terça-feira, 11 de agosto de 2026

STF amplia decisões colegiadas, mas monocráticas ainda são 80% do total, CNN

 Levantamento realizado pela CNN Brasil mostra que, nos últimos seis anos, o STF (Supremo Tribunal Federal) aumentou a participação das decisões colegiadas no total de julgamentos. As decisões monocráticas, porém, continuam sendo maioria e representam mais de 80% do total.

No período analisado, a maior proporção de decisões monocráticas foi registrada em 2022, quando elas chegaram a 85,6% das decisões do STF.

Desde então, porém, há uma tendência de crescimento da participação das decisões colegiadas. Em três anos, a proporção de decisões tomadas em grupo, seja pelo plenário ou pelas turmas, aumentou cerca de 5,2 pontos percentuais.

Apesar do avanço, as decisões colegiadas não chegaram a representar 20% do total em nenhum dos anos analisados. Em 2025, último dado disponível, foi registrada a menor proporção de monocráticas, representando 80,4% das decisões totais.

No STF, as decisões monocráticas são aquelas tomadas individualmente por um único ministro na condição de relator de um processo.

Esse tipo de decisão pode ser utilizado, por exemplo, em questões urgentes, na aplicação de entendimentos já consolidados pelo Tribunal ou para dar andamento a processos com base em precedentes da Corte.

Isso porque, quando determinado tema já foi analisado diversas vezes pela Corte, o relator pode aplicar individualmente o entendimento já consolidado, sem a necessidade de uma nova discussão. Com isso, é possível dar andamento a um número maior de processos mais rapidamente.

Em alguns casos, a decisão monocrática pode ser posteriormente analisada pelo colegiado (plenário ou turmas), que pode confirmá-la, modificá-la ou rejeitá-la.

Embora decisões monocráticas sejam comuns nos tribunais, o mecanismo passou a ser alvo de críticas nos últimos anos, principalmente no Congresso Nacional. Parlamentares questionam o que consideram um excesso de poder individual dos ministros e, desde 2023, discutem medidas para limitar esse tipo de decisão.

Em participação no evento CNN Talks na última semana, o ministro André Mendonça afirmou que, em um “mundo ideal”, as decisões monocráticas não existiriam. Segundo ele, porém, o volume de processos sob responsabilidade de cada ministro torna esse tipo de decisão necessário para o funcionamento do Judiciário.

“Com o volume que nós temos, o tribunal não funcionaria sem decisões monocráticas”, afirmou Mendonça.

Veja abaixo a evolução das decisões monocráticas nos últimos 6 anos:

  • Em 2025: 118.072 decisões proferidas, sendo 94.934 decisões monocráticas (80,4%) e 23.138 decisões colegiadas (19,6%).
  • Em 2024: 115.508 decisões proferidas, sendo 94.069 decisões monocráticas (81,4%) e 21.439 decisões colegiadas (18,6%).
  • Em 2023: 105.834 decisões proferidas, sendo 87.637 decisões monocráticas (82,8%) e 18.197 decisões colegiadas (17,2%).
  • Em 2022: 89.951 decisões proferidas, sendo 76.985 decisões monocráticas (85,6%) e 12.966 decisões colegiadas (14,4%).
  • Em 2021: 98.198 decisões proferidas, sendo 82.781 decisões monocráticas (84,3%) e 15.417 decisões colegiadas (15,7%).
  • Em 2020: 99.517 decisões proferidas, sendo 81.308 decisões monocráticas (81,7%) e 18.209 decisões colegiadas (18,3%).
CNN Brasil
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Quem é Wesley Batista Filho, o próximo CEO global da JBS - FSP

 

Pelotas (RS)

A JBS anunciou nesta segunda-feira (10) que Wesley Batista Filho será o CEO global da companhia a partir de janeiro de 2027. Filho do empresário Wesley Batista e neto de José Batista Sobrinho, fundador da companhia, o executivo de 34 anos chega ao comando após dedicar toda a vida profissional às operações do grupo familiar.

Aos 19 anos, em 2011, ele começou a carreira na JBS como trainee na unidade de carne bovina de Greeley, nos Estados Unidos. Antes disso, fez o ensino médio em uma escola internacional na Suíça e frequentou a Universidade Estadual do Colorado, mas abandonou a faculdade para se concentrar no trabalho, conforme contou em entrevista de 2021 à organização Swiss Learning.

Homem de terno escuro e gravata clara fala em púlpito com microfone no NYSE. Ao fundo, tela exibe logo azul da JBS em ambiente com arquitetura clássica e detalhes dourados.
Wesley Batista Filho, novo CEO global da JBS - Wesley Batista Filho no Linkedin

Em 2012, mudou-se para São Paulo para trabalhar na divisão de exportação de carne bovina. Em seguida, liderou as operações de carne bovina da companhia no Uruguai e no Paraguai.

