sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Próxima gestão deveria não reajustar o Bolsa Família e continuar a reduzir o número de atendidos, Fabio Giambiagi. OESP

 Este é nosso 9.º encontro para tratar de propostas acerca do que o próximo governo poderia fazer em matéria econômica. O assunto de hoje é o Bolsa Família.

Quando se compara o raio-x fiscal de 2026 com o de 2022, o que temos? A despesa primária (tirando juros) foi de 17,95% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022 e uma boa estimativa para 2026 é de que fique em 19,20% do PIB (mais 1,25% do PIB). Dada uma projeção realista para o ano em curso, a comparação daria o seguinte resultado para tal aumento, em porcentagem do PIB:

  • INSS: 0,37;
  • Loas: 0,28;
  • Bolsa Família: 0,27;
  • Fundeb: 0,17;
  • Sentenças judiciais: 0,15;
  • Outras: 0,01.

Quando se observa o que aconteceu com o Bolsa Família, constata-se que a despesa deu um pulo em 2023, em razão do salto do valor pago por família. Assim, ela, que tinha sido de 0,87% do PIB no último ano de Bolsonaro, passou a 1,52% do PIB no primeiro ano de Lula 3. Depois, cedeu, porque: 1) depois de 2023 não houve reajuste do valor pago por família; e 2) o número de famílias (15 milhões no final de 2021) aumentou para 22 milhões no ano de 2022 e foi sendo reduzido ao longo dos últimos três anos para as 19 milhões de famílias que recebem hoje o benefício.

Não faz sentido que um país com renda 15% maior do que em 2021 e com o desemprego em 40% do que era naquela ocasião tenha 30% a mais de famílias no programa
Não faz sentido que um país com renda 15% maior do que em 2021 e com o desemprego em 40% do que era naquela ocasião tenha 30% a mais de famílias no programa Foto: Adobe Stock

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No final de 2021, o Bolsa Família abrangia 15 milhões de famílias. Digamos que o índice de produção (PIB) na ocasião tivesse uma base 100.

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A taxa de desemprego média naquele ano foi de 13%. Qual é a situação hoje? O índice em relação ao PIB deverá ser de 115 (15% superior ao PIB de cinco anos atrás) e estamos com um desemprego de pouco mais de 5%, mas o Bolsa Família atende a mais de 19 milhões de famílias, muito mais do que em 2021.

Convenhamos: há algo errado, não? O citado programa é extremamente meritório e representa uma política social que precisa ser mantida. Entretanto, não faz sentido que, num país com renda 15% maior do que em 2021 e com o desemprego em 40% do que era naquela ocasião, o Brasil tenha 30% a mais de famílias no programa.

Portanto, o que a próxima gestão de governo deveria fazer é manter o que ocorreu durante 2024/2026: não reajustar o benefício e continuar a reduzir o número de famílias, de modo a retornar ao patamar anterior de 14 a 15 milhões de famílias.

Durante muitos anos, o programa representou uma despesa de 0,4% a 0,5% do PIB e, em pouco tempo, escalou para 1,5% do PIB, estando hoje em 1,1% do PIB. Em razão do aumento do valor por família, dificilmente voltará ao patamar inicial, mas é razoável chegar a algo intermediário entre 0,5% e 1,1% do PIB até 2030.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

A trajetória hedonista e empreendedora de Baby Pignatari - FSP

 Vicente Vilardaga

São Paulo

Durante minha infância ouvia muita gente falar dele com admiração e curiosidade. Na minha cabeça, era uma figura mítica, uma lenda, um playboy por excelência, preocupado em curtir a vida alucinadamente, namorando, bebendo, pilotando seus próprios aviões e participando de corridas de carros. Seu nome aparecia nos jornais e revistas do Brasil e do exterior, como as norte-americanas Life Magazine e Time. Em São Paulo, sua base era a Casa das Tochas, na avenida Morumbi, onde promoveu festas antológicas.

Francisco Matarazzo Pignatari (1916-1977), conhecido como Baby Pignatari, foi um dos personagens mais notáveis da elite brasileira e internacional entre as décadas de 1940 e 1960. Nascido em Nápoles, na Itália, fez tudo o que quis. Com sua vida amorosa, empresarial e social sempre agitada, ganhou fama nos salões frequentados pelos milionários da Europa e dos Estados Unidos e namorou algumas das mais belas mulheres de sua época.

