segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Oito cidades mostram ao Brasil que é possível despoluir os rios urbanos




O crescimento desordenado das cidades, somado ao descaso do poder público e à falta de consciência da população, fazem com que boa parte dos rios urbanos do Brasil mais pareçam a extensão das lixeiras. A falta de tratamento de esgoto e o descarte de poluentes industriais são os grandes vilões para esse quadro.
Atualmente, os 500 maiores rios do planeta enfrentam problemas com a poluição, segundo dados da Comissão Mundial de Águas. Contudo, diversas cidades conseguiram transformar seus rios mortos em belos retratos de cartão-postal, como Paris e Londres, integrando-os à sua vida econômica e social. A Exame listou alguns exemplos que podem inspirar as autoridades brasileiras para que alcancemos os mesmos resultados.
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Sena pode estar 100% despoluído em 2015
Foto: Danielle Meira dos Reis
  • 1. Rio Sena, Paris (França)
O Sena, em Paris, foi degradado por conta da poluição industrial, situação comum a outros rios europeus. Neste caso, porém houve um agravante: o recebimento de esgoto doméstico.
Por conta de seu estado lastimável, desde a década de 1920 o Sena é alvo de preocupações ambientais. Mas foi apenas em 1960 que os franceses passaram a investir na revitalização do local construindo estações de tratamento de esgoto. Hoje já existem 30 espécies de peixes no rio, mas o processo para que isso acontecesse foi lento.
No começo, havia apenas 11 estações em funcionamento. Em 2008 já eram duas mil, mas a meta é que em 2015 o rio já esteja 100% despoluído. Como parte do processo de tratamento de esgoto, o governo criou leis que multam fábricas e empresas que despejarem substâncias nas águas. Além disso, há um incentivo entre 100 e 150 euros por hectare para que agricultores que vivem às margens do rio não o poluam.
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Tâmisa era conhecido antes como o "Grande fedor"
Foto: Wikimedia Commons
  • 2. Rio Tâmisa, Londres (Reino Unido)
O Tâmisa tem quase 350 km de extensão e um longo histórico de poluição. As águas deixaram de ser consideradas potáveis ainda em 1610, por conta da falta de saneamento básico da Inglaterra. Ocorriam até mesmo mortes por cólera. Em 1858, no entanto, reuniões parlamentares precisaram ser suspensas por conta do mau cheiro das águas, o que levou os governantes a resgatar a vida do rio apelidado como “Grande fedor”.
Na época foi colocado em prática uma alternativa sem êxito, já que o sistema que coletava o esgoto despejava os dejetos recolhidos no rio a certa distância abaixo da cidade. Apenas entre 1964 e 1984 novas ações de revitalização surtiram efeito. Foram criadas duas estações de tratamento de esgoto com investimentos de 200 milhões de libras. Quinze anos depois, um incinerador passou a dar destino aos sedimentos vindos do tratamento das águas, gerando energia para as duas estações. Fora isso, hoje dois barcos percorrem o Tâmisa de segunda a sexta e retiram 30 toneladas de lixo por dia.
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Famoso rio de Lisboa teve investimento de 800 milhões de euros
Foto: Wikimedia Commons
  • 3. Rio Tejo, Lisboa (Portugal)
Para despoluir o famoso rio de Lisboa foram investidos 800 milhões de euros. A revitalização, que se encerrou em 2012, incluiu obras de saneamento e renovação da rede de distribuição de águas e esgotos, visto que os dejetos eram depositados diretamente nas águas do rio. Foram beneficiados com o projeto 3,6 milhões de habitantes.
O Tejo é o maior rio da Europa ocidental e passou a ser despoluído com a criação da Reserva Natural do Estuário do Tejo, em 2000. O plano envolveu a construção de infraestrutura de saneamento de águas residuais e renovação de condutas de abastecimento de água. Hoje, até golfinhos voltaram a saltar nas águas do rio europeu.
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Os 5,8 km do rio que corta a grande metrópole de Seul foram totalmente revitalizados em apenas quatro anos
Foto: longzijun
  • 4. Rio Cheonggyecheon, Seul (Coreia do Sul)
Pode parecer mentira, mas os 5,8 km do rio que corta a grande metrópole de Seul foram totalmente revitalizados em apenas quatro anos. Hoje ele conta com cascatas, fontes, peixes e é ponto de encontro de crianças e jovens.
Seu renascimento começou em julho de 2003, quando o governo da cidade implodiu um enorme viaduto (com cerca de 620 mil toneladas de concreto) que ficava sobre o rio e começou, em paralelo, um grande projeto de nova política de transporte público e construiu diversos parques lineares, ampliando a quantidade de áreas verdes nas ruas para uma cidade sustentável. Todo o processo teve um investimento de 370 milhões de dólares.
