domingo, 9 de agosto de 2026

A linha que está dividindo as eleições, The News

 

Olhando os grandes temas do debate político hoje, fica a impressão que a política brasileira se divide apenas entre direita e esquerda, ou entre simpatizantes de Lula e de Bolsonaro.

Mas pesquisas, dados e relatórios recentes mostram que não é só por aí que existe uma fronteira nas eleições. Está presente também em um fenômeno chamado gender gap.

Esse nome mais técnico se refere a disparidade de intenção de voto entre os gêneros, e se consolidou como a variável mais decisiva para a corrida presidencial.

O que quer dizer? Basicamente, enquanto os homens estão mais inclinados à direita, as mulheres estão se posicionando cada vez mais à esquerda.

Para muitos especialistas, o gênero passou a ser a principal linha divisória da política brasileira.

Vamos aos números…

Se olharmos para os dois principais candidatos para assumir o Palácio do Planalto, entre o eleitorado masculino, Flávio Bolsonaro lidera contra Lula por 50% a 41%.

Quando o recorte é feito apenas com as mulheres, a fotografia se inverte. Lula lidera com 52% contra 37% do senador.

O movimento acontece em um momento decisivo. Pela primeira vez em mais de uma década, mais brasileiros se declaram de direita ou centro-direita (44%) do que de esquerda ou centra-esquerda (39%).

(Imagem: DataFolha | Veja)

No caso das mulheres, o jogo é um pouco diferente, já que 44% dizem estar mais alinhadas à esquerda, contra 38% à direita.

Talvez você se pergunte o porquê dessa distância só aumentar, e a resposta está ligada a economia, a segurança e a rotina. Lembre-se, aqui são os dados.

  • O lado feminino: Especialistas apontam que a inclinação das mulheres à esquerda tem menos com a polarização ideológica e mais com uso prático dos serviços públicos. Elas priorizam proteção social, saúde, educação e igualdade no mercado de trabalho.

  • O lado masculino: Parte dos homens tem respondido com mais tração a discursos de autoridade, visão liberal na economia e pautas mais ‘’duras’’ de segurança — a principal sendo a flexibilização de acesso a armas, amplamente rejeitada pela maioria feminina.

Os dois lados da moeda não são exclusivos do Brasil. O cenário espelha a dinâmica americana, onde a rejeição feminina a discursos conservadores impulsionou movimentos anti-Trump, ao mesmo tempo em que a pauta anti-woke cresceu entre os homens.

Os posicionamentos impactam nas campanhas

Com o eleitorado rachado ao meio, os dois lados precisam recalibrar os discursos para tentar furar a bolha do gênero oposto.

O plano de Lula

Para segurar o eleitorado feminino, o governo tem apostado forte em agendas trabalhistas, com lei da igualdade salarial, a discussão pelo fim da escala 6x1 e a ampliação de programas sociais.

O grande desafio do petista é reduzir a rejeição entre os homens, que chega a 55%.

O plano de Flávio

Do outro lado, o candidato do PL tenta suavizar a resistência do público feminino ao clã Bolsonaro. Flávio passou a intensificar agendas com mulheres e colocou a esposa Fernanda na linha de frente dos compromissos.

O problema é que problemas dentro da própria base tem atrapalhado. Ruídos públicos entre o senador e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro acabaram gerando desgaste.

Apesar de representarem a maioria da população e do eleitorado, as mulheres ocupam hoje apenas 17,7% das cadeiras na Câmara dos Deputados. No entanto, se a presença institucional ainda é baixa, a força nas urnas é definitiva.

Em uma disputa que promete ser decidida voto a voto, a corrida presidencial no Brasil não será vencida apenas por quem convencer o eleitorado tradicional, mas por quem conseguir decifrar e responder às demandas do gender gap.

Dez anos depois, Rio não tem legado olímpico comparável ao de Londres, Elio Gaspari, FSP

 

Dez anos depois, Rio não tem legado olímpico comparável ao de Londres

  • Cavaliere diz que poucas cidades deram uso permanente às estruturas dos Jogos como a capital fluminense
  • Governo prepara intervalo de cinco segundos entre apostas para tentar conter efeitos da jogatina eletrônica
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Numa trapaça da História, o Rio de Janeiro está de novo no colo do ex-prefeito Eduardo Paes, dez anos depois do delírio da Olimpíada de 2016.

Comentando a ruína do prometido "legado" dos jogos o atual prefeito, Eduardo Cavaliere, disse o seguinte: "Poucas cidades no mundo conseguiram preservar e dar uso permanente ao legado de uma Olimpíada como o Rio".

O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes durante cerimônia com o prefeito carioca, Eduardo Cavaliere - Eduardo Anizelli - 20.mar/Folhapress

Falso. Os jogos de Atenas (2004) e do Rio (2016) são exemplos do contrário.

Já os de Londres (2012), Barcelona (1992) e Tóquio (1964) cabem na louvação de Cavaliere.

Londres botou uma parte da vila olímpica numa região parecida com a Baixada Fluminense, sem os tiros. Revitalizada, seu shopping center tornou-se um dos maiores da Europa, com três hotéis, 70 restaurantes e 300 lojas. Barcelona mudou de cara e voltou-se para o mar e Tóquio apresentou ao mundo o trem-bala.

Ganha um fim de semana em Teerã quem viu coisa parecida no Rio.

Jogatina

Depois de ter escancarado a jogatina eletrônica para aumentar a arrecadação, Lula 3.0 cogita colocar um esparadrapo na ferida onde mais de 20 milhões de pessoas fazem apostas.

Uma portaria obrigará o cidadão a esperar cinco segundos entre uma aposta e outra.

Ganha outro fim de semana em Teerã quem souber por que o intervalo entre uma aposta e outra não foi fixado em um minuto.

Lula se mete em sinuca ao anunciar nova conversa com Trump, Elio Gaspari ,FSP

 Ao anunciar em público que pretende ter uma nova conversa com Donald Trump, Lula meteu-se numa encrenca típica da diplomacia de palanque.

Se a conversa acontecer depois da concessão de agrément a Daniel Perez, ficará a impressão de que cedeu. Se não acontecer depois, ele ficará como intransigente.

Três homens em trajes formais conversam em corredor com paredes brancas. Dois retratos emoldurados de presidentes históricos estão pendurados na parede atrás deles, com placas descritivas abaixo. Texto dourado na parede diz 'The Presidential Walk'. Flores desfocadas aparecem em primeiro plano.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca - Ricardo Stuckert/PR

Fantasias de marqueteiro

Pela ação de seus adversários internos e externos, Lula chega ao fim do seu mandato estranhado com os presidentes dos Estados Unidos e da Argentina. Ambos dizem o que lhes vem à cabeça.

Em 2023, quando voltou ao Planalto, seus áulicos viam-no numa caminhada em direção ao prêmio Nobel da Paz. Lá atrás, Lula achava que podia ajudar a acabar com a guerra da Ucrânia.

Argentina

Quem conhece o estilo de Javier Milei acredita que o presidente argentino passará de incendiário a socorrista depois da eleição de outubro.