terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Isolado, Serra afirma que PSDB deve lançar Aécio à Presidência ‘sem demora’


Em mensagem divulgada pelas redes sociais, ex-governador paulista indica ter desistido de disputar posto de candidato tucano ao Planalto com o mineiro, que tem apoio majoritário na sigla

16 de dezembro de 2013 | 21h 07

Iuri Pitta e Ricardo Chapola - O Estado de S. Paulo
Texto atualizado às 23h10
Caminho de Serra agora é tentar vaga no Senado ou na Câmara - Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão
Caminho de Serra agora é tentar vaga no Senado ou na Câmara
SÃO PAULO - O ex-governador de São Paulo José Serra afirmou nesta segunda-feira, 16, que os defensores da confirmação do senador Aécio Neves (MG) como candidato do PSDB à Presidência da República devem formalizar a indicação "sem demora". A declaração, interpretada até por seus aliados como uma desistência da terceira candidatura ao Planalto, foi dada nas redes sociais, às 19h56, um dia antes de Aécio lançar documento com as diretrizes de seu futuro programa de governo.
Concorrente ao Planalto nas disputas de 2002 e 2010, quando foi derrotado respectivamente pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela presidente Dilma Rousseff, Serra disse que, "como a maioria dos dirigentes do partido acha conveniente formalizar o quanto antes o nome de Aécio Neves para concorrer à Presidência da República, devem fazê-lo sem demora".
Na mensagem de 57 palavras, o ex-governador também se diz grato por quem gostaria de vê-lo disputando o Planalto pela terceira vez. "Agradeço a todos aqueles que têm manifestado o desejo, pessoalmente ou por intermédio de pesquisas, de que eu concorra novamente."
A mensagem de Serra foi divulgada um dia após o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso escrever, em depoimento ao Estado, que "quem pretenda ser candidato continuará sempre a esperar que algo inadvertido ocorra e mude o jogo". "Aposta arriscada, mas não ilegítima", afirmou FHC. "Cabe aos que não apostam no imprevisto empenhar-se para que a competição transcorra normalmente, mesmo porque os responsáveis por um partido não podem ficar paralisados à espera de um imprevisto, como uma doença num candidato, por exemplo."
Responsabilidade. Serra tomou a decisão de divulgar essa mensagem há pelo menos 15 dias. Um dos objetivos é não ser mais responsabilizado pelas divisões internas do PSDB ou pelo desempenho de Aécio nas pesquisas de intenção de voto - o senador obteve teto de 14% em pesquisa Ibope de novembro, ante 19% de Serra.
O ex-governador avisou alguns de seus aliados próximos, como o ex-governador Alberto Goldman, vice-presidente nacional do PSDB, de que tomaria essa atitude. "Eu já sabia que ele (Serra) ia fazer isso a qualquer momento. Era a disposição dele", afirmou. "Ele já tinha adiantado isso para quem é próximo, mas não deu detalhes nem data. Ele expressou a sua vontade."
O deputado Jutahy Magalhães Junior (PSDB-BA) afirmou que Serra fez um "gesto generoso". "E mostrou unidade partidária. Havia o entendimento de que a decisão sobre o candidato fosse ser em março, mas Serra achou conveniente abrir caminho para Aécio se lançar candidato quando ele quiser", disse. Goldman segue esse raciocínio. "Serra fez muito bem. Ele era criticado e visto como o responsável pelo partido ainda não ter um candidato certo."
Desde novembro, Serra tem viajado pelo País e agido como se estivesse em campanha. Nesta segunda, esteve em Caxias do Sul, onde disse a empresários gaúchos que chegou ao fim o "ciclo lulista de desenvolvimento" puxado pelo consumo interno.
O ex-governador também tem escrito artigos com discurso de oposição ao governo, postura que será mantida, segundo aliados. Pouco antes do prazo eleitoral para disputar eleições em 2014, Serra cogitou filiar-se ao PPS, mas preferiu ficar no PSDB.
Agora, o ex-governador deve avaliar outras opções: concorrer ao Senado, que terá a cadeira hoje ocupada por Eduardo Suplicy (PT) em disputa, ou a deputado federal. Aliados defendem que o ex-governador é o único nome em condições de enfrentar o petista, senador desde 1991. / COLABOROU ELDER OGLIARI