Com as melhorias ambientais, a temperatura em Seul diminuiu 3,6°C, além de haver melhorias econômicas para a cidade. O rio sul-coreano era responsável pela drenagem das águas da metrópole com mais de 10 milhões de habitantes quando seu leito se tornou poluído. Hoje, as águas que correm por lá são bombeadas do Rio Han, outro que passou pelo processo de despoluição.
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O Han também passou por mudanças e hoje é considerado limpo e já tem algumas espécies de peixe
Foto: Divulgação
  • 5. Rio Han, Seul (Coreia do Sul)
Formado pela confluência dos rios Namhan e Bukhan, ele passa por Seul e se junta ao rio Imjin, que em seguida deságua no Mar Amarelo. Com 514 km de extensão, sendo 320 navegáveis, o rio sempre teve papel fundamental para o desenvolvimento da região, visto que era fonte para a agricultura e o comércio, além de ajudar na atividade industrial e na geração de energia elétrica.
No entanto, o Rio Han sofreu grande degradação durante a Segunda Gerra Mundial e Guerra da Coreia, além de receber o despejo de esgoto.
Mas, em 1998, com o plano de Desenvolvimento e Implementação de Gestão da Qualidade da Água, o local mudou o seu destino. Com a revitalização do rio Cheonggyecheon, o Han também passou por mudanças e hoje é considerado limpo e já tem algumas espécies de peixe. O governo tem em prática, inclusive, o projeto Han Renaissance, que tem por objetivo revitalizar 12 parques à beira do rio.
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Governos das cidades banhadas pelo Reno se reuniram e criaram o Programa de Ação para o Reno em 1987
Foto: Vladimir Rys/Getty Images
  • 6. Rio Reno, várias cidades da Europa
Com cerca de 1,3 mil km de extensão, o rio nasce nos Alpes Suíços e banha seis países europeus até desaguar no Mar do Norte, na Holanda. Durante muitos anos recebeu dejetos de zonas industrias, o que o levou a ser conhecido, em 1970, como a cloaca a céu aberto da Europa.
Um dos principais casos de contaminação aconteceu em 1986, quando 20 toneladas de substâncias altamente tóxicas foram despejadas no rio por uma empresa suíça. Com o ocorrido, o governos das cidades banhadas pelo Reno se reuniram e criaram o Programa de Ação para o Reno em 1987, investindo mais de 15 bilhões de dólares em sua recuperação, que contou com a construção de estações de tratamento de água monitorado. O resultado são 95% dos esgotos das empresas tratados e a existência de 63 espécies de peixes vivendo por ali hoje.
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Cleveland investiu mais de 3,5 bilhões de dólares para a purificação da água do Cuyahoga e dos seus sistemas de esgoto
Foto: Cuyahoga jco
  • 7. Rio Cuyahoga, Cleveland (Estados Unidos)
Localizado no estado de Ohio, ele conta com 160 km de extensão, passando pelo Parque Nacional do Vale Cuyahoga e desaguando no Lago Eire. Hoje ele é parte fundamental do ecossistema da região, sendo lar e fonte de sustento de diversos animais. No entanto, a história era bem diferente em um passado não muito distante.
Devido à atividade industrial maciça e o esgoto residencial da região entre Akron e Cleveland, o rio era bastante poluído. Para piorar a situação, em junho de 1969, uma mancha de óleo e outros produtos químicos incendiaram o rio. Por conta desses fatores, em 1970 foi assinado o Ato Nacional de Proteção Ambiental, que viabilizou a criação do Ato Água Limpa, em 1972, estipulando que todos os rios do país deveriam ser apropriados para a vida aquática e para o lazer humano.
Assim, Cleveland investiu mais de 3,5 bilhões de dólares para a purificação da água do Cuyahoga e dos seus sistemas de esgoto. E a previsão é de investir mais 5 bilhões nos próximos 30 anos para manter o bom estado de suas águas.
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As galerias pluviais foram reconstruídas nos Canais de Copenhague
Foto: Pramzan45/Wikimedia Commons
  • 8. Canais de Copenhague (Dinamarca)
Provavelmente você conhece a capital dinamarquesa por ser referência no assunto meio ambiente. Hoje ela possui uma meta muito clara: quer chegar em 2025 como a capital a primeira capital do mundo a neutralizar suas emissões de carbono.
Mas nem sempre foi assim. Antes os canos que levavam a água da chuva para os rios e canais muitas vezes se misturavam com a rede de esgoto, transportando os dejetos para as águas. Além disso, o entorno do rio era uma área industrial, o que fazia com que boa parte do lixo da região fosse para os canais e rios.
Em 1991, no entanto, surgiu o plano de despoluição das águas e a remoção da área industrial ao redor do rio. Assim, as galerias pluviais foram reconstruídas, os reservatórios de água foram estabelecidos em pontos estratégicos da cidade para que a água da chuva se armazenasse em caso de tempestade e o encanamento dos esgotos foi melhorado. O lixo, por sua vez, passou a ser reciclado e incinerado.
Hoje os habitantes e turistas podem, até, tomar banho nas piscinas públicas artificiais criadas pelo governo.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

