quinta-feira, 9 de março de 2023

Deputados pedem a cassação de Nikolas Ferreira por discurso transfóbico com peruca, FSP

 Deputados federais de PSB, PSOL, PDT e PC do B decidiram enviar ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados uma representação contra o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) pela suposta prática do crime de transfobia. Os signatários pedem que seu mandato seja cassado por quebra de decoro parlamentar.

Nikolas foi à tribuna do plenário nesta quarta-feira (8) para discursar sobre o Dia da Mulher. Ao tomar a palavra, colocou uma peruca loira na cabeça e ironizou a existência de mulheres transexuais.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ironiza mulheres transexuais em discurso no plenário da Câmara nesta quarta (8), durante o Dia da Mulher - Reprodução

"Hoje eu me sinto mulher. Deputada Nicole", afirmou. "As mulheres estão perdendo seu espaço para homens que se sentem mulheres. Para vocês terem ideia do perigo de tudo isso, eles estão querendo colocar a imposição de uma realidade que não é a realidade", continuou.

"Ou você concorda com o que estão dizendo ou, caso contrário, você é um transfóbico, um homofóbico e um preconceituoso", disse ainda. O deputado já responde a um processo na Justiça por uma fala transfóbica feita contra a deputada Duda Salabert (PDT-MG).

Para a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), uma das idealizadoras do requerimento, as falas feitas em plenário ferem a liberdade de discurso que é prevista pela imunidade parlamentar. "O Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo. O segundo é o México, que não tem nem metade dos casos", diz a deputada. "Não vamos tolerar tamanha violência na Casa do povo."

A parlamentar do PSB também se manifestou no plenário e convidou outros colegas da Câmara a aderirem ao seu pedido de cassação. "Estamos falando de um homem que, no Dia Internacional das Mulheres, tirou o nosso tempo para fazer uma fala preconceituosa, absurda e nojenta", disse.

Além da representação encabeçada pelos partidos, Nikolas Ferreira se tornou alvo de duas notícias-crimes enviadas ao Supremo Tribunal Federal (STF). A primeira delas é assinada pela federação composta por PSOL e Rede, e a segunda, pelas deputadas Tabata Amaral e Duda Salabert e pelo senador Alessandro Vieira (PSDB-SE).

"A estratégia dos bolsonaristas e transfóbicos é antiga: usam nossas vidas de escada para se construir", afirmou a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Ela é uma das primeiras parlamentares trans eleitas para a Câmara.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro (PL), saiu em defesa do discurso transfóbico de seu colega de partido. Em publicação nas redes sociais, ele chamou Tabata Amaral de "Batata".

"Deputado @nikolasferreiradm flui de gênero no meio do discurso e Batata diz que vai botá-lo no conselho de ética por disso", escreveu Eduardo nas redes.

Em 2022, Nikolas foi deputado federal mais votado do país. Ele liderou com folga a corrida pela Câmara em Minas Gerais, com 1.492.047 votos —o segundo colocado, André Janones (Avante), tinha 238 mil, e a terceira, Duda Salabert (PDT), 208 mil.

Ainda que expressiva, a votação de Ferreira não supera a do deputado federal mais votado da história do país, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que em 2018, ainda pelo PSL, recebeu 1.843.735 votos, superando com folga os 1.573.642 votos obtidos pelo recordista anterior, Enéas Carneiro (Prona-SP), em 2002.

O mineiro integrou a comitiva do presidente Jair Bolsonaro na visita a países árabes, em 2021, e foi barrado em setembro do mesmo ano ao tentar entrar no Cristo Redentor sem comprovante de vacinação.

Escândalo do colar desmoralizou monarquia francesa com acusação injusta contra rainha, FSP

 João Batista Natali

SÃO PAULO

Muito antes de Michelle Bolsonaro, uma personagem de notoriedade bem maior se deixou envolver em nebuloso caso de um colar de brilhantes.

Foi a rainha Maria Antonieta (1755-1793), mulher de Luís 16, rei da França, injustamente acusada no escândalo da compra de uma joia que hoje valeria US$ 27 milhões.

Conjunto de joias e ornamentos que assessor de então ministro de Bolsonaro trouxe em mochila e foi apreendido pela Receita
Conjunto de joias e ornamentos que assessor de então ministro de Bolsonaro trouxe em mochila e foi apreendido pela Receita - @Pimenta13Br

O caso eclodiu em 1784 e provocou tamanha desmoralização da monarquia que é inevitável associá-lo ao apressamento da Revolução Francesa, em 1789.

Uma revolução em que Maria Antonieta e o marido perderam o pescoço na guilhotina. O agitado processo levou ao fim do antigo regime e chacoalhou as cabeças coroadas de toda a Europa.