Iluminação pública paulistana teve ano positivo


Diversas ações do Ilume tiveram como objetivo a melhoria da iluminação e, dessa forma, contribuir para aumentar a qualidade de vida do cidadão
 
Balanço preliminar da Secretaria de Serviços mostra que o Programa de Remodelação e Eficientização colocado em prática pelo Departamento de Iluminação Pública (Ilume) para 2013 está sendo cumprido no prazo. Dos 120 mil pontos previstos para serem remodelados (substituição de lâmpadas de vapor de mercúrio por de vapor de sódio, que produzem mais luminosidade e chegam a ser até três vezes mais econômicas), 110 mil já foram executados, e das 18 mil ampliações programadas, 16,6 mil já foram concluídas.

A finalidade do programa, a um custo de 116,3 milhões, é aumentar os níveis de iluminação da cidade e, dessa forma, garantir mais segurança ao cidadão. Como parte dessa ação, regiões como a Vila Bela (São Mateus), que permaneceu na escuridão durante dez anos, e os baixos do Viaduto da China, no Jardim Helena (São Miguel Paulista), que passa por um processo de revitalização, foram iluminados. No caso da Vila Bela, o local foi contemplado com 421 pontos de iluminação distribuídos em 100 ruas, o equivalente a 12 quilômetros de vias, beneficiando 10 mil pessoas.

Outra comunidade beneficiada é Paraisópolis, no bairro do Morumbi, cuja avenida Hebe Camargo, de um quilômetro de extensão, recebeu um novo padrão de iluminação, a pedonal, na qual as luminárias são posicionadas para favorecer prioritariamente as calçadas, mas iluminando também a parte central das ruas. Experiências nesse sentido já haviam sido realizadas na Alameda Santos e Rua Antônio Carlos, na região dos Jardins, com o objetivo de eliminar pontos escuros proporcionados pela arborização.

A remodelação e a ampliação da iluminação não ficaram restritas às ruas e avenidas. Praças como a Mãe Preta (Vila Curuçá), do Forró, (São Miguel Paulista), e do Campo do Torto (Itaquera), foram remodeladas. Na Mãe Preta, por exemplo, 400 pontos de iluminação, distribuídos numa área de 5 mil m2, tiveram as lâmpadas de mercúrio substituídas pelas de sódio, trazendo mais conforto para cerca de 40 mil pessoas.

O programa também atendeu a uma relação da Polícia Militar, que apontava 643 logradouros que necessitavam de melhoria de iluminação, por conta de maior incidência de homicídios e de violência contra as mulheres. Após mais de 800 vistorias, o Ilume não constatou problemas em 140 delas. Em 138 foram realizadas 10 mil manutenções (troca de lâmpadas queimadas, por exemplo); em 397, executadas 7 mil remodelações; em 113, ampliados 750 pontos; e em 53, realizados serviços de podas de árvores.

Eventos noturnos - Para garantir que o cidadão desfrutasse a cidade com mais segurança durante os principais eventos que têm a noite como palco, casos do Carnaval e das Viradas Cultural e Esportiva, o Ilume fez intervenções em 36 locais por onde passaram desfiles de blocos carnavalescos e/ou que dão acesso aos principais clubes.

Na Virada Cultural, a atuação se deu no entorno dos pontos que abrigaram os 25 palcos espalhados pela região central. Foram efetuadas manutenções preventivas e apoio às instalações para as atividades artísticas. Na Virada Esportiva, o entorno de 12 centros esportivos teve a iluminação requalificada, o que significou a troca de lâmpadas e reparos em 43 ruas e avenidas próximas.