Foi presidente da JBS Canadá de 2014 a 2015 e depois retornou a Greeley para liderar a JBS USA Fed Beef, maior unidade de negócios global da companhia.

Wesley Batista Filho retornou ao Brasil como CEO da JBS Brasil em 2017 e acumulou a função com o cargo de CEO da Seara em 2020. Virou presidente global de operações em 2022 e voltou aos EUA como CEO da JBS USA em 2023 —cargo que mantém até agora.

"É uma transição que tem uma continuidade muito grande. Um CEO novo, que conhece uma empresa do nada, tem que aprender, decidir para onde vai. No nosso caso, pela transição que estamos fazendo, não é isso... Vai ser muito simples", disse Batista Filho em entrevista à Reuters.

A nomeação do executivo para o cargo a partir de 2027 também marca o retorno de um membro da família ao comando depois de quase uma década. O último Batista a ocupar o cargo foi José Batista Sobrinho, fundador da empresa e pai de Wesley e Joesley. Ele assumiu o posto por pouco mais de um ano em meio à prisão dos filhos, posteriormente foram absolvidos das acusações.

Zé Mineiro, como é conhecido, foi substituído em 2018 por Gilberto Tomazoni, que agora entregará o leme a Wesley Batista Filho.

Para Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, a escolha já era esperada pelo mercado, que conhece a trajetória e a experiência do executivo dentro da companhia.

Na avaliação de Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, a transição tende a ser tranquila e sem grandes reações por parte dos investidores, já que a expectativa é de continuidade da atual estratégia e de uma mudança restrita ao ambiente institucional.

Gilberto Tomazoni, que continuará como presidente do conselho de administração da Pilgrim's Pride e assumirá a presidência do Instituto J&F, ingressou na JBS em 2013, após 27 anos na Sadia e três anos na Bunge Alimentos. Na companhia, comandou o negócio global de aves e a Seara. Em 2017, tornou-se COO global e, em dezembro de 2018, foi nomeado CEO global.

JBS (JBSS32) tem prejuízo de US$ 102 mi no 2T26, mas receita bate recorde, OESP

 A JBS (JBSS32) registrou prejuízo líquido atribuível aos acionistas de US$ 102 milhões no segundo trimestre de 2026, ante lucro de US$ 528 milhões em igual período do ano passado, informou a companhia nesta segunda-feira.

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A receita líquida atingiu US$ 23,9 bilhões, alta de 14% na comparação anual e recorde. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado recuou 8,2%, para US$ 1,26 bilhão, enquanto a margem caiu de 6,5% para 5,3%. O lucro por ação ficou negativo em US$ 0,10, ante US$ 0,48 no segundo trimestre de 2025.

O resultado líquido foi afetado por itens não recorrentes. Segundo a companhia, os principais ajustes foram US$ 172 milhões em prêmios, juros e custos relacionados às ofertas de recompra de bonds (título de renda fixa negociado no exterior) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), US$ 133 milhões referentes a acordos antitruste e US$ 81 milhões relativos ao cálculo final do ganho na aquisição da Mantiqueira.

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No conceito ajustado, o lucro líquido foi de US$ 218 milhões, com lucro por ação de US$ 0,20.

JBS (JBSS3) tem receita recorde, mas Ebitda cai 8,2% e empresa registra prejuízo.
JBS (JBSS3) tem receita recorde, mas Ebitda cai 8,2% e empresa registra prejuízo. Foto: Adobe Stock

Segundo o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, a rentabilidade apresentou melhora sequencial na maioria das unidades de negócio. Na comparação com o primeiro trimestre, o Ebitda ajustado cresceu de US$ 1,13 bilhão para US$ 1,26 bilhão.

De acordo com ele, a comparação anual foi prejudicada pelo resultado excepcional registrado no segundo trimestre de 2025, especialmente nas operações de aves. “O segundo trimestre do ano passado foi um recorde histórico de resultado para a empresa”, afirmou ao Broadcast Agro.

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A JBS gerou fluxo de caixa livre positivo de US$ 130 milhões no trimestre, ante consumo de US$ 55 milhões um ano antes. A companhia atribuiu a melhora principalmente à gestão do capital de giro, com avanço de US$ 600 milhões nos recebíveis, refletindo maior desconto de recebíveis e maiores adiantamentos de clientes chineses relacionados às exportações brasileiras, e aumento de US$ 390 milhões nos fornecedores.

A alavancagem líquida encerrou junho em 3,10 vezes, ante 2,77 vezes em março e ligeiramente acima da meta financeira de longo prazo da companhia. O prazo médio da dívida chegou a 15,3 anos, com custo médio de 5,7%. Em agosto, a JBS elevou sua linha de crédito rotativo de US$ 3,5 bilhões para US$ 4,2 bilhões, levando a liquidez total a US$ 7,7 bilhões.

*Os dados de Ebitda desta nota são apresentados pelo critério USGAAP, conjunto de princípios contábeis adotados nos Estados Unidos.