domingo, 9 de agosto de 2026

Dez anos depois, Rio não tem legado olímpico comparável ao de Londres, Elio Gaspari, FSP

 

Dez anos depois, Rio não tem legado olímpico comparável ao de Londres

  • Cavaliere diz que poucas cidades deram uso permanente às estruturas dos Jogos como a capital fluminense
  • Governo prepara intervalo de cinco segundos entre apostas para tentar conter efeitos da jogatina eletrônica
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Numa trapaça da História, o Rio de Janeiro está de novo no colo do ex-prefeito Eduardo Paes, dez anos depois do delírio da Olimpíada de 2016.

Comentando a ruína do prometido "legado" dos jogos o atual prefeito, Eduardo Cavaliere, disse o seguinte: "Poucas cidades no mundo conseguiram preservar e dar uso permanente ao legado de uma Olimpíada como o Rio".

O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes durante cerimônia com o prefeito carioca, Eduardo Cavaliere - Eduardo Anizelli - 20.mar/Folhapress

Falso. Os jogos de Atenas (2004) e do Rio (2016) são exemplos do contrário.

Já os de Londres (2012), Barcelona (1992) e Tóquio (1964) cabem na louvação de Cavaliere.

Londres botou uma parte da vila olímpica numa região parecida com a Baixada Fluminense, sem os tiros. Revitalizada, seu shopping center tornou-se um dos maiores da Europa, com três hotéis, 70 restaurantes e 300 lojas. Barcelona mudou de cara e voltou-se para o mar e Tóquio apresentou ao mundo o trem-bala.

Ganha um fim de semana em Teerã quem viu coisa parecida no Rio.

Jogatina

Depois de ter escancarado a jogatina eletrônica para aumentar a arrecadação, Lula 3.0 cogita colocar um esparadrapo na ferida onde mais de 20 milhões de pessoas fazem apostas.

Uma portaria obrigará o cidadão a esperar cinco segundos entre uma aposta e outra.

Ganha outro fim de semana em Teerã quem souber por que o intervalo entre uma aposta e outra não foi fixado em um minuto.

Lula se mete em sinuca ao anunciar nova conversa com Trump, Elio Gaspari ,FSP

 Ao anunciar em público que pretende ter uma nova conversa com Donald Trump, Lula meteu-se numa encrenca típica da diplomacia de palanque.

Se a conversa acontecer depois da concessão de agrément a Daniel Perez, ficará a impressão de que cedeu. Se não acontecer depois, ele ficará como intransigente.

Três homens em trajes formais conversam em corredor com paredes brancas. Dois retratos emoldurados de presidentes históricos estão pendurados na parede atrás deles, com placas descritivas abaixo. Texto dourado na parede diz 'The Presidential Walk'. Flores desfocadas aparecem em primeiro plano.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca - Ricardo Stuckert/PR

Fantasias de marqueteiro

Pela ação de seus adversários internos e externos, Lula chega ao fim do seu mandato estranhado com os presidentes dos Estados Unidos e da Argentina. Ambos dizem o que lhes vem à cabeça.

Em 2023, quando voltou ao Planalto, seus áulicos viam-no numa caminhada em direção ao prêmio Nobel da Paz. Lá atrás, Lula achava que podia ajudar a acabar com a guerra da Ucrânia.

Argentina

Quem conhece o estilo de Javier Milei acredita que o presidente argentino passará de incendiário a socorrista depois da eleição de outubro.

De Ed Morgan@edu para Marco Rubio ,Elio Gaspari, FSP

 Estimado secretário de Estado Marco Rubio,

Fui o embaixador mais duradouro dos Estados Unidos no Brasil, de 1912 a 1933. Acredite que nunca aprendi a falar português. Temos um ponto em comum, pois vivi em Cuba e de lá eu trouxe o hábito de servir aos convidados uma mistura de suco de limão com aguardente, o daiquiri de lá, a batida daqui.

Sou um diplomata da velha escola, Harvard, colarinho duro e horror aos dias quentes do Rio. Eu vivia em Petrópolis e aqui estou sepultado.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, participa de reunião de gabinete do governo Donald Trump, em Washington - Aaron Schwartz - 31.jul.26/AFP

Escrevo-lhe para ponderar que o senhor está armando tantas crises e ressentimentos nas relações com o Brasil que levaremos tempo para remendá-las. Revogar o visto da embaixadora foi uma criancice. Tomar o partido de um candidato à Presidência castra nossa influência em favor dos chineses.

Veja o meu caso. Cheguei aqui na Presidência do marechal Hermes da Fonseca e, até 1930, atravessei cinco governos daquela que os brasileiros chamam, erradamente, de República Velha. Em março de 1930 o paulista Júlio Prestes elegeu-se, derrotando Getúlio Vargas. Acompanhei-o numa visita ao presidente Herbert Hoover. Ela correu tão bem que até na capa da revista Time ele saiu.

Deu-se uma revolução e Vargas foi para o Palácio do Catete. O presidente Washington Luís e Júlio Prestes viram-se exilados na Europa. Eu havia ficado longe da fogueira e continuei no posto por quase três anos. Não tive qualquer dificuldade com Vargas.

Naquele tempo eu achava que o Brasil deveria investir em transporte e comunicação. Infelizmente, nunca concordei com os métodos de Percival Farquhar, vice-rei da infraestrutura brasileira, mas suas empresas ofereciam serviços aos brasileiros.

O que temos hoje? Seu governo hostiliza o governo de Lula em torno de mixarias e tarifas leoninas, enquanto os chineses ocupam espaços nas comunicações, nos portos e nos transportes. Farquhar, com quem me reconciliei, contou-me que a China poderá comprar 20% da Rumo, passando a controlá-la.

Trata-se da maior operadora de cargas ferroviárias do país, com 14 mil km de malha. Os carros elétricos chineses estão tomando o mercado brasileiro, suplantando montadoras americanas protegidas há 70 anos. A China tornou-se o maior parceiro comercial do Brasil e avança nos investimentos, sem se meter com candidaturas.

Secretário Rubio, nós estamos rosnando por mixarias enquanto não fazemos nosso serviço.

O presidente Trump, durante seu primeiro governo, passou a negar vistos aos parceiros não casados de diplomatas homossexuais.

Mesmo hoje, trava a carreira de nossos profissionais. Com semelhante postura, os presidentes Taft, Wilson e Harding não teriam me designado para o Brasil.

Em 1937, o presidente Franklin Roosevelt mandou para o Rio o meu grande colega Jefferson Caffery. Ele ficou aqui até 1944, se deu muito bem com Vargas e aparou as arestas com os generais germanófilos.

Encontrei outro dia numa festa o subsecretário de Estado Sumner Welles (1937-1943). Ele foi demitido porque saiu do armário num trem.

Welles me contou que a intriga contra ele partiu do hétero William Bullitt, cuja mulher era lésbica.

Naquele tempo ficávamos no armário, mas o serviço diplomático fazia seu serviço, porque havia, e há, coisa séria a fazer.

Do seu humilde servidor,

Edwin Vernon Morgan.

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