Homem de terno cinza e gravata preta está ao lado de mulher com casaco claro e colar de pérolas. Ambos olham para a direita, em ambiente externo com estrutura metálica visível ao fundo.
O playboy Francisco Matarazzo Pignatari, o Baby Pignatari, ao lado da esposa Ira von Furstenberg - Acervo UH/Folhapress

Sua lista de relacionamentos era extensa. Incluiu Anita Ekberg, Jill St. John, Linda Christian, Dolores del Río, Joanna Moore, Susan Cabot, entre muitas outras atrizes de Hollywood. Seu grande caso, porém, foi com uma princesa, a italiana Ira de Furstenberg, por quem se apaixonou na década de 1960. Ira era relações-públicas do estilista Valentino e herdeira da Fiat. Também era casada e 24 anos mais nova do que Pignatari. Ele praticamente a sequestrou quando ela tinha 20 anos e a trouxe para o Brasil em 1961.

Para abrigar a princesa, com quem se casou, Pignatari decidiu construir uma mansão na antiga Chácara Tangará, na beira do rio Pinheiros, no bairro Panamby. Contratou um projeto do arquiteto Oscar Niemeyer e deixou a responsabilidade pelos jardins para o paisagista Roberto Burle Marx. A obra avançou até 1964, quando terminou o relacionamento. Os jardins foram preservados e transformados décadas mais tarde no parque Burle Marx. Já a casa inacabada foi demolida e no terreno que ela ocupava hoje funciona o hotel cinco estrelas Palácio Tangará, inaugurado em 2017.

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O parque Burle Marx, que engloba um jardim encomendado por Pignatari, está situado no Panamby - Edson Lopes Jr./SECOM

Apesar de seu hedonismo, Pignatari não era um playboy ocioso, que só vivia da herança. Bancava seu estilo extravagante com o dinheiro obtido em projetos empresariais bem-sucedidos. Neto do conde Francesco Matarazzo, começou a trabalhar cedo no negócio do pai, Giulio Pignatari, a Laminação Nacional de Metais. Em 1942, fundou a lucrativa Companhia Brasileira de Cobre no Rio Grande do Sul.

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Era dono também de uma fábrica de pequenos aviões monomotores, os Paulistinhas, cujas vendas foram impulsionadas por uma campanha nacional movida por Assis Chateaubriand para a instalação de aeroclubes em todo o país. Em gratidão, Pignatari presenteou o jornalista com um automóvel Rolls-Royce. O playboy chegou a ter 11 empresas, inclusive de purpurina e botões. Já no final da vida, decidiu explorar uma mina de cobre na Bahia, a Caraíba Metais. Possuía um avião Electra.

Piscina retangular com desenho de borboleta no fundo, cercada por espreguiçadeiras e guarda-sóis fechados. Edifícios brancos de vários andares com varandas e janelas ao redor, árvores e plantas decoram o espaço.
Vista da piscina do luxuoso hotel Palácio Tangará localizado ao lado do parque Burle Marx - Eduardo Knapp/Folhapress

No final da década de 1960 seus negócios começaram a claudicar e ele entregou suas principais empresas para o governo. A Companhia Brasileira de Cobre e a Caraíba Metais serviram para quitação de dívidas contraídas em empréstimos bancários, estimados em torno de US$ 50 milhões. Em 1971, se casou pela quarta vez com Maria Regina Fernandes.

Aquele que fora o "playboy número 1", como o descreveu a revista Life em 1947, e que "gastava dinheiro com a mesma velocidade com que fazia negócios", segundo reportagem da Time de 1950, morreu aos 60 anos, após uma vida intensa, mas com a fortuna dissipada. Sua herança ficou com seu único filho, Giulio, dependente de drogas que foi desinterditado e ganhou um preceptor. A partir daí o que tinha sobrado do dinheiro de Pignatari foi para o ralo.

Moraes pede a Fachin investigação de André Mendonça por abuso de autoridade - FSP

 

Brasília

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu que o ministro André Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso Master e INSS (Institutos Nacional do Seguro Social).

A decisão foi tomada no âmbito do inquérito das fake news. Moraes afirma que Mendonça agiu para direcionar as investigações, "com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos".

Dois homens vestidos com trajes pretos formais sentam lado a lado. O homem ao fundo, calvo, segura um papel e olha para frente com expressão séria. O homem à frente está desfocado, olhando para baixo.
Ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes em sessão no STF - Pedro Ladeira - 3.set.26/Folhapress


De acordo com Moraes, o colega conduziu irregularmente tratativas de delações premiadas e direcionou determinados alvos para a investigação "por motivos pessoais e políticos, inclusive com a indicação prévia de medidas cautelares" a serem apresentadas pela PF (Polícia Federal).

Esses alvos seriam o próprio Moraes e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP).

A medida é tomada por Moraes dois dias depois de Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que aponta Moraes como o interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Na decisão, Mendonça sinalizou que levará ao plenário a possibilidade de investigar o colega.

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Segundo Moraes, há por parte de Mendonça "indícios crescentes de enviesamento da condução da supervisão judicial, manifestados em direcionamento temático de intensidade progressiva quanto a linha investigativa determinada", além de "quebra da cadeia de custódia das provas apreendidas".