Advocacia-Geral da União) em prol da pacificação do Judiciário.

Para dimensionar a magnitude do gesto, esses petistas lembram que o governador do RJ não compõe o círculo de amizades do presidente, enquanto Messias é um aliado leal.

Homem de terno escuro, camisa branca e gravata azul fala em microfone. Atrás dele, homem com barba branca usa chapéu claro e camisa branca, olhando para baixo.
O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, discursa em evento com Lula - Eduardo Anizelli - 28.jul.26/Folhapress

Mas a escolha de Couto poderia se converter em capital político no terceiro maior colégio eleitoral do país. Após quatro meses de gestão, o governador interino tem o seu trabalho aprovado por 47% dos eleitores fluminenses e reprovado por 31% de acordo com a mais recente pesquisa Datafolha.

Ainda segundo auxiliares do presidente, o nome de Couto vinha sendo cogitado há cerca de dois meses e voltou à mesa após a eclosão de novo confronto entre ministros. A informação sobre eventual indicação do governador em exercício ao STF foi publicada inicialmente pela CNN e confirmada pela Folha.

Lula tem elogiado, publicamente, a atuação do desembargador como interventor no estado. No mês passado, durante ato em Bangu, o presidente chegou a falar que o magistrado está fazendo uma limpa do Rio.

O petista disse que, caso chegue ao Palácio Guanabara, Eduardo Paes (PSD) terá de continuar a "limpeza" realizada por Couto. O desembargador assumiu o Executivo em março, após a renúncia de Cláudio Castro (PL), e determinou revisão em contratos e exonerações.

Apesar dos elogios, a retirada de Messias significaria amarga derrota para o presidente, que declarou a intenção de reapresentar seu nome para a vaga após rejeição no Senado. Por isso, entre aliados de Lula, há quem defenda que essa desistência seja acompanhada da demissão do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Na avaliação de uma ala do governo, embora conte com a confiança do presidente, Andrei está perdendo as condições de liderar a corporação, que segundo esses aliados do presidente está contaminada pelo bolsonarismo. O alinhamento do diretor-geral com uma ala do STF —integrada pelos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes— também tem sido alvo de críticas no Palácio do Planalto.

Na terça-feira (1º), essa afinidade foi evidenciada quando Gilmar procurou Lula para cobrar apoio do governo à cúpula da PF. A cobrança se deu em meio a uma queda de braço entre Andrei e o ministro André Mendonça, do STF, sobre a condução das investigações do Banco Master. O caso ganhou novos contornos após Mendonça determinar a elaboração pela PF de um relatório que expôs trocas de mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo relatos, na conversa com Lula, o decano do STF afirmou que existe uma disfuncionalidade nas relações entre PF e a Advocacia-Geral da União e o Ministério da Justiça, este chefiado por Wellington César Lima e Silva.

Integrantes da cúpula da Polícia Federal dizem ver omissão da AGU (Advocacia-Geral da União) nos atritos entre a corporação e Mendonça. O órgão comandado por Jorge Messias, por sua vez, tem apontado que a PF propõe medidas que poderiam resultar na anulação de investigações sobre o Banco Master.

A troca de acusações é o último capítulo da disputa que escalou entre a AGU e a PF nos últimos meses. O embate começou quando a Polícia Federal passou a demandar que a AGU atuasse perante o Supremo para tentar reduzir o controle do ministro Dias Toffoli sobre os inquéritos dos quais ele era relator.

Com aval de Lula, a AGU, responsável por representar juridicamente a União, tem se manifestado de forma contrária a esse tipo de demanda.

Como essa é apontada como uma atribuição do Ministério Público, o presidente poderia ser acusado de tentativa de interferência em outro poder se a AGU atuasse no caso. Prevalece o argumento de que o governo não pode ser arrastado para uma crise que não é sua.

Messias já tentou articular uma solução consensual para o conflito e marcou em agosto uma reunião entre Mendonça e o ministro Wellington Lima e Silva. Andrei Rodrigues não esteve no encontro.

Segundo aliados do presidente, a estratégia dessa ala do STF tem sido articulada em reuniões e cafés que contam com a participação do diretor-geral da PF. Sua presença numa articulação que inclui críticas a ministros de Lula tem sido encarada como um incentivo à crise no tribunal.

Na opinião de colaboradores de Lula, para dar um freio de arrumação, Lula seria obrigado a sacrificar dois aliados, hoje em lados opostos da contenda: Messias e Andrei.

Lula tentou se distanciar da crise, mais uma vez sob argumento de que não deve interferir em outro poder. Mas acabou se manifestando após conversas com o presidente do STF, Edson Fachin, e Gilmar Mendes.

A rixa entre ministros do STF se agravou após a rejeição do nome de Messias para o tribunal, em uma articulação atribuída, dentre outros, ao triunvirato composto por Gilmar, Moraes e Flávio Dino.

Incomodado com o que descrevia como uma usurpação da caneta presidencial, Lula reivindicou seu direito de indicar o ocupante da cadeira deixada por Luís Roberto Barroso.

Nas conversas, ele ressaltava ainda o preparo técnico do advogado-geral da União, que contava com o apoio explícito de Mendonça e do ministro Kassio Nunes Marques. Sua derrota acirrou o clima de desconfiança na corte.

A crise explodiu a um mês do primeiro turno. E Lula foi aconselhado a agir na tentativa de impedir que o conflito dite a agenda eleitoral.

Próxima gestão deveria não reajustar o Bolsa Família e continuar a reduzir o número de atendidos, Fabio Giambiagi. OESP

 Este é nosso 9.º encontro para tratar de propostas acerca do que o próximo governo poderia fazer em matéria econômica. O assunto de hoje é o Bolsa Família.

Quando se compara o raio-x fiscal de 2026 com o de 2022, o que temos? A despesa primária (tirando juros) foi de 17,95% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022 e uma boa estimativa para 2026 é de que fique em 19,20% do PIB (mais 1,25% do PIB). Dada uma projeção realista para o ano em curso, a comparação daria o seguinte resultado para tal aumento, em porcentagem do PIB:

  • INSS: 0,37;
  • Loas: 0,28;
  • Bolsa Família: 0,27;
  • Fundeb: 0,17;
  • Sentenças judiciais: 0,15;
  • Outras: 0,01.

Quando se observa o que aconteceu com o Bolsa Família, constata-se que a despesa deu um pulo em 2023, em razão do salto do valor pago por família. Assim, ela, que tinha sido de 0,87% do PIB no último ano de Bolsonaro, passou a 1,52% do PIB no primeiro ano de Lula 3. Depois, cedeu, porque: 1) depois de 2023 não houve reajuste do valor pago por família; e 2) o número de famílias (15 milhões no final de 2021) aumentou para 22 milhões no ano de 2022 e foi sendo reduzido ao longo dos últimos três anos para as 19 milhões de famílias que recebem hoje o benefício.

Não faz sentido que um país com renda 15% maior do que em 2021 e com o desemprego em 40% do que era naquela ocasião tenha 30% a mais de famílias no programa
Não faz sentido que um país com renda 15% maior do que em 2021 e com o desemprego em 40% do que era naquela ocasião tenha 30% a mais de famílias no programa Foto: Adobe Stock

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No final de 2021, o Bolsa Família abrangia 15 milhões de famílias. Digamos que o índice de produção (PIB) na ocasião tivesse uma base 100.

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A taxa de desemprego média naquele ano foi de 13%. Qual é a situação hoje? O índice em relação ao PIB deverá ser de 115 (15% superior ao PIB de cinco anos atrás) e estamos com um desemprego de pouco mais de 5%, mas o Bolsa Família atende a mais de 19 milhões de famílias, muito mais do que em 2021.

Convenhamos: há algo errado, não? O citado programa é extremamente meritório e representa uma política social que precisa ser mantida. Entretanto, não faz sentido que, num país com renda 15% maior do que em 2021 e com o desemprego em 40% do que era naquela ocasião, o Brasil tenha 30% a mais de famílias no programa.

Portanto, o que a próxima gestão de governo deveria fazer é manter o que ocorreu durante 2024/2026: não reajustar o benefício e continuar a reduzir o número de famílias, de modo a retornar ao patamar anterior de 14 a 15 milhões de famílias.

Durante muitos anos, o programa representou uma despesa de 0,4% a 0,5% do PIB e, em pouco tempo, escalou para 1,5% do PIB, estando hoje em 1,1% do PIB. Em razão do aumento do valor por família, dificilmente voltará ao patamar inicial, mas é razoável chegar a algo intermediário entre 0,5% e 1,1% do PIB até 2030.