domingo, 5 de abril de 2026

Daniel Vorcaro teme que ex-amigos avancem sobre o seu patrimônio no exterior, Elio Gaspari ,FSP

 Daniel Vorcaro teme que ex-amigos avancem sobre o seu patrimônio no exterior.

Faz muito bem. Conta a lenda que em março de 1965, quando o empresário Mário Wallace Simonsen morreu em Paris, um amigo de toda a vida foi para o aeroporto, voou para Genebra e limpou sua conta bancária.

Homem de cabelos escuros penteados para trás, vestido com terno preto, camisa branca e gravata cinza, segura microfone com a mão direita enquanto fala sentado em cadeira branca. Ao lado direito, há uma garrafa de água e um copo sobre uma mesa pequena. Fundo azul com logotipos da empresa 'esfera' visíveis.
O ex-banqueiro dono do Banco Master, Daniel Vorcaro - Rubens Cavallari/Folhapress

O empresário era um grande exportador de café e havia sido dono da empresa de transporte aéreo Panair e da TV Excelsior, ambas falecidas. Simonsen transitava com desembaraço no governo de João Goulart, deposto um ano antes.

Vagas no STF

Pelo calendário gregoriano, o presidente eleito em outubro teria duas vagas no Supremo Tribunal. A de Luiz Fux em 2028 e a de Cármen Lúcia, em 2029.

Pelo movimento da maré eleitoral e pelas revelações trazidas pelo Banco Master, as vagas poderão ser quatro, somando-se as cadeiras de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

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Se Lula emplacar a reeleição, governará com 7 dos 11 ministros indicados por ele.

Tramitam no Senado 97 projetos impedindo cada um deles ou os dois, e a bancada inimiga no Senado tende a crescer.


Donald Trump fez mais uma depois da batatada sobre rendição incondicional do Irã

  • Presidente disse que 'vamos fazê-los voltar à Idade da Pedra'
  • Americano apropria-se de expressões valorizadas pela história
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Depois da batatada na qual disse que buscava uma "rendição incondicional" do Irã, Donald Trump fez mais uma. Anunciou que "vamos fazê-los voltar à Idade da Pedra, onde é o lugar deles".

Trump apropria-se de expressões valorizadas pela história. "Rendição incondicional" era parte do ultimato dos Aliados contra a Alemanha e o Japão na Segunda Guerra Mundial. Prevaleceu.

Ex-presidente dos Estados Unidos sentado em cadeira, com as mãos levantadas e abertas à frente do corpo, falando. Bandeira americana desfocada ao fundo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante cerimônia na Casa Branca - Evan Vucci -31.mar.26/Reuters

Jogar um país na Idade da Pedra foi a ameaça do general americano Curtis LeMay (1906-1990). Em 1965, ao falar dos ataques americanos contra o Vietnã do Norte: "Vamos bombardeá-los levando-os de volta à Idade da Pedra".

LeMay não comia mel, comia abelha e foi um grande chefe militar durante a Segunda Guerra. Só em 1965 os Estados Unidos jogaram 60 mil toneladas de bombas no Vietnã, e o país não foi para a Idade da Pedra. Deu-se o oposto, em 1975 os americanos foram-se embora, o Norte anexou o Vietnã do Sul e Saigon, sua capital. Chama-se hoje Ho Chi Minh, em homenagem ao chefe da insurreição.

Quando a receita desandou, LeMay negava que tivesse dito a frase.

Álvaro Machado Dias Salto gigante no tratamento de Parkinson contrasta com atraso de mentalidade, FSP

 Parkinson é a doença neurodegenerativa que mais cresce no mundo. As causas empilham predisposição genética, contaminantes ambientais, de agrotóxicos a solventes industriais, e o envelhecimento, que reduz a capacidade do organismo de manter seu equilíbrio interno.

Muita gente associa a doença a tremores, mas na minha experiência, a maioria dos pacientes com esse tipo de queixa sofre de crises de ansiedade, não de Parkinson. A doença real costuma se anunciar de formas insuspeitas: perda de olfato, constipação, dificuldade para iniciar a micção, rigidez muscular, entre outros.

Há evidências de que, em muitos casos, o processo começa no sistema nervoso entérico, a rede de neurônios do intestino, e só depois alcança o cérebro, onde a destruição dos neurônios que produzem dopamina instala o quadro motor clássico. Nenhum tratamento até hoje conseguiu repor esses neurônios. Agora, o Japão mudou esse cenário.

Mão envelhecida repousa sobre o peito de uma pessoa vestindo blusa preta de renda com decote em gota.
Idosa diagnosticada com doença de Parkinson em Buenos Aires - Juan Mabromata - 29.ago.25/AFP

O procedimento recém-aprovado envolve a transferência de células-tronco que irão se converter em neurônios dopaminérgicos. Não leia como cura. A patologia afeta outros circuitos além dos da dopamina; as células-tronco não são implantadas na área em que os neurônios mais morrem, mas na que recebe suas projeções; as novas células não se conectam com a mesma desenvoltura das nativas; e não temos um anticorpo capaz de impedir que a proteína tóxica que matou as originais infecte suas substitutas após alguns anos. Ainda assim, esse é o maior salto no tratamento da doença em décadas.

A ideia de transplantar neurônios para o cérebro de pacientes com Parkinson existe desde os anos 1980. O culpado mais óbvio para essa demora é a indústria farmacêutica, que tem tudo a perder com uma terapia restaurativa como aprendemos no cinema engajado. Só que a grande vedete das neurociências clínicas das últimas décadas são as próteses cerebrais, como as que Elon Musk está construindo pela Neuralink, que igualmente mandam a farmacologia às favas.

Existe uma razão profunda para apostarmos como sociedade em enfiar hardwares no cérebro e em medicações de eficácia conhecidamente limitada e declinante. Um eletrodo estimula uma região, um chip decodifica um sinal, uma droga compensa uma molécula ausente: são intervenções que a ciência sabe projetar, testar e controlar.

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Uma célula-tronco implantada precisa sobreviver, migrar, formar sinapses com neurônios que ela não conhece e produzir dopamina por conta própria. Não se programa isso; criam-se condições e confia-se no que o organismo faz com elas, o que para muitos soa como bobagem.

A ciência mainstream se baseia na premissa de que os recursos médicos são acessórios para a vida. O paciente ganha um diagnóstico e com ele um passe para um acompanhamento a ser encerrado no dia da sua morte. A IA generativa obedece à mesma lógica: um copiloto surgido há dois anos e que hoje incorporamos como parte da nossa rotina até o último dos nossos dias, o que talvez seja positivo, mas no mínimo mereceria uns cinco minutos de reflexão.

Estamos longe de concluir o mapeamento das conexões cerebrais humanas. O que parece mágico é a percepção de que isso não é necessariamente essencial, desde que a gente saiba oferecer ao organismo as amostras certas de vida para que ele se restabeleça.