SuperVia é a Melhor Operadora de Passageiros de 2013


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13/12/2013
Por conta da melhoria em seus indicadores de produtividade, a SuperVia foi eleita a Melhor Operadora de Passageiros pelo Conselho Editorial da Revista Ferroviária. A concessionária de trens do Rio de Janeiro ampliou o número de passageiros transportados e de carros de passageiros ativos; e melhorou o desempenho em relação aos indicadores de Número de Passageiros Transportados por Funcionário e Número de Carros Ativos por Quilômetro de Malha.
A empresa será homenageada durante o Prêmio Revista Ferroviária 2014, que será realizado em São Paulo, em março de 2014.
Como parte da ampliação do prazo de concessão, a SuperVia está realizando em parceria com o Governo do Estado do Rio de Janeiro investimentos em sua malha. A operadora está adquirindo novos trens, revitalizando ramais e estações. No ano passado, a concessionária inaugurar seu novo Centro de Controle Operacional e neste ano iniciou o uso do sistema de proteção automática o Automatic Train Protection (ATP) no ramal entre a Central e Deodoro, onde circulam 60% de seus passageiros. O sistema permitirá a redução do intervalo entre trens e trará mais segurança para a operação.
Em agosto, foi inaugurado um novo centro de simulação ferroviária, com dois simuladores de condução de trens para realizar o treinamento de 320 maquinistas e um simulador para treinamento no novo sistema de sinalização.
A SuperVia tem 270 quilômetros de malha dividida em cinco linhas, com 100 estações, que atendem o Rio de Janeiro e as cidades do entorno. No ano passado, a SuperVia transportou  143,6 milhões de passageiros e investiu R$ 245,2 milhões no sistema. 

Trens voltam a trafegar apos depredação no Rio

13 de dezembro de 2013 | 11h 13
MARCELO GOMES - Agência Estado
Passageiros de um trem que circulava pelo ramal Belford Roxo entre as estações Barros Filho e Honório Gurgel, na zona norte do Rio, na manhã desta sexta-feira, 13, quebraram vidros, bancos da composição após a interrupção da viagem.
Passageiros contaram que após sair da estação Barros Filho o trem ficou cerca de 40 minutos parado. Pelo sistema de autofalante, o maquinista informava que estava aguardando autorização para seguir viagem. No entanto, um trem que vinha atrás ultrapassou a composição que estava parada, o que revoltou os passageiros.
Eles forçaram as portas dos vagões, desceram na linha férrea e quebraram as vidraças com pedras. Alguns assentos foram arremessados para fora. Policiais militares chegaram ao local no momento em que um grupo de pessoas tentava atear fogo ao trem que estava parado.
Houve um princípio de confusão, mas ninguém foi preso. A composição já foi retirada do local.
Segundo a Supervia, empresa responsável pelo sistema de trens, ocorreu um problema no sistema de tração na composição que parou. A circulação no ramal de Belford Roxo foi restabelecida às 10h, segundo a Supervia, mas a estação Honório Gurgel não pôde ser reaberta, "em virtude da depredação de alguns equipamentos do local", afirma a empresa por meio de nota. 