Iluminação alusiva - O Ilume manifestou apoio às causas sociais por meio de iluminação alusiva. Para lembrar o Dia da Luta da População em Situação de Rua, a iluminação da Praça da Sé ganhou cores vermelhas durante uma semana de agosto.

Para chamar a atenção para a doação de órgãos, quatro cartões postais da cidade (Ponte Estaiada, Monumento das Bandeiras, Obelisco e Baixos do Viaduto do Chá) foram iluminados na cor verde durante 22 a 28 de setembro. A cor verde é o símbolo desse tipo de doação em todo o mundo.

Também disse sim à Campanha "Pense Rosa", orientada para a importância da mamografia anual para as mulheres acima de 40 anos no combate ao câncer de mama, ao iluminar com esta cor cinco símbolos da cidade durante a primeira quinzena de outubro: Edifício Matarazzo, Teatro Municipal, Monumento às Bandeiras, Obelisco do Ibirapuera e Ponte Estaiada.

Parceria Público-Privada - Com a finalidade de modernizar a iluminação pública da cidade, uma das novidades para 2014 deverá ser o firmamento de parcerias público-privadas.

Nesse sentido, um Chamamento Público atraiu a atenção de mais de 40 empresas, das quais 26 foram autorizadas a apresentar estudos de modernização, otimização, expansão, operação e manutenção da infraestrutura da rede de iluminação pública, composta por mais de 560 mil lâmpadas.

Pela parceria a ser firmada, os vencedores ficarão com a arrecadação da Contribuição para custeio do Serviço de Iluminação Pública (Cosip), estimada para este ano em 271 milhões. Esse valor é pago pelo contribuinte na conta de luz - 4,44 por residência e 13,99 para imóveis não residenciais.

Novas atribuições - A partir de janeiro, o ativo de 9 mil pontos de iluminação da Eletropaulo utilizados na reurbanização de favelas passarão para o controle do Ilume. O departamento será responsável também pela iluminação das passarelas, hoje 7.500 pontos controlados pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), e que deverão ser ampliados em 2.300 pontos, além dos106 parques, que necessitam de 600 pontos de ampliação e 70 remodelações.

O próximo ano reserva ainda ao Ilume o envolvimento em projetos especiais, como a remodelação das Avenidas 23 de maio e Radial Leste, readequação da iluminação da Praça da Sé, e iluminação decorativa para edificações como Biblioteca Mário de Andrade, Ponte das Bandeiras, Pátio do Colégio e Vale do Anhangabaú.
 
 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Preocupação oportuna, mas insuficiente - JORGE J. OKUBARO


O Estado de S.Paulo - 16/12

O público decerto gostou do discurso que a presidente Dilma Rousseff pronunciou na semana passada em Brasília, durante o Encontro Nacional da Indústria. "Ouso dizer que em poucos momentos da nossa história o desenvolvimento da indústria esteve tão no centro das preocupações do governo", disse ela, ao enumerar as ações desenvolvidas por sua administração para apoiar a atividade industrial. Linhas de crédito, redução do custo de insumos (especialmente do principal deles, a energia elétrica), incentivos tributários, parcerias público-privadas na área de medicamentos e vacinas e até ações na área de infraestrutura foram citados pela presidente como demonstrações da preocupação de seu governo com a indústria nacional.

É possível que essa lista, à qual podem ser acrescentadas outras iniciativas, de fato comprove a prioridade da indústria nas políticas do governo. Continua muito difícil, no entanto, aferir os resultados práticos desse conjunto de medidas.

A produção industrial neste ano, até outubro, registrou aumento de 1,6%, mas é uma variação insuficiente para compensar a retração de 2,6% observada em 2012. Ou seja, ainda não se retornou aos níveis de 2011. Com a redução do pessoal empregado, a produtividade aumentou 2,6%, o que não é muito. Para que a eficiência produtiva continue a aumentar sem gerar desemprego, os investimentos em inovação e modernização terão de crescer mais depressa. Mas ainda não há evidências de que isso esteja ocorrendo.

Nos dez primeiro meses de 2013, o emprego industrial teve redução de 1% na comparação com o período janeiro-outubro de 2012. Dos 18 segmentos industriais cujo nível de ocupação é acompanhado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 10 registraram queda no número de trabalhadores empregados em 2012 e continuaram a reduzir seu quadro de pessoal em 2013. Ao analisar os dados do IBGE, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) constatou que, nos setores considerados tradicionais, como têxtil, vestuário, calçados e couro e madeira, "a retração do emprego foi elevada em 2012 e continua alta em 2013".

É provável que a tendência de queda do emprego tenha se mantido em novembro. Isso ocorreu em São Paulo, como constatou a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O nível de emprego na indústria paulista em novembro caiu 1,69% na comparação com novembro de 2012. É possível que o ano termine com o fechamento de 20 mil postos de trabalho na indústria paulista.

Do ponto de vista do comércio exterior, o quadro é ainda mais desalentador para a indústria brasileira. O Brasil exporta cada vez menos e importa cada vez mais bens industrializados.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mostram que, neste ano, as exportações de produtos industrializados (manufaturados e semimanufaturados) diminuíram 1,5% na comparação com 2012 (as vendas caíram de US$ 113,7 bilhões, de janeiro a novembro de 2012, para US$ 112 bilhões, nos 11 primeiros meses de 2013).

Já as importações de bens de capital, bens de consumo e combustíveis saltaram de US$ 92 bilhões para US$ 98,8 bilhões (aumento de 7,4%). Se forem computados os bens intermediários (agrupados nas estatísticas do governo com as matérias-primas), o aumento pode ter sido ainda maior. O avanço de produtos fabricados na China e de outras procedências no mercado brasileiro são o resultado mais visível da perda de espaço do produto nacional.

Quanto à eficiência produtiva, um estudo divulgado na quinta-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) deixa claro que, se avanços houve, foram modestos - e insuficientes para melhorar a situação do Brasil na comparação com outros 14 países com presença semelhante no mercado mundial ou com características econômico-sociais comparáveis às nossas.

No conjunto de oito fatores considerados como condicionantes da competitividade de um país, o Brasil ocupa o terço final da lista (entre a 11.ª e a 15.ª posição) em cinco; nos outros três, ocupa o terço intermediário (da 6.ª à 10.ª posição). Não está entre os cinco melhores em nenhum quesito.

A posição brasileira melhorou com relação ao custo da mão de obra, aos gastos públicos com educação e ao ambiente macroeconômico. A classificação brasileira não se alterou nos itens custo de capital, disponibilidade de capital, infraestrutura de transportes e peso dos tributos. Mas piorou nos itens disponibilidade de mão de obra, sistema financeiro, infraestrutura de energia e telecomunicações e apoio governamental à inovação e microeconomia, entre outros.

Não chega a ser consolador o fato de o Brasil não ter piorado no item infraestrutura de transportes, ao qual o governo vem dedicando atenção especial desde agosto de 2012, com o programa de investimento em logística, que prevê aplicações bilionárias em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. O País ocupava a última posição nesse item no estudo feito em 2012 e não saiu do lugar em 2013.

Onde melhorou, o Brasil melhorou pouco. "Nossa velocidade não é suficiente", observou o diretor de Políticas e Estratégia da CNI, José Augusto Coelho Fernandes. "Às vezes, ficamos contentes com nossos avanços, mas não os comparamos com avanços mais expressivos que nossos concorrentes vêm tendo."

O estudo da CNI mostra que as ações enumeradas pela presidente da República para demonstrar sua preocupação com a recuperação da indústria e a restauração de seu papel de gerador de empregos e de produtor de riquezas não têm sido suficientes para tornar o setor mais competitivo. É preciso que essas ações sejam mais eficazes e não atrasem tanto como têm atrasado.

Mas, mais do que isso, é preciso que o governo volte suas atenções também para problemas que afetam fortemente a atividade industrial, mas que não têm sido enfrentados com a intensidade necessária. E é preciso que as ações do poder público sejam articuladas, o que nem sempre tem ocorrido.