Mas vejamos o caso do colar. A "corretora" da compra da joia, sem nenhuma autorização da própria rainha, foi Madame de La Motte, nobre de poucos recursos e muita pilantragem na cabeça.

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Ela soubera que uma das maiores eminências da igreja francesa na época, o cardeal De Rohan, procurava um meio de se aproximar da rainha. Sugeriu a ele que comprasse o colar, depois de convencê-lo de que a rainha cobiçava secretamente aquela joia.

O colar havia sido produzido nos ateliês, em Paris, dos joalheiros Paul Bassenge e Charles Auguste Böhmer.

Ambos estavam empenhados na confecção daquela peça desde que o monarca francês anterior, Luís 15, a encomendara para sua amante, Madame Du Barry. Foi uma produção lenta, com a escolha das pedras mais translúcidas e mais caras.

Eram 674 diamantes com 2.842 quilates, que os joalheiros financiaram por meio de empréstimos. Especialistas afirmavam na época que nunca o ser humano havia produzido uma joia tão rica e delicada.

Pois bem, um belo dia a polícia descobre que o colar, que não fora ainda pago, havia pura e simplesmente desaparecido. O cardeal De Rohan é preso sob os olhos da corte em Versalhes, e o rei assina decreto internando-o na prisão da Bastilha.

Esse foi um dos enganos de Luís 16. Ao lavar as mãos e ao dar publicidade ao caso, ele pretendia tirar a si próprio e a rainha da linha dos suspeitos.

No entanto, foi o contrário que aconteceu. Além dos muros de Versalhes, a rainha passou a ser apontada como a verdadeira protagonista de uma compra na qual o cardeal e a nobre empobrecida seriam apenas personagens de fachada.

Seguiram-se dois anos de instrução do processo no Judiciário, que na época se chamava Parlamento.

Não havia ainda uma mídia estruturada, que surgiria só no século 19. Mas a França estava mergulhada em panfletos e na emergência daquilo que o filósofo alemão Jürgen Habermas chamou de "espaço público". As pessoas sentiam-se pela primeira vez credenciadas a dar palpites sobre assuntos que ultrapassavam o perímetro de suas famílias ou de suas paróquias.

Com isso, formar opinião contra a rainha virou uma espécie de esporte nacional. Maria Antonieta ainda não havia completado 30 anos quando eclodiu o escândalo. Mas emergia como "culpada", sendo ainda acusada de sacrificar o cardeal para camuflar sua verdadeira responsabilidade.

Antes de se casar com o herdeiro dos Bourbon, a rainha fora uma princesa austríaca da família dos Habsbugo —a mesma na qual nasceu a mãe de d. Pedro 2º, do Brasil.

Nunca foi popular entre os franceses, tendo mesmo passado para a história por uma frase que jamais pronunciou. "Se não têm pão, que comam brioches", ela teria cinicamente aconselhado ao povo famélico que cercou Versalhes durante a Revolução.

Ao fim do processo judicial sobre o colar, o cardeal foi inocentado por pressões da igreja, e Madame de La Mottte, condenada a chicoteadas. Quanto à monarquia, ela dava um novo passo na direção de sua queda.

Lula retoma exigência de vistos para EUA, Japão, Canadá e Austrália, FSP

 

BRASÍLIA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu retomar a exigência de visto para a entrada no Brasil de turistas dos Estados Unidos, Austrália, Canadá e Japão.

O Ministério de Relações Exteriores já está comunicando as representações desses países de que serão cobradas de seus cidadãos as mesmas regras determinadas para brasileiros.

Como o Painel antecipou, o governo já vinha estudando o impacto da medida para o turismo, com a possibilidade de retomar o princípio da reciprocidade, adotado historicamente pelo Itamaraty.

Lula decide retomar exigência de visto para Estados Unidos, Japão, Canadá e Austrália (Foto:Arkgarden/Adobe Stock) - Arkgarden/Adobe Stock

A pasta comparou o ano de 2019, no qual a exigência de visto foi retirada, com o ano anterior e com 2022, quando as restrições em função da pandemia de coronavírus já haviam sido eliminadas.

No caso dos Estados Unidos, o aumento do número de turistas de 2018 para 2019 foi de 12%, saindo de 391 mil para 439 mil. Em 2022, vieram 355 mil americanos, abaixo do nível pré-pandemia.

No Japão, houve um decréscimo de 4% entre 2018 e 2019, de 59 mil para 56 mil. Em 2022, foram 16,8 mil turistas.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) anunciou a revogação da necessidade do visto em março de 2019, às vésperas da viagem que faria para os Estados Unidos, para encontrar o então presidente, Donald Trump.

A isenção de visto se aplicou aos que viajam ao Brasil para fins de turismo, negócios, trânsito e atividades artísticas e esportivas. Também se estendeu para pessoas "em situações excepcionais por interesse nacional".