USP Leste tem água imprópria e piolho

Fabiana Cambricoli e Victor Vieira - O Estado de S.Paulo
Após ser multada por causa da contaminação do solo por gás metano no câmpus Leste, a Universidade de São Paulo (USP) enfrenta agora problemas com água imprópria para consumo e infestação de piolhos de pombo nas salas de aula da mesma unidade. Os bebedouros estão interditados até o fim de semana e as áreas infestadas ficaram sem uso por pelo menos dez dias.
O bloqueio temporário dos bebedouros foi determinado depois que análises feitas pela Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) apontaram turbidez da água e presença indevida de bactérias. A causa do problema foi a falta de limpeza dos reservatórios de água. A higienização periódica é recomendada a cada seis meses ou, no máximo, anualmente. A última lavagem foi em setembro de 2012.
O edital de contratação para nova limpeza foi aberto em setembro deste ano, mas não foi concluído por causa da troca de direção da unidade e da ocupação da sede do câmpus em protesto dos alunos, em outubro, que durou 18 dias.
A Sabesp informou que não há problema na água levada pela companhia à faculdade. Como as caixas d'água ficam dentro do imóvel, a qualidade da água é de responsabilidade da USP Leste.
A direção da unidade contratou, em regime de emergência, a limpeza dos reservatórios, que será feita neste fim de semana. Garrafões de água foram distribuídos para consumo nos próximos dias. A previsão é de que os bebedouros voltem a funcionar na segunda. A Sabesp deve fazer nova avaliação.
Piolhos. Além dos bebedouros, três salas de aula do prédio principal ficarão interditadas até terça, por causa de infestação de piolhos de pombos. O forro do prédio tem ninhos das aves. Segundo relatos de alunos e professores, o problema foi descoberto quando, no fim de novembro, pequenos ácaros começaram a andar pelo corpo de alunos e professores durante aulas. Alguns deles dizem ter sido picados pelos parasitas.
Com coceira e feridas, uma das professoras procurou um dermatologista e foi diagnosticada com escabiose (sarna). Ela teve de passar por tratamento contra o problema, assim como sua família, por prevenção.
Com as salas interditadas, os alunos de três turmas passaram a ter aulas no auditório ou anfiteatro. "Acabamos de sair de uma greve, estamos com as aulas atrasadas, e tivemos de ficar de um lado para outro para saber onde seria a aula. Como uma universidade do porte da USP pode ter um problema como esse?", questiona uma alunado 2.º ano de Gestão Ambiental, uma das turmas afetadas.
A assessoria de imprensa da USP Leste informou que a desinfestação foi feita no dia 3, segundo as normas de vigilância sanitária. Também já foram pedidas dedetizações periódicas para evitar novos problemas.
Indefinição. A USP só foi notificada na segunda-feira sobre a liminar concedida pela Justiça no dia 21, a pedido do Ministério Público Estadual (MPE), que suspende as obras e as aulas na unidade por causa da contaminação por metano. A Procuradoria Jurídica da USP pretende recorrer.
O prazo de 30 dias para suspensão das aulas começou a valer na segunda-feira e, durante o recesso do MPE, do dia 20 até 6 de janeiro, a contagem é suspensa. Se a sentença for mantida, a USP tem até os últimos dias do mês que vem para encontrar novo local para as aulas.
Segundo informe da Superintendência de Espaço Físico da USP divulgado nesta semana, já foi aberta a licitação para executar a instalação dos dutos de extração de vapores do prédio do Ciclo Básico. A abertura dos envelopes é prevista para o dia 18. A falta de sistemas de extração em todos os edifícios era um dos questionamentos do